SaúdeExplicador
Sapo come escorpião, mas não impede as picadas, que passaram de 243 mil em 2025
As mortes notificadas quase dobraram em 2025, para 227, e mais de uma em cada quatro vítimas fatais tinha menos de 10 anos, segundo o Ministério da Saúde.

Os escorpiões causaram 243.127 acidentes no Brasil em 2025, 19,5% a mais que em 2024, segundo o Ministério da Saúde. Foi o maior número da série pública do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), iniciada em 2007. E os meses com mais picadas, de outubro a dezembro, já começaram.
O sapo, que muita gente vê como aliado no quintal, é de fato um dos predadores naturais do bicho, segundo a Secretaria da Saúde de São Paulo. Mas nenhum animal dá conta de proteger uma casa sozinho.
A defesa que funciona é tirar abrigo, comida e passagem do escorpião, e, se a picada acontecer, lavar o local e procurar atendimento logo.
- Primeiro socorroLavar o local da picada com água e sabão
- Onde irUnidade de saúde mais próxima, sem esperar os sintomas piorarem
- CriançasHospital de referência com soro antiescorpiônico
- Não fazerTorniquete, substâncias no local ou receitas caseiras
- SoroSó em casos moderados e graves, de graça no SUS
- TelefoneDisque-Intoxicação, 0800 722 6001
- Época de riscoDe setembro a dezembro, com pico em novembro
A boa notícia está na outra ponta da estatística. A letalidade foi de 0,09% em 2025: menos de uma morte para cada mil picadas, segundo o Sinan. A maior parte dos casos é leve e se resolve com remédio para dor, e quase 63% das vítimas chegaram ao atendimento na primeira hora.
243.127
acidentes com escorpião foram notificados no Brasil em 2025, o maior número da série pública iniciada em 2007
Fonte: Sinan/Ministério da Saúde, setembro de 2026
Sapos, corujas, lagartos, lacraias, aranhas, macacos, saruês, camundongos e galinhas são predadores naturais do escorpião, segundo o folheto de 2025 da Secretaria da Saúde de São Paulo. Eles ajudam a manter o equilíbrio no quintal, mas não substituem a limpeza: o escorpião urbano se multiplica rápido e se esconde onde o predador não chega.
O motivo está na biologia do escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), a espécie que mais causa casos graves no país. A fêmea dele gera filhotes sem precisar de macho, um mecanismo chamado partenogênese, segundo boletim do Ministério da Saúde de abril de 2025. Basta um único escorpião para começar uma colônia num prédio, numa galeria de esgoto ou num terreno com entulho.
Nas cidades, o escorpião vive nas redes de águas pluviais e de esgoto, em lixo, entulho e cemitérios, onde há baratas, a principal comida dele, informa o mesmo boletim. Ele entra nas casas por ralos e frestas. O predador do quintal não alcança essas galerias, de onde novos escorpiões continuam saindo.
O Instituto Butantan também lista sapos, lagartos e corujas entre os principais predadores do escorpião e defende a preservação dos sapos nas cidades. Eles ajudam, desde que a casa também faça a parte dela.
Da picada ao soro antiescorpiônico
Depois de uma picada de escorpião, lave o local com água e sabão e siga para a unidade de saúde mais próxima, orienta o Ministério da Saúde. A regra está no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) dos Acidentes Escorpiônicos, de 1º de agosto de 2025, que também manda evitar torniquetes e substâncias no local.
- Lave a região da picada com água corrente e sabão.
- Se houver como, aplique uma compressa morna, que alivia a dor.
- Vá ao pronto-socorro, à UPA ou à unidade básica de saúde mais próxima, mesmo que a dor pareça suportável.
- Se a vítima for criança, procure de preferência um hospital de referência com soro, como orienta a Secretaria da Saúde de São Paulo.
- Se puder fazer isso sem risco, leve o escorpião num pote fechado ou tire uma foto dele.
- Na dúvida sobre o que fazer, ligue para o Disque-Intoxicação, no 0800 722 6001.
O Disque-Intoxicação é um serviço gratuito criado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A ligação vai para o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) mais perto de quem liga.
Vários estados têm linha própria, segundo o Ministério da Saúde. Em Minas Gerais, o CIATox atende pelo (31) 3224-4000; na Bahia, pelo 0800 284 4343; e no Paraná, pelo 0800 041 0148. Na capital paulista, o Centro de Controle de Intoxicações atende pelo 0800 771 3733.
