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La Niña 2026: fenômeno terminou em abril, e o Brasil entra no verão sob El Niño forte
O último episódio frio do Pacífico durou de julho de 2025 a março de 2026, e a agência americana NOAA prevê o aquecimento atual até março de 2027.

A La Niña, que resfria o Oceano Pacífico e costuma deixar o Sul do Brasil mais seco, terminou em abril de 2026, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Quem planta, cria gado ou vive no Sul passa o verão sob o fenômeno oposto.
Esse fenômeno oposto é o El Niño, o aquecimento das mesmas águas. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), referência do Inmet, declarou o El Niño em 11 de junho. No boletim de 8 de outubro, previu que ele siga forte ou muito forte até o trimestre de janeiro a março de 2027.
- Fase atualEl Niño, desde 11 de junho de 2026
- IntensidadeForte a muito forte, segundo a NOAA
- Água no Pacífico2,1 °C acima da média na região Niño 3.4
- Última La NiñaDe julho de 2025 a março de 2026
- PrevisãoEl Niño forte até março de 2027
- Próximo boletim da NOAA12 de novembro de 2026
Na região chamada Niño 3.4, no meio do Pacífico equatorial, a água ficou 2,1 °C acima da média no último mês medido, segundo a NOAA. Mais a leste, perto da costa do Peru e do Equador, o desvio chegou a 3,9 °C. Abaixo da superfície, no leste do oceano, a água estava mais de 10 °C acima do normal.
83%
chance de o El Niño atingir 2,5 °C entre outubro e dezembro, acima de qualquer valor do índice desde 1950
Fonte: NOAA, 8 de outubro de 2026
A dúvida sobre a La Niña tem razão de ser. O fenômeno esteve ativo no verão passado e em boa parte de 2025, e os dois nomes parecidos confundem. Para o Brasil, a diferença é grande: em geral, um traz chuva onde o outro traz seca.
O que o El Niño muito forte deve provocar até o verão está no boletim de 30 de setembro do Painel El Niño. O grupo reúne o Inmet e outros seis órgãos federais.
A La Niña de 2025 e 2026 acabou em abril
A La Niña de 2025 e 2026 começou entre julho e setembro de 2025 e terminou em abril de 2026, quando a NOAA classificou o Pacífico como neutro, segundo o Inmet. O pico foi de 1,04 °C abaixo da média entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, pelo índice oficial da NOAA.
A virada foi rápida. Em um ano, a água do Pacífico passou de mais fria que o normal para um dos aquecimentos mais fortes já medidos, como mostra a série trimestral da NOAA.
| Trimestre | Desvio da temperatura da água | Fase |
|---|---|---|
| Julho a setembro de 2025 | −0,59 °C | La Niña |
| Outubro a dezembro de 2025 | −0,98 °C | La Niña |
| Novembro de 2025 a janeiro de 2026 | −1,04 °C | La Niña |
| Janeiro a março de 2026 | −0,76 °C | La Niña |
| Março a maio de 2026 | −0,04 °C | Neutra |
| Maio a julho de 2026 | +0,97 °C | El Niño |
| Julho a setembro de 2026 | +1,69 °C | El Niño |
Fonte: NOAA, índice relativo do Niño 3.4 (RONI), outubro de 2026.
Os boletins mensais da NOAA, reunidos pelo Inmet em setembro, contam a mudança passo a passo.
Em janeiro, o aviso de La Niña ainda estava em vigor. Em março, a agência já vigiava a chance de um El Niño no inverno. Em abril, o Pacífico ficou neutro, e em junho o El Niño foi declarado, com a água 0,7 °C acima da média.
- 8 de janeiroNOAA mantém o aviso de La Niña e dá 75% de chance de neutralidade até março
- 12 de marçoNOAA passa a vigiar a formação de um El Niño entre junho e agosto
- 9 de abrilCondições no Pacífico passam para a neutralidade, e a La Niña acaba
- 11 de junhoNOAA declara El Niño, com a água 0,7 °C acima da média
- 9 de julhoEl Niño chega à intensidade moderada, com 1,2 °C acima da média
- 13 de agostoChance de um El Niño muito forte na primavera e no verão passa de 90%
- 8 de outubroNOAA prevê El Niño forte a muito forte até março de 2027
- 12 de novembroData do próximo boletim mensal da NOAA
Na prática, a pergunta “vai ter La Niña neste verão?” tem resposta direta: não. O boletim de outubro da NOAA não menciona La Niña nem neutralidade para o primeiro trimestre de 2027. O Inmet lembra que as fases do Pacífico se alternam de forma irregular, em geral a cada dois a sete anos.
