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Eventos astronômicos até 2027: eclipse do Sol será visível no Brasil no sábado de Carnaval

A Geminídeas, com até 120 meteoros por hora em céu perfeito, tem pico em 13 e 14 de dezembro, e Marte chega a 101 milhões de km da Terra em 19 de fevereiro.

Cúpula prateada de telescópio ao entardecer no Observatório do Pico dos Dias, em Minas Gerais
Cúpula do telescópio IAG, de 0,6 metro, no Observatório do Pico dos Dias, em Brazópolis (MG), em imagem de 2008.Foto: b.lastorina / Wikimedia Commons · CC BY-SA 3.0

O eclipse anular do Sol de 6 de fevereiro de 2027 será visível de forma parcial em quase todo o Brasil, segundo o Observatório Nacional. Ele cai no sábado de Carnaval. Antes dele, passam as chuvas de meteoros Leonídeas e Geminídeas; logo depois, Júpiter e Marte chegam ao auge do brilho.

A maior parte desses eventos se vê a olho nu, sem telescópio e sem pagar nada. Basta saber o dia, a hora e para que lado olhar. A exceção é o eclipse do Sol, que exige filtro próprio para não machucar a vista.

A tabela reúne o que vale a pena marcar na agenda de outubro de 2026 até o fim de 2027. Os horários estão no horário de Brasília, que não muda neste verão, porque o horário de verão não volta.

DataEventoComo ver
Até 7 de novembro de 2026Orionídeas, restos do cometa HalleyNa madrugada, olhando para nordeste
27 e 28 de outubro de 2026Lua passa perto das PlêiadesA nordeste, por volta das 23h
16 e 17 de novembro de 2026Pico das LeonídeasA partir da meia-noite
13 e 14 de dezembro de 2026Pico das GeminídeasA partir das 21h ou 22h, até o amanhecer
21 de dezembro de 2026Começa o verãoDia mais longo do ano no Hemisfério Sul
6 de fevereiro de 2027Eclipse anular do Sol, parcial em quase todo o paísPor volta do meio-dia, só com filtro
Por volta de 11 de fevereiro de 2027Júpiter em oposiçãoA noite toda, a olho nu
19 de fevereiro de 2027Marte no ponto mais perto da TerraA noite toda, a olho nu
20 de fevereiro de 2027Eclipse penumbral da LuaÀs 20h13, escurecimento leve da Lua
22 e 23 de abril de 2027Pico das LíridasDois dias depois da lua cheia
5 e 6 de maio de 2027Pico das Eta AquarídeasAntes do amanhecer, sem Lua no céu
17 de agosto de 2027Eclipse penumbral da LuaDe madrugada, por volta das 4h14
Por volta de 18 de outubro de 2027Saturno em oposiçãoA noite toda

Fonte: Observatório Nacional, Nasa e JPL, outubro de 2026.

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Chuvas de meteoros, uma por estação

A chuva que está no céu agora é a Orionídeas. Ela vai de 2 de outubro a 7 de novembro de 2026, segundo o Observatório Nacional, e teve o pico na madrugada de 21 de outubro. Os meteoros chegam a 66 quilômetros por segundo e são grãos deixados pelo cometa Halley.

“A boa notícia é que todo o Brasil pode observar”, disse o astrônomo Marcelo De Cicco, coordenador do projeto Exoss, parceiro do ON, em nota do ON de 20 de outubro.

Segundo ele, o ponto de onde os meteoros parecem sair, perto da estrela Betelgeuse, em Órion, aparece de norte a sul, com leve vantagem no Norte e no Nordeste.

Depois do pico, a frequência cai, e a Lua cheia de 26 de outubro clareia o céu. Quem quiser tentar ainda deve olhar para nordeste, de madrugada, e desviar o olhar uns 30 a 45 graus de Órion para pegar rastros mais longos, como orienta o ON.

Em novembro chegam as Leonídeas, ativas de 6 a 30 de novembro, com pico em 16 e 17, segundo a Nasa. São modestas: menos de três meteoros por hora em céu escuro, pela estimativa da agência americana.

Em compensação, estão entre os mais rápidos do ano, a 69,7 quilômetros por segundo, e o melhor horário começa à meia-noite, quando a Lua crescente já está se pondo.

A grande chuva do fim de ano é a Geminídeas, ativa de 4 a 17 de dezembro, com pico em 13 e 14. Em condições perfeitas, ela mostra até 120 meteoros por hora, segundo a Nasa, e pode ser vista nos dois hemisférios.

120

meteoros por hora pode mostrar a Geminídeas no pico, em céu escuro e sem nuvens

Fonte: Nasa, 2026

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A Geminídeas tem duas curiosidades. Ela não nasce de um cometa, mas de um asteroide, o 3200 Phaethon, e começa cedo, por volta das 21h ou 22h. O pico de 2026 vem cinco dias depois da lua nova, que cai na noite de 8 de dezembro, pela tabela da Nasa. Assim, haverá pouca luz da Lua para atrapalhar.

