Defesa do consumidorGuia

Azeite proibido pela Anvisa: 17 marcas entraram na lista desde maio de 2025

Doze das 14 resoluções atingem todos os lotes, e só duas valem para um lote específico: o do Campo Ourique, em 2026, e o do Royal, misturado a outros óleos.

Azeite sendo despejado em tigela de vidro, com azeitonas verdes ao lado
Azeite de oliva é despejado em tigela de vidro ao lado de azeitonas verdes, em imagem de 2015.Foto: stevepb / Pixabay · licença Pixabay

A Anvisa vetou azeites de 17 marcas entre maio de 2025 e julho de 2026, segundo 14 resoluções publicadas no Diário Oficial da União. Quase todas as proibições têm o mesmo motivo: a agência não conseguiu confirmar de onde o produto veio.

Se você tem em casa uma garrafa de uma dessas marcas, a orientação da Anvisa é não usar. O comércio deve retirar os produtos das prateleiras, e o consumidor tem direito a troca ou dinheiro de volta, pelo Código de Defesa do Consumidor.

Duas marcas aparecem por outro motivo, mais grave para quem cozinha. Análises oficiais do Ministério da Agricultura e Pecuária encontraram outros óleos vegetais misturados em um lote do azeite Royal e em um do San Paolo.

  • Marcas vetadas pela Anvisa17 desde maio de 2025, 12 delas em 2025
  • Resoluções14, todas publicadas no Diário Oficial da União
  • Motivo mais comumOrigem desconhecida, com CNPJ suspenso, baixado ou inexistente no rótulo
  • Mistura com outros óleosLote 255001 do Royal e lote 260289 do San Paolo
  • Se você comprouNão consuma e peça troca ou devolução na loja
  • Consulta oficialProdutos irregulares no site da Anvisa e telefone 0800 642 9782

Fonte: Anvisa e Ministério da Agricultura e Pecuária, outubro de 2026

17

marcas de azeite tiveram produtos vetados pela Anvisa entre maio de 2025 e julho de 2026

Fonte: Anvisa, Diário Oficial da União, outubro de 2026

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A tabela reúne todas as resoluções da Anvisa sobre azeite publicadas desde janeiro de 2025, mais o recolhimento determinado pelo Ministério da Agricultura em maio de 2026. Na maioria dos casos, a proibição vale para as embalagens que trazem no rótulo o importador ou o embalador citado no ato. O número da resolução permite conferir o texto no Diário Oficial.

MarcaO que foi vetadoAto e publicaçãoMotivo oficial
Quintas D'OliveiraTodos os lotesRE 1.896, 20/5/2025Denúncia do Ministério da Agricultura; CNPJ do embalador não existe na Receita
AlonsoTodos os lotesRE 1.896, 20/5/2025Denúncia do Ministério da Agricultura; CNPJ do embalador não existe na Receita
Escarpas das OliveirasTodos os lotesRE 1.902, 22/5/2025Denúncia do Ministério da Agricultura; CNPJ do embalador extinto desde 2023
AlmazaraTodos os lotesRE 1.902, 22/5/2025Denúncia do Ministério da Agricultura; CNPJ do embalador extinto desde 2023
La VentosaTodos os lotesRE 1.956, 26/5/2025Denúncia do Ministério da Agricultura; CNPJ do embalador suspenso
Grego SantoriniTodos os lotesRE 1.957, 26/5/2025Denúncia do Ministério da Agricultura; CNPJ do embalador suspenso
Campo OuriqueTodos os lotesRE 2.143, 6/6/2025CNPJ do importador extinto; laudo reprovado no Lacen do Rio
MálagaTodos os lotesRE 2.143, 6/6/2025CNPJ do importador baixado; laudo reprovado no Lacen do Rio
SerranoTodos os lotesRE 2.143, 6/6/2025CNPJ do importador suspenso; laudo reprovado no Lacen do Rio
Vale dos VinhedosTodos os lotesRE 2.524, 7/7/2025CNPJ do importador suspenso; laudo reprovado no Lacen do Rio
Los NoblesTodos os lotesRE 3.579, 16/9/2025Importação clandestina, sem aval da Anvisa e sem registro na Argentina
Ouro NegroTodos os lotesRE 4.123, 20/10/2025Desclassificado pelo Ministério da Agricultura; CNPJ do importador suspenso
Terra das OliveirasTodos os lotesRE 227, 22/1/2026CNPJ do importador extinto; anúncio achado em loja virtual
Campo OuriqueLote 288/04/2024RE 474, 6/2/2026Origem desconhecida; rótulo reprovado no Lacen do Distrito Federal
San OlivettoTodos os lotesRE 986, 16/3/2026CNPJ do importador suspenso e do distribuidor baixado
RoyalLote 255001, com recolhimentoRE 1.160, 25/3/2026Mistura de outros óleos vegetais, segundo análise oficial do Ministério da Agricultura
AfonsoTodos os lotesRE 1.359, 8/4/2026CNPJ do importador inapto; índice de refração fora do padrão
San OlivetoTodos os lotesRE 2.857, 22/7/2026CNPJ inapto e endereço desconhecido; índice de refração fora do padrão
San PaoloLote 260289, com recolhimentoMinistério da Agricultura, maio de 2026Mistura de outros óleos vegetais em análise oficial