Torniquete, remédios caseiros e produtos passados na pele não fazem parte do tratamento. A Secretaria da Saúde do Paraná resume a orientação: procurar imediatamente a unidade de saúde mais próxima e não fazer procedimentos caseiros.
A pressa tem razão de ser, mostra o boletim do Ministério da Saúde com os dados de 2023. A letalidade foi de 0,05% entre quem chegou ao atendimento na primeira hora e subiu para 0,12% entre quem levou de 12 a 24 horas.
A dor no local é o sintoma mais comum e pode vir com formigamento, vermelhidão e suor. Em casos moderados, aparecem náuseas, alguns vômitos, coração acelerado ou lento, pressão alta e agitação. Os graves trazem vômitos repetidos, suor intenso, salivação, sonolência alternada com agitação, falta de ar e, no limite, convulsões e edema no pulmão, descreve o protocolo.
Na Amazônia, o escorpião-preto (Tityus obscurus) provoca outro quadro. A picada dele causa sobretudo sintomas neurológicos, como contrações musculares involuntárias, fala enrolada, falta de equilíbrio e sensação de choque elétrico, segundo o mesmo documento.
Já o soro antiescorpiônico é indicado apenas nos casos moderados e graves, em qualquer idade, segundo o protocolo do Ministério da Saúde de agosto de 2025. Casos leves recebem remédio para dor e ficam em observação de 6 a 12 horas. Quem toma soro fica pelo menos 24 horas sob monitoramento.
Isso explica por que o antiveneno chega a poucos pacientes. Em 2025, 12.757 vítimas de escorpião receberam soro, 5,2% do total, segundo o Sinan. A dose é fixa: 3 frascos-ampolas nos casos moderados e 6 nos graves, nunca mais que isso.
| Gravidade | Sinais principais | Tratamento | Observação |
|---|---|---|---|
| Sem envenenamento | nenhum sintoma | nenhum | 4 horas |
| Leve | dor, formigamento, vermelhidão, suor | remédio para dor | 6 a 12 horas |
| Moderado | náuseas, alguns vômitos, pressão alta, agitação | 3 frascos de soro | 24 horas |
| Grave | vômitos repetidos, falta de ar, convulsões | 6 frascos de soro | 24 horas, de preferência em UTI |
Fonte: PCDT dos Acidentes Escorpiônicos, Portaria SECTICS/MS nº 59, de 1º de agosto de 2025.
O soro precisa ficar guardado entre 2 °C e 8 °C e é aplicado nos hospitais de referência definidos por cada estado, segundo o Ministério da Saúde.
Em São Paulo, o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) da Secretaria da Saúde tem na internet uma busca pelo ponto de soro mais perto de cada endereço. Nos outros estados, a lista sai pelas secretarias estaduais de saúde e pelos CIATox.
O protocolo traz uma ressalva importante para quem mora longe de hospital grande. A falta de UTI não deve atrasar o atendimento, diz o texto: o paciente deve ser acompanhado na unidade disponível, com os recursos que ela tiver. Na falta do soro antiescorpiônico, o médico pode usar o soro antiaracnídico, que também neutraliza o veneno do escorpião.
O risco pesa mais sobre as crianças. As de até 9 anos foram 61 das 227 mortes por escorpião notificadas em 2025, ou 26,9%, segundo o Sinan, do Ministério da Saúde.
O protocolo do SUS põe as crianças de até 10 anos, sobretudo as menores de 7, entre os fatores de risco de envenenamento grave. O texto cita também a relação entre a quantidade de veneno e o peso do corpo.
Pais e cuidadores têm dois cuidados práticos a tomar. O primeiro é a prevenção dentro de casa: guardar brinquedos em caixas fechadas depois do uso e não deixar roupas espalhadas pelo chão, recomenda a Secretaria da Saúde de São Paulo. O segundo é não esperar: criança picada vai direto para o hospital de referência, mesmo que pareça bem.
Escolas e creches também entram na conta, sobretudo as que têm pátio de terra, horta ou depósito de material, onde entulho e objetos acumulados viram abrigo. Em todas as idades, as mãos foram o local de 39,55% das picadas notificadas em 2023, e os pés, de 31,40%, segundo o boletim do Ministério da Saúde.
