Depakote Sprinkle, usado contra crises de epilepsia, deixa de ser vendido em dezembro
A fabricante diz que a decisão é comercial, e o Ministério Público Federal deu 30 dias para Abbott, Anvisa e Ministério da Saúde explicarem prazos, estoques e alternativas.

O Depakote Sprinkle 125 mg, remédio usado no controle de crises epilépticas, deixa de ser vendido no Brasil a partir de dezembro de 2026. Segundo o Conselho Federal de Farmácia (CFF), a fabricante, a Abbott, informou que a decisão é de caráter comercial. Para as famílias que dependem dele, a orientação publicada pelo CFF é direta: nada de interromper ou trocar o tratamento sem o médico.
O medicamento tem como princípio ativo o divalproato de sódio e vem em cápsulas de liberação retardada, com microgrânulos dentro. Pela bula, o conteúdo da cápsula pode ser misturado a uma pequena porção de alimento pastoso, sem mastigar os grânulos. É isso que o torna difícil de substituir para quem tem dificuldade para engolir, como algumas crianças e pessoas com disfagia, o nome técnico desse problema.
A saída do produto levou o Ministério Público Federal (MPF) em Sergipe a abrir um inquérito civil, anunciado em 30 de setembro. O procurador da República Ígor Miranda deu 30 dias para que a Abbott, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Ministério da Saúde respondam a uma série de perguntas. Antes de qualquer providência, segundo o MPF, “revela-se necessário esclarecer as razões da descontinuação”.
À Abbott, o MPF pediu os motivos comerciais da retirada, comunicada em maio de 2026, e o cronograma de interrupção. A empresa também deve apresentar o comprovante de que a Anvisa foi avisada, os estoques que restam, o número estimado de pacientes atingidos e um plano para reduzir os impactos. À Anvisa, cobrou a confirmação dos prazos legais de comunicação, a avaliação do risco de desabastecimento, a situação do registro e a lista de medicamentos comparáveis. Ao Ministério da Saúde, perguntou que efeito a saída terá no SUS, que alternativas existem na rede pública e quais grupos precisam de acompanhamento especializado.
A Associação Brasileira de Epilepsia também acompanha o caso e informou ter buscado esclarecimentos com a Abbott, a Anvisa e o Ministério da Saúde.
Não existe uma troca automática. “A escolha de outra apresentação ou princípio ativo depende das características clínicas de cada paciente”, diz a nota do CFF, que reúne a orientação de especialistas. O texto reforça que “medicamentos utilizados no controle das crises epilépticas não devem ser interrompidos ou substituídos sem orientação médica”.
Quem usa o Depakote Sprinkle tem até dezembro para planejar a mudança. O caminho mais seguro é marcar consulta com o neurologista ou com o médico que acompanha o tratamento. Leve a receita atual e pergunte qual opção se adapta à forma como o paciente consegue tomar o remédio. No SUS, a consulta pode ser pedida na Unidade Básica de Saúde. Dúvidas sobre falta de medicamento nas farmácias podem ser levadas à Anvisa pelo telefone 0800 642 9782. Os ofícios do MPF deram 30 dias para a Abbott, a Anvisa e o Ministério da Saúde responderem.
Perguntas frequentes
O Depakote Sprinkle vai acabar?
Sim. A Abbott informou que a comercialização do Depakote Sprinkle 125 mg no Brasil será descontinuada a partir de dezembro de 2026, por decisão comercial, segundo o Conselho Federal de Farmácia.
Qual remédio substitui o Depakote Sprinkle?
Não há substituto único. Segundo nota do Conselho Federal de Farmácia, a escolha de outra apresentação ou de outro princípio ativo depende das características clínicas de cada paciente e deve ser feita pelo médico.
O que o MPF pediu sobre o Depakote Sprinkle?
O MPF em Sergipe anunciou em 30 de setembro um inquérito civil e pediu, em 30 dias, que a Abbott informe motivos, cronograma, estoques e número de usuários; que a Anvisa avalie o risco de desabastecimento; e que o Ministério da Saúde indique alternativas no SUS.
O Depakote comum também vai sair do mercado?
O anúncio da Abbott trata da apresentação Sprinkle 125 mg, em cápsulas com microgrânulos. Em caso de dúvida sobre outra apresentação, consulte o farmacêutico ou o médico.
Enquete do leitor
Na sua família, algum remédio de uso contínuo já faltou na farmácia?
Enquete aberta, sem valor estatístico. Todas as enquetes
Mais sobre o assunto
Últimas de Brasil
- Itapoá ganha 8,8 km de orla alargada com areia tirada do fundo da Baía da Babitonga
- Voos regionais do VOA + SC ligam dez cidades catarinenses a partir de 3 de novembro
- Receita testa biometria da palma da mão na Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu
- Queimadas de setembro são as menores desde 2003, mas Amazonas e Pará têm alta
- Sarampo: Brasil registra 52 casos importados em 2026 e reforça a vacinação no SUS
O que você achou desta matéria?
O Ouviram confere cada dado em fontes oficiais e separa informação de opinião. Como trabalhamos · Achou um erro? Avise a redação







Comente com respeito. Leia as regras de participação: sem ofensas, sem dados pessoais de terceiros, sem links.