Fonte: Anvisa, Diário Oficial da União e Ministério da Agricultura e Pecuária, outubro de 2026

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Os nomes parecidos merecem atenção. San Olivetto e San Oliveto aparecem em resoluções diferentes, com importadores diferentes no rótulo. O Campo Ourique entrou duas vezes: em 2025, para todos os lotes de um importador; em 2026, para o lote 288/04/2024, com outro importador indicado na embalagem.

Origem desconhecida, o motivo de quase todas

Em 15 das 18 proibições da Anvisa, o problema começa no rótulo. O CNPJ informado como importador, embalador ou distribuidor estava suspenso, baixado, inapto ou simplesmente não existia na base da Receita Federal. Para a agência, isso significa que não há como saber quem fez, envasou ou trouxe o produto para o país.

A agência explicou o risco em nota de junho de 2025. “Como se trata de alimentos com origem desconhecida, não é possível ter nenhuma garantia da qualidade e da própria composição dos produtos”, informou a Anvisa.

Um detalhe chama a atenção nos atos publicados no Diário Oficial. O mesmo CNPJ de importador, suspenso por inconsistência cadastral, aparece no rótulo de três marcas diferentes: Serrano, Vale dos Vinhedos e Ouro Negro.

Em outro caso, um CNPJ de importador extinto desde janeiro de 2025 aparece no Campo Ourique de 2025 e no Terra das Oliveiras, proibido em janeiro de 2026.

Boa parte dos casos chega à Anvisa pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, responsável pela classificação do azeite e pelo cadastro das empresas de óleos vegetais. Quando o ministério identifica um produto clandestino, a agência publica a proibição. As vigilâncias sanitárias de estados e municípios fazem a fiscalização e a retirada do comércio, segundo a própria Anvisa.

É o mesmo tipo de resolução que a agência usa para remédios e cosméticos, como no caso do Xeomin falsificado apreendido em outubro.

A fiscalização envolve laboratórios públicos de várias regiões. O Laboratório Central de Saúde Pública do Rio de Janeiro (Lacen-RJ) reprovou amostras de Campo Ourique, Málaga, Serrano e Vale dos Vinhedos nos ensaios de rotulagem e físico-químicos.

O Lacen do Distrito Federal reprovou o rótulo do lote do Campo Ourique proibido em 2026. Já a vigilância sanitária de Curitiba constatou que o importador do Afonso tinha encerrado as atividades no endereço informado.

Nos casos mais recentes, aparece um teste físico-químico específico, o índice de refração. Ele mede como a luz atravessa o óleo, e cada tipo de óleo tem uma faixa própria.

O azeite Afonso marcou 1,474 e foi reprovado, segundo a resolução da Anvisa de abril de 2026. O San Oliveto também ficou fora do padrão no mesmo ensaio, em laudo de 2026.

O caso do Los Nobles é diferente. A Anvisa classificou a importação como clandestina. O produto entrou no Brasil sem a autorização prévia da agência e sem registro na Anmat, o órgão de vigilância sanitária da Argentina.

Em dois casos, o problema estava dentro da garrafa. O azeite de oliva extravirgem Royal teve o lote 255001 recolhido por ordem da Anvisa em 25 de março de 2026. A informação partiu da Superintendência Federal de Agricultura em Pernambuco, do Ministério da Agricultura, que relatou fraude na composição do produto.

Segundo a resolução, a análise laboratorial oficial mostrou que o conteúdo não atendia aos padrões de identidade e qualidade do azeite extravirgem, por causa da adição de outros óleos vegetais. O ato registra ainda que o produto continuou à venda mesmo depois da ordem de recolhimento dada pelas autoridades.

Desta vez, a proibição vale só para esse lote, e não para a marca inteira.

