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Ciclone extratropical: o que é, como se forma e qual a diferença entre ciclone e furacão
O sistema que levou vento forte ao litoral gaúcho e catarinense no fim de semana entra em oclusão nesta segunda (19), com geada e mínima de 3 °C no Paraná.

Ciclone extratropical é uma área de baixa pressão que se forma fora da faixa tropical, entre 30° e 60° de latitude, sempre ligada a uma frente fria, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). É o tipo de ciclone mais comum no Brasil e, quando passa perto da costa, traz vento forte, mar agitado, chuva e, logo depois, ar frio.
O último deles se formou na sexta-feira (16) sobre o Atlântico Sul, perto do litoral da Região Sul. O Inmet emitiu aviso laranja de ventos costeiros para a faixa litorânea do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina no sábado (17). No domingo (18), o aviso caiu para amarelo, de perigo potencial, e valeu até as 23h59 em cidades do litoral gaúcho, catarinense e paranaense.
Pela previsão do instituto, o ciclone começa a se afastar nesta segunda-feira (19) e entra em fase de oclusão, quando perde força. A massa de ar frio que vem atrás dele mantém a geada nas madrugadas no centro, no sul e no sudoeste do Paraná, com mínimas de até 3 °C. Curitiba amanhece com 8 °C nesta segunda e não passa de 16 °C.
- O que éÁrea fechada de baixa pressão, com ventos girando em sentido horário no Hemisfério Sul
- Onde se formaEntre 30° e 60° de latitude, sobre o mar ou o continente
- Ligação com frente friaSempre, segundo o Inmet
- Centro do sistemaFrio, mais frio que o ar em volta
- ÉpocaO ano todo, com mais frequência no inverno
- TamanhoMilhares de quilômetros de diâmetro
- Quem avisaInmet, Marinha do Brasil e defesas civis estaduais
- Alerta no celularSMS com o CEP para o 40199, de graça
A palavra “extratropical” só indica o lugar de nascimento: fora dos trópicos. Ela não diz nada sobre a força do sistema. Um ciclone extratropical pode passar quase despercebido em alto-mar ou provocar estragos sérios, como os de junho e setembro de 2023 no Rio Grande do Sul.
| Tipo | Onde se forma | Centro | Frente fria | Exemplo no Brasil |
|---|---|---|---|---|
| Extratropical | Entre 30° e 60° de latitude | Frio | Sempre | Ciclone de junho de 2023 no RS |
| Subtropical | Entre 20° e 40°, mais no litoral do Sudeste e da Bahia | Quente embaixo, frio em cima | Nem sempre | Tempestade subtropical Ubá, 2021 |
| Tropical | Entre 20° Sul e 20° Norte, sobre mar quente | Quente, da superfície ao alto | Nunca | Catarina, 2004 |
| Furacão | É o ciclone tropical no Atlântico Norte e no Pacífico Nordeste, com vento sustentado acima de 119 km/h | Quente | Nunca | Comum no Caribe e nos Estados Unidos, não no Brasil |
Fonte: Inmet e Marinha do Brasil, 2021 a 2026.
Como se forma um ciclone extratropical
Todo ciclone é, antes de tudo, uma área fechada de baixa pressão. No Hemisfério Sul, os ventos giram em volta dela no sentido horário, explica o Inmet. Esse giro leva umidade para o centro. Ali, o ar quente e úmido sobe, esfria e forma nuvens carregadas.
O extratropical nasce do encontro entre ar quente e ar frio. Ele aparece junto de uma frente fria, que é a faixa onde uma massa de ar frio empurra o ar mais quente. Por isso, o centro do sistema é mais frio que o ar em volta, ao contrário do que acontece nos furacões. A força dele é medida pela pressão: quanto mais baixa, mais intenso o ciclone.
No Brasil, o roteiro costuma ser parecido. Uma área de baixa pressão se organiza sobre o norte da Argentina, o Paraguai ou o Uruguai, ganha força perto do litoral gaúcho e segue para o oceano. A frente fria ligada a ela sobe pela costa e leva chuva ao Sudeste. Depois vem uma massa de ar frio e seco, com queda forte de temperatura.
