Serra da Capivara reúne mais de mil sítios de pinturas rupestres no Piauí
O parque abre todos os dias, das 6h às 18h, não cobra entrada e exige condutor credenciado, e 204 sítios arqueológicos estão abertos à visitação.

O Parque Nacional da Serra da Capivara, no sudeste do Piauí, guarda mais de mil sítios arqueológicos cadastrados, segundo o ICMBio, o instituto federal que administra a área. São abrigos de pedra com pinturas e gravuras pré-históricas, e 204 deles estão abertos a visitas.
Para conhecer, você não paga entrada no parque, mas precisa contratar um condutor local credenciado, obrigatório em todos os roteiros. O parque abre todos os dias, das 6h às 18h, pelo protocolo de visitação publicado pelo ICMBio em 2026. A base da viagem é São Raimundo Nonato, a 530 km de Teresina.
A Serra da Capivara está na lista do Patrimônio Mundial da Unesco desde 1991, pelo valor dos sítios arqueológicos. Segundo o ICMBio, o parque tem a maior concentração de sítios arqueológicos conhecida nas Américas. Nos paredões de arenito, as pinturas mostram cenas de caça, de guerra, de sexo e do dia a dia de grupos pré-históricos.
- Onde ficaSudeste do Piauí, entre São Raimundo Nonato e Coronel José Dias
- HorárioTodos os dias, das 6h às 18h
- Entrada no parqueSem cobrança, segundo o ICMBio
- CondutorObrigatório, pago à parte, até 8 adultos por grupo
- Sítios abertos204, sendo 17 acessíveis a cadeirantes
- Área100.764,19 hectares de Caatinga
- MuseusR$ 40 e R$ 50 a inteira, fechados às segundas e terças
- Sede do parqueRua Doutor Luiz Paixão, 188, Milonga, São Raimundo Nonato, telefone (89) 3582-2085
- 1Boqueirão da Pedra Furada parqueParque Nacional da Serra da CapivaraSítio mais conhecido, com passarela e iluminação noturna agendada
- 2Centro de Visitantes da Serra da Capivara parqueBoqueirão da Pedra FuradaLanchonete, banheiros, loja e auditório
- 3Sítio do Meio parqueParque Nacional da Serra da CapivaraSítio arqueológico e trilhas em cânion
- 4Baixão das Andorinhas trilhaSerra VermelhaCânion onde os andorinhões descem ao fim da tarde
- 5Desfiladeiro da Capivara trilhaParque Nacional da Serra da CapivaraCânions, Toca do Inferno e sítios arqueológicos
- 6Museu da Natureza museuCoronel José DiasQuarta a domingo, das 13h às 19h; R$ 50 a inteira
- 7Centro de Memórias dos Povos da Serra da Capivara museuCoronel José DiasHistória das famílias que viviam na área; entrada gratuita
Mapa: © colaboradores do OpenStreetMap. Toque num nome da lista para vê-lo no mapa.
- 1Museu do Homem Americano museuFundação Museu do Homem AmericanoAchados das escavações; R$ 40 a inteira
- 2Sede do Parque Nacional da Serra da Capivara parqueMilongaRua Doutor Luiz Paixão, 188; telefone (89) 3582-2085
Mapa: © colaboradores do OpenStreetMap. Toque num nome da lista para vê-lo no mapa.
204
sítios arqueológicos estão abertos à visitação no parque, de mais de mil cadastrados
Fonte: ICMBio, página de visitação do parque
Pinturas, cânions e a Pedra Furada
O parque foi criado pelo Decreto 83.548, de 5 de junho de 1979, com cerca de 100 mil hectares. Em 1990, outro decreto acrescentou 35 mil hectares de áreas de preservação no entorno.
A criação atendeu a um pedido da arqueóloga Niède Guidon, que dedicou a vida às pesquisas na região. Ela morreu em 4 de junho de 2025, aos 92 anos, segundo a Fundação Museu do Homem Americano.
A fundação, conhecida pela sigla Fumdham, nasceu para proteger o patrimônio cultural e natural do parque e mantém os dois museus da região. Os pesquisadores registraram mais de mil abrigos pintados ou gravados até 2018. Para a Fumdham, é uma das maiores concentrações de sítios pré-históricos do mundo por quilômetro quadrado.
O lugar mais famoso é o Boqueirão da Pedra Furada, onde foram feitas as primeiras escavações. Segundo o ICMBio, as datações feitas ali atestam a presença humana no continente desde 48 mil anos atrás. O nome vem da formação rochosa com um grande buraco, a Pedra Furada, símbolo do parque.