Dois meses depois, o próprio Ministério da Agricultura mandou recolher o lote 260289 do azeite extravirgem San Paolo. As amostras analisadas tinham mistura de outros óleos vegetais, e o lote foi desclassificado.

O endereço e o CNPJ do importador informados nos rótulos e nas notas fiscais não foram confirmados. A empresa foi notificada pela superintendência do ministério em São Paulo e não respondeu no prazo, segundo o ministério.

Misturar outro óleo ao azeite é proibido em qualquer quantidade. A Instrução Normativa nº 1, de 2012, do Ministério da Agricultura, define azeite de oliva como o produto obtido somente do fruto da oliveira. Ficam de fora os óleos extraídos com solvente, os reesterificados e as misturas com outros óleos, “independentemente de suas proporções”, diz o texto da norma.

Metade das proibições saiu entre abril e junho de 2025 (proibições de azeite publicadas pela Anvisa, por trimestre)
1º tri. 20250
2º tri. 20259
3º tri. 20252
4º tri. 20251
1º tri. 20264
2º tri. 20261
3º tri. 20261

Fonte: Anvisa, Diário Oficial da União, outubro de 2026

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Como reconhecer azeite falso no rótulo

Nenhum consumidor consegue provar uma fraude em casa, porque a classificação depende de exames de laboratório. Mas o rótulo dá pistas. Pela norma do Ministério da Agricultura, o azeite vendido no varejo precisa trazer estas informações:

  • TipoA classificação (extravirgem, virgem ou azeite de oliva), na parte da frente, em letras do mesmo tamanho do conteúdo líquido
  • LoteA identificação do lote, de responsabilidade de quem envasou
  • DatasData de envase e prazo de validade
  • ResponsávelNome da empresa, CNPJ e endereço de quem envasou
  • ImportadoPaís de origem, além de nome, CNPJ e endereço do importador
  • IdiomaTodas as informações obrigatórias em português

A falta de qualquer item já é motivo para desconfiar. O passo seguinte é conferir o CNPJ do importador ou do embalador na consulta gratuita da Receita Federal, que mostra se a empresa está ativa, suspensa, inapta ou baixada. Foi justamente o CNPJ suspenso, baixado ou inexistente que derrubou a maioria das marcas da lista.

A classificação também diz muito sobre o que está na garrafa. O extravirgem é, entre os azeites virgens, o que tem a menor acidez permitida. O produto vendido apenas como “azeite de oliva” é uma mistura de azeite refinado com azeite virgem.

TipoGrupoAcidez livre
ExtravirgemAzeite de oliva virgemAté 0,80%
VirgemAzeite de oliva virgemAté 2,00%
LampanteAzeite de oliva virgemAcima de 2,00%
Azeite de olivaMistura de refinado com virgemAté 1,00%
Azeite de oliva refinadoRefinadoAté 0,30%

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária, Instrução Normativa nº 1/2012

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O preço é outra pista, com uma ressalva. O azeite de oliva ficou 15,40% mais barato nos 12 meses até setembro de 2026, segundo o IPCA do IBGE, como mostra o levantamento dos preços item por item. Promoção, portanto, não é sinal de fraude. O Ministério da Agricultura recomenda desconfiar de valores muito abaixo dos praticados no mercado.

O ministério também orienta preferir garrafa de vidro escuro e data de envase mais recente, porque luz e tempo reduzem a qualidade do azeite.

Na gôndola, vale ainda olhar a denominação de venda. O óleo composto, mistura de óleo de soja com azeite, é permitido, mas não pode se apresentar como azeite. O Decreto nº 12.709, de outubro de 2025, proíbe no rótulo expressões que façam o produto parecer azeite, salvo na denominação e na lista de ingredientes.

Comprei um azeite da lista: o que fazer

O Código de Defesa do Consumidor considera impróprio para consumo o produto adulterado, falsificado, fraudado ou em desacordo com as normas de fabricação e apresentação. Nesse caso, quem vendeu responde junto com o fabricante e o importador, e o consumidor escolhe a solução.

  1. Pare de usar o azeite e guarde a garrafa com o rótulo.
  2. Confira na tabela a marca, o lote e a data da resolução, e compare o importador ou o embalador do rótulo com o citado no ato.
  3. Separe a nota fiscal ou o comprovante de compra, inclusive o pedido feito pela internet.
  4. Volte à loja e peça a troca por outro azeite em perfeitas condições, o dinheiro de volta corrigido ou um desconto proporcional, como prevê o artigo 18 do Código.
  5. Se a loja recusar, registre reclamação no Procon da sua cidade ou na plataforma consumidor.gov.br, mantida pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon).
  6. Avise a vigilância sanitária do município se encontrar o produto à venda, ou ligue para a Anvisa no 0800 642 9782.

