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Planta, galho ou cisco no olho: SUS tira quase 200 corpos estranhos da córnea por dia

Homens somaram 81,6% das 2.847 internações por trauma ocular registradas pelo Ministério da Saúde em 2025, a maioria entre 20 e 59 anos.

Olho saudável de íris azul em close, com a parte branca limpa, cílios e reflexo de céu azul na córnea
Olho saudável, de córnea limpa e brilhante, à luz natural do dia.Foto: Ouviram

O Sistema Único de Saúde (SUS) retirou 71.268 corpos estranhos da córnea em 2024, quase 200 por dia, segundo dados do Ministério da Saúde. Cisco e areia, em geral, saem com água limpa e piscadas. Galho, metal, vidro e produto químico pedem atendimento na hora.

A resposta muda conforme o objeto, e a orientação dos serviços públicos de saúde cabe numa ficha:

  • Cisco ou areiaLave com soro ou água limpa e pisque bastante
  • Pancada no olhoCompressa úmida; se piorar, procure um médico
  • Galho, metal ou vidroNão tente tirar; vá ao pronto-socorro
  • Produto químicoLave com muita água por pelo menos 20 minutos e procure atendimento
  • Seiva de plantaLave com água e ligue para o 0800-722-6001
  • EmergênciaSamu, 192

71.268

retiradas de corpo estranho da córnea foram feitas pelo SUS em 2024, quase 200 por dia

Fonte: Ministério da Saúde (SIA/SUS), 2024

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As regras acima estão no guia de prevenção de lesões oculares do Instituto Dr. José Frota (IJF), o hospital de trauma da Prefeitura de Fortaleza. O material é assinado por Ricardo Evangelista Marrocos de Aragão, oftalmologista do IJF, e Rafael Jorge Alves de Alcântara, com a Liga de Oftalmologia da Universidade Federal do Ceará (UFC). Vale para qualquer cidade.

Quando cai cisco, areia ou poeira no olho, a orientação do guia é lavar o olho com soro fisiológico ou água limpa e piscar bastante. Segundo o hospital da Prefeitura de Fortaleza, esse tipo de caso costuma dispensar consulta médica, desde que o incômodo passe depois da lavagem.

O guia também lista o que não fazer: tocar, esfregar ou pressionar o olho, tentar remover o objeto e pingar ou tomar remédio por conta própria. A tentação de coçar é grande, mas a regra do hospital é deixar a água trabalhar.

O passo a passo, na ordem:

  1. Pare o que está fazendo e não esfregue o olho.
  2. Lave o olho com soro fisiológico ou água limpa, deixando a água escorrer.
  3. Pisque várias vezes.
  4. Não pingue colírio nem remédio sem orientação médica.
  5. Se a sensação de algo preso continuar, procure atendimento no mesmo dia.

Quando não sai com a lavagem, o cisco pode ficar preso na córnea, a camada transparente na frente da íris, e precisa ser retirado num serviço de saúde. Foi esse o procedimento que o SUS fez 71.268 vezes em 2024.

Galho, espinho ou seiva de planta: quando o caso é grave

Galho, espinho, metal ou vidro que corta ou perfura o olho exigem atendimento médico obrigatório, segundo o guia do Instituto Dr. José Frota (IJF), da Prefeitura de Fortaleza. Nesses casos, a orientação é não tentar retirar o objeto, não apertar o olho e ir direto a uma UPA, a um pronto-socorro ou chamar o Samu (192).

O guia aponta a pesca como o esporte que mais causa lesões nos olhos.

A lista de atividades em que os óculos de proteção são recomendados inclui capinar, podar plantas, lixar, serrar, martelar pregos, trabalhar com solventes e andar em mata fechada a pé, a cavalo ou de bicicleta. É a rotina de quem trabalha no campo, cuida do quintal ou pesca no fim de semana.

Os sinais de alerta descritos pelo IJF, que pedem consulta mesmo quando o acidente parece pequeno, são estes:

  • dor nos olhos ou dificuldade para enxergar;
  • corte ou rasgo nas pálpebras;
  • um olho maior do que o outro ou que se movimenta diferente do outro;
  • pupilas de tamanhos diferentes;
  • sangue na parte branca do olho;
  • sensação de objeto preso no olho ou embaixo da pálpebra.

“Procurar um médico o mais rápido possível pode salvar sua visão!”

Guia do IJF para prevenção de lesões oculares, publicado pela Secretaria Municipal da Saúde de Fortaleza

A seiva também machuca. O leite branco de plantas comuns em jardins irrita os olhos e incha as pálpebras, segundo a relação de plantas tóxicas usadas em paisagismo publicada pela Câmara dos Deputados. O alerta vale para quem poda cerca viva, corta folhagem de vaso ou mexe em planta com as mãos e depois coça o rosto.

