SaúdeGuia

Taxa de mortalidade infantil no Brasil é de 12,3 por mil, e Santa Catarina tem a menor do país

Em 1940, morriam 146,6 bebês antes do primeiro aniversário a cada mil nascidos vivos, e Roraima é hoje o estado com a taxa mais alta, 21,8.

Fachada de Unidade Básica de Saúde com o logotipo do SUS em Alcântaras, no Ceará
Fachada da Unidade Básica de Saúde Joaquim Ximenes Carvalho, em Alcântaras (CE), porta de entrada do pré-natal no SUS, em imagem de 2024.Foto: Josscelio ximenes / Wikimedia Commons · CC0

A taxa de mortalidade infantil no Brasil foi de 12,3 mortes antes de 1 ano a cada mil nascidos vivos em 2024, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 1940, eram 146,6. Santa Catarina tem a menor taxa do país, 8,7 por mil, e Roraima, a maior, 21,8.

O número vem das Tábuas Completas de Mortalidade, divulgadas em 28 de novembro de 2025. Os dados de cada estado saem das Projeções da População, revisão 2024, do mesmo instituto. A próxima tábua, com os dados de 2025, deve sair até 1º de dezembro de 2026.

  • Taxa do Brasil12,3 mortes antes de 1 ano por mil nascidos vivos (2024)
  • Meninos13,2 por mil
  • Meninas11,2 por mil
  • Até 5 anos14,4 por mil (mortalidade na infância)
  • Menor taxaSanta Catarina, 8,7 por mil
  • Maior taxaRoraima, 21,8 por mil
  • Mortes de bebês em 202430.020, segundo o Ministério da Saúde
  • Meta para 2030No máximo 8 mortes até 5 anos por mil nascidos vivos

91,6%

é a queda da mortalidade infantil no Brasil entre 1940 e 2024, de 146,6 para 12,3 por mil

Fonte: IBGE, Tábuas Completas de Mortalidade 2024

Link para este dado

A taxa de mortalidade infantil é o número de crianças que morrem antes de completar 1 ano a cada mil nascidas vivas, na definição do IBGE e do Ministério da Saúde. Uma taxa de 12,3 por mil quer dizer que, em cada grupo de mil bebês nascidos em 2024, cerca de 12 não chegariam ao primeiro aniversário.

O indicador é um dos mais usados no mundo para medir as condições de vida de um país. Ele responde rápido a mudanças no pré-natal, na assistência ao parto, na vacinação, na alimentação e no saneamento, porque o bebê é muito sensível a cada uma delas.

A taxa se divide em três fases, conforme a idade do bebê na morte. O período neonatal precoce vai do nascimento ao 6º dia. O neonatal tardio, do 7º ao 27º dia. O pós-neonatal, do 28º dia até antes de completar 1 ano. Já a mortalidade na infância soma todas as mortes antes dos 5 anos.

Em 2024, a mortalidade na infância ficou em 14,4 por mil nascidos vivos, segundo o IBGE. Das crianças que morreram antes dos 5 anos, 84,8% morreram no primeiro ano de vida. Em 1940, essa fatia era de 69,1%, porque muitas crianças de 1 a 4 anos morriam de doenças ligadas à falta de saneamento.

Mortalidade infantil por estado: a tabela dos 27

Santa Catarina tem a menor taxa de mortalidade infantil do Brasil, 8,7 mortes antes de 1 ano por mil nascidos vivos em 2024, segundo as Projeções da População do IBGE. Roraima tem a maior, 21,8. A diferença entre os dois extremos é de 2,5 vezes. A tabela traz os 27 estados, do menor para o maior índice.

PosiçãoEstado2000201020242026 (projeção)Até 5 anos (2024)
1ºSanta Catarina14,910,68,78,510,2
2ºRio Grande do Sul15,511,29,59,211,1
3ºParaná20,112,510,510,212,1
4ºDistrito Federal14,312,410,610,312,3
5ºRio Grande do Norte40,815,510,910,612,7
6ºMinas Gerais27,214,611,010,613,1
6ºSão Paulo17,511,811,010,712,8
8ºEspírito Santo18,911,511,210,813,4
9ºCeará35,015,411,411,013,0
10ºGoiás23,814,412,011,614,1
11ºRondônia36,519,412,111,714,5
12ºTocantins39,319,712,512,114,1
13ºPernambuco42,015,712,712,215,0
14ºRio de Janeiro19,013,912,912,415,2
15ºParaíba47,616,613,012,615,1
16ºMato Grosso do Sul22,815,013,412,915,9
17ºMato Grosso30,415,513,513,016,7
18ºAlagoas48,218,113,613,115,8
19ºBahia40,820,114,313,816,5
20ºMaranhão41,819,114,614,017,2
20ºPará29,920,114,614,017,5
20ºPiauí40,418,614,614,116,5
23ºAmazonas39,317,816,615,920,3
24ºAcre36,919,817,116,420,6
25ºSergipe41,216,318,217,621,0
26ºAmapá30,421,819,218,423,6
27ºRoraima24,213,621,820,929,5
–Brasil28,115,012,211,814,4