São Paulo e Minas lideram, Mato Grosso do Sul acelera
São Paulo registrou 52.965 acidentes com escorpião em 2025 e Minas Gerais, 45.034, segundo o Sinan, do Ministério da Saúde. Os dois estados somaram 40% dos casos do país.
Bahia, Pernambuco e Alagoas vêm em seguida, e, entre os estados com mais casos, o maior salto de um ano para o outro foi em Mato Grosso do Sul, com alta de 38,6%.
| Estado | 2024 | 2025 | Variação |
|---|---|---|---|
| São Paulo | 42.106 | 52.965 | +25,8% |
| Minas Gerais | 38.906 | 45.034 | +15,8% |
| Bahia | 24.667 | 27.627 | +12,0% |
| Pernambuco | 15.750 | 19.491 | +23,8% |
| Alagoas | 13.212 | 15.023 | +13,7% |
| Ceará | 7.298 | 9.115 | +24,9% |
| Paraíba | 7.905 | 8.984 | +13,6% |
| Paraná | 6.498 | 8.421 | +29,6% |
| Goiás | 6.853 | 7.429 | +8,4% |
| Mato Grosso do Sul | 5.114 | 7.089 | +38,6% |
| Espírito Santo | 5.195 | 6.626 | +27,5% |
| Distrito Federal | 3.555 | 4.631 | +30,3% |
| Brasil | 203.495 | 243.127 | +19,5% |
Fonte: Sinan/Ministério da Saúde, acidentes por estado de ocorrência, dados disponibilizados em setembro de 2026 e sujeitos a revisão.
Minas Gerais concentra também as mortes. O estado teve 84 das 227 mortes notificadas em 2025, à frente de Pernambuco, com 31, e de Bahia e Goiás, com 23 cada, segundo o Sinan. É em Minas que o escorpião-amarelo tem origem, e de lá ele se espalhou para todas as regiões, segundo o boletim do Ministério da Saúde.
O risco muda bastante de região para região. Proporcionalmente à população, Alagoas teve a maior incidência do país em 2023, com 365 casos por 100 mil habitantes, quase quatro vezes a média nacional, de 95, segundo o boletim. Maceió foi o município com mais notificações naquele ano, 4.991, à frente de Brasília e Fortaleza.
No Sul, o problema é menor, mas cresce no Paraná, que passou de 6.498 para 8.421 casos em um ano. Rio Grande do Sul e Santa Catarina somaram menos de 2 mil acidentes em 2025.
O Rio de Janeiro também foge da regra do Sudeste, com 1.074 casos. No Norte, os números são mais baixos, mas Pará e Tocantins passaram de 2 mil casos cada em 2025.
Fonte: Sinan/Ministério da Saúde, setembro de 2026
O ritmo continua em 2026. De janeiro a agosto, o Sinan já registrava 160.720 acidentes, 6,1% acima do mesmo período de 2025, ainda com dados preliminares. As mortes notificadas no ano chegavam a 179 na atualização de 15 de setembro.
O Ministério da Saúde aponta três razões para a alta no boletim de abril de 2025. São a ocupação desordenada do solo, sobretudo onde falta saneamento básico, a facilidade de certas espécies para colonizar novos lugares e as mudanças climáticas. Desde 2004, o escorpião é o animal peçonhento que mais causa acidentes registrados no Sinan.
Como deixar a casa sem escorpião, sem inseticida
O controle do escorpião dentro de casa se faz com limpeza e barreiras físicas, não com veneno, segundo o Ministério da Saúde, que não recomenda o controle químico. A Secretaria da Saúde de São Paulo resume o método em três palavras: abrigo, alimento e acesso. Tirar os três do caminho torna o lugar ruim para o escorpião.
- AbrigoRetire entulho, restos de obra, telhas, tijolos e lenha empilhada do quintal e de terrenos vizinhos
- AlimentoMantenha a casa limpa e o lixo bem fechado, para não atrair baratas
- AcessoTele os ralos de pia, tanque e box, vede frestas em paredes, rodapés, portas e janelas e ajuste os interruptores à parede
- Roupas e sapatosSacuda antes de usar e não deixe peças no chão
- Cama e toalhasConfira lençóis e toalhas penduradas no banheiro antes do uso
- Trabalho no quintalUse luvas e calçado fechado ao mexer em material de construção ou lenha e ao limpar o quintal
Dentro de casa, os esconderijos preferidos são ralos, vigas, sótãos, forros, caixas de energia e o espaço atrás dos móveis, segundo a secretaria paulista. Do lado de fora, o escorpião procura buracos em pedras, cupinzeiros, entulho, lixo e túmulos.
