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Eventos astronômicos até 2027: eclipse do Sol será visível no Brasil no sábado de Carnaval
A Geminídeas, com até 120 meteoros por hora em céu perfeito, tem pico em 13 e 14 de dezembro, e Marte chega a 101 milhões de km da Terra em 19 de fevereiro.

O eclipse anular do Sol de 6 de fevereiro de 2027 será visível de forma parcial em quase todo o Brasil, segundo o Observatório Nacional. Ele cai no sábado de Carnaval. Antes dele, passam as chuvas de meteoros Leonídeas e Geminídeas; logo depois, Júpiter e Marte chegam ao auge do brilho.
A maior parte desses eventos se vê a olho nu, sem telescópio e sem pagar nada. Basta saber o dia, a hora e para que lado olhar. A exceção é o eclipse do Sol, que exige filtro próprio para não machucar a vista.
A tabela reúne o que vale a pena marcar na agenda de outubro de 2026 até o fim de 2027. Os horários estão no horário de Brasília, que não muda neste verão, porque o horário de verão não volta.
| Data | Evento | Como ver |
|---|---|---|
| Até 7 de novembro de 2026 | Orionídeas, restos do cometa Halley | Na madrugada, olhando para nordeste |
| 27 e 28 de outubro de 2026 | Lua passa perto das Plêiades | A nordeste, por volta das 23h |
| 16 e 17 de novembro de 2026 | Pico das Leonídeas | A partir da meia-noite |
| 13 e 14 de dezembro de 2026 | Pico das Geminídeas | A partir das 21h ou 22h, até o amanhecer |
| 21 de dezembro de 2026 | Começa o verão | Dia mais longo do ano no Hemisfério Sul |
| 6 de fevereiro de 2027 | Eclipse anular do Sol, parcial em quase todo o país | Por volta do meio-dia, só com filtro |
| Por volta de 11 de fevereiro de 2027 | Júpiter em oposição | A noite toda, a olho nu |
| 19 de fevereiro de 2027 | Marte no ponto mais perto da Terra | A noite toda, a olho nu |
| 20 de fevereiro de 2027 | Eclipse penumbral da Lua | Às 20h13, escurecimento leve da Lua |
| 22 e 23 de abril de 2027 | Pico das Líridas | Dois dias depois da lua cheia |
| 5 e 6 de maio de 2027 | Pico das Eta Aquarídeas | Antes do amanhecer, sem Lua no céu |
| 17 de agosto de 2027 | Eclipse penumbral da Lua | De madrugada, por volta das 4h14 |
| Por volta de 18 de outubro de 2027 | Saturno em oposição | A noite toda |
Fonte: Observatório Nacional, Nasa e JPL, outubro de 2026.
Chuvas de meteoros, uma por estação
A chuva que está no céu agora é a Orionídeas. Ela vai de 2 de outubro a 7 de novembro de 2026, segundo o Observatório Nacional, e teve o pico na madrugada de 21 de outubro. Os meteoros chegam a 66 quilômetros por segundo e são grãos deixados pelo cometa Halley.
“A boa notícia é que todo o Brasil pode observar”, disse o astrônomo Marcelo De Cicco, coordenador do projeto Exoss, parceiro do ON, em nota do ON de 20 de outubro.
Segundo ele, o ponto de onde os meteoros parecem sair, perto da estrela Betelgeuse, em Órion, aparece de norte a sul, com leve vantagem no Norte e no Nordeste.
Depois do pico, a frequência cai, e a Lua cheia de 26 de outubro clareia o céu. Quem quiser tentar ainda deve olhar para nordeste, de madrugada, e desviar o olhar uns 30 a 45 graus de Órion para pegar rastros mais longos, como orienta o ON.
Em novembro chegam as Leonídeas, ativas de 6 a 30 de novembro, com pico em 16 e 17, segundo a Nasa. São modestas: menos de três meteoros por hora em céu escuro, pela estimativa da agência americana.
Em compensação, estão entre os mais rápidos do ano, a 69,7 quilômetros por segundo, e o melhor horário começa à meia-noite, quando a Lua crescente já está se pondo.
A grande chuva do fim de ano é a Geminídeas, ativa de 4 a 17 de dezembro, com pico em 13 e 14. Em condições perfeitas, ela mostra até 120 meteoros por hora, segundo a Nasa, e pode ser vista nos dois hemisférios.
120
meteoros por hora pode mostrar a Geminídeas no pico, em céu escuro e sem nuvens
Fonte: Nasa, 2026
A Geminídeas tem duas curiosidades. Ela não nasce de um cometa, mas de um asteroide, o 3200 Phaethon, e começa cedo, por volta das 21h ou 22h. O pico de 2026 vem cinco dias depois da lua nova, que cai na noite de 8 de dezembro, pela tabela da Nasa. Assim, haverá pouca luz da Lua para atrapalhar.