Foi o que aconteceu neste fim de semana. Enquanto o ciclone soprava o litoral do Sul, a frente fria avançou pela costa do Sudeste até o sul da Bahia. O Inmet manteve aviso laranja de tempestade no leste de Minas Gerais, no Espírito Santo e no norte do Rio de Janeiro no sábado. São Paulo teve domingo de 14 °C a 19 °C, segundo a previsão do instituto.
O Sul fica no caminho porque está na borda da faixa onde esses ciclones nascem. O Rio Grande do Sul é o estado mais perto dela. Os sistemas aparecem o ano todo, mas são mais frequentes no inverno, segundo o Inmet. O Sudeste sente sobretudo a frente fria, e raramente o centro do ciclone.
26 hPa
foi a queda de pressão em 24 horas prevista para o ciclone de agosto de 2026, ritmo compatível com “ciclone bomba”
Fonte: Inmet, 4 de agosto de 2026
O caso mais temido é a ciclogênese explosiva, que o Inmet também chama de bombogênese e que ficou conhecida como “ciclone bomba”. É quando a baixa pressão se aprofunda muito rápido.
Em agosto deste ano, o instituto previu que a pressão de um ciclone entre o Uruguai e o litoral gaúcho cairia de cerca de 967 hPa para 941 hPa em um dia. A previsão era de rajadas acima de 100 km/h no oceano e de mais de 60 km/h na costa do RS e de SC.
Ciclone não é sinônimo de tragédia. A maior parte deles passa em alto-mar, e o efeito em terra se resume a vento, mar agitado e frio.
O risco cresce quando o centro passa perto da costa ou quando a frente fria despeja chuva forte sobre áreas de encosta e beira de rio. Esse acompanhamento é feito todos os dias por meteorologistas do Inmet, da Marinha e do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do Inpe.
Ciclone, ciclone subtropical e furacão: a diferença
A diferença entre ciclone e furacão está na origem e no centro do sistema. Furacão é o nome que o ciclone tropical recebe no Atlântico Norte e no Pacífico Nordeste quando o vento sustentado passa de 119 km/h. No Pacífico Oeste, o mesmo fenômeno se chama tufão. Todo furacão é um ciclone, mas nem todo ciclone é furacão.
O ciclone tropical se forma entre 20° Sul e 20° Norte, sobre mar quente, e tira energia do calor da água, segundo o Inmet. O centro dele é quente e vai da superfície até as camadas mais altas da atmosfera. Ele nunca está ligado a uma frente fria. Costuma ser menor que o extratropical, mas concentra ventos mais fortes perto do olho.
O subtropical fica no meio do caminho. Tem centro quente perto da superfície e frio no alto, e nem sempre vem com frente fria. Aparece mais entre o litoral do Sudeste e o da Bahia, costuma se formar na primavera e em geral é menos intenso, de acordo com o instituto.
“Para que haja a classificação do ciclone como tempestade subtropical e a sua nomeação, os ventos deverão ser iguais ou superiores a 34 nós.”
Quem dá nome aos ciclones na área do Brasil é a Marinha, pelas normas da autoridade marítima para a meteorologia. O nome só vem quando o vento chega a 34 nós, cerca de 63 km/h. Abaixo disso, o sistema é chamado de depressão subtropical. A lista usa palavras de origem tupi-guarani, em ordem alfabética, e o nome não indica a força do fenômeno, lembra o Inmet.
A tempestade subtropical Ubá é um exemplo. Ela se formou na manhã de 10 de dezembro de 2021, a cerca de 930 quilômetros a leste do Rio Grande do Sul. O vento foi estimado em 65 km/h, segundo o Centro de Hidrografia da Marinha.
Ubá quer dizer “canoa indígena” em tupi-guarani. A previsão era de ondas de até 5 metros em alto-mar, sem mau tempo no litoral, por causa da distância da costa.