Em 2027, a chuva mais favorável ao Brasil é a Eta Aquarídeas, que também vem do cometa Halley. Ela vai de 19 de abril a 28 de maio, com pico em 5 e 6 de maio. No pico, rende cerca de 50 meteoros por hora, segundo a Nasa, que considera o Hemisfério Sul o melhor lugar para vê-la.

O pico coincide com a lua nova de 6 de maio, o que deixa o céu escuro antes do amanhecer.

As Líridas, de 14 a 30 de abril, têm pico em 22 e 23 de abril de 2027. É dois dias depois da lua cheia de 20 de abril, e a claridade deve apagar os meteoros mais fracos. Já as Quadrantídeas, a primeira chuva do ano, têm pico em 3 e 4 de janeiro de 2027, segundo a Nasa.

O anel de fogo no sábado de Carnaval

O eclipse de 6 de fevereiro de 2027 é anular. A Lua passa na frente do Sol, mas não o cobre por inteiro, e sobra um anel de luz em volta.

Esse anel só aparece numa faixa de cerca de 280 quilômetros de largura, segundo o mapa da Nasa. No resto da América do Sul, o que se vê é um eclipse parcial, com o Sol “mordido”.

A faixa do anel corta o Chile e a Argentina, passa pelo litoral do Uruguai e segue pelo Atlântico até o Golfo da Guiné, na África.

No Brasil, a borda norte da faixa toca o extremo sul do Rio Grande do Sul, perto do Chuí e de Santa Vitória do Palmar, pelas coordenadas da Nasa. Perto do limite, o anel dura pouco.

A fase anular mais longa chega a 7 minutos e 53 segundos, sobre o oceano, ao largo do Uruguai e do sul gaúcho. O ponto máximo do eclipse acontece às 15h59 no tempo universal, ou 12h59 em Brasília. Por isso, no Brasil, o fenômeno acontece de dia, em torno do horário do almoço.

O dia ajuda quem viaja. O sábado abre o fim de semana prolongado, já que a segunda e a terça de Carnaval de 2027 são 8 e 9 de fevereiro. Como o Carnaval não é feriado nacional, a folga nesses dias depende do estado e da cidade. Quem estiver no litoral gaúcho ou no Uruguai fica mais perto da faixa do anel.

Duas semanas depois, em 20 de fevereiro, vem um eclipse da Lua. É penumbral: a Lua passa só pela parte mais clara da sombra da Terra e escurece pouco.

O máximo é por volta das 20h13 em Brasília, e o eclipse é visível nas Américas, segundo a Nasa. Outro eclipse penumbral acontece em 17 de agosto de 2027, por volta das 4h14 em Brasília.

“Para ver o eclipse da Lua não é preciso nenhum aparato, basta olhar e contemplar pelo tempo que quiser”

Josina Nascimento, astrônoma do Observatório Nacional, em nota do ON de 26 de agosto de 2026

O último eclipse da Lua visto no país foi o da madrugada de 28 de agosto de 2026, quase total. Na hora do máximo, 96,2% do disco entrou na sombra escura da Terra, segundo o ON. Um eclipse total longo, visível em todo o território, só volta na noite de 25 de junho de 2029, informa o Observatório.

Saturno agora, Júpiter e Marte no verão

Saturno passou pela oposição em 4 de outubro de 2026, segundo a Nasa. Oposição é quando a Terra fica entre o planeta e o Sol: ele nasce ao pôr do sol, cruza o céu a noite inteira e brilha mais. Nos meses seguintes, ele continua no céu do começo da noite.

Na noite de 27 para 28 de outubro, a Lua passa perto das Plêiades, o aglomerado de estrelas conhecido no interior como Sete-Estrelo. Por volta das 23h, os dois aparecem baixos no nordeste do céu, pelas efemérides do JPL, o laboratório de propulsão a jato da Nasa. A lua cheia anterior, de 26 de outubro, cai à 1h12 de Brasília, como mostra o calendário das fases da Lua até dezembro.

Fevereiro de 2027 concentra os planetas. Júpiter fica em oposição por volta de 11 de fevereiro, com magnitude de −2,6, segundo as mesmas efemérides do JPL. Magnitude é a escala de brilho dos astros, e quanto menor o número, mais brilhante.

Marte chega ao ponto mais perto da Terra na noite de 19 de fevereiro de 2027, a cerca de 101 milhões de quilômetros, pelas mesmas efemérides. Nessa noite, o planeta vermelho aparece com magnitude −1,3, quase tão brilhante quanto Sírius, a estrela mais brilhante do céu noturno. Saturno volta à oposição por volta de 18 de outubro de 2027.

