Brasil bate recorde de produção de petróleo e gás, e reservas passam a durar 12,7 anos
O volume ficou cerca de 13% acima do de 2024, o pré-sal respondeu por quase 80% do total e as exportações chegaram a 2,06 milhões de barris por dia.

O Brasil produziu 4,897 milhões de barris de óleo equivalente por dia em 2025, recorde 12,7% acima do de 2023, informou a EPE na quarta (7). O ritmo, porém, encurtou a duração das reservas, e o mesmo documento pede mais descobertas para sustentar o crescimento.
Barril de óleo equivalente é a medida que soma petróleo e gás natural. Só de petróleo foram 3,77 milhões de barris por dia, 12% a mais que em 2024. A produção de gás chegou a 179 milhões de metros cúbicos diários, alta de 16,7%. O pré-sal, nas bacias de Santos e de Campos, respondeu por 79,6% do total.
Os números estão na edição de 2026 do Informe de Monitoramento da Política de Exploração e Produção. O estudo é da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), estatal ligada ao Ministério de Minas e Energia, e usa dados da ANP, a agência reguladora do setor.
Fonte: EPE, com dados da ANP, outubro de 2026
Para a União, os estados e os municípios produtores, o setor rendeu R$ 62,2 bilhões em royalties em 2025, segundo o informe. As empresas ficaram obrigadas a aplicar outros R$ 4,3 bilhões em pesquisa e inovação.
O avanço tem um preço. As reservas provadas subiram para 17,5 bilhões de barris de petróleo e 573 bilhões de metros cúbicos de gás, mas a extração cresceu mais depressa.
Mantido o volume de 2025, o petróleo já descoberto duraria 12,7 anos, um ano a menos que na conta de 2024. No gás, o prazo caiu de 21,3 para 19,2 anos.
O índice de reposição, que compara o que entra nas reservas com o que sai dos poços, ficou em 146%, ante 172% um ano antes. Acima de 100%, o país ainda incorpora mais do que produz. Para a EPE, os resultados “reforçam a necessidade de continuidade das atividades exploratórias e de incorporação de novas reservas”.
A busca por novas áreas aumentou. Foram 19 poços exploratórios perfurados em 2025, contra 10 no ano anterior, e dois em cada três encontraram indícios de petróleo ou gás. Entre os fatos do ano, o informe lista o início da produção no campo de Bacalhau e a licença do Ibama para perfurar na Foz do Amazonas.
Parte da reposição depende de áreas como os 49 blocos arrematados na quarta-feira no leilão de concessão da ANP.
Lá fora, o Brasil vendeu 2,06 milhões de barris por dia, volume recorde segundo a EPE, e passou a responder por 4,63% do comércio mundial de petróleo. A receita ficou perto de US$ 44,5 bilhões, o que mantém o produto entre os principais da balança comercial.
| Ano | Exportação (mil barris por dia) | Fatia do comércio mundial |
|---|---|---|
| 2021 | 1.292 | 3,16% |
| 2022 | 1.377 | 3,16% |
| 2023 | 1.749 | 3,97% |
| 2024 | 1.707 | 3,94% |
| 2025 | 2.061 | 4,63% |
Fonte: EPE, com dados da Opep, outubro de 2026
O informe registra ainda um ponto de atenção ambiental. A intensidade de carbono da produção subiu para 16,03 quilos de CO2 equivalente por barril de óleo equivalente em 2024, último dado disponível, 9% acima de 2023. A EPE considera o índice relativamente baixo diante dos principais produtores do mundo.
As vencedoras do leilão desta semana têm até 30 de dezembro para pagar à União os R$ 3 bilhões em bônus de assinatura, segundo a ANP.
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