Símbolos nacionaisExplicador
A letra do Hino Nacional, oficial desde 1922, explicada verso a verso
A música de Francisco Manuel da Silva esperou 91 anos pelo poema de Osório Duque-Estrada, adotado por decreto na véspera do centenário da Independência.

A letra do Hino Nacional é oficial desde 6 de setembro de 1922, quando o presidente Epitácio Pessoa assinou o Decreto 15.671. O poema de Joaquim Osório Duque-Estrada tem 50 versos, em duas partes do mesmo tamanho, no texto publicado pela Presidência da República.
É o texto que os alunos do ensino fundamental ouvem toda semana na escola e que abre os jogos da Seleção. Muita gente canta de cor sem saber o que é “lábaro” ou “penhor”. Aqui estão a letra inteira, a tradução dos trechos difíceis e as regras para a execução.
A música é bem mais antiga do que os versos. A melodia de Francisco Manuel da Silva teve a primeira execução oficial em 13 de abril de 1831, segundo o Senado. Dois meses depois da Proclamação da República, o Decreto 171, de 20 de janeiro de 1890, manteve a composição como Hino Nacional.
Faltava a letra. Duque-Estrada escreveu o poema em 1909, e o texto só foi adotado na véspera do centenário da Independência. Entre a primeira execução da música e os versos oficiais passaram-se 91 anos.
A letra oficial, em duas partes
O texto abaixo é o publicado pela Presidência da República, na grafia atual. Cada parte tem 25 versos e termina no mesmo refrão. As barras marcam a quebra dos versos.
Parte I
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas / De um povo heroico o brado retumbante, / E o sol da liberdade, em raios fúlgidos, / Brilhou no céu da pátria nesse instante.
Se o penhor dessa igualdade / Conseguimos conquistar com braço forte, / Em teu seio, ó liberdade, / Desafia o nosso peito a própria morte!
Ó Pátria amada, / Idolatrada, / Salve! Salve!
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido / De amor e de esperança à terra desce, / Se em teu formoso céu, risonho e límpido, / A imagem do Cruzeiro resplandece.
Gigante pela própria natureza, / És belo, és forte, impávido colosso, / E o teu futuro espelha essa grandeza.
Terra adorada, / Entre outras mil, / És tu, Brasil, / Ó Pátria amada! / Dos filhos deste solo és mãe gentil, / Pátria amada, / Brasil!
Parte II
Deitado eternamente em berço esplêndido, / Ao som do mar e à luz do céu profundo, / Fulguras, ó Brasil, florão da América, / Iluminado ao sol do Novo Mundo!
Do que a terra, mais garrida, / Teus risonhos, lindos campos têm mais flores; / “Nossos bosques têm mais vida”, / “Nossa vida” no teu seio “mais amores.”
Ó Pátria amada, / Idolatrada, / Salve! Salve!
Brasil, de amor eterno seja símbolo / O lábaro que ostentas estrelado, / E diga o verde-louro dessa flâmula / — “Paz no futuro e glória no passado.”
Mas, se ergues da justiça a clava forte, / Verás que um filho teu não foge à luta, / Nem teme, quem te adora, a própria morte.
Terra adorada, / Entre outras mil, / És tu, Brasil, / Ó Pátria amada! / Dos filhos deste solo és mãe gentil, / Pátria amada, / Brasil!
Verso a verso, em português de hoje
A dificuldade do hino vem menos das palavras raras e mais da ordem das frases. O poeta inverte quase tudo. O primeiro verso, na ordem direta, seria: as margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico.
Por isso “as margens” não leva crase. São elas o sujeito da frase, as que ouvem o grito da Independência, e não o lugar onde alguém o ouviu. No decreto de 1922, a grafia ainda era “Ypiranga” e “Hymno”.
| Trecho | O que quer dizer |
|---|---|
| as margens plácidas | As margens calmas do riacho do Ipiranga, em São Paulo, cenário do 7 de setembro de 1822. |
| brado retumbante | Grito forte, que ecoa. É o grito da Independência. |
| raios fúlgidos | Raios brilhantes. A liberdade aparece como um sol sobre o país. |
| o penhor dessa igualdade | Penhor é garantia. O verso fala da garantia de igualdade conquistada com luta, “com braço forte”. |
| desafia o nosso peito a própria morte | Na ordem direta, o nosso peito desafia a própria morte. Quem é livre não teme morrer pela liberdade. |
| idolatrada | Adorada, amada acima de tudo. |
| um raio vívido | Um raio cheio de vida, intenso, de amor e de esperança. |
| a imagem do Cruzeiro resplandece | Brilha no céu o Cruzeiro do Sul, a constelação que também está na Bandeira. |
| impávido colosso | Gigante que não tem medo. Impávido é destemido; colosso é coisa enorme. |
| o teu futuro espelha essa grandeza | O futuro do país reflete o tamanho dele. |
| berço esplêndido | Berço magnífico: a terra entre o mar e o céu, onde o país repousa. |
| fulguras, florão da América | Fulgurar é brilhar. Florão é um enfeite em forma de flor: o Brasil seria a joia do continente. |
| do que a terra, mais garrida | Garrida é enfeitada, vistosa. Os campos daqui têm mais flores do que a terra mais vistosa. |
| “Nossos bosques têm mais vida” | Versos da “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias. Por isso vêm entre aspas. |
| o lábaro que ostentas estrelado | A bandeira com estrelas que o país exibe. Lábaro é bandeira; ostentar é mostrar. |
| o verde-louro dessa flâmula | O verde e o amarelo da bandeira. Louro é dourado; flâmula é outro nome para bandeira. |
| se ergues da justiça a clava forte | Clava é um bastão pesado, usado como arma. Se o país precisar lutar por justiça, os filhos não fogem. |
As duas partes contam histórias diferentes. A primeira narra a Independência e a liberdade conquistada. A segunda descreve a natureza, promete paz e termina com a disposição de defender o país.