O escorpião se esconde em vãos, frestas e buracos, segundo a secretaria paulista, e os acidentes são mais frequentes à noite, segundo o boletim do Ministério da Saúde. Por isso as equipes de zoonoses trabalham com o chamado manejo ambiental: busca ativa dos escorpiões e mudança do ambiente para afastá-los, segundo o boletim do Ministério da Saúde.
Há estados que transformaram essa busca em vigilância. No Paraná, mais de 22 mil escorpiões capturados em 2025 foram enviados ao laboratório estadual de taxonomia para identificação da espécie, informou a Secretaria da Saúde em fevereiro de 2026. A campanha de dezembro de 2025 distribuiu 300 mil folhetos com orientações.
A época pede atenção redobrada agora. Em 2025, os acidentes subiram de 16.591 em junho para 23.728 em novembro, o mês com mais picadas, segundo o Sinan. O pico de fim de ano vem sobretudo do Sudeste, e no Brasil os acidentes são mais frequentes nos meses quentes e chuvosos, segundo o boletim do Ministério da Saúde.
O feriado de Finados, em 2 de novembro, merece um cuidado próprio. Túmulos estão entre os abrigos do escorpião listados pela Secretaria da Saúde de São Paulo, e muita gente aproveita a data para limpar e enfeitar os jazigos da família. Luvas e calçado fechado fazem diferença nessa hora.
Quem for picado também deve conferir a carteira de vacinação. O protocolo do Ministério da Saúde manda seguir o calendário vacinal em vigor para a proteção contra o tétano. A dupla adulto, com reforço a cada 10 anos, é gratuita nos postos de saúde, como mostra o calendário de vacinação do adulto.
Em caso de picada, lave o local com água e sabão e vá à unidade de saúde mais próxima; crianças devem ir ao hospital de referência com soro. O Disque-Intoxicação atende de graça pelo 0800 722 6001, e em São Paulo a busca pelos pontos de soro fica na página do CIEVS da Secretaria da Saúde.
Como calculamos. Os números de 2016 a 2026 vêm das tabulações do Sinan no DATASUS, por ano e estado de ocorrência, consultadas em 29 de outubro de 2026. Os de 2024 a 2026 foram atualizados entre agosto e setembro de 2026. As variações comparam 2025 com 2024, e a letalidade divide as 227 mortes pelos 243.127 acidentes do ano.
Como citar: Ouviram (29 out. 2026). «Sapo come escorpião, mas não impede as picadas, que passaram de 243 mil em 2025». ouviram.com.br/brasil/sapo-come-escorpiao-picada-o-que-fazer-soro-como-evitar
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
Escorpião é inseto?
Não. O escorpião é um artrópode da mesma classe das aranhas, os aracnídeos, com quatro pares de patas, um par de pinças e a cauda com o ferrão, segundo a Secretaria da Saúde de São Paulo.
Escorpião brilha no escuro?
Sim, sob luz ultravioleta. A carapaça do escorpião tem compostos que absorvem a luz UV e devolvem luz visível, segundo a Secretaria da Saúde de São Paulo. Por isso uma lanterna de luz negra ajuda a achar o animal à noite em quintais e garagens.
Grávida picada por escorpião pode tomar soro?
Pode, quando o médico indicar. O protocolo do Ministério da Saúde pede apenas que a gestação seja informada ao médico antes do início do soro antiveneno.
Picada de escorpião precisa ser notificada?
Sim. O acidente com escorpião é de notificação compulsória no Sinan, segundo o protocolo do Ministério da Saúde, e o registro é feito pela unidade de saúde que atende o paciente.
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1. Qual estado registrou mais acidentes com escorpião em 2025?
São Paulo notificou 52.965 acidentes em 2025, segundo o Sinan, do Ministério da Saúde. Minas Gerais teve 45.034.
2. Em que mês o Brasil costuma registrar mais picadas de escorpião?
Novembro liderou em 2024 e em 2025, com 23.728 casos no ano passado, segundo o Sinan. Junho é o mês mais calmo.
3. Que parte do corpo o escorpião mais pica?
As mãos foram 39,55% das picadas notificadas em 2023, e os pés, 31,40%, segundo boletim do Ministério da Saúde.
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