SaúdeExplicador
Meningite é contagiosa, passa por gotículas e somou 6.169 casos no 1º semestre de 2025
A forma bacteriana causou 537 das 781 mortes do período, e a vacina contra o tipo B ficou fora do SUS por decisão de abril de 2026.

O Brasil confirmou 6.169 casos de meningite e 781 mortes no 1º semestre de 2025, segundo o Ministério da Saúde. A doença, inflamação das membranas que protegem o cérebro e a medula espinhal, é contagiosa nas formas bacteriana e viral.
Ela passa de pessoa para pessoa por gotículas da fala, da tosse e do espirro, em geral num contato próximo e prolongado, informa o ministério. Os números vêm do informe mais recente, de novembro de 2025, são preliminares e não incluem o Espírito Santo, que registra os casos num sistema próprio desde 2020.
6.169
casos de meningite foram confirmados no Brasil de janeiro a junho de 2025, com 781 mortes
Fonte: Ministério da Saúde, informe de novembro de 2025
A doença tem tratamento no SUS, e cinco vacinas do Calendário Nacional de Vacinação protegem contra as bactérias que mais causam as formas graves. Saber reconhecer os sinais e procurar atendimento logo faz diferença: a forma bacteriana matou um em cada cinco doentes em 2025, e o ministério trata todo caso suspeito como emergência.
- O que éInflamação das meninges, as membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal
- CausasVírus, bactérias, fungos e parasitas; também traumas, doenças inflamatórias e reações a remédios
- Como pegaGotículas de fala, tosse e espirro, de doentes ou de portadores sem sintomas
- Incubação4 dias em média na doença meningocócica, de 2 a 10 dias
- Sinais principaisFebre, dor de cabeça forte, pescoço duro, vômitos e incômodo com a luz
- TratamentoInternação; antibióticos na forma bacteriana
- Vacinas no SUSBCG, Penta, pneumocócica, meningocócica C e meningocócica ACWY
- Onde vacinarSala de vacinação da unidade básica de saúde (UBS), de graça
- EmergênciaPronto-socorro, UPA ou Samu, pelo 192
| Tipo de meningite | Casos | Mortes | Letalidade |
|---|---|---|---|
| Bacteriana | 2.643 | 537 | 20,3% |
| Viral | 2.109 | 60 | 2,8% |
| Não especificada | 1.012 | 112 | 11,1% |
| Outras causas (fungos, parasitas) | 398 | 71 | 17,8% |
Fonte: Ministério da Saúde, Informe Meningites, 2ª edição, novembro de 2025 (casos confirmados de 1º de janeiro a 30 de junho de 2025).
Sintomas de meningite em adultos e em bebês
Os sintomas de meningite em adultos são febre, dor de cabeça intensa, rigidez no pescoço, náuseas, vômitos e sensibilidade à luz, segundo o Ministério da Saúde. Em bebês, os sinais são outros: irritabilidade, choro persistente, recusa em mamar ou comer, vômitos e moleira estufada.
Nos bebês, que ainda não sabem dizer o que sentem, a moleira abaulada, a parte mole do alto da cabeça, está entre os sinais que o ministério manda observar. Choro que não passa e recusa do peito também entram na lista.
Alguns sinais indicam que o quadro ficou grave e pedem atendimento imediato, sem esperar consulta marcada:
- confusão mental ou fala sem sentido;
- convulsões;
- dificuldade para acordar ou sonolência fora do comum;
- manchas vermelhas ou arroxeadas na pele.
As manchas vermelhas ou arroxeadas estão entre os sinais de gravidade listados pelo Ministério da Saúde. “Na presença desses sinais, o atendimento médico deve ser imediato”, diz a página do ministério sobre a doença.
Febre e dor de cabeça forte acompanhadas de pescoço duro, vômitos, sonolência ou manchas pedem ida ao pronto-socorro ou à Unidade de Pronto Atendimento (UPA), não à farmácia. O ministério orienta internar todo caso suspeito e não atrasar o tratamento à espera de exames.
