Azeite proibido pela Anvisa: 17 marcas entraram na lista desde maio de 2025
Doze das 14 resoluções atingem todos os lotes, e só duas valem para um lote específico: o do Campo Ourique, em 2026, e o do Royal, misturado a outros óleos.

A Anvisa vetou azeites de 17 marcas entre maio de 2025 e julho de 2026, segundo 14 resoluções publicadas no Diário Oficial da União. Quase todas as proibições têm o mesmo motivo: a agência não conseguiu confirmar de onde o produto veio.
Se você tem em casa uma garrafa de uma dessas marcas, a orientação da Anvisa é não usar. O comércio deve retirar os produtos das prateleiras, e o consumidor tem direito a troca ou dinheiro de volta, pelo Código de Defesa do Consumidor.
Duas marcas aparecem por outro motivo, mais grave para quem cozinha. Análises oficiais do Ministério da Agricultura e Pecuária encontraram outros óleos vegetais misturados em um lote do azeite Royal e em um do San Paolo.
- Marcas vetadas pela Anvisa17 desde maio de 2025, 12 delas em 2025
- Resoluções14, todas publicadas no Diário Oficial da União
- Motivo mais comumOrigem desconhecida, com CNPJ suspenso, baixado ou inexistente no rótulo
- Mistura com outros óleosLote 255001 do Royal e lote 260289 do San Paolo
- Se você comprouNão consuma e peça troca ou devolução na loja
- Consulta oficialProdutos irregulares no site da Anvisa e telefone 0800 642 9782
Fonte: Anvisa e Ministério da Agricultura e Pecuária, outubro de 2026
17
marcas de azeite tiveram produtos vetados pela Anvisa entre maio de 2025 e julho de 2026
Fonte: Anvisa, Diário Oficial da União, outubro de 2026
A tabela reúne todas as resoluções da Anvisa sobre azeite publicadas desde janeiro de 2025, mais o recolhimento determinado pelo Ministério da Agricultura em maio de 2026. Na maioria dos casos, a proibição vale para as embalagens que trazem no rótulo o importador ou o embalador citado no ato. O número da resolução permite conferir o texto no Diário Oficial.
| Marca | O que foi vetado | Ato e publicação | Motivo oficial |
|---|---|---|---|
| Quintas D'Oliveira | Todos os lotes | RE 1.896, 20/5/2025 | Denúncia do Ministério da Agricultura; CNPJ do embalador não existe na Receita |
| Alonso | Todos os lotes | RE 1.896, 20/5/2025 | Denúncia do Ministério da Agricultura; CNPJ do embalador não existe na Receita |
| Escarpas das Oliveiras | Todos os lotes | RE 1.902, 22/5/2025 | Denúncia do Ministério da Agricultura; CNPJ do embalador extinto desde 2023 |
| Almazara | Todos os lotes | RE 1.902, 22/5/2025 | Denúncia do Ministério da Agricultura; CNPJ do embalador extinto desde 2023 |
| La Ventosa | Todos os lotes | RE 1.956, 26/5/2025 | Denúncia do Ministério da Agricultura; CNPJ do embalador suspenso |
| Grego Santorini | Todos os lotes | RE 1.957, 26/5/2025 | Denúncia do Ministério da Agricultura; CNPJ do embalador suspenso |
| Campo Ourique | Todos os lotes | RE 2.143, 6/6/2025 | CNPJ do importador extinto; laudo reprovado no Lacen do Rio |
| Málaga | Todos os lotes | RE 2.143, 6/6/2025 | CNPJ do importador baixado; laudo reprovado no Lacen do Rio |
| Serrano | Todos os lotes | RE 2.143, 6/6/2025 | CNPJ do importador suspenso; laudo reprovado no Lacen do Rio |
| Vale dos Vinhedos | Todos os lotes | RE 2.524, 7/7/2025 | CNPJ do importador suspenso; laudo reprovado no Lacen do Rio |
| Los Nobles | Todos os lotes | RE 3.579, 16/9/2025 | Importação clandestina, sem aval da Anvisa e sem registro na Argentina |
| Ouro Negro | Todos os lotes | RE 4.123, 20/10/2025 | Desclassificado pelo Ministério da Agricultura; CNPJ do importador suspenso |
| Terra das Oliveiras | Todos os lotes | RE 227, 22/1/2026 | CNPJ do importador extinto; anúncio achado em loja virtual |
| Campo Ourique | Lote 288/04/2024 | RE 474, 6/2/2026 | Origem desconhecida; rótulo reprovado no Lacen do Distrito Federal |
| San Olivetto | Todos os lotes | RE 986, 16/3/2026 | CNPJ do importador suspenso e do distribuidor baixado |
| Royal | Lote 255001, com recolhimento | RE 1.160, 25/3/2026 | Mistura de outros óleos vegetais, segundo análise oficial do Ministério da Agricultura |
| Afonso | Todos os lotes | RE 1.359, 8/4/2026 | CNPJ do importador inapto; índice de refração fora do padrão |
| San Oliveto | Todos os lotes | RE 2.857, 22/7/2026 | CNPJ inapto e endereço desconhecido; índice de refração fora do padrão |
| San Paolo | Lote 260289, com recolhimento | Ministério da Agricultura, maio de 2026 | Mistura de outros óleos vegetais em análise oficial |
Fonte: Anvisa, Diário Oficial da União e Ministério da Agricultura e Pecuária, outubro de 2026
Os nomes parecidos merecem atenção. San Olivetto e San Oliveto aparecem em resoluções diferentes, com importadores diferentes no rótulo. O Campo Ourique entrou duas vezes: em 2025, para todos os lotes de um importador; em 2026, para o lote 288/04/2024, com outro importador indicado na embalagem.