Em 2027, a chuva mais favorável ao Brasil é a Eta Aquarídeas, que também vem do cometa Halley. Ela vai de 19 de abril a 28 de maio, com pico em 5 e 6 de maio. No pico, rende cerca de 50 meteoros por hora, segundo a Nasa, que considera o Hemisfério Sul o melhor lugar para vê-la.
O pico coincide com a lua nova de 6 de maio, o que deixa o céu escuro antes do amanhecer.
As Líridas, de 14 a 30 de abril, têm pico em 22 e 23 de abril de 2027. É dois dias depois da lua cheia de 20 de abril, e a claridade deve apagar os meteoros mais fracos. Já as Quadrantídeas, a primeira chuva do ano, têm pico em 3 e 4 de janeiro de 2027, segundo a Nasa.
O anel de fogo no sábado de Carnaval
O eclipse de 6 de fevereiro de 2027 é anular. A Lua passa na frente do Sol, mas não o cobre por inteiro, e sobra um anel de luz em volta.
Esse anel só aparece numa faixa de cerca de 280 quilômetros de largura, segundo o mapa da Nasa. No resto da América do Sul, o que se vê é um eclipse parcial, com o Sol “mordido”.
A faixa do anel corta o Chile e a Argentina, passa pelo litoral do Uruguai e segue pelo Atlântico até o Golfo da Guiné, na África.
No Brasil, a borda norte da faixa toca o extremo sul do Rio Grande do Sul, perto do Chuí e de Santa Vitória do Palmar, pelas coordenadas da Nasa. Perto do limite, o anel dura pouco.
A fase anular mais longa chega a 7 minutos e 53 segundos, sobre o oceano, ao largo do Uruguai e do sul gaúcho. O ponto máximo do eclipse acontece às 15h59 no tempo universal, ou 12h59 em Brasília. Por isso, no Brasil, o fenômeno acontece de dia, em torno do horário do almoço.
O dia ajuda quem viaja. O sábado abre o fim de semana prolongado, já que a segunda e a terça de Carnaval de 2027 são 8 e 9 de fevereiro. Como o Carnaval não é feriado nacional, a folga nesses dias depende do estado e da cidade. Quem estiver no litoral gaúcho ou no Uruguai fica mais perto da faixa do anel.
Duas semanas depois, em 20 de fevereiro, vem um eclipse da Lua. É penumbral: a Lua passa só pela parte mais clara da sombra da Terra e escurece pouco.
O máximo é por volta das 20h13 em Brasília, e o eclipse é visível nas Américas, segundo a Nasa. Outro eclipse penumbral acontece em 17 de agosto de 2027, por volta das 4h14 em Brasília.
“Para ver o eclipse da Lua não é preciso nenhum aparato, basta olhar e contemplar pelo tempo que quiser”
O último eclipse da Lua visto no país foi o da madrugada de 28 de agosto de 2026, quase total. Na hora do máximo, 96,2% do disco entrou na sombra escura da Terra, segundo o ON. Um eclipse total longo, visível em todo o território, só volta na noite de 25 de junho de 2029, informa o Observatório.
Saturno agora, Júpiter e Marte no verão
Saturno passou pela oposição em 4 de outubro de 2026, segundo a Nasa. Oposição é quando a Terra fica entre o planeta e o Sol: ele nasce ao pôr do sol, cruza o céu a noite inteira e brilha mais. Nos meses seguintes, ele continua no céu do começo da noite.
Na noite de 27 para 28 de outubro, a Lua passa perto das Plêiades, o aglomerado de estrelas conhecido no interior como Sete-Estrelo. Por volta das 23h, os dois aparecem baixos no nordeste do céu, pelas efemérides do JPL, o laboratório de propulsão a jato da Nasa. A lua cheia anterior, de 26 de outubro, cai à 1h12 de Brasília, como mostra o calendário das fases da Lua até dezembro.
Fevereiro de 2027 concentra os planetas. Júpiter fica em oposição por volta de 11 de fevereiro, com magnitude de −2,6, segundo as mesmas efemérides do JPL. Magnitude é a escala de brilho dos astros, e quanto menor o número, mais brilhante.
Marte chega ao ponto mais perto da Terra na noite de 19 de fevereiro de 2027, a cerca de 101 milhões de quilômetros, pelas mesmas efemérides. Nessa noite, o planeta vermelho aparece com magnitude −1,3, quase tão brilhante quanto Sírius, a estrela mais brilhante do céu noturno. Saturno volta à oposição por volta de 18 de outubro de 2027.
Para chuvas de meteoros e planetas, o Observatório Nacional recomenda ir para um lugar escuro, longe das luzes da cidade, e apagar as luzes por perto. O céu precisa estar limpo.
A vista leva pelo menos 20 minutos para se acostumar ao escuro, segundo o ON, e a tela do celular desfaz essa adaptação. Deitar numa cadeira de praia ou numa canga ajuda a cobrir uma área grande do céu sem cansar o pescoço.
