Sinal de socorro feito por menina leva à prisão de suspeito em Curitiba
Um primo adolescente percebeu o gesto e buscou ajuda num posto, e a Patrulha Escolar da Guarda Municipal fez o flagrante na sexta-feira, 9, no Sítio Cercado.

Uma menina de 9 anos fez o sinal silencioso de pedido de socorro com a mão e ajudou a Guarda Municipal a prender um suspeito no Sítio Cercado, em Curitiba, segundo a prefeitura. O caso aconteceu na manhã da sexta-feira, 9 de outubro, quando ela seguia para a escola.
O gesto é discreto: a mão aberta, o polegar dobrado para dentro e os outros quatro dedos fechados sobre ele. Foi o que um primo adolescente da menina percebeu antes de correr até um posto de combustível para pedir ajuda, de acordo com a prefeitura.
Uma equipe da Patrulha Escolar, que fazia rondas na região da escola, viu a movimentação e prendeu em flagrante o homem, de 54 anos. Ele foi levado ao Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria) e autuado por tentativa de estupro de vulnerável.
Segundo a prefeitura, o suspeito usava tornozeleira eletrônica e cumpria pena em regime aberto por uma condenação de 2017.
O sinal foi lançado em abril de 2020 pela Canadian Women's Foundation, entidade canadense de apoio a mulheres. A pandemia de covid-19 tinha aumentado o risco de violência dentro de casa e o uso de videochamadas, e o gesto permitia pedir ajuda sem deixar rastro digital. Desde então, foi divulgado em cerca de 50 países e 20 idiomas, segundo a fundação.
O gesto não exige palavras nem celular, o que o torna útil também para crianças, como mostrou o caso do Sítio Cercado. Para a fundação, ele não significa necessariamente chamar a polícia: é um pedido para que alguém se aproxime com segurança, ouça e deixe a pessoa dizer do que precisa. Em perigo imediato, a orientação é acionar a emergência.
No Brasil, a Lei 14.188, de 2021, criou o programa Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica, como uma das medidas previstas na Lei Maria da Penha. O código é um X, de preferência desenhado na mão e em vermelho, que a vítima pode mostrar em repartições públicas e estabelecimentos privados de todo o país. A lei prevê campanha informativa e capacitação permanente dos profissionais que participam do programa.
A mesma lei criou o crime de violência psicológica contra a mulher. Quem sofre violência em casa também pode pedir medida protetiva, que obriga o agressor a manter distância.
Em emergência, a Polícia Militar atende pelo 190, e a Guarda Municipal, pelo 153. Denúncias de violência contra crianças e adolescentes vão ao Disque 100, e casos de violência contra a mulher, ao Ligue 180, os dois gratuitos e abertos 24 horas.
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