Origem desconhecida, o motivo de quase todas
Em 15 das 18 proibições da Anvisa, o problema começa no rótulo. O CNPJ informado como importador, embalador ou distribuidor estava suspenso, baixado, inapto ou simplesmente não existia na base da Receita Federal. Para a agência, isso significa que não há como saber quem fez, envasou ou trouxe o produto para o país.
A agência explicou o risco em nota de junho de 2025. “Como se trata de alimentos com origem desconhecida, não é possível ter nenhuma garantia da qualidade e da própria composição dos produtos”, informou a Anvisa.
Um detalhe chama a atenção nos atos publicados no Diário Oficial. O mesmo CNPJ de importador, suspenso por inconsistência cadastral, aparece no rótulo de três marcas diferentes: Serrano, Vale dos Vinhedos e Ouro Negro.
Em outro caso, um CNPJ de importador extinto desde janeiro de 2025 aparece no Campo Ourique de 2025 e no Terra das Oliveiras, proibido em janeiro de 2026.
Boa parte dos casos chega à Anvisa pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, responsável pela classificação do azeite e pelo cadastro das empresas de óleos vegetais. Quando o ministério identifica um produto clandestino, a agência publica a proibição. As vigilâncias sanitárias de estados e municípios fazem a fiscalização e a retirada do comércio, segundo a própria Anvisa.
É o mesmo tipo de resolução que a agência usa para remédios e cosméticos, como no caso do Xeomin falsificado apreendido em outubro.
A fiscalização envolve laboratórios públicos de várias regiões. O Laboratório Central de Saúde Pública do Rio de Janeiro (Lacen-RJ) reprovou amostras de Campo Ourique, Málaga, Serrano e Vale dos Vinhedos nos ensaios de rotulagem e físico-químicos.
O Lacen do Distrito Federal reprovou o rótulo do lote do Campo Ourique proibido em 2026. Já a vigilância sanitária de Curitiba constatou que o importador do Afonso tinha encerrado as atividades no endereço informado.
Nos casos mais recentes, aparece um teste físico-químico específico, o índice de refração. Ele mede como a luz atravessa o óleo, e cada tipo de óleo tem uma faixa própria.
O azeite Afonso marcou 1,474 e foi reprovado, segundo a resolução da Anvisa de abril de 2026. O San Oliveto também ficou fora do padrão no mesmo ensaio, em laudo de 2026.
O caso do Los Nobles é diferente. A Anvisa classificou a importação como clandestina. O produto entrou no Brasil sem a autorização prévia da agência e sem registro na Anmat, o órgão de vigilância sanitária da Argentina.
Em dois casos, o problema estava dentro da garrafa. O azeite de oliva extravirgem Royal teve o lote 255001 recolhido por ordem da Anvisa em 25 de março de 2026. A informação partiu da Superintendência Federal de Agricultura em Pernambuco, do Ministério da Agricultura, que relatou fraude na composição do produto.
Segundo a resolução, a análise laboratorial oficial mostrou que o conteúdo não atendia aos padrões de identidade e qualidade do azeite extravirgem, por causa da adição de outros óleos vegetais. O ato registra ainda que o produto continuou à venda mesmo depois da ordem de recolhimento dada pelas autoridades.
Desta vez, a proibição vale só para esse lote, e não para a marca inteira.