- 1979Decreto 83.548 cria o Parque Nacional da Serra da Capivara, com cerca de 100 mil hectares
- 1990Decreto 99.143 acrescenta 35 mil hectares de áreas de preservação no entorno
- 1991Unesco inscreve o parque na lista do Patrimônio Mundial
- 1993Iphan inscreve o parque no Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico
- 2005Portaria do Ministério do Meio Ambiente cria o mosaico com a Serra das Confusões
- 2019ICMBio aprova o plano de manejo do parque, pela Portaria 363
- 2025Morre Niède Guidon, aos 92 anos, presidente emérita da Fumdham
- 2026Novo protocolo de visitação fixa horário das 6h às 18h e grupos de até 8 adultos
A visita é organizada em 11 áreas, cada uma com um conjunto de sítios, trilhas e mirantes. Pedra Furada, Serra Vermelha, Sítio do Meio e Desfiladeiro da Capivara são as mais estruturadas, com apoio ao visitante e acesso mais fácil. Energia, Gongo, Angical e Chapada têm acesso mais restrito, menos estrutura e natureza mais preservada.
Estes são os destaques que o ICMBio e a Fumdham apontam para a primeira visita:
- Boqueirão da Pedra FuradaO circuito mais visitado, com Centro de Visitantes, passarelas e escadaria até o Alto da Pedra Furada.
- Sítio do MeioSítios arqueológicos de destaque na pesquisa da região, com trilhas dentro de um cânion.
- Baixão das AndorinhasPasseio de fim de tarde para ver os andorinhões descendo aos abrigos do cânion; com sorte, aparece o urubu-rei.
- Desfiladeiro da CapivaraCânions, a Toca do Inferno e sítios arqueológicos ao longo do desfiladeiro.
- Serra BrancaCircuito fácil, com a Toca do Conflito, que retrata uma luta, e a trilha dos maniçobeiros, que viviam da coleta da maniçoba.
- Caldeirão dos RodriguesTrilha de nível médio, com cerca de 4 horas de ida e volta e pinturas bonitas no fim.
- Baixão das MulheresConjunto de sítios onde, na Toca dos Coqueiros, foi achado um esqueleto humano hoje exposto no Museu do Homem Americano.
Como nos Lençóis Maranhenses, o ICMBio não cobra entrada, mas aqui a regra central é outra: ninguém visita sem condutor.
Além da arqueologia, o parque protege um pedaço grande da Caatinga, que o Ministério do Meio Ambiente descreve como o único bioma exclusivamente brasileiro. Nas trilhas é comum ver tatus, cotias, veados-catingueiros e macacos-prego, e a lista do ICMBio inclui espécies ameaçadas como a onça-pintada, o gato-maracajá e o tatu-bola.
Roteiros, museus e ingressos
A entrada no parque é gratuita, segundo o ICMBio, que cita a Portaria 196, de 2018. O que se paga é o condutor, um morador da região credenciado pelo parque, que acompanha o grupo do início ao fim. O valor é combinado com ele, e a lista de condutores está no portal do ICMBio.
Cada condutor leva até 8 adultos. Crianças de até 7 anos não entram nessa conta, mas o limite é de 2 por grupo, pelo protocolo de 2026. Nas guaritas, o visitante preenche um termo de conhecimento de riscos antes de entrar. A visita precisa terminar dentro do horário, até as 18h, salvo autorização especial da direção do parque.
Os dois museus da Fumdham completam a visita e explicam o que se vê nas trilhas. O Museu do Homem Americano, em São Raimundo Nonato, mostra achados de mais de quatro décadas de escavações. São instrumentos de pedra, urnas funerárias, esqueletos e ossos da megafauna, os animais gigantes que viveram ali.
O Museu da Natureza, em Coronel José Dias, conta a formação do planeta e as mudanças do clima numa exposição multissensorial.
| Museu | Dias e horários | Inteira | Meia |
|---|---|---|---|
| Museu do Homem Americano | Quarta, sexta e sábado, das 13h às 19h; quinta e domingo, das 10h às 19h | R$ 40 | R$ 20 |
| Museu da Natureza | Quarta a domingo, das 13h às 19h | R$ 50 | R$ 25 |
Fonte: Fundação Museu do Homem Americano, página dos museus, consultada em 15 de outubro de 2026.
As bilheterias fecham às 18h, e cada museu recebe até 200 visitantes por dia. No Homem Americano, pagam meia estudantes com carteira e pessoas acima de 60 anos.
No Museu da Natureza, a meia vale para grupos de 10 pessoas ou mais, menores de 12 e maiores de 60 anos. Também pagam meia estudantes, pessoas com deficiência e jovens de baixa renda de 15 a 29 anos. Os dois fecham às segundas e terças, o que pesa na hora de montar o roteiro.