Ciclones extratropicais, os mais comuns, não ganham nome. Isso explica por que os sistemas que mais causaram estragos no Sul nos últimos anos são lembrados pela data, e não por um nome próprio.
- 27 e 28 de março de 2004Ciclone tropical Catarina atinge o sul de SC e o litoral norte do RS, com 11 mortes, segundo o Inmet
- 30 de junho de 2020Ciclone extratropical leva rajadas acima de 130 km/h a SC; 152 cidades têm ocorrências, informa o governo catarinense
- 10 de dezembro de 2021Marinha nomeia a tempestade subtropical Ubá, a 930 km da costa gaúcha
- Junho de 2023Ciclone extratropical deixa 16 mortos no RS, maior número de mortes por chuva em 40 anos, segundo a Defesa Civil
- Setembro de 2023Ciclone extratropical atinge 108 cidades gaúchas; Defesa Civil contabiliza 51 mortes até outubro
- 17 de outubro de 2026Ciclone perto da costa do Sul leva aviso laranja de ventos costeiros ao litoral do RS e de SC
Os balanços oficiais mostram por que o alerta importa. No ciclone de junho de 2023, choveu em 24 horas mais do que o esperado para o mês inteiro de junho, acima de 200 milímetros, segundo o governo gaúcho. Os Bombeiros fizeram 2.471 salvamentos e, no pico, 4.047 pessoas ficaram desabrigadas. Caraá, no Litoral Norte, teve cinco das 16 mortes.
Em setembro do mesmo ano, as cheias atingiram o Vale do Taquari. Muçum e Roca Sales concentraram a maior parte das mortes, segundo a Defesa Civil do RS, que contou 404,6 mil pessoas afetadas em 108 municípios. Desde março de 2026, o governo gaúcho mantém a plataforma gratuita ClimaRS, que reúne em tempo real dados do tempo, nível dos rios e alertas de risco.
Alertas do Inmet e o que fazer antes e durante
Os avisos do Inmet usam três cores, e cada uma tem limites de chuva e de vento definidos. Num ciclone extratropical, o mais comum é o aviso de ventos costeiros, que fala em vento forte na orla e areia das dunas sobre construções. Com a frente fria, entram os avisos de tempestade e de chuvas intensas.
| Cor | Nível | Chuva | Vento | Riscos citados pelo Inmet |
|---|---|---|---|---|
| Amarelo | Perigo potencial | 20 a 30 mm/h ou até 50 mm/dia | 40 a 60 km/h | Baixo risco de falta de luz, queda de galhos e alagamentos |
| Laranja | Perigo | 30 a 60 mm/h ou 50 a 100 mm/dia | 60 a 100 km/h | Risco de corte de energia, queda de árvores e alagamentos |
| Vermelho | Grande perigo | Acima de 60 mm/h ou de 100 mm/dia | Acima de 100 km/h | Grande risco de danos em edificações, falta de luz, queda de árvores e alagamentos |
Fonte: avisos meteorológicos do Inmet, outubro de 2026.
O alerta não significa que a tempestade vai cair em todas as cidades da área. Ele indica que há condição para isso. A orientação dos avisos é procurar a Defesa Civil, pelo 199, e o Corpo de Bombeiros, pelo 193, quando houver dúvida ou risco.
Antes de o ciclone chegar, o primeiro passo é ter o aviso no celular. Siga a ordem abaixo:
- Mande uma mensagem de texto com o CEP de casa para o número 40199. O cadastro é gratuito e vale também para o CEP de outra área de interesse, como o do trabalho.
- Ative os alertas de emergência do celular. No iPhone, ficam em Ajustes, Notificações, alertas “Severo” e “Teste”. No Android, em Configurações, Notificações, alertas de emergência sem fio.
- Para receber conteúdo da Defesa Civil nacional pelo WhatsApp, salve o número (61) 2034-4611 e mande “Oi”.