Dois meses depois, o próprio Ministério da Agricultura mandou recolher o lote 260289 do azeite extravirgem San Paolo. As amostras analisadas tinham mistura de outros óleos vegetais, e o lote foi desclassificado.
O endereço e o CNPJ do importador informados nos rótulos e nas notas fiscais não foram confirmados. A empresa foi notificada pela superintendência do ministério em São Paulo e não respondeu no prazo, segundo o ministério.
Misturar outro óleo ao azeite é proibido em qualquer quantidade. A Instrução Normativa nº 1, de 2012, do Ministério da Agricultura, define azeite de oliva como o produto obtido somente do fruto da oliveira. Ficam de fora os óleos extraídos com solvente, os reesterificados e as misturas com outros óleos, “independentemente de suas proporções”, diz o texto da norma.
Fonte: Anvisa, Diário Oficial da União, outubro de 2026
Como reconhecer azeite falso no rótulo
Nenhum consumidor consegue provar uma fraude em casa, porque a classificação depende de exames de laboratório. Mas o rótulo dá pistas. Pela norma do Ministério da Agricultura, o azeite vendido no varejo precisa trazer estas informações:
- TipoA classificação (extravirgem, virgem ou azeite de oliva), na parte da frente, em letras do mesmo tamanho do conteúdo líquido
- LoteA identificação do lote, de responsabilidade de quem envasou
- DatasData de envase e prazo de validade
- ResponsávelNome da empresa, CNPJ e endereço de quem envasou
- ImportadoPaís de origem, além de nome, CNPJ e endereço do importador
- IdiomaTodas as informações obrigatórias em português
A falta de qualquer item já é motivo para desconfiar. O passo seguinte é conferir o CNPJ do importador ou do embalador na consulta gratuita da Receita Federal, que mostra se a empresa está ativa, suspensa, inapta ou baixada. Foi justamente o CNPJ suspenso, baixado ou inexistente que derrubou a maioria das marcas da lista.
A classificação também diz muito sobre o que está na garrafa. O extravirgem é, entre os azeites virgens, o que tem a menor acidez permitida. O produto vendido apenas como “azeite de oliva” é uma mistura de azeite refinado com azeite virgem.
| Tipo | Grupo | Acidez livre |
|---|---|---|
| Extravirgem | Azeite de oliva virgem | Até 0,80% |
| Virgem | Azeite de oliva virgem | Até 2,00% |
| Lampante | Azeite de oliva virgem | Acima de 2,00% |
| Azeite de oliva | Mistura de refinado com virgem | Até 1,00% |
| Azeite de oliva refinado | Refinado | Até 0,30% |
Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária, Instrução Normativa nº 1/2012
O preço é outra pista, com uma ressalva. O azeite de oliva ficou 15,40% mais barato nos 12 meses até setembro de 2026, segundo o IPCA do IBGE, como mostra o levantamento dos preços item por item. Promoção, portanto, não é sinal de fraude. O Ministério da Agricultura recomenda desconfiar de valores muito abaixo dos praticados no mercado.
O ministério também orienta preferir garrafa de vidro escuro e data de envase mais recente, porque luz e tempo reduzem a qualidade do azeite.
Na gôndola, vale ainda olhar a denominação de venda. O óleo composto, mistura de óleo de soja com azeite, é permitido, mas não pode se apresentar como azeite. O Decreto nº 12.709, de outubro de 2025, proíbe no rótulo expressões que façam o produto parecer azeite, salvo na denominação e na lista de ingredientes.
Comprei um azeite da lista: o que fazer
O Código de Defesa do Consumidor considera impróprio para consumo o produto adulterado, falsificado, fraudado ou em desacordo com as normas de fabricação e apresentação. Nesse caso, quem vendeu responde junto com o fabricante e o importador, e o consumidor escolhe a solução.
- Pare de usar o azeite e guarde a garrafa com o rótulo.
- Confira na tabela a marca, o lote e a data da resolução, e compare o importador ou o embalador do rótulo com o citado no ato.
- Separe a nota fiscal ou o comprovante de compra, inclusive o pedido feito pela internet.
- Volte à loja e peça a troca por outro azeite em perfeitas condições, o dinheiro de volta corrigido ou um desconto proporcional, como prevê o artigo 18 do Código.
- Se a loja recusar, registre reclamação no Procon da sua cidade ou na plataforma consumidor.gov.br, mantida pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon).
- Avise a vigilância sanitária do município se encontrar o produto à venda, ou ligue para a Anvisa no 0800 642 9782.
