Trabalho escravoNotícia

Lista suja do trabalho escravo ganha 82 nomes; Minas Gerais lidera com 19 casos

Os casos envolvem 553 trabalhadores resgatados em 21 estados, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego. Criação de gado de corte e trabalho doméstico são as atividades com mais inclusões.

Fotos produzidas pelo Senado
Foto: Senado Federal / CC BY 2.0

A lista suja do trabalho escravo recebeu 82 novos empregadores na terça-feira (6), segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). São 54 pessoas físicas e 28 empresas. Os casos envolvem 553 trabalhadores encontrados em condições análogas à escravidão entre 2024 e 2026.

Trabalho análogo à escravidão é, pelo Código Penal, o que submete a pessoa a trabalho forçado, jornada exaustiva, condições degradantes ou restrição de locomoção por dívida com o empregador. O cadastro é atualizado a cada seis meses; a versão anterior saiu em 6 de abril de 2026.

Por que importa

A lista mostra onde a fiscalização encontrou esses casos e em que atividades. Qualquer pessoa ou empresa pode consultá-la no site do MTE, por exemplo antes de fechar negócio com um fornecedor.

O número de inclusões caiu 51,48% em relação à atualização de abril, segundo o ministério. Ao mesmo tempo, 151 nomes saíram da lista por completar dois anos de publicação, o prazo previsto nas regras do cadastro.

Onde estão os casos

Minas Gerais concentra 19 das 82 inclusões, seguida pela Bahia, com oito, segundo o MTE. Amazonas e Maranhão têm seis casos cada.

Novas inclusões na lista suja por estado, outubro de 2026 (empregadores)
MG19
BA8
AM6
MA6
MS4
SP4
RS4
PI4
MT3
PE3
RR3

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego, 6 de outubro de 2026

Paraná, Goiás, Santa Catarina, Pará, Espírito Santo, Tocantins, Rondônia e Paraíba têm dois casos cada. Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro, um cada. Há casos em todas as cinco regiões do país.

Em que atividades

A criação de gado de corte lidera, com oito inclusões. Em seguida vêm o serviço doméstico (7), a produção de carvão vegetal (6), a produção de café (6) e a construção de edifícios (5), segundo o ministério.

O trabalho doméstico em segundo lugar chama atenção: são casos dentro de casas de família. Pela Lei Complementar 150, de 2015, quem trabalha em casa de família tem direito a carteira assinada, salário mínimo, jornada limitada, férias e 13º salário, como qualquer empregado.

Como um nome entra na lista

O caminho começa numa fiscalização de auditores-fiscais do Trabalho, em geral com a Polícia Federal, o Ministério Público do Trabalho, o Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União. Se a equipe encontra trabalho análogo à escravidão, lavra um auto de infração específico.

Esse auto vira um processo administrativo, com direito a defesa em duas instâncias. O nome só entra no cadastro quando não cabe mais recurso, explica o MTE. Depois, fica publicado por dois anos.

Em 2020, o Supremo Tribunal Federal julgou o cadastro constitucional. Na decisão, o STF entendeu que a lista não é uma punição, e sim um instrumento de transparência dos atos do poder público. As regras atuais estão na Portaria Interministerial nº 18, de 13 de setembro de 2024.

Quem fiscaliza e quantos já foram resgatados

O Grupo Especial de Fiscalização Móvel, coordenado pela Auditoria Fiscal do Trabalho, completou 30 anos em maio de 2025 e atua em todo o país. Desde 2026, todas as unidades da Federação têm equipes dedicadas ao combate ao trabalho análogo à escravidão, segundo o MTE.

Desde 1995, mais de 70 mil trabalhadores foram resgatados no Brasil, segundo o ministério. Eles receberam mais de R$ 171 milhões em salários e verbas rescisórias pagos durante as próprias operações.

Como denunciar

Se você sabe de alguém trabalhando sem poder ir embora, sem salário, em jornada exaustiva ou em condições degradantes, dá para denunciar sem sair de casa.

  • Onde: no Sistema Ipê, canal do Ministério do Trabalho na internet, criado em 2020 com a Organização Internacional do Trabalho.
  • Sigilo: a denúncia é sigilosa, segundo o MTE, e não é preciso se identificar, segundo o portal gov.br.
  • O que informar: local (cidade, endereço ou referência), tipo de atividade, quantas pessoas e o que você viu. Quanto mais detalhe, mais fácil a fiscalização chegar.
  • Custo: gratuito.

O que vem agora

A lista atualizada já está no site do MTE. A próxima atualização semestral deve sair em abril de 2027. Para entender o mercado de trabalho com carteira assinada, veja os dados mais recentes de emprego e desemprego e o debate sobre a jornada de trabalho e a escala 6x1 no Senado.

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Perguntas frequentes

O que é a lista suja do trabalho escravo?

É o Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão, mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego desde 2003. Os nomes entram só depois de processo administrativo concluído, sem mais recursos.

Quanto tempo um nome fica na lista suja?

Dois anos. Por isso, na atualização de 6 de outubro de 2026, o ministério retirou 151 nomes que completaram esse prazo.

Como denunciar trabalho escravo?

Pelo Sistema Ipê, canal do Ministério do Trabalho criado em 2020 com a Organização Internacional do Trabalho. A denúncia é feita pela internet e é sigilosa.

De quanto em quanto tempo a lista suja é atualizada?

A cada seis meses. A atualização anterior foi em 6 de abril de 2026, e a próxima deve sair em abril de 2027.

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