Para chuvas de meteoros e planetas, o Observatório Nacional recomenda ir para um lugar escuro, longe das luzes da cidade, e apagar as luzes por perto. O céu precisa estar limpo.

A vista leva pelo menos 20 minutos para se acostumar ao escuro, segundo o ON, e a tela do celular desfaz essa adaptação. Deitar numa cadeira de praia ou numa canga ajuda a cobrir uma área grande do céu sem cansar o pescoço.

A posição no mapa do Brasil muda o que se vê. Nas Perseidas de agosto de 2026, por exemplo, o ON estimou de 15 a 20 meteoros por hora no Norte. No Nordeste e no Centro-Oeste, de 5 a 10, e no Sudeste e no Sul, de 1 a 5.

O tempo também conta. A primavera é a transição entre os períodos seco e chuvoso, segundo o prognóstico do Inmet, do Inpe e da Funceme. As chuvas voltam aos poucos ao Centro-Oeste, ao Sudeste e ao centro-sul da Região Norte. Vale conferir a previsão de nuvens antes de sair de casa.

Para fotografar meteoros, o ON sugere câmera fixa, com lente grande-angular de 14 a 24 milímetros e abertura grande. A sensibilidade, o ISO, fica entre 1.600 e 3.200, com exposições de 10 a 15 segundos em sequência.

Quem não puder sair de casa tem o programa O Céu em sua Casa, do Observatório Nacional, que transmite os eclipses ao vivo com telescópios de parceiros em várias cidades. A transmissão do eclipse da Lua de agosto de 2026 passou de 123 mil visualizações, segundo o ON. É quase o dobro das 69 mil do eclipse do Sol de 12 de agosto.

O céu também é assunto de sala de aula. Em outubro, cinco estudantes brasileiros do ensino médio voltaram da 19ª Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica, em Hanói, no Vietnã. Trouxeram uma medalha de ouro, uma de prata e três de bronze, segundo o Observatório Nacional.

O caminho até a equipe começa na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica, a OBA, feita nas escolas.

Se você tem filho em idade escolar, as noites de chuva de meteoros rendem um programa de família. O pico da Geminídeas, que começa cedo, cai na noite de domingo, 13 de dezembro. É a véspera da última semana de aula em vários estados, como mostra o calendário escolar por estado.


O verão começa em 21 de dezembro, quando a primavera termina, segundo o Observatório Nacional. Antes disso, o próximo encontro marcado no céu é a noite de 27 de outubro, quando a Lua passa perto das Plêiades, no nordeste do céu, por volta das 23h.

Como citar: Ouviram (22 out. 2026). «Eventos astronômicos até 2027: eclipse do Sol será visível no Brasil no sábado de Carnaval». ouviram.com.br/brasil/eventos-astronomicos-2026-2027-chuva-de-meteoros-eclipses

Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.

Perguntas frequentes

Estrela cadente é a mesma coisa que meteoro?

É. Estrela cadente é o nome popular do meteoro, o risco de luz que aparece quando um grão de poeira espacial queima ao entrar na atmosfera. Se um pedaço chega ao chão, passa a se chamar meteorito.

Pode olhar o eclipse do Sol com óculos escuros?

Óculos escuros comuns e radiografias não protegem a vista. Use óculos de eclipse com filtro que siga a norma internacional ISO 12312-2, recomendada pela Nasa, ou veja a imagem projetada por um furinho num papelão.

Dá para ver do Brasil o eclipse total do Sol de agosto de 2027?

O eclipse total de 2 de agosto de 2027 fica fora do alcance do Brasil: a faixa total passa por Espanha, Marrocos e Egito, entre outros países da Europa, da África e do Oriente Médio, segundo a Nasa. O Observatório Nacional transmitiu ao vivo, com parceiros fora do país, o eclipse do Sol de 12 de agosto de 2026, que também não foi visível daqui.

Quando passa um eclipse anular sobre o Brasil depois de 2027?

Em 26 de janeiro de 2028. A faixa do anel cruza o Equador, o Peru, o Brasil e o Suriname antes de chegar à Espanha e a Portugal, segundo a Nasa.

Como avisar que vi um bólido?

Bólido é um meteoro muito brilhante. O Observatório Nacional orienta relatar o bólido, com o horário exato, à plataforma do projeto Exoss, rede apoiada pelo ON que analisa relatos e imagens enviados pelo público.

O que é superlua?

É o nome popular da lua cheia que acontece perto do perigeu, o ponto da órbita em que a Lua fica mais perto da Terra. Não é um termo técnico da astronomia, e a diferença de tamanho é difícil de notar a olho nu.

#Espaço#ObservatórioNacional#Nasa#Eclipse#ChuvaDeMeteoros

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  1. 1. De que cometa vêm os meteoros das Orionídeas?

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  3. 3. Quantos meteoros por hora a Geminídeas pode mostrar em condições perfeitas?

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