Nos idosos e nas crianças com menos de 5 anos, a letalidade é mais alta, segundo o ministério. No 1º semestre de 2025, os bebês com menos de 1 ano tiveram a maior taxa de meningite bacteriana do país: 12,29 casos por 100 mil, quase dez vezes a média de 1,24 da população.
Como a meningite pega, tipos da doença e casos no Brasil
A meningite pega pelo contato próximo com gotículas da boca e do nariz de quem tem a bactéria ou o vírus, segundo o Ministério da Saúde. O contágio vale para as formas bacteriana e viral. A transmissão também pode ocorrer pela via fecal-oral, por água ou por alimentos contaminados.
Uma pessoa sem nenhum sintoma pode carregar a bactéria na garganta e passá-la adiante. É o chamado portador assintomático. Por isso, a investigação de um caso não se limita a quem está doente.
As meningites causadas por fungos e por parasitas não passam de uma pessoa para outra. Os fungos são inalados como esporos, e os parasitas chegam por alimentos contaminados, informa o ministério.
Na doença meningocócica, os sintomas aparecem em média 4 dias depois do contágio, num intervalo de 2 a 10 dias. A pessoa deixa de transmitir, em geral, em até 24 horas de antibiótico adequado, segundo a Nota Técnica Conjunta nº 154/2024 do Ministério da Saúde.
O mesmo documento explica que encontros rápidos não costumam bastar. Quem só passou perto do doente não é considerado contato próximo. Contam como contato próximo, entre outras situações:
- quem mora na mesma casa ou dorme no mesmo quarto;
- quem beijou o doente ou dividiu talheres, copos e outros objetos com saliva;
- quem teve esse convívio nos 10 dias antes dos sintomas ou até 24 horas depois do início do tratamento.
Esses contatos recebem um antibiótico preventivo, a quimioprofilaxia, para eliminar a bactéria antes que ela cause novos casos. O ideal é tomar nas primeiras 24 horas depois do início dos sintomas do doente. Depois de 10 dias da exposição, o efeito é muito limitado ou nulo, diz a nota.
O remédio de primeira escolha é a rifampicina. Ceftriaxona e ciprofloxacino, em dose única, são alternativas. A equipe de vigilância epidemiológica identifica os contatos que devem receber o remédio.
No 1º semestre de 2025, 54,9% dos casos de doença meningocócica tiveram os contatos tratados em até 48 horas da notificação, alta de 16,8 pontos percentuais sobre 2024, segundo o ministério.
A meningite bacteriana é a forma mais grave: matou 20,3% dos 2.643 doentes confirmados no 1º semestre de 2025, contra 2,8% dos 2.109 casos de meningite viral, segundo o informe do Ministério da Saúde.
Em 2024, pela primeira vez desde 2010, as meningites bacterianas superaram as virais em número de casos, informa o ministério. Das 781 mortes de 2025, 537 foram por bactérias, o equivalente a 68,8% do total.
Quatro bactérias concentram as formas graves. O pneumococo (Streptococcus pneumoniae) causa a meningite pneumocócica; o meningococo (Neisseria meningitidis), a doença meningocócica; o Haemophilus influenzae tipo b, a meningite por hemófilo; e o bacilo da tuberculose, a meningite tuberculosa.
Fonte: Ministério da Saúde, Informe Meningites, casos de janeiro a junho de 2025
A pneumocócica também foi a mais letal, com 202 mortes e letalidade de 28,3%. A doença meningocócica teve 486 casos e 96 mortes (19,8%), e o sorogrupo B foi o mais frequente entre os casos com sorogrupo identificado: 146 de 267, ou 54,7%. O sorogrupo C veio em seguida, com 90 casos.
O meningococo tem 12 sorogrupos, identificados por letras. No Brasil, os que mais circulam são o B, o C, o W e o Y, segundo o ministério. A distinção importa porque cada vacina protege contra sorogrupos específicos.
O tratamento muda conforme a causa. A forma bacteriana exige antibióticos específicos e cuidados de suporte no hospital. A viral, na maioria dos casos, pede acompanhamento clínico, e antivirais ficam para situações específicas. As meningites por fungos são tratadas com antifúngicos por tempo prolongado.
“A meningite é uma emergência médica.”
