Clima espacial

Tempestade geomagnética prevista para sexta é moderada e deve ter efeito longe do Brasil

A agência americana NOAA espera o pico entre 6h e 9h de Brasília, com índice Kp de 5,67, e auroras visíveis no norte dos Estados Unidos.

Filamento de gás incandescente se desprende do Sol, em imagem de telescópio espacial
Ejeção de massa coronal registrada pelo observatório solar SDO, da Nasa, em 31 de agosto de 2012.Foto: NASA Goddard Space Flight Center / Wikimedia Commons · CC BY 2.0

A agência americana NOAA prevê para esta sexta-feira (9) uma tempestade geomagnética de nível G2, o segundo de uma escala de cinco. O efeito se concentra perto dos polos, e o Brasil fica fora da área de impacto descrita no aviso.

Tempestade geomagnética é uma perturbação do campo magnético da Terra causada por partículas que o Sol lança no espaço. Desta vez, a origem é uma ejeção de massa coronal, nuvem de gás eletrizado que deixou o Sol na terça-feira (6) e leva cerca de três dias para chegar.

“Tempestades geomagnéticas de nível G1 a G2 são prováveis em 9 de outubro, com a chegada de uma ejeção de massa coronal que deixou o Sol em 6 de outubro”, diz o aviso da NOAA. O texto foi emitido na terça-feira pelo Centro de Previsão do Clima Espacial da agência.

O boletim de três dias, atualizado na noite de quarta-feira (7), aponta dois momentos. Entre 0h e 3h de sexta, pelo horário de Brasília, o índice Kp, que mede de 0 a 9 a agitação do campo magnético, deve chegar a 5, o nível G1.

O pico vem entre 6h e 9h, com Kp de 5,67, já na faixa G2. Nas 24 horas anteriores ao boletim, o máximo foi 3.

Nesse nível, a NOAA descreve efeitos sobretudo acima de 55 graus de latitude geomagnética. A lista inclui oscilações em redes de energia de regiões próximas aos polos, mais atrito sobre satélites de órbita baixa e enfraquecimento do rádio de ondas curtas.

A aurora pode ser vista até a altura de Nova York, de Wisconsin e do estado de Washington, no norte dos Estados Unidos.

O território brasileiro está em latitudes baixas, longe dessa faixa. Celular, internet e GPS do dia a dia não aparecem entre os efeitos do nível G2. Na escala da NOAA, falhas intermitentes na navegação por satélite só entram a partir do nível G3, e a tabela não lista efeito sobre pessoas em terra.

O fenômeno também não é raro. Pela tabela da agência, o nível G2 ocorre em cerca de 360 dias a cada ciclo solar, que dura 11 anos. No fim da tarde de domingo (4), o índice já havia chegado a 6, o mesmo nível G2, segundo alerta da agência.

No Brasil, quem acompanha o clima espacial é o programa Embrace, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o mesmo instituto que conta as queimadas por satélite. A rede tem magnetômetros, sondas da ionosfera e receptores de GPS. Os dados servem a quem depende de rádio de ondas curtas e de posicionamento de alta precisão.

O aviso chega no meio da Semana Mundial do Espaço, celebrada de 4 a 10 de outubro.

O Sol continua ativo. A NOAA vê 40% de chance de novas erupções de classe M, a segunda mais forte, até sábado, sobretudo na região de manchas 4549.

Uma segunda ejeção, ligada a uma erupção de quarta-feira (7), tem chegada prevista para o início de domingo (11) pelo horário universal, entre a noite de sábado e a madrugada de domingo em Brasília.

A previsão de três dias é refeita a cada 12 horas. As próximas edições saem às 9h30 e às 21h30 de Brasília desta quinta-feira (8) e podem ajustar o horário e a intensidade da tempestade.

#ClimaEspacial#NOAA#INPE#TempestadeSolar#AuroraBoreal

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