O que a La Niña muda em cada região do Brasil
Em anos de La Niña, a chuva diminui em quantidade e frequência no Sul do Brasil, com risco de longos períodos secos, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Já a faixa norte das regiões Norte e Nordeste recebe chuva acima da média. O El Niño tende a inverter esse quadro.
A comparação abaixo junta o que o Inmet descreveu nas La Niñas de 2022 e 2025. Ao lado, está o que o Painel El Niño prevê para este fim de ano. Os efeitos são tendências, não certezas: o próprio Inmet afirma que a temperatura do Oceano Atlântico pode reforçar ou amenizar o impacto de cada fenômeno.
| Região | Com La Niña (Inmet) | Com o El Niño de 2026 (Painel El Niño) |
|---|---|---|
| Norte | Mais chuva, sobretudo na faixa norte | Seca mais forte em Roraima, no Acre e no Amazonas, com problemas de navegação |
| Nordeste | Mais chuva no norte da região | 16% da região em seca grave; chuva acima do normal no leste até dezembro |
| Centro-Oeste | No verão de 2025, chuva concentrada na região | Seca e risco de fogo no centro-norte do país |
| Sudeste | Frentes frias mais rápidas podem trazer chuva; leve queda de temperatura | Chuva acima do normal em parte da região de outubro a dezembro |
| Sul | Menos chuva, períodos longos sem chuva e leve queda de temperatura | Chuva acima da média; risco de cheias que deve diminuir até dezembro |
Fonte: Inmet, agosto de 2022 e fevereiro de 2025; Painel El Niño, 30 de setembro de 2026.
No Sul, a irregularidade é o traço mais conhecido da La Niña. Em agosto de 2022, no meio do episódio de 2020 a 2023, o meteorologista Mozar de Araújo Salvador, do Inmet, explicou o efeito.
“Nos próximos meses, na parte mais sul do Brasil, há uma tendência de irregularidade nas chuvas, ou seja, uma tendência de que chova de maneira mais concentrada em poucos dias”, disse ele.
No campo, o efeito aparece na lavoura e no pasto ao mesmo tempo, porque o calor costuma vir junto com a falta de chuva. O meteorologista resumiu assim o risco para a economia:
“A atuação do La Niña impacta na pecuária e na agricultura, setores que podem ser afetados pelo excesso de calor, que, normalmente, vem acompanhado pela falta de chuva.”
No Norte e no Nordeste, a chuva a mais das La Niñas cai sobre áreas que sofrem com a seca em anos de El Niño. Em fevereiro de 2025, com o fenômeno ativo, o Inmet registrou chuva em excesso na faixa norte das duas regiões, com avisos laranja frequentes de perigo para chuva intensa.
Para a conta de luz, o desenho também importa. Boa parte da energia do país vem de hidrelétricas. Por isso, a chuva sobre as bacias pesa na cor da bandeira tarifária, definida a cada mês pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Depois de um El Niño forte, a La Niña costuma voltar
Desde 1950, cinco dos oito El Niños fortes do índice oficial da NOAA foram seguidos por uma La Niña em menos de um ano, como em 1998, 2010 e 2016. Nos outros três casos, os de 1957–1958, 1965–1966 e 1991–1992, o Pacífico não esfriou a esse ponto no ano seguinte.
O padrão explica por que já se fala numa La Niña em 2027. Ainda assim, não há previsão oficial para isso. O boletim da NOAA de 8 de outubro só vai até março de 2027 e não fala em La Niña.