PlantaO que o contato com os olhos pode causar
Avelós, coroa-de-cristo e bico-de-papagaioGrande irritação e inchaço das pálpebras
Leiteiro e batata-do-infernoGrande irritação e inchaço das pálpebras
Comigo-ninguém-pode e costela-de-adãoInchaço e congestão da mucosa do olho e das pálpebras
Copo-de-leite, antúrio e caládioInchaço e congestão da mucosa do olho e das pálpebras

Fonte: Câmara dos Deputados, relação de plantas tóxicas comuns em paisagismo.

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Se a seiva atingir o olho, a conduta é a mesma de qualquer produto irritante: lavar com bastante água limpa e procurar atendimento se a ardência, a vermelhidão ou o inchaço continuarem. Para tirar dúvidas na hora, o Disque-Intoxicação, criado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), atende de graça pelo 0800-722-6001.

A ligação vai para um dos 36 Centros de Informação e Assistência Toxicológica da rede coordenada pela Anvisa, espalhados por 19 estados. “Os 36 centros estão preparados para receber ligações de longa distância, 24 horas por dia, sete dias por semana, durante todo o ano”, informa a agência. O mesmo número orienta em caso de picada de escorpião.

Produto químico é a urgência que não espera.

Para respingo de produto de limpeza, solvente ou outro químico, o guia do IJF manda lavar imediatamente os olhos com grande quantidade de água limpa por pelo menos 20 minutos e, depois, procurar atendimento médico. Fogos de artifício, rolhas de espumante e cacos de vidro entram na mesma lista de casos obrigatórios.

Quem mais se machuca, região por região

Os homens respondem por 81,6% das internações por trauma no olho e na órbita no SUS: foram 2.323 dos 2.847 casos de 2025, segundo o Sistema de Informações Hospitalares do Ministério da Saúde. A maior parte dos internados tinha entre 20 e 59 anos, a idade em que a maioria trabalha: foram 1.842 casos, ou 64,7% do total.

As internações são a ponta mais grave do problema. Boa parte dos atendimentos acontece no ambulatório, sem internação, como as 71.268 retiradas de corpo estranho da córnea registradas em 2024 no Sistema de Informações Ambulatoriais. Em 2023, tinham sido 77.602.

O número de internações ficou estável nos últimos anos, sempre na faixa de 2,4 mil a 2,9 mil por ano. O menor valor da série foi o de 2020, primeiro ano da pandemia de covid-19.

Internações por trauma no olho ficam entre 2,4 mil e 2,9 mil por ano no SUS (internações)
20192.641
20202.413
20212.880
20222.871
20232.760
20242.580
20252.847

Fonte: Ministério da Saúde, SIH/SUS, consulta em outubro de 2026

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O Sudeste concentra 49,6% das retiradas de corpo estranho da córnea e 42,6% das internações. Entre os estados, São Paulo teve 627 internações em 2025, Minas Gerais teve 479 e a Bahia, 271. O Paraná, com 216, e o Rio Grande do Sul, com 174, vêm a seguir.

RegiãoRetiradas de corpo estranho da córnea (2024)Internações por trauma no olho (2025)
Norte2.696243
Nordeste12.182621
Sudeste35.3281.214
Sul12.305513
Centro-Oeste8.757256
Brasil71.2682.847

Fonte: Ministério da Saúde, SIA/SUS (2024) e SIH/SUS (2025), consulta em outubro de 2026.

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No Norte, foram 2.696 retiradas em 2024, menos de 4% do total do país. Quem mora longe de um centro maior deve procurar a UPA ou o hospital de referência da sua cidade, que pode encaminhar o caso ao oftalmologista pela regulação do SUS.

Óculos de proteção no trabalho, no quintal e no feriado

A maioria das lesões nos olhos acontece no trabalho, e a segunda maior causa são os acidentes em casa, segundo o guia do Instituto Dr. José Frota, de Fortaleza. O mesmo material registra que quase nenhuma vítima usava óculos de proteção na hora do acidente e que mais de um terço se machuca de novo pela mesma causa.

No emprego com carteira assinada, os óculos são obrigação da empresa.

A Norma Regulamentadora nº 6 (NR-6), do Ministério do Trabalho e Emprego, manda a organização “fornecer ao empregado, gratuitamente, EPI adequado ao risco, em perfeito estado de conservação e funcionamento”. EPI é a sigla de equipamento de proteção individual, e a entrega vale nas situações de risco apontadas pela NR-1, a norma de gerenciamento de riscos.