O artigo 18 permite usar essas opções na hora quando o defeito compromete a qualidade ou as características do produto. Não é preciso esperar os 30 dias que o fornecedor teria para resolver o problema.
O prazo para reclamar de produto não durável é de 30 dias. Quando o problema não aparece a olho nu, como uma mistura de óleos, a contagem começa no dia em que o defeito fica evidente, diz o artigo 26.
Para o comércio, a regra também é clara. A venda de azeite proibido configura infração sanitária, segundo a Anvisa, e o estabelecimento deve separar as unidades e comunicar a vigilância sanitária municipal.
Supermercados, empórios e lojas virtuais estão sujeitos à mesma regra; o Terra das Oliveiras, por exemplo, foi localizado à venda em uma plataforma de comércio eletrônico.
Se você compra azeite para restaurante, lanchonete ou cozinha de escola, vale a mesma conferência de lote e CNPJ na entrega do fornecedor. Em cantinas e cozinhas que servem crianças, as unidades das marcas e dos lotes da lista não devem ser usadas, conforme a orientação da Anvisa.
- 20 de maio de 2025Anvisa proíbe Quintas D'Oliveira e Alonso após denúncia do Ministério da Agricultura
- 26 de maio de 2025La Ventosa e Grego Santorini entram na lista por CNPJ suspenso no rótulo
- 6 de junho de 2025Campo Ourique, Málaga e Serrano são vetados após laudos reprovados no Lacen do Rio
- 16 de setembro de 2025Los Nobles é proibido por importação clandestina
- 25 de março de 2026Lote 255001 do Royal é recolhido por mistura de outros óleos vegetais
- 26 de maio de 2026Ministério da Agricultura manda recolher o lote 260289 do San Paolo
- 22 de julho de 2026San Oliveto é proibido por CNPJ inapto e índice de refração fora do padrão
- 9 de outubro de 2026Retificação acrescenta um segundo CNPJ à proibição do San Oliveto
A lista oficial é atualizada a cada nova resolução. A Anvisa mantém a consulta de produtos irregulares no próprio site e atende pelo 0800 642 9782. Denúncias sobre azeite fraudado ao Ministério da Agricultura podem ser feitas pela plataforma Fala.BR, a ouvidoria do governo federal.
Como calculamos. Somamos as marcas citadas nas 14 resoluções da Anvisa sobre azeite publicadas no Diário Oficial da União entre janeiro de 2025 e outubro de 2026. O Campo Ourique, proibido duas vezes, entra uma só vez na conta das 17 marcas.
Como citar: Ouviram (22 out. 2026). «Azeite proibido pela Anvisa: 17 marcas entraram na lista desde maio de 2025». ouviram.com.br/brasil/azeite-proibido-pela-anvisa-lista-de-marcas
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
Azeite em garrafa de plástico é falso?
Não necessariamente. A norma do Ministério da Agricultura exige apenas embalagem de material apropriado. O ministério recomenda vidro escuro porque ele protege melhor o azeite da luz, que acelera a perda de qualidade.
Azeite proibido faz mal à saúde?
A Anvisa orienta não consumir. Como a origem é desconhecida, não há garantia da qualidade nem da composição do produto, segundo a agência.
Como saber se um azeite é extravirgem de verdade?
Só a análise de laboratório confirma, porque a classificação depende de acidez, de outros índices químicos e de prova sensorial. Em casa, o consumidor confere o rótulo, o lote, a data de envase e o CNPJ do importador.
Acidez baixa no rótulo garante que o azeite é bom?
Não sozinha. A informação de acidez é facultativa e, pela norma do Ministério da Agricultura, só pode aparecer junto com o índice de peróxidos e a extinção específica no ultravioleta, no mesmo campo visual.
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1. Qual é a acidez máxima do azeite extravirgem pela norma brasileira?
O limite é de 0,80% de acidez livre, segundo a Instrução Normativa nº 1/2012 do Ministério da Agricultura. Acima de 2% o azeite é classificado como lampante.
2. Qual foi o motivo mais comum das proibições de azeite pela Anvisa em 2025 e 2026?
Na maioria das resoluções, a Anvisa cita origem desconhecida ou ignorada, porque o CNPJ informado no rótulo estava suspenso, baixado, inapto ou não existia.
3. Qual órgão classifica o azeite e cadastra as empresas de óleos vegetais?
O Ministério da Agricultura e Pecuária é o responsável pela classificação e pelo cadastro, segundo a Anvisa. A agência proíbe o produto a partir da informação do ministério.
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