Outra experiência é a iluminação noturna do Boqueirão da Pedra Furada, a única visita autorizada à noite. Cada sessão dura cerca de 40 minutos, para até 60 pessoas por noite, em grupos de até 8 com condutor. É preciso agendar com até 6 horas de antecedência no Centro de Visitantes ou na Cerâmica da Serra da Capivara.
Em Coronel José Dias, a 9 km do circuito da Pedra Furada, fica o Centro de Memórias dos Povos da Serra da Capivara. Com entrada gratuita, ele conta a história das famílias que viviam na área antes do parque, segundo o ICMBio. No entorno, oficinas de cerâmica produzem peças com desenhos inspirados nas pinturas rupestres.
Com um dia, dá para ver o essencial. Este roteiro usa os circuitos que o ICMBio e a Fumdham apontam como os mais estruturados:
- Saia cedo de São Raimundo Nonato ou de Coronel José Dias e entre pela guarita do Boqueirão da Pedra Furada, aberta desde as 6h.
- Faça com o condutor o circuito da Pedra Furada e do Sítio do Meio, com as passarelas e os principais painéis de pinturas.
- Suba a escadaria até o Alto da Pedra Furada antes do calor forte, de onde se vê o vale.
- Almoce ou faça um lanche no Centro de Visitantes, que tem lanchonete, banheiros e loja.
- À tarde, visite o Museu da Natureza, de quarta a domingo, a partir das 13h.
- Termine no Baixão das Andorinhas, para ver as aves descendo ao cânion no fim da tarde.
- Se agendou, volte à noite para a iluminação da Pedra Furada.
Com dois dias, o primeiro segue o roteiro acima, e o segundo vai mais fundo no parque e na pesquisa:
- De manhã, percorra a Serra Branca, com a Toca do Conflito e a trilha dos maniçobeiros, ou o Desfiladeiro da Capivara.
- Para quem gosta de caminhar, troque por uma trilha mais longa, como o Caldeirão dos Rodrigues, de cerca de 4 horas.
- À tarde, vá ao Museu do Homem Americano, em São Raimundo Nonato, para ver os esqueletos, as urnas e a megafauna.
- Nas quintas e nos domingos, o museu abre às 10h, o que permite inverter a ordem e deixar a trilha para a tarde.
Para percorrer todos os circuitos abertos, o ICMBio calcula seis dias.
Como chegar, onde ficar e regras da visita
A porta de entrada é São Raimundo Nonato, onde fica a sede do parque. A cidade está a 26 km da guarita do Boqueirão da Pedra Furada e a 19 km da guarita da Serra Vermelha, segundo o ICMBio. Coronel José Dias fica ainda mais perto de parte das entradas.
Quem chega por Teresina pode somar a viagem a um roteiro pela capital, com o guia o que fazer em Teresina.
| Saindo de | Caminho indicado pelo ICMBio | Distância |
|---|---|---|
| Teresina (PI) | BR-316, BR-343 até Floriano e PI-140 | 530 km, todo asfaltado |
| Petrolina (PE) | Via Remanso (BA) | Cerca de 300 km |
| Brasília (DF) | BR-020 até Luís Eduardo Magalhães (BA), BR-242 até Barreiras, BR-135 até Eliseu Martins (PI), PI-248 até Canto do Buriti e PI-140 | Não informada |
Fonte: ICMBio, página de visitação do Parque Nacional da Serra da Capivara.
De ônibus, há linhas de Teresina e de Petrolina até São Raimundo Nonato, segundo o ICMBio. Da cidade até as guaritas não existe transporte coletivo, então é preciso carro próprio, veículo de turismo ou serviço contratado.
Na página de visitação, o ICMBio informa que os voos regulares para o aeroporto de São Raimundo Nonato estão suspensos. A alternativa é voar até Teresina ou Petrolina e seguir por terra.
Dentro do parque não há pernoite nem camping. Em São Raimundo Nonato há hotéis e pousadas; em Coronel José Dias, pousadas e um camping no povoado Sítio do Mocó, informa o ICMBio. Quem quer sair cedo para as trilhas ganha tempo dormindo em Coronel José Dias. Quem prefere mais opções de hospedagem tende a ficar em São Raimundo Nonato.
Dá para visitar o ano inteiro, e cada estação mostra um parque diferente. De janeiro a julho, o clima é mais ameno e a Caatinga fica verde, com flores e sombra nas trilhas.
