Saúde

Mosquito da dengue põe 49% das cidades avaliadas em alerta ou risco antes do verão

Vasos, pratos de plantas e garrafas concentram 42,3% dos criadouros achados entre maio e agosto, e caixas d'água e tonéis respondem por outros 26,1%.

Fêmea do mosquito Aedes aegypti pousada sobre a pele de uma pessoa
Fêmea do Aedes aegypti, mosquito que transmite dengue, chikungunya e zika, pousa sobre a pele de uma pessoa, em imagem de 2006.Foto: James Gathany / Wikimedia Commons · domínio público

O Ministério da Saúde informou na quarta-feira (7) que 49,2% dos 3.732 municípios avaliados estão em alerta ou risco para o Aedes aegypti. Para o morador, o dado tem endereço certo: a maior parte dos focos do mosquito está dentro de casa e no quintal.

Os números são do segundo ciclo de 2026 do LIRAa, o levantamento rápido em que agentes de saúde vistoriam imóveis sorteados à procura de larvas. As visitas foram feitas entre maio e agosto. O mosquito transmite a dengue, a chikungunya e a zika.

Pelos critérios do ministério, uma cidade entra em alerta quando de 1% a 3,9% dos imóveis vistoriados têm larvas, e em risco de surto acima disso. Abaixo de 1%, a situação é considerada satisfatória. A nota divulgada não separa quantos municípios estão em cada faixa nem traz a lista por estado.

O retrato chega às vésperas da estação em que o mosquito mais se reproduz. O ministério cita a aproximação do verão e as condições do clima associadas ao El Niño como motivo para estados e prefeituras anteciparem a prevenção.

Dentro das casas, o problema é a água parada em objetos pequenos. Vasos e pratos de plantas, garrafas e outros recipientes somam 42,3% dos criadouros encontrados. Depois vêm os reservatórios, como caixas d'água e tonéis, com 26,1%, e os pneus e resíduos sólidos, caso de garrafas PET, latas e entulho, com 23%.

Vasos e garrafas concentram os focos do mosquito (% dos criadouros encontrados)
Vasos, pratos de plantas e garrafas42,3
Caixas d'água e tonéis26,1
Pneus e resíduos sólidos23

Fonte: Ministério da Saúde, LIRAa, 2º ciclo de 2026 (maio a agosto)

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O tipo de foco muda de uma região para outra. No Norte, predominam pneus e lixo acumulado. No Nordeste, o destaque são os recipientes usados para guardar água. No Sudeste, no Sul e no Centro-Oeste, a maior concentração fica em vasos, pratos de plantas e garrafas.

O alerta vem num ano de menos doença. Até 26 de setembro, o país contou 470,5 mil casos prováveis de dengue, contra 1,5 milhão no mesmo período de 2025, queda de cerca de 70%, segundo o ministério. A chikungunya e a zika também recuaram.

Doença20252026Variação
Dengue1,5 milhão470,5 milcerca de -70%
Chikungunya118.88567.902-43%
Zika3.7242.141-35%

Fonte: Ministério da Saúde, casos prováveis até 26 de setembro de 2026 e no mesmo período de 2025

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Para acompanhar o mosquito entre um levantamento e outro, cerca de 2 mil municípios usam ovitrampas, armadilhas que recolhem os ovos e mostram onde ele circula mais. Segundo a pasta, está prevista a formação de mais 300 mil profissionais até o fim do ano.

Escolas, unidades de saúde e outros locais de grande circulação recebem a borrifação residual, um inseticida aplicado dentro dos imóveis. A pasta cita ainda as estações que espalham larvicida e o método Wolbachia, com mosquitos portadores de uma bactéria que dificulta a transmissão dos vírus.

A dengue não foi o único aviso da semana. O ministério também reforçou o alerta para a vacinação contra o sarampo, diante do avanço da doença nas Américas.


A orientação aos moradores é vistoriar a casa e o quintal com regularidade, o ano todo. Caixas d'água, tonéis e cisternas devem ficar bem fechados. Garrafas e baldes são guardados de boca para baixo, e calhas e ralos, mantidos limpos. Pneus, latas, plásticos e entulho precisam de destino adequado, longe da chuva.

Dúvidas sobre dengue, chikungunya e zika podem ser tiradas de graça no Disque Saúde, pelo telefone 136.

#Saúde#AedesAegypti#MinistérioDaSaúde#LIRAa#ElNiño

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