Fonte: IBGE, Projeções da População, revisão 2024 (mortes antes de 1 ano e antes de 5 anos por mil nascidos vivos)

Link para este dado

Na tabela por estado, que vem das projeções, o Brasil aparece com 12,2 em 2024. A tábua completa, calculada à parte pelo IBGE, chega a 12,3. A diferença está na segunda casa decimal e não muda a leitura.

O dado que mais chama a atenção é o do Nordeste. O Rio Grande do Norte, com 10,9 por mil, e o Ceará, com 11,4, têm taxas menores que a do Rio de Janeiro, de 12,9. Em 2000, os dois estados nordestinos registravam 40,8 e 35,0, bem acima da taxa fluminense na época, que era de 19,0.

As maiores quedas desde 2000 também estão no Nordeste. O Rio Grande do Norte reduziu a taxa em 73,3%, a Paraíba em 72,7% e Alagoas em 71,8%, segundo os números do IBGE. Alagoas e Paraíba tinham as piores taxas do país em 2000, acima de 47 por mil, e hoje estão no meio da tabela.

Entre 2010 e 2024, só dois estados viram a taxa subir: Roraima, de 13,6 para 21,8, e Sergipe, de 16,3 para 18,2. Os outros 25 reduziram o índice no período. Na Região Norte, Amazonas, Acre e Amapá completam o grupo dos cinco estados com as taxas mais altas.

Sul tem a menor mortalidade infantil, e o Norte, a maior (mortes antes de 1 ano por mil nascidos vivos, 2024)
Sul9,7
Sudeste11,4
Centro-Oeste12,4
Nordeste13,4
Norte15,4

Fonte: IBGE, Projeções da População, revisão 2024

Link para este dado

Por região, a distância diminuiu muito em duas décadas. Em 2000, o Nordeste tinha 41,2 mortes por mil nascidos vivos, 2,4 vezes a taxa do Sul, de 17,2. Em 2024, a relação caiu para 1,4 vez: 13,4 contra 9,7. O Norte passou de 33,7 para 15,4, e o Centro-Oeste, de 23,3 para 12,4.

Se você mora em São Paulo, a taxa do estado é de 11,0 por mil, a mesma de Minas Gerais. No Paraná, é de 10,5. Na Bahia, de 14,3. Em Pernambuco, de 12,7. Para o dado da sua cidade, a fonte é o Tabnet do DataSUS, do Ministério da Saúde.

Queda desde 1940 e principais causas das mortes

A mortalidade infantil no Brasil caiu de 146,6 para 12,3 mortes por mil nascidos vivos entre 1940 e 2024, uma redução de 91,6%, segundo as Tábuas Completas de Mortalidade do IBGE. Na conta do instituto, foram poupadas cerca de 134 vidas de bebês a cada mil nascidos no período.

Mortalidade infantil caiu em todas as décadas desde 1940 (mortes antes de 1 ano por mil nascidos vivos)
1940146,6
1950136,2
1960117,7
197097,6
198069,1
199145,1
200028,1
201015,0
202412,3

Fonte: IBGE, Tábuas Completas de Mortalidade 2024

Link para este dado

Em três décadas, de 1980 a 2010, a taxa encolheu de 69,1 para 15,0 por mil, segundo o IBGE.

No relatório da tábua de 2024, o IBGE lista as ações que reduziram a mortalidade das crianças. São elas as campanhas de vacinação em massa, o pré-natal, o aleitamento materno, os agentes comunitários de saúde e os programas de nutrição infantil. O instituto cita ainda o aumento da renda, da escolaridade e da proporção de casas com saneamento adequado.

