Investimento estrangeiroExplicador

Investimento estrangeiro direto soma US$ 86,6 bilhões em 12 meses, 3,39% do PIB

Os Estados Unidos são o maior investidor, São Paulo concentra 43% da receita das empresas com capital estrangeiro e o visto de investidor começa em R$ 150 mil.

Prédios de escritórios na avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo
Prédios de escritórios na avenida Brigadeiro Faria Lima, centro financeiro de São Paulo, em imagem de 2024.Foto: Agent010 / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0

O Brasil recebeu US$ 86,6 bilhões em investimento estrangeiro direto nos 12 meses até agosto, segundo o Banco Central. É o dinheiro que empresas de fora usam para abrir fábricas, comprar participação em negócios brasileiros ou financiar suas filiais aqui.

O valor equivale a 3,39% do PIB e supera os US$ 79,3 bilhões dos 12 meses encerrados em agosto de 2025. Convertido pela cotação do dólar, passa de R$ 400 bilhões.

O ano passado foi forte. Na revisão anual publicada em 28 de setembro, o Banco Central elevou o investimento direto de 2025 de US$ 77,7 bilhões para US$ 85 bilhões, o maior valor desde 2014.

Parte do aumento é contábil: a conta passou a incluir US$ 13,1 bilhões em reestruturações societárias internacionais e outras operações informadas com atraso. De janeiro a agosto de 2026, entraram US$ 64,4 bilhões, 2,4% mais que no mesmo período do ano passado.

Esse capital chega ao bolso dos brasileiros na forma de emprego. As empresas com participação estrangeira empregavam 4,05 milhões de pessoas em 2025, contra 2,99 milhões em 2020, segundo o Censo de Capitais Estrangeiros do Banco Central.

Essas 21.945 empresas responderam por 38% das exportações brasileiras de bens e serviços no ano passado, segundo o mesmo censo. As vendas externas do país seguem em alta em 2026, como mostra a balança comercial de setembro.

Investimento estrangeiro de 2025 foi o maior desde 2014 (US$ bilhões por ano)
201878,2
201969,2
202038,3
202146,4
202275,5
202365,2
202474,1
202585,0

Fonte: Banco Central, investimentos diretos no país, ingressos líquidos; dados revisados em 28 de setembro de 2026

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Quem investe e em quê

Os Estados Unidos são, de longe, o maior investidor. No fim de 2025, grupos americanos controlavam US$ 287,2 bilhões em participação no capital de empresas no Brasil, 25,1% do total de US$ 1,14 trilhão. A conta usa o critério do controlador final, que identifica a matriz verdadeira do grupo.

País do controlador finalCapital investido (US$ bilhões)Participação
Estados Unidos287,225,1%
Uruguai87,17,6%
França81,97,2%
Espanha74,06,5%
Alemanha51,94,5%
China44,23,9%
Reino Unido40,93,6%
Japão39,53,5%

Fonte: Banco Central, posição de investimento direto no país em 2025

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O caminho do dinheiro nem sempre é direto. Pelo critério do investidor imediato, isto é, do país de onde o dinheiro sai, os Países Baixos lideraram os ingressos de 2025, com US$ 17,8 bilhões. Depois vieram os Estados Unidos, com US$ 12,1 bilhões, e Luxemburgo, com US$ 5,6 bilhões. São países onde muitas multinacionais mantêm empresas de participação.

O censo também registra US$ 80,9 bilhões controlados por brasileiros por meio de empresas no exterior. No primeiro semestre de 2026, os Estados Unidos voltaram ao topo dos ingressos, com US$ 5,4 bilhões.

Por setor, os serviços receberam US$ 31,1 bilhões em novas participações de capital em 2025, segundo o Banco Central. A indústria ficou com US$ 24,3 bilhões, e a agropecuária com a mineração, com US$ 7 bilhões. Os números excluem os lucros que as empresas estrangeiras reinvestem no próprio país.

Entre os setores, a fabricação de alimentos liderou, com US$ 12,5 bilhões, seguida dos serviços financeiros, com US$ 8,1 bilhões, e de eletricidade e gás, com US$ 4,8 bilhões. Comércio, mineração de metais, química e celulose completam a lista dos que passaram de US$ 2,4 bilhões. Em 2026, até junho, os serviços financeiros estão na frente, com US$ 3,4 bilhões, seguidos do comércio, com US$ 2,3 bilhões.

Estado por estado

São Paulo concentra a maior parte do capital estrangeiro, mas perde espaço para outros estados. O censo do Banco Central mede o peso de cada unidade da federação na receita das empresas com participação estrangeira.