O artigo 18 permite usar essas opções na hora quando o defeito compromete a qualidade ou as características do produto. Não é preciso esperar os 30 dias que o fornecedor teria para resolver o problema.

O prazo para reclamar de produto não durável é de 30 dias. Quando o problema não aparece a olho nu, como uma mistura de óleos, a contagem começa no dia em que o defeito fica evidente, diz o artigo 26.

Para o comércio, a regra também é clara. A venda de azeite proibido configura infração sanitária, segundo a Anvisa, e o estabelecimento deve separar as unidades e comunicar a vigilância sanitária municipal.

Supermercados, empórios e lojas virtuais estão sujeitos à mesma regra; o Terra das Oliveiras, por exemplo, foi localizado à venda em uma plataforma de comércio eletrônico.

Se você compra azeite para restaurante, lanchonete ou cozinha de escola, vale a mesma conferência de lote e CNPJ na entrega do fornecedor. Em cantinas e cozinhas que servem crianças, as unidades das marcas e dos lotes da lista não devem ser usadas, conforme a orientação da Anvisa.

Como a lista de azeites proibidos cresceu
  • 20 de maio de 2025Anvisa proíbe Quintas D'Oliveira e Alonso após denúncia do Ministério da Agricultura
  • 26 de maio de 2025La Ventosa e Grego Santorini entram na lista por CNPJ suspenso no rótulo
  • 6 de junho de 2025Campo Ourique, Málaga e Serrano são vetados após laudos reprovados no Lacen do Rio
  • 16 de setembro de 2025Los Nobles é proibido por importação clandestina
  • 25 de março de 2026Lote 255001 do Royal é recolhido por mistura de outros óleos vegetais
  • 26 de maio de 2026Ministério da Agricultura manda recolher o lote 260289 do San Paolo
  • 22 de julho de 2026San Oliveto é proibido por CNPJ inapto e índice de refração fora do padrão
  • 9 de outubro de 2026Retificação acrescenta um segundo CNPJ à proibição do San Oliveto

A lista oficial é atualizada a cada nova resolução. A Anvisa mantém a consulta de produtos irregulares no próprio site e atende pelo 0800 642 9782. Denúncias sobre azeite fraudado ao Ministério da Agricultura podem ser feitas pela plataforma Fala.BR, a ouvidoria do governo federal.

Como calculamos. Somamos as marcas citadas nas 14 resoluções da Anvisa sobre azeite publicadas no Diário Oficial da União entre janeiro de 2025 e outubro de 2026. O Campo Ourique, proibido duas vezes, entra uma só vez na conta das 17 marcas.

Como citar: Ouviram (22 out. 2026). «Azeite proibido pela Anvisa: 17 marcas entraram na lista desde maio de 2025». ouviram.com.br/brasil/azeite-proibido-pela-anvisa-lista-de-marcas

Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.

Perguntas frequentes

Azeite em garrafa de plástico é falso?

Não necessariamente. A norma do Ministério da Agricultura exige apenas embalagem de material apropriado. O ministério recomenda vidro escuro porque ele protege melhor o azeite da luz, que acelera a perda de qualidade.

Azeite proibido faz mal à saúde?

A Anvisa orienta não consumir. Como a origem é desconhecida, não há garantia da qualidade nem da composição do produto, segundo a agência.

Como saber se um azeite é extravirgem de verdade?

Só a análise de laboratório confirma, porque a classificação depende de acidez, de outros índices químicos e de prova sensorial. Em casa, o consumidor confere o rótulo, o lote, a data de envase e o CNPJ do importador.

Acidez baixa no rótulo garante que o azeite é bom?

Não sozinha. A informação de acidez é facultativa e, pela norma do Ministério da Agricultura, só pode aparecer junto com o índice de peróxidos e a extinção específica no ultravioleta, no mesmo campo visual.

#DefesaDoConsumidor#Anvisa#MinistérioDaAgricultura#AzeiteDeOliva#DiárioOficial

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  1. 1. Qual é a acidez máxima do azeite extravirgem pela norma brasileira?

  2. 2. Qual foi o motivo mais comum das proibições de azeite pela Anvisa em 2025 e 2026?

  3. 3. Qual órgão classifica o azeite e cadastra as empresas de óleos vegetais?

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