Logo depois das chuvas, aparecem quedas-d’água temporárias nos paredões. Em maio e junho, as folhas ficam vermelhas, amarelas e marrons antes de cair. De agosto a novembro, a vegetação perde as folhas e faz o calor mais forte do ano, segundo o ICMBio.
Para quem planeja a viagem ainda em 2026, o feriado de Finados cai numa segunda-feira, 2 de novembro, e o da Consciência Negra, numa sexta, 20 de novembro. São dois fins de semana prolongados, ainda na época seca e quente.
O parque tem 17 sítios acessíveis a cadeirantes e cadeiras de rodas do tipo julietti, próprias para terreno acidentado. Para famílias, os circuitos com passarelas, como o da Pedra Furada, são os mais tranquilos. As escadas do Baixão dos Rodrigues e da Toca da Invenção não devem ser usadas por crianças de até 14 anos, pelo protocolo de visitação.
Por causa do calor, o ICMBio pede que o visitante leve sempre água potável. A lista básica para o dia:
- ÁguaUma garrafa cheia para cada pessoa
- RoupaLeve e folgada, com chapéu ou boné
- CalçadoTênis confortável, próprio para trilha
- PeleProtetor solar
- LancheSanduíches e frutas, para as áreas de piquenique
- LixoUma sacola para trazer tudo de volta
As regras protegem pinturas que resistem há milhares de anos. Não se toca nas paredes, não se aproxima equipamento das pinturas e não se recolhe nada, nem pedra, nem pigmento, nem planta.
Bebida alcoólica, cigarro, caixa de som, fogo e animais de estimação não são permitidos, salvo cães de assistência com documentação. Os banheiros ficam nas bases de entrada e no Centro de Visitantes, e não nas trilhas.
O cicloturismo é permitido em quatro rotas, entre elas as estradas da trilha Energia e o circuito do Desfiladeiro da Capivara. É obrigatório levar capacete, luvas, água e kit de primeiros socorros. O parque não aluga bicicletas, segundo o ICMBio.
Os condutores credenciados e as informações de visita podem ser consultados pelo e-mail [email protected] ou na sede do parque, na rua Doutor Luiz Paixão, 188, em São Raimundo Nonato. O telefone da administração é (89) 3582-2085, e o da Fumdham, que responde pelos museus, é (89) 3582-1612.
Como citar: Ouviram (15 out. 2026). «Serra da Capivara reúne mais de mil sítios de pinturas rupestres no Piauí». ouviram.com.br/turismo/serra-da-capivara-guia-completo
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
Quanto custa visitar a Serra da Capivara?
O ICMBio informa que não cobra ingresso para entrar no parque. O visitante paga à parte o condutor credenciado, que é obrigatório, e os museus da Fundação Museu do Homem Americano, de R$ 40 e R$ 50 a inteira.
Precisa de guia para visitar a Serra da Capivara?
Sim. Toda visita precisa de um condutor local credenciado pelo parque, que leva grupos de até 8 adultos. A lista de condutores está na página de visitação do parque, no portal do ICMBio.
Qual a cidade mais perto da Serra da Capivara?
Coronel José Dias fica mais perto das guaritas e tem pousadas e camping. São Raimundo Nonato, a 26 km da guarita da Pedra Furada, tem mais hotéis, a sede do parque e o Museu do Homem Americano.
Quantos dias ficar na Serra da Capivara?
Dois dias bastam para os circuitos principais e os dois museus. O ICMBio calcula seis dias para percorrer todos os circuitos abertos à visitação.
Pode levar criança na Serra da Capivara?
Pode. Cada grupo aceita até 2 crianças de até 7 anos além dos 8 adultos, e há sítios com passarelas e acesso fácil. As escadas do Baixão dos Rodrigues e da Toca da Invenção não devem ser usadas por crianças de até 14 anos.
Dá para ir de ônibus até a Serra da Capivara?
Dá para chegar de ônibus a São Raimundo Nonato, saindo de Teresina ou de Petrolina. Da cidade até as guaritas não há transporte coletivo, então é preciso carro próprio, veículo de turismo ou serviço contratado.
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1. Em que ano a Unesco inscreveu a Serra da Capivara como Patrimônio Mundial?
A inscrição foi em 1991, segundo o ICMBio. O parque foi criado em 1979, e o mosaico com a Serra das Confusões é de 2005.
2. Quantas pessoas adultas um condutor pode levar por grupo no parque?
O protocolo de visitação de 2026 limita cada grupo a 8 adultos, além de no máximo 2 crianças de até 7 anos.
3. Em que estado fica o Parque Nacional da Serra da Capivara?
O parque fica no sudeste do Piauí, com sede em São Raimundo Nonato, segundo o ICMBio.
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