De pé, em silêncio e até o fim
A Lei 5.700, de 1º de setembro de 1971, diz como o hino é tocado e como o público deve se portar. As regras valem para a escola, o estádio, a formatura e os desfiles dos feriados nacionais.
- PosturaTodos de pé e em silêncio. Homens civis tiram chapéu ou boné, e militares fazem continência (artigo 30).
- DuraçãoO hino é tocado ou cantado inteiro, sem repetição, regra em vigor desde a Lei 13.413, de 2016 (artigo 24).
- CantoSempre em uníssono, com todas as vozes na mesma melodia (artigo 24).
- EscolasExecução obrigatória uma vez por semana no ensino fundamental, público e privado, desde a Lei 12.031, de 2009 (artigo 39).
- EsporteAbertura das competições das entidades do Sistema Nacional do Desporto (artigo 25).
- Hino estrangeiroQuando há outro país na cerimônia, o hino dele toca antes, por cortesia (artigo 25).
- ArranjosO único arranjo vocal permitido é o de Alberto Nepomuceno (artigo 34).
Para quem tem filho na escola, a lei vai além da execução semanal. O artigo 39 manda ensinar o canto e a interpretação da letra, e o artigo 14 prevê hastear a Bandeira ao menos uma vez por semana durante o ano letivo. Vale perguntar à escola em que dia isso acontece.
Um artigo pouco lembrado continua no texto da lei: o 40 diz que ninguém pode ser admitido no serviço público sem demonstrar que conhece o Hino Nacional. O descumprimento das regras é contravenção, punida com multa, pelo artigo 35.
- 13 de abril de 1831A música de Francisco Manuel da Silva tem a primeira execução oficial, segundo o Senado.
- 20 de janeiro de 1890O Decreto 171 mantém a melodia como Hino Nacional.
- 1909Joaquim Osório Duque-Estrada escreve o poema.
- 6 de setembro de 1922O Decreto 15.671 torna oficial a letra.
- 1º de setembro de 1971A Lei 5.700 fixa as regras dos símbolos nacionais.
- 21 de setembro de 2009A Lei 12.031 torna obrigatória a execução semanal nas escolas de ensino fundamental.
- 29 de dezembro de 2016A Lei 13.413 leva o hino à abertura das competições esportivas.
O próximo 7 de setembro, quando a música acompanha os desfiles cívicos, cai numa terça-feira em 2027.
Como citar: Ouviram (8 out. 2026). «A letra do Hino Nacional, oficial desde 1922, explicada verso a verso». ouviram.com.br/cultura/hino-nacional-brasileiro-letra-e-significado
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
Pode aplaudir depois do Hino Nacional?
A Lei 5.700 pede que todos fiquem de pé e em silêncio durante a execução e veda outras formas de saudação nesse momento. O texto da lei não trata do aplauso depois que a música termina.
Precisa colocar a mão no peito para cantar o hino?
Não. A Lei 5.700 pede atitude de respeito, de pé e em silêncio. Homens civis tiram chapéu ou boné, e militares fazem continência conforme o regulamento de cada corporação.
Qual é o Dia do Hino Nacional?
É 13 de abril. A data lembra a primeira execução oficial da música de Francisco Manuel da Silva, em 13 de abril de 1831, segundo o Senado.
O Hino Nacional tem direitos autorais?
Não. A obra está em domínio público. Pela Lei 9.610, de 1998, os direitos patrimoniais duram 70 anos depois da morte do autor, e Duque-Estrada morreu em 1927.
Qual a diferença entre o Hino Nacional e o Hino da Independência?
São duas obras. O Hino da Independência tem música de Dom Pedro I e letra de Evaristo da Veiga e começa com “Já podeis, da Pátria filhos”. O Hino Nacional começa com “Ouviram do Ipiranga”.
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1. Quem escreveu a letra do Hino Nacional?
O poema é de Joaquim Osório Duque-Estrada, segundo o artigo 6º da Lei 5.700, de 1971.
2. Em que ano a letra do Hino Nacional se tornou oficial?
O Decreto 15.671 é de 6 de setembro de 1922. Em 1890, um decreto manteve só a música; a Lei 5.700, de 1971, fixou as regras de execução.
3. O que quer dizer “lábaro” no verso “O lábaro que ostentas estrelado”?
Lábaro é bandeira, estandarte. O verso fala da bandeira com estrelas que o país exibe.
4. De que poema vêm os versos “Nossos bosques têm mais vida”?
São versos da “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias, por isso aparecem entre aspas no texto do hino publicado pela Presidência.
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