Pela regra da NOAA, há La Niña quando a água da região Niño 3.4 fica pelo menos 0,5 °C abaixo da média por cinco trimestres móveis seguidos. Desde 2026, a agência usa o índice relativo (RONI), que desconta o aquecimento geral dos oceanos tropicais. Por esse critério, houve 22 episódios de La Niña desde 1950.
| Episódio | Duração (trimestres móveis) | Desvio mais baixo |
|---|---|---|
| 1988–1989 | 14 | −1,95 °C |
| 1995–1996 | 8 | −1,02 °C |
| 1998–2000 | 24 | −1,61 °C |
| 2000–2001 | 6 | −0,82 °C |
| 2005–2006 | 5 | −0,90 °C |
| 2007–2008 | 11 | −1,73 °C |
| 2008–2009 | 5 | −0,96 °C |
| 2010–2011 | 13 | −1,63 °C |
| 2011–2012 | 7 | −1,02 °C |
| 2016–2017 | 7 | −0,96 °C |
| 2017–2018 | 8 | −1,14 °C |
| 2020–2023 | 35 | −1,46 °C |
| 2024–2025 | 9 | −1,10 °C |
| 2025–2026 | 7 | −1,04 °C |
Fonte: NOAA, índice RONI, outubro de 2026.
A La Niña de 2020 a 2023 foi a mais longa da série: 35 trimestres móveis seguidos, de abril de 2020 a abril de 2023.
A mais intensa foi a de 1988 e 1989, com a água quase 2 °C abaixo da média. As duas últimas, de 2024 e 2025 e de 2025 e 2026, ficaram perto de 1 °C abaixo, nível que o Inmet tratou como moderado em 2022.
O nome vem do espanhol. La Niña quer dizer “a menina” e foi escolhido como oposto de El Niño, “o menino”. Os dois fazem parte da mesma oscilação do Pacífico, que nunca está nas duas fases ao mesmo tempo.
O próximo boletim da NOAA sai em 12 de novembro de 2026, e o Painel El Niño publica atualizações periódicas. Para o Sul, o boletim de setembro prevê chuva acima da média, com risco de cheias que deve diminuir até dezembro. Para receber alertas da Defesa Civil no celular, envie o CEP por SMS para 40199.
Como calculamos. Contamos os episódios no índice RONI da NOAA, de 1950 a setembro de 2026: cinco trimestres seguidos a 0,5 °C ou mais da média. El Niño forte tem pico de 1,5 °C ou mais e conta como seguido de La Niña se ela começou em até quatro trimestres. O maior valor desde 1950 foi de 2,40 °C, de dezembro de 1982 a fevereiro de 1983.
Como citar: Ouviram (22 out. 2026). «La Niña 2026: fenômeno terminou em abril, e o Brasil entra no verão sob El Niño forte». ouviram.com.br/brasil/la-nina-2026-o-que-muda-no-brasil
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
La Niña é frio ou calor?
La Niña é o resfriamento das águas do Pacífico equatorial, não um inverno mais rigoroso. No Brasil, o Inmet associa o fenômeno a uma leve queda de temperatura no Sul e no Sudeste, mas no verão de 2025, com La Niña, a previsão foi de calor acima da média em boa parte do país.
La Niña e El Niño podem acontecer ao mesmo tempo?
Não. Os dois são fases opostas da mesma oscilação do Pacífico. Em cada momento o oceano está em El Niño, em La Niña ou na fase neutra, quando a temperatura da água fica perto da média.
O que significa alerta de La Niña da NOAA?
A NOAA usa dois níveis. O “Watch” (vigilância) sai quando as condições favorecem a formação do fenômeno nos seis meses seguintes; o “Advisory” (aviso) sai quando o fenômeno já foi observado e deve continuar.
Por que o fenômeno se chama La Niña?
La Niña quer dizer “a menina” em espanhol. O nome foi escolhido como oposto de El Niño, “o menino”, apelido que pescadores do Peru davam ao aquecimento da água que aparecia perto do Natal.
Quando sai o próximo boletim sobre La Niña e El Niño?
A NOAA publica a discussão mensal na segunda quinta-feira de cada mês; a próxima está marcada para 12 de novembro de 2026. No Brasil, o Inmet divulga os boletins do Painel El Niño com outros seis órgãos federais.
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1. Em que mês de 2026 a La Niña terminou?
Em abril de 2026, as condições observadas no Pacífico passaram para a neutralidade, segundo o Inmet, com base nos dados da NOAA.
2. Quantos trimestres seguidos durou a La Niña de 2020 a 2023?
Pelo índice oficial da NOAA, o episódio foi de abril de 2020 a abril de 2023, com 35 trimestres móveis seguidos, o mais longo desde 1950.
3. Em que região do Brasil a La Niña costuma reduzir a chuva?
Segundo o Inmet, em anos de La Niña a chuva diminui em quantidade e frequência no Sul, enquanto o norte das regiões Norte e Nordeste recebe mais chuva.
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