A norma prevê óculos contra impacto de partículas, contra luz intensa, contra radiação ultravioleta e contra radiação infravermelha, como a da solda.

Quem usa óculos de grau tem direito a um modelo de sobrepor ou adaptado às lentes, sem pagar nada. A empresa também deve exigir o uso, orientar o trabalhador e trocar o equipamento na hora quando ele quebra ou se perde.

Se o acidente no trabalho afastar você por mais de 15 dias seguidos, o caminho é o auxílio por incapacidade temporária do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo o INSS, nesse caso o benefício dispensa a carência de 12 contribuições, porque se trata de acidente.

O pedido é feito pelo aplicativo ou site Meu INSS com a senha gov.br ou pela Central 135, e a empresa deve emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT).

Em casa, a recomendação do IJF é que cada pessoa da família tenha os próprios óculos de proteção para martelar, lixar, serrar, capinar e podar. Na hora de comprar, confira o número do Certificado de Aprovação (CA). A NR-6 exige que ele venha gravado de forma legível e permanente em todo equipamento de proteção, junto com o nome do fabricante e o lote.

O próximo feriadão é uma boa hora para lembrar disso. O feriado de Finados cai na segunda-feira, 2 de novembro, e é dia de visita aos cemitérios, quando muitas famílias aproveitam para limpar e arrumar os túmulos. Produto de limpeza, solvente, capina e poda estão entre os riscos para os olhos descritos pelo guia.

Para as crianças, o cuidado é outro. Em 2025, o SUS internou 355 crianças de até 14 anos por trauma no olho, segundo o Ministério da Saúde, 12,5% do total. O guia do IJF recomenda cobrir cantos afiados de móveis, guardar produtos químicos fora do alcance e supervisionar o uso de tesouras, clipes e elásticos.

O mesmo guia pede para evitar brinquedos que disparam projéteis, como arminhas e a baladeira, nome que o estilingue recebe no Ceará e em boa parte do Nordeste.

Nas festas, a orientação é gelar bebidas com gás antes de abrir, nunca apontar garrafa de espumante para alguém e deixar os fogos de artifício para os shows profissionais, a uma distância segura.


Em caso de corte, perfuração ou produto químico no olho, ligue para o Samu, no 192, ou vá à UPA ou ao pronto-socorro mais próximo. Para dúvidas sobre plantas, produtos de limpeza e outras substâncias, o Disque-Intoxicação da Anvisa atende 24 horas e de graça pelo 0800-722-6001.

Como citar: Ouviram (30 out. 2026). «Planta, galho ou cisco no olho: SUS tira quase 200 corpos estranhos da córnea por dia». ouviram.com.br/brasil/planta-galho-ou-cisco-no-olho-o-que-fazer-quando-ir-ao-pronto-socorro

Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.

Perguntas frequentes

Cisco no olho sai sozinho?

O guia do Instituto Dr. José Frota trata areia e cisco como casos que, em geral, dispensam consulta: lavar com soro ou água limpa e piscar bastante. Se a sensação de algo preso continuar, a orientação do mesmo guia é procurar um médico.

Pode lavar o olho com água da torneira?

Pode, desde que a água esteja limpa. O guia do IJF, de Fortaleza, indica soro fisiológico ou água limpa para cisco e areia, e grande quantidade de água limpa por pelo menos 20 minutos quando o olho é atingido por produto químico.

Acidente no olho no trabalho dá direito a afastamento pelo INSS?

Dá, se a incapacidade passar de 15 dias seguidos e for confirmada em perícia. Segundo o INSS, o auxílio por incapacidade temporária é isento de carência em caso de acidente de qualquer natureza, e a empresa deve emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT).

Como saber se os óculos de proteção são certificados?

A NR-6 exige que todo equipamento de proteção individual traga gravados, de forma legível e permanente, o nome do fabricante ou importador, o lote e o número do Certificado de Aprovação (CA), emitido pelo Ministério do Trabalho.

Quem usa óculos de grau precisa de óculos de proteção especiais no trabalho?

Sim. A NR-6 manda o empregador considerar óculos de segurança de sobrepor, que vão por cima dos de grau, ou a adaptação do equipamento às lentes corretivas, sem custo para o empregado.

#Saúde#SUS#MinistérioDaSaúde#Anvisa#NR6

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  1. 1. Por quanto tempo se deve lavar o olho depois de um respingo de produto químico?

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  3. 3. Qual é o telefone do Disque-Intoxicação da Anvisa?

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