EstadoParticipação na receita em 2015Participação na receita em 2025
São Paulo52,7%42,7%
Rio de Janeiro9,3%8,6%
Minas Gerais6,3%7,7%
Paraná5,1%4,8%
Rio Grande do Sul4,3%3,6%
Bahia3,4%2,7%
Mato Grosso2,0%2,6%
Santa Catarina2,4%2,6%
Goiás2,2%2,1%
Pernambuco2,1%2,1%
Espírito Santo1,5%2,0%
Amazonas1,0%1,5%

Fonte: Banco Central, Censo de Capitais Estrangeiros 2015 e 2025; o restante inclui os demais estados e unidades no exterior

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A fatia paulista caiu 10 pontos percentuais em dez anos. Ganharam peso Minas Gerais, Mato Grosso, Santa Catarina, Espírito Santo e Amazonas. No Amazonas, onde fica a Zona Franca de Manaus, o capital estrangeiro na indústria soma US$ 20,7 bilhões. É o quarto maior valor do país, atrás de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Vistos para quem quer investir ou trabalhar daqui

O Brasil tem vistos específicos para estrangeiros que trazem capital ou renda de fora. Os pedidos são feitos nos consulados brasileiros e exigem documentos como a certidão de antecedentes criminais. Nos de investimento, a autorização de residência precisa ser aprovada antes pela Coordenação-Geral de Imigração Laboral, do Ministério da Justiça. Só depois o consulado aceita o pedido de visto, segundo o Itamaraty.

  • Investidor em empresaA partir de R$ 500 mil em empresa brasileira, com plano de negócios, pela Resolução Normativa nº 13 do Conselho Nacional de Imigração.
  • Investidor em inovaçãoA partir de R$ 150 mil em empresa de inovação, pela mesma resolução.
  • Investidor em imóveisA partir de R$ 1 milhão no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste, ou R$ 700 mil no Norte e no Nordeste, pela Resolução Normativa nº 36.
  • Executivo de empresa estrangeiraPara administradores enviados para gerir investimento no país, pela Resolução Normativa nº 11.
  • Nômade digitalRenda de fonte estrangeira de pelo menos US$ 1.500 por mês, ou US$ 18 mil em conta, e prazo inicial de até um ano, pela Resolução Normativa nº 45.

O visto de nômade digital é para quem trabalha a distância para empresa ou cliente do exterior. O pedido inclui contrato de trabalho ou de serviço e seguro-saúde válido no Brasil. Ao chegar, o estrangeiro faz o registro na Polícia Federal e recebe a Carteira de Registro Nacional Migratório, o documento de identidade do imigrante no país.


O Banco Central divulga no fim de outubro os números de setembro do investimento estrangeiro. Empresas brasileiras que recebem capital de fora devem declarar a operação ao próprio Banco Central, no sistema de registro de capitais estrangeiros, o SCE-IED. Quem pretende pedir residência como investidor encontra a lista de documentos e o formulário na página de vistos do consulado brasileiro do seu país.

Como calculamos. O aumento do emprego compara 4.053.796 vagas em 2025 com 2.990.035 em 2020. A conversão para reais usa a Ptax de R$ 4,9698, de 6 de outubro de 2026.

Como citar: Ouviram (7 out. 2026). «Investimento estrangeiro direto soma US$ 86,6 bilhões em 12 meses, 3,39% do PIB». ouviram.com.br/economia/investimento-estrangeiro-no-brasil-2026

Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.

Perguntas frequentes

Quanto o Brasil recebe de investimento estrangeiro direto?

Foram US$ 86,6 bilhões nos 12 meses até agosto de 2026, o equivalente a 3,39% do PIB, segundo o Banco Central. Em 2025, o total foi de US$ 85 bilhões.

Qual país mais investe no Brasil?

Os Estados Unidos, com US$ 287,2 bilhões em participação no capital de empresas no Brasil no fim de 2025, ou 25,1% do total, pelo critério do controlador final do Banco Central.

Qual estado recebe mais investimento estrangeiro?

São Paulo, que concentrou 42,7% da receita das empresas com capital estrangeiro em 2025, segundo o censo do Banco Central. Em seguida vêm Rio de Janeiro, com 8,6%, e Minas Gerais, com 7,7%.

Quanto é preciso investir para ter visto de investidor no Brasil?

A partir de R$ 500 mil em empresa brasileira, ou R$ 150 mil em projeto de inovação. Em imóveis, o mínimo é de R$ 1 milhão, ou R$ 700 mil no Norte e no Nordeste, segundo o Itamaraty.

Como funciona o visto de nômade digital no Brasil?

É o visto temporário XIV, para quem trabalha a distância para empresa ou cliente do exterior. Exige renda de fonte estrangeira de US$ 1.500 por mês ou US$ 18 mil em conta, e vale inicialmente por até um ano.

#InvestimentoEstrangeiro#BancoCentral#EstadosUnidos#Vistos#NômadeDigital

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