Fumaça de incêndio em área de descarte cobre Manaus, e Ipaam aplica multa de R$ 5,555 milhões
O fogo começou na terça-feira (6) no Distrito Industrial 2, atingiu mais de 15 mil metros quadrados e ainda tinha focos no fim da tarde desta quarta.

Manaus passou esta quarta-feira (7) sob a fumaça de um incêndio que dura mais de 24 horas no Distrito Industrial 2, segundo os bombeiros. O ar ficou muito ruim ou péssimo em 12 de 14 pontos medidos na cidade, e o órgão ambiental do estado multou a responsável pela área em R$ 5,555 milhões.
O fogo começou na tarde de terça-feira (6) num terreno de descarte de resíduos na Avenida dos Oitis, na zona Leste. Atingiu mais de 15 mil metros quadrados, cerca de dois campos de futebol, e exigiu mais de 150 mil litros de água, de acordo com o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas.
As chamas estão confinadas e não há risco de avanço, informou a corporação. Não há registro de mortos nem de feridos.
Pela manhã, os bombeiros estimaram que o combate aos focos que restam levaria de 24 a 48 horas, porque o material queima em camadas mais fundas do terreno. No fim da tarde desta quarta, as equipes continuavam no local.
A multa do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) saiu depois de uma vistoria feita com drone. Os fiscais encontraram pneus, plásticos e materiais com restos de óleo e tinta. A licença do terreno, emitida em abril, só permitia receber resíduos inertes da construção civil, como entulho.
“O licenciamento ambiental estabelece quais materiais podem ser recebidos em cada empreendimento”, afirmou o diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, em nota. “Quando essas condições são descumpridas e a destinação irregular provoca um impacto ambiental, como a poluição atmosférica, o Ipaam atua para responsabilizar o responsável e aplicar as medidas previstas na legislação.”
O efeito mais sentido pelos moradores foi no ar. Às 19h05 em Manaus (20h05 em Brasília), 12 dos 14 sensores ativos na cidade marcavam mais de 75 microgramas de partículas finas por metro cúbico. É a faixa que o sistema Selva, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), chama de muito ruim ou péssima.
Os dados foram consultados pelo Ouviram no sistema. Segundo o próprio Selva, as leituras dos sensores não servem para fins regulatórios.
Em cinco pontos, a concentração passava de 125 microgramas, e a maior leitura era de 145,8. O Selva considera o ar bom até 25. Partículas finas são a fuligem que chega ao fundo dos pulmões, e para índices como os desta quarta o sistema recomenda evitar atividades ao ar livre e usar máscara.
A orientação vale também para quem tem criança em casa ou na escola: brincadeiras e esportes ao ar livre devem esperar a fumaça baixar.
A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), autarquia federal, informou em nota que acompanha o caso desde a tarde de terça e que representantes estiveram no terreno. Segundo a autarquia, a prioridade é preservar vidas e apoiar as equipes de combate.
O incêndio ocorre com o rio Negro em vazante, a fase do ano em que as águas baixam na capital. Em setembro, o Amazonas teve 3.726 focos de queimadas, quase quatro vezes o total de um ano antes, segundo o INPE.
A responsável pela área, cujo nome o Ipaam não divulgou, tem 20 dias para apresentar defesa ou pagar a multa. O instituto ainda vai avaliar se houve contaminação do solo e da água subterrânea, e a causa do fogo não foi determinada.
Novos focos devem ser comunicados ao Corpo de Bombeiros pelo 193, e o Samu atende casos de falta de ar pelo 192.
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