- Confira os avisos do Inmet para a sua cidade no site ou no aplicativo do instituto.
- Se você vai ao mar, para pescar ou velejar, veja antes os avisos de mau tempo e de ressaca da Marinha, que também saem no aplicativo Boletim ao Mar.
Os alertas por cell broadcast não precisam de cadastro. Eles chegam com som alto e tela travada, mesmo no modo silencioso, mas só são usados em alertas severos e extremos, informa o governo gaúcho.
Durante o vento forte, os avisos do Inmet trazem três orientações fixas. Não se abrigue debaixo de árvores, pelo risco de queda e de descargas elétricas. Não estacione o carro perto de torres de transmissão e placas de propaganda. Evite usar aparelhos ligados na tomada.
Quem mora em encosta, beira de rio ou área que já alagou deve ficar atento às mensagens da Defesa Civil e sair de casa se a ordem vier. Na orla, a recomendação é ficar longe do mar durante a ressaca. Pais de alunos podem acompanhar os avisos de suspensão de aulas, que saem pelas secretarias estaduais e municipais de educação quando a situação exige.
O ciclone deste fim de semana chegou num ano de El Niño muito forte, fenômeno que altera a chuva e a temperatura no Sul. Nas últimas semanas, a região também teve avisos de geada no Paraná e em Santa Catarina e a cheia do rio Uruguai na fronteira oeste gaúcha.
Nesta segunda-feira (19), o ciclone segue para o oceano, e o frio domina o Sul. O Inmet prevê geada no norte do Rio Grande do Sul, nas serras e no centro de Santa Catarina e no sudoeste, sul, centro e leste do Paraná. Porto Alegre deve variar de 9 °C a 18 °C, e Florianópolis, de 12 °C a 20 °C.
Como citar: Ouviram (18 out. 2026). «Ciclone extratropical: o que é, como se forma e qual a diferença entre ciclone e furacão». ouviram.com.br/brasil/ciclone-extratropical-o-que-e-como-se-forma
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
Ciclone extratropical pode virar furacão?
Pode mudar de característica, mas é raro. O Catarina, de março de 2004, nasceu de um sistema extratropical e ganhou feições de ciclone tropical antes de chegar à costa entre Santa Catarina e o Rio Grande do Sul.
Quanto tempo dura um ciclone extratropical?
Em geral, alguns dias. O deste fim de semana se formou na sexta-feira (16) perto da costa do Sul e, pela previsão do Inmet, se afasta para o oceano a partir de segunda-feira (19).
Ciclone extratropical chega a São Paulo?
O centro do ciclone costuma ficar sobre o oceano, longe da capital. O que chega ao Sudeste é a frente fria ligada a ele, com chuva, vento e queda de temperatura.
O que é ressaca do mar?
É a agitação forte do mar com ondas altas que avançam sobre a orla. A Marinha publica os avisos de ressaca e de mau tempo para o litoral e orienta pescadores e banhistas a consultá-los antes de sair.
Qual o telefone da Defesa Civil?
O número nacional é o 199. Em caso de risco imediato, como desabamento ou pessoa presa, ligue também para os Bombeiros, no 193.
Ciclone extratropical tem nome?
Em regra, não. A Marinha só dá nome a ciclones subtropicais e tropicais na área de responsabilidade do Brasil no Atlântico Sul, quando o vento chega a 34 nós.
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1. Em que sentido giram os ventos de um ciclone no Hemisfério Sul?
No Hemisfério Sul, os ventos de um ciclone giram no sentido horário em torno do centro de baixa pressão, segundo o Inmet.
2. Como se chamou o ciclone tropical que atingiu o Sul do Brasil em março de 2004?
Foi o Catarina, em março de 2004, que atingiu o sul de Santa Catarina e o litoral norte do Rio Grande do Sul, segundo o Inmet.
3. Quantos nós de vento um ciclone subtropical precisa para ganhar nome da Marinha?
São 34 nós, cerca de 63 km/h, pelas normas de meteorologia marítima da Marinha do Brasil.
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