Morre aos 92 anos Nilton Travesso, diretor de Jovem Guarda e TV Mulher
Ele entrou como câmera na TV Record aos 19 anos, em 1953, e passou por Globo, Manchete, SBT e Bandeirantes, até formar atores em oficina própria.

O diretor de televisão Nilton Travesso morreu nesta sexta-feira (6), aos 92 anos, em São Paulo, informou o SBT, onde ele trabalhou. Quem cresceu com a Jovem Guarda, o TV Mulher, o Balão Mágico ou a novela Éramos Seis assistiu ao trabalho dele.
Travesso estava internado no Hospital Sírio-Libanês e teve uma infecção generalizada, segundo a nota da emissora. Ele deixa a mulher, a jornalista Marilu Torres, os filhos Camila e Marcelo, este também diretor de televisão, e cinco netos.
A Record, primeira casa do diretor, o definiu em nota como “um dos mais importantes profissionais da história da televisão brasileira”. O Grupo Silvio Santos afirmou em nota que ele tratava a todos “com igual atenção e respeito” e que seu legado “servirá de referência para a nova geração de diretores”.
Paulistano, nascido em 20 de maio de 1934, Travesso chegou à televisão ainda jovem. Na Record dos anos 1960, integrou a chamada Equipe A, com Antônio Augusto Amaral de Carvalho, o Tuta, Raul Duarte e Manoel Carlos. O grupo fez os Festivais da MPB, O Fino da Bossa, Hebe, Show do Dia 7 e Família Trapo.
Essa fase o pôs ao lado de Elis Regina, Roberto Carlos, Wanderléa, Jô Soares e Ronald Golias. Foram mais de duas décadas na emissora, até a mudança para a Globo.
- 1953Aos 19 anos, passa em seleção para câmera e entra na equipe que inaugura a TV Record
- 1974Vai para a Globo, a convite de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, e integra a direção do Fantástico
- 1975Produz “América do Sul”, com Ney Matogrosso, gravado na floresta e apontado como primeiro videoclipe da TV brasileira
- 1987Segue para a Manchete e ajuda Jayme Monjardim a estruturar a teledramaturgia, antes de Pantanal
- 1993No SBT, assume mudanças na programação infantil
- 2001Abre em São Paulo uma oficina para formar atores e técnicos de televisão
Ele também passou pela Bandeirantes, voltou à Globo para dirigir o Mais Você e fez o Charme, no SBT. No rádio, dividiu com Tuta o programa Dois Diretores em Cena, premiado em 2011 pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).
Em 2023, aos 89 anos, foi homenageado na Assembleia Legislativa de São Paulo, durante o 1º Fórum de TV Aberta Brasileira. “Setenta anos de televisão nunca me cansaram. Dei minha alma”, disse na ocasião.
O velório será neste sábado (7), das 10h às 17h, na Funeral Home, no bairro da Bela Vista, região central de São Paulo.
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