Serviços recuam 0,1% em agosto, com restaurantes em alta e aviação em queda
Em relação ao mesmo mês de 2025, o volume cresceu 0,6%, a 29ª taxa positiva seguida, e o turismo voltou a crescer após cinco meses negativos, segundo o IBGE.

O volume de serviços no Brasil recuou 0,1% de julho para agosto, segundo a pesquisa mensal do IBGE divulgada nesta quarta-feira (14). Os restaurantes foram o destaque positivo: o segmento de alimentação faturou 6,3% a mais que em agosto de 2025, já descontada a inflação.
A oscilação deixa o setor 0,3% abaixo do recorde da série histórica, alcançado em outubro de 2025, e 19,9% acima do nível de fevereiro de 2020, antes da pandemia. Na comparação com agosto do ano passado, o volume cresceu 0,6%, a 29ª taxa positiva seguida, segundo o IBGE.
A pesquisa acompanha empresas que vão de restaurantes e locadoras de automóveis a operadoras de telefonia, transportadoras e companhias aéreas. O volume é a receita dessas empresas descontada a variação de preços. Sem esse desconto, a receita nominal subiu 6,1% em um ano, um sinal de que boa parte do aumento do faturamento veio de preços mais altos.
Os serviços prestados às famílias, grupo que inclui restaurantes e hotéis, avançaram 2,1% no mês, a segunda alta seguida. Outros serviços (-1,0%), transportes (-0,2%) e serviços profissionais e administrativos (-0,2%) recuaram e devolveram, no todo ou em parte, o que tinham ganhado em julho, informou o instituto.
Fonte: IBGE, Pesquisa Mensal de Serviços, 14 de outubro de 2026
No sentido oposto, o transporte aéreo teve volume 15,3% menor que em agosto de 2025 e acumula queda de 13,6% no ano. O IBGE atribui o recuo dos transportes à menor receita do transporte aéreo de passageiros, do rodoviário de cargas, da logística e do correio. Na passagem de julho para agosto, porém, a aviação cresceu 5,8%.
O transporte de passageiros, somados todos os meios, ficou 6,3% abaixo de agosto de 2025, o quinto resultado negativo seguido nessa comparação. O de cargas caiu 1,9% no mesmo confronto, segundo o instituto.
O turismo teve um mês melhor. O índice de atividades turísticas subiu 2,5% sobre julho, a segunda alta seguida, e ficou 1,1% abaixo do recorde de dezembro de 2024. Contra agosto de 2025, cresceu 0,9% e interrompeu cinco meses de queda, com mais receita de restaurantes, locadoras de automóveis e bufês.
No acumulado do ano, o turismo ainda recua 0,8% no país, pressionado pela menor receita das companhias aéreas e dos hotéis. Entre as 17 unidades da federação pesquisadas, a Bahia (7,4%) e o Rio de Janeiro (4,9%) lideram os ganhos.
Nos estados, o retrato muda bastante. De janeiro a agosto, 15 das 27 unidades da federação tiveram alta no volume de serviços. O Distrito Federal tem o maior avanço (9,1%), e São Paulo, com 3,1%, deu a maior contribuição para o resultado nacional. Tocantins (-7,6%), Ceará (-4,8%) e Amazonas (-4,4%) têm as maiores quedas.
| Estado | Agosto sobre julho (%) | Agosto sobre agosto de 2025 (%) | Janeiro a agosto (%) |
|---|---|---|---|
| Distrito Federal | 3,7 | 9,0 | 9,1 |
| Roraima | 2,4 | 2,2 | 6,5 |
| Amapá | 2,1 | 8,4 | 6,5 |
| Bahia | -4,8 | 8,3 | 4,0 |
| Rondônia | 5,6 | -3,0 | 3,5 |
| Sergipe | -1,7 | -0,7 | 3,2 |
| Acre | 2,6 | 16,2 | 3,1 |
| São Paulo | -0,1 | 0,9 | 3,1 |
| Paraíba | 0,0 | 5,1 | 2,5 |
| Rio Grande do Norte | -1,1 | 0,3 | 1,3 |
| Santa Catarina | 0,2 | -0,2 | 1,3 |
| Piauí | -5,9 | -6,4 | 0,8 |
| Mato Grosso | -2,3 | -8,3 | 0,8 |
| Rio de Janeiro | 0,5 | 1,4 | 0,6 |
| Espírito Santo | -4,5 | -1,0 | 0,4 |
| Minas Gerais | 0,8 | 2,5 | -0,1 |
| Paraná | 1,0 | 0,8 | -0,3 |
| Rio Grande do Sul | 0,3 | -1,6 | -0,3 |
| Pernambuco | 0,0 | -0,7 | -0,4 |
| Pará | 0,9 | -3,3 | -1,6 |
| Goiás | -0,5 | -4,5 | -1,8 |
| Maranhão | -4,0 | -3,7 | -1,9 |
| Mato Grosso do Sul | 0,9 | -6,9 | -2,3 |
| Alagoas | 3,5 | -0,9 | -3,8 |
| Amazonas | -2,8 | -4,0 | -4,4 |
| Ceará | -3,1 | -8,0 | -4,8 |
| Tocantins | -7,4 | -21,2 | -7,6 |
Fonte: IBGE, Pesquisa Mensal de Serviços, 14 de outubro de 2026 (a variação de agosto sobre julho tem ajuste sazonal)
Para quem pensa em empreender, os números mostram onde a procura cresce. A alimentação acumula alta de 4,0% no ano, e a tecnologia da informação, de 8,4%, segundo o IBGE. Quem quer formalizar um pequeno negócio de comida pode fazer o registro como MEI, que é gratuito no portal do governo federal.
O IBGE divulga nesta quinta-feira (15), às 9h, a Pesquisa Mensal de Comércio de agosto, que mede as vendas do varejo, e a nova estimativa da safra no Levantamento Sistemático da Produção Agrícola.
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