Em todos os casos, o ministério orienta internação e início rápido do tratamento. O diagnóstico depende da análise do líquor, o líquido que envolve o cérebro e a medula, e de exames como cultura e PCR, segundo o ministério. Em 2025, 38,7% dos casos foram confirmados por exame de laboratório, 7,2 pontos percentuais a mais que em 2024.
O Sudeste concentrou 3.035 dos 6.169 casos confirmados de meningite no 1º semestre de 2025, com 409 mortes, segundo o Ministério da Saúde. O número acompanha o tamanho da população: a região tem os estados mais populosos do país, e São Paulo sozinho registrou 2.036 casos.
| Região | Casos | Mortes | Letalidade |
|---|---|---|---|
| Norte | 442 | 78 | 17,6% |
| Nordeste | 954 | 120 | 12,6% |
| Centro-Oeste | 262 | 39 | 14,9% |
| Sudeste | 3.035 | 409 | 13,5% |
| Sul | 1.470 | 135 | 9,2% |
Fonte: Ministério da Saúde, Informe Meningites, novembro de 2025 (janeiro a junho de 2025; sem dados do Espírito Santo).
Na doença meningocócica, o quadro muda. O Pará teve a maior taxa do país no período, com 1,09 caso por 100 mil habitantes, seguido do Amazonas (0,35) e de Alagoas (0,34). A média nacional foi de 0,23 caso por 100 mil, informa o ministério.
Em todo o país, a taxa geral de meningite costuma ficar entre 2 e 4 casos por 100 mil habitantes por ano. De 2010 a junho de 2025, o Brasil confirmou 246.280 casos, uma média de 15.293 por ano, e registrou 23.986 mortes.
Vacinas contra meningite no SUS por idade
O SUS oferece cinco vacinas que protegem contra causas de meningite, segundo o Calendário Nacional de Vacinação do Ministério da Saúde. São a BCG, a Penta, a pneumocócica, a meningocócica C e a meningocócica ACWY, todas gratuitas nas salas de vacinação das unidades básicas. A maior parte das doses é aplicada no primeiro ano de vida.
| Vacina | Protege contra | Idade | Doses |
|---|---|---|---|
| BCG | Formas graves de tuberculose, inclusive a meningite tuberculosa | Ao nascer | 1 |
| Penta | Haemophilus influenzae tipo b, além de difteria, tétano, coqueluche e hepatite B | 2, 4 e 6 meses | 3 |
| Pneumocócica | Pneumococo, causa de meningite e pneumonia | 2 meses (20-valente), 4 meses (10-valente) e 12 meses (20-valente) | 3 |
| Meningocócica C | Meningococo do sorogrupo C | 3 e 5 meses | 2 |
| Meningocócica ACWY | Meningococo dos sorogrupos A, C, W e Y | 12 meses e 11 anos (atrasados, até 14 anos, 11 meses e 29 dias) | 2 |
Fonte: Ministério da Saúde, Calendário Nacional de Vacinação, consultado em outubro de 2026.
A vacina pneumocócica está em troca. Desde junho de 2026, o SUS substitui aos poucos a versão 10-valente, que cobre dez tipos da bactéria, pela 20-valente, que cobre 20. Enquanto houver estoque da antiga, o esquema mistura as duas, como mostra a tabela. Para quem tem 85 anos ou mais, a vacina pneumocócica 20-valente também está disponível desde setembro.
A meningocócica C entrou no calendário em 2010. Antes dela, as crianças com menos de 5 anos tinham de 5 a 7 casos de doença meningocócica por 100 mil. A partir de 2018, a taxa ficou abaixo de 2 por 100 mil, segundo o ministério.
Para estudantes e famílias, a dica é levar a caderneta à UBS perto dos 11 anos, idade da dose de adolescente da ACWY. Quem passou dessa idade sem vacinar ainda pode tomar até os 14 anos, 11 meses e 29 dias.
Em outubro de 2026, a prefeitura do Rio estendeu a vacina ACWY a jovens de até 24 anos numa campanha local.