Nos anos recentes, a taxa oscilou em torno de 12 por mil. Ela chegou a 11,4 em 2020, o menor valor da série, subiu para 12,5 em 2023 e voltou a cair em 2024, para 12,3. A mortalidade na infância, até 5 anos, foi de 14,7 para 14,4 por mil entre 2023 e 2024.

Os meninos morrem mais que as meninas no primeiro ano de vida. Em 2024, foram 13,2 mortes por mil nascidos vivos do sexo masculino e 11,2 do sexo feminino, uma diferença de 2,0, segundo o IBGE. O padrão se repete em todos os estados.

Mortalidade infantil no Brasil, marco a marco
  • 1940146,6 mortes antes de 1 ano por mil nascidos vivos, ponto de partida da série do IBGE
  • 1970Taxa cai para 97,6 por mil, abaixo de 100 pela primeira vez na série
  • 1991Taxa de 45,1 por mil, menos de um terço da de 1940
  • 2000Taxa de 28,1 por mil; a mortalidade até 5 anos fica em 32,6
  • 2010Taxa de 15,0 por mil, pouco mais da metade da de 2000
  • 2020Taxa de 11,4 por mil, o menor valor da série
  • 2024Taxa de 12,3 por mil e 14,4 até 5 anos, na tábua divulgada em novembro de 2025

As afecções do período perinatal causaram 16.130 das 30.020 mortes de bebês com menos de 1 ano em 2024, ou 53,7%, segundo o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. São problemas ligados à gestação, ao parto e aos primeiros dias de vida. Nesse grupo estão a prematuridade, o baixo peso ao nascer, a falta de oxigênio no parto e as infecções do recém-nascido.

As malformações congênitas, alterações que o bebê traz desde a gestação, vêm em segundo lugar, com 7.302 mortes, 24,3% do total. Somadas, as duas causas respondem por quase oito em cada dez óbitos infantis.

Causa (capítulo da CID-10)Mortes em 2024Parcela
Afecções do período perinatal16.13053,7%
Malformações congênitas e anomalias cromossômicas7.30224,3%
Doenças do aparelho respiratório1.6945,6%
Doenças infecciosas e parasitárias1.3384,5%
Causas externas (acidentes, quedas, sufocação)1.1673,9%
Causas mal definidas6702,2%
Outras causas1.7195,7%
Total30.020100%

Fonte: Ministério da Saúde, Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), óbitos de menores de 1 ano por local de residência, 2024

Link para este dado

Dois em cada três bebês que morrem não chegam ao 28º dia de vida. Em 2024, 14.933 mortes ocorreram até o 6º dia, 5.180 do 7º ao 27º dia e 9.907 depois disso, segundo o SIM. O peso dos primeiros dias mostra que boa parte do desafio está no pré-natal, no parto e nos cuidados com o recém-nascido.

O número absoluto de mortes também diminuiu. Foram 32.017 óbitos de menores de 1 ano em 2023 e 30.020 em 2024, queda de 6,2%, segundo o Ministério da Saúde. Os dados de 2025, ainda preliminares, somam 29.904 mortes até a extração de 28 de julho de 2026.

Meta para 2030 e como ver o dado da sua cidade

A meta brasileira dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) é chegar a 2030 com no máximo 8 mortes de crianças até 5 anos por mil nascidos vivos, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Para as mortes neonatais, até o 27º dia de vida, o teto é de 5 por mil. Em 2024, a mortalidade até 5 anos estava em 14,4 por mil, segundo o IBGE.

A meta do Brasil é mais exigente que a global. A ONU pede a todos os países no máximo 12 mortes neonatais e 25 mortes até 5 anos por mil nascidos vivos, números que o Brasil já alcançou. Por isso, os alvos nacionais foram definidos pelo Ministério da Saúde a partir da série de 2000 a 2015.

“A meta foi ampliada porque o Brasil já atingiu os valores previstos pela ONU.”

Ipea, na adaptação brasileira da meta 3.2 dos ODS

Santa Catarina é o estado mais perto do alvo nacional. O estado tem 10,2 mortes até 5 anos por mil nascidos vivos, segundo as projeções do IBGE para 2024, a menor taxa do país. Rio Grande do Sul, com 11,1, e Paraná, com 12,1, vêm em seguida. Na outra ponta, Roraima tem 29,5.