A posição no mapa do Brasil muda o que se vê. Nas Perseidas de agosto de 2026, por exemplo, o ON estimou de 15 a 20 meteoros por hora no Norte. No Nordeste e no Centro-Oeste, de 5 a 10, e no Sudeste e no Sul, de 1 a 5.
O tempo também conta. A primavera é a transição entre os períodos seco e chuvoso, segundo o prognóstico do Inmet, do Inpe e da Funceme. As chuvas voltam aos poucos ao Centro-Oeste, ao Sudeste e ao centro-sul da Região Norte. Vale conferir a previsão de nuvens antes de sair de casa.
Para fotografar meteoros, o ON sugere câmera fixa, com lente grande-angular de 14 a 24 milímetros e abertura grande. A sensibilidade, o ISO, fica entre 1.600 e 3.200, com exposições de 10 a 15 segundos em sequência.
Quem não puder sair de casa tem o programa O Céu em sua Casa, do Observatório Nacional, que transmite os eclipses ao vivo com telescópios de parceiros em várias cidades. A transmissão do eclipse da Lua de agosto de 2026 passou de 123 mil visualizações, segundo o ON. É quase o dobro das 69 mil do eclipse do Sol de 12 de agosto.
O céu também é assunto de sala de aula. Em outubro, cinco estudantes brasileiros do ensino médio voltaram da 19ª Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica, em Hanói, no Vietnã. Trouxeram uma medalha de ouro, uma de prata e três de bronze, segundo o Observatório Nacional.
O caminho até a equipe começa na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica, a OBA, feita nas escolas.
Se você tem filho em idade escolar, as noites de chuva de meteoros rendem um programa de família. O pico da Geminídeas, que começa cedo, cai na noite de domingo, 13 de dezembro. É a véspera da última semana de aula em vários estados, como mostra o calendário escolar por estado.
O verão começa em 21 de dezembro, quando a primavera termina, segundo o Observatório Nacional. Antes disso, o próximo encontro marcado no céu é a noite de 27 de outubro, quando a Lua passa perto das Plêiades, no nordeste do céu, por volta das 23h.
Como citar: Ouviram (22 out. 2026). «Eventos astronômicos até 2027: eclipse do Sol será visível no Brasil no sábado de Carnaval». ouviram.com.br/brasil/eventos-astronomicos-2026-2027-chuva-de-meteoros-eclipses
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
Estrela cadente é a mesma coisa que meteoro?
É. Estrela cadente é o nome popular do meteoro, o risco de luz que aparece quando um grão de poeira espacial queima ao entrar na atmosfera. Se um pedaço chega ao chão, passa a se chamar meteorito.
Pode olhar o eclipse do Sol com óculos escuros?
Óculos escuros comuns e radiografias não protegem a vista. Use óculos de eclipse com filtro que siga a norma internacional ISO 12312-2, recomendada pela Nasa, ou veja a imagem projetada por um furinho num papelão.
Dá para ver do Brasil o eclipse total do Sol de agosto de 2027?
O eclipse total de 2 de agosto de 2027 fica fora do alcance do Brasil: a faixa total passa por Espanha, Marrocos e Egito, entre outros países da Europa, da África e do Oriente Médio, segundo a Nasa. O Observatório Nacional transmitiu ao vivo, com parceiros fora do país, o eclipse do Sol de 12 de agosto de 2026, que também não foi visível daqui.
Quando passa um eclipse anular sobre o Brasil depois de 2027?
Em 26 de janeiro de 2028. A faixa do anel cruza o Equador, o Peru, o Brasil e o Suriname antes de chegar à Espanha e a Portugal, segundo a Nasa.
Como avisar que vi um bólido?
Bólido é um meteoro muito brilhante. O Observatório Nacional orienta relatar o bólido, com o horário exato, à plataforma do projeto Exoss, rede apoiada pelo ON que analisa relatos e imagens enviados pelo público.
O que é superlua?
É o nome popular da lua cheia que acontece perto do perigeu, o ponto da órbita em que a Lua fica mais perto da Terra. Não é um termo técnico da astronomia, e a diferença de tamanho é difícil de notar a olho nu.
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1. De que cometa vêm os meteoros das Orionídeas?
Vêm dos restos do cometa Halley, que passa perto do Sol a cada 75 ou 76 anos, segundo o Observatório Nacional.
2. Em que dia do Carnaval de 2027 cai o eclipse anular do Sol?
O eclipse é em 6 de fevereiro de 2027, um sábado; a segunda e a terça de Carnaval são 8 e 9 de fevereiro.
3. Quantos meteoros por hora a Geminídeas pode mostrar em condições perfeitas?
São até 120 por hora, segundo a Nasa, o que faz dela uma das chuvas mais fortes do ano.
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