Uma vacina fica de fora. A meningocócica B, que protege contra o sorogrupo mais frequente em 2025, não faz parte do Calendário Nacional de Vacinação. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) analisou o pedido em julho de 2025 e em março de 2026 e recomendou não incorporar a vacina.
A decisão foi publicada na Portaria SCTIE/MS nº 21, de 16 de abril de 2026. Em ofício de 8 de junho de 2026 à Assembleia Legislativa de Santa Catarina, o Ministério da Saúde informou que a vacina também não está entre os imunobiológicos especiais. O texto diz que “não há previsão de oferta” na rede pública.
Segundo o ministério, as decisões de incorporação seguem critérios técnico-científicos, epidemiológicos, orçamentários e de efetividade avaliados pela Conitec. Fora do SUS, a vacina contra o tipo B é oferecida em clínicas particulares.
Quem tem febre alta com dor de cabeça forte, pescoço duro, vômitos, sonolência ou manchas na pele deve ir direto ao pronto-socorro ou à UPA. Em casa, com piora rápida, o Samu atende pelo 192.
Para pôr a vacinação em dia, basta levar a caderneta e um documento à sala de vacinação da UBS do bairro. Adultos podem conferir as doses da sua idade no calendário de vacinação do adulto.
O Disque Saúde, do Ministério da Saúde, tira dúvidas sobre vacinas e sintomas pelo telefone 136, de graça, de segunda a sexta, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 18h.
Como citar: Ouviram (22 out. 2026). «Meningite é contagiosa, passa por gotículas e somou 6.169 casos no 1º semestre de 2025». ouviram.com.br/brasil/meningite-sintomas-como-pega-vacinas-sus
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
Meningite é doença de notificação obrigatória?
Sim. Todo caso suspeito precisa ser comunicado às autoridades de saúde em até 24 horas, por hospitais, clínicas e laboratórios públicos e privados, segundo o Ministério da Saúde. Surtos e mortes têm notificação imediata.
Em que época do ano tem mais meningite?
As meningites bacterianas são mais frequentes no outono e no inverno, e as virais, na primavera e no verão, segundo o Ministério da Saúde. A doença, porém, aparece o ano inteiro.
Meningite bacteriana pode causar surdez?
Pode. A perda auditiva é uma das sequelas mais frequentes da meningite bacteriana, e até 1 em cada 10 sobreviventes pode ter algum grau de deficiência auditiva, às vezes permanente, segundo o Ministério da Saúde.
Adulto pode tomar vacina de meningite no SUS?
Na rotina, a meningocócica ACWY vai até 14 anos, 11 meses e 29 dias, pelo Calendário Nacional de Vacinação. Campanhas locais podem ampliar a idade, como a do Rio, que aplica a dose em pessoas de 1 a 24 anos até 31 de outubro de 2026, segundo a prefeitura.
Grávida que teve contato com meningite pode tomar o antibiótico preventivo?
Pode, com orientação médica. A Nota Técnica Conjunta nº 154/2024 do Ministério da Saúde indica a ceftriaxona como primeira escolha para gestantes, no lugar da rifampicina. Quem amamenta pode usar a rifampicina sem interromper a amamentação.
Meningite deixa sequelas?
A maioria das pessoas se recupera sem sequelas permanentes, segundo o Ministério da Saúde. Na meningite bacteriana, de 10% a 20% dos sobreviventes podem ter sequelas neurológicas permanentes, sobretudo quando o tratamento começa tarde.
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1. Qual tipo de meningite bacteriana teve a maior letalidade no 1º semestre de 2025?
A meningite pneumocócica matou 28,3% dos casos confirmados, segundo o Ministério da Saúde, à frente da meningocócica, com 19,8%.
2. Em que ano a vacina meningocócica C entrou no Calendário Nacional de Vacinação?
A vacina chegou ao calendário do Programa Nacional de Imunizações em 2010 e reduziu a doença meningocócica em crianças pequenas, segundo o Ministério da Saúde.
3. Qual sorogrupo do meningococo foi o mais frequente em 2025, entre os casos com sorogrupo identificado?
O sorogrupo B respondeu por 146 dos 267 casos com sorogrupo conhecido (54,7%), segundo o informe do Ministério da Saúde.
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