O dado da sua cidade está no Tabnet do DataSUS, a base pública do Ministério da Saúde. No menu de estatísticas vitais, a opção de mortalidade traz os óbitos infantis por município de residência, por causa e por idade. A opção de nascidos vivos traz os nascimentos do mesmo lugar. Dividindo os óbitos por nascimentos e multiplicando por mil, você chega à taxa do município.

Em cidades pequenas, a taxa pula muito de um ano para outro. Um município com 200 nascimentos por ano que registra três mortes de bebês tem taxa de 15 por mil; se registrar uma só, cai para 5. Por isso, vale olhar a média de três a cinco anos antes de comparar.

Se você está grávida ou tem um bebê pequeno, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tudo de graça: pré-natal, parto, teste do pezinho e as vacinas do primeiro ano. O pré-natal começa na Unidade Básica de Saúde mais perto de casa, assim que a gravidez é confirmada. O teste do pezinho deve ser feito entre o 3º e o 5º dia de vida, segundo o Ministério da Saúde.

As vacinas do primeiro ano aparecem no calendário de vacinação infantil do SUS, com a idade certa de cada dose. A relação com as condições de vida aparece no saneamento básico por estado. A queda das mortes de bebês também puxou para cima a expectativa de vida por estado.


A próxima Tábua Completa de Mortalidade do IBGE, com a taxa de 2025 do Brasil, deve ser divulgada até 1º de dezembro de 2026. Os dados definitivos de óbitos de 2025 entram no SIM, do Ministério da Saúde, depois do fechamento da base, hoje com números preliminares extraídos em 28 de julho de 2026.

Como citar: Ouviram (25 out. 2026). «Taxa de mortalidade infantil no Brasil é de 12,3 por mil, e Santa Catarina tem a menor do país». ouviram.com.br/brasil/mortalidade-infantil-por-estado-ibge

Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre mortalidade infantil e mortalidade na infância?

A mortalidade infantil conta as mortes antes de completar 1 ano. A mortalidade na infância conta as mortes antes dos 5 anos. Em 2024, as taxas foram de 12,3 e 14,4 por mil nascidos vivos, segundo o IBGE.

Como a mortalidade infantil do Brasil se compara com a de outros países?

Em 2024, a Suécia teve 1,8 morte antes de 1 ano por mil nascidos vivos e Serra Leoa, 70,5, segundo números da ONU citados pelo IBGE. O Brasil ficou em 12,3.

A mortalidade infantil inclui bebês que nascem mortos?

Não. A taxa conta só os bebês que nasceram vivos e morreram antes de 1 ano. As mortes antes do nascimento, chamadas óbitos fetais, são registradas à parte pelo Ministério da Saúde.

A mortalidade infantil é contada na cidade onde o bebê nasceu?

Os indicadores oficiais usam o município de residência da mãe. Se a família mora em uma cidade e o parto acontece em outra, o óbito entra na conta da cidade onde a família vive.

O que é morte infantil evitável?

É a morte que poderia ser impedida por vacinação, pré-natal, parto e atendimento ao recém-nascido adequados ou por diagnóstico e tratamento a tempo. O Ministério da Saúde usa uma lista oficial dessas causas para classificar os óbitos de crianças até 4 anos.

#MortalidadeInfantil#IBGE#MinistérioDaSaúde#SUS#SantaCatarina

Informar um erro nesta matéria · Correções publicadas

Mais sobre o assunto

Últimas de Brasil

Todas as matérias de Brasil →

  1. 1. Qual era a taxa de mortalidade infantil no Brasil em 1940?

  2. 2. Qual estado tem a menor mortalidade infantil do Brasil?

  3. 3. Qual é a principal causa de morte de bebês no Brasil?

O que você achou desta matéria?

O Ouviram confere cada dado em fontes oficiais e separa informação de opinião. Como trabalhamos · Achou um erro? Avise a redação

Debate : leia e comente

Comente com respeito. Leia as regras de participação: sem ofensas, sem dados pessoais de terceiros, sem links.

    Em alta agora

    1. Gp dos estados unidos 2026Estados mais populosos do Brasil: São Paulo lidera, e Roraima é o menos populoso
    2. Quem ganhou?População do Brasil em 2026 chega a 214,2 milhões de habitantes, segundo o IBGE
    3. Mega-SenaResultado da Mega-Sena 3074: 02 03 20 25 39 57
    4. 2º turnoQuem ganhou na sua cidade: o resultado nos 5.570 municípios