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Saneamento básico no Brasil por estado: São Paulo lidera em esgoto, e Amapá tem o menor índice

Pelo Censo 2022, 39,3 milhões de pessoas usam fossa rudimentar ou buraco, e 1,2 milhão vivem em casas sem banheiro nem sanitário.

Lagoa da estação de tratamento de esgoto de Arcos, em Minas Gerais, com o céu refletido na água
Lagoa da estação de tratamento de esgoto de Arcos (MG), inaugurada pela Codevasf, em imagem de 2018.Foto: Codevasf / Flickr · CC BY 2.0

A coleta de esgoto chega a 62,5% dos brasileiros, segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse é o grupo que mora em casa ligada à rede geral, à rede pluvial ou a fossa ligada à rede. A água da rede geral é a principal fonte para 82,9%.

São Paulo lidera o esgoto por rede, com 90,8% dos moradores, seguido do Distrito Federal, com 84,7%, e do Rio de Janeiro, com 83,8%. No outro extremo, estão Amapá, com 11,0%, Rondônia, com 13,3%, e Maranhão, com 16,5%. A coleta de lixo alcança 90,9% dos brasileiros.

  • Esgoto por rede ou fossa ligada à rede62,5% dos moradores, ou 126,3 milhões de pessoas
  • Fossa séptica sem ligação à rede13,2%, ou 26,7 milhões
  • Fossa rudimentar ou buraco19,4%, ou 39,3 milhões
  • Vala, rio, lago, córrego ou mar3,5%, ou 7,1 milhões
  • Sem banheiro nem sanitário0,6%, ou 1,2 milhão
  • Água da rede geral como forma principal82,9%, ou 167,5 milhões
  • Lixo coletado90,9%, ou 183,7 milhões
  • Esgoto tratado no país49,4% do volume gerado, pelo Sinisa de 2023
  • Meta legal99% com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto até 31 de dezembro de 2033

Os números do IBGE contam pessoas. Cada morador recenseado em 2022 está numa das categorias acima, conforme o destino do esgoto do banheiro da casa. O total considerado é de 202,1 milhões de moradores em domicílios particulares permanentes.

Saneamento é saúde dentro de casa. Água tratada e esgoto longe do quintal afastam doenças transmitidas pela água, como diarreia e hepatite A, que pesam mais sobre as crianças pequenas. Por isso o tema aparece colado a indicadores como a expectativa de vida por estado e o IDH dos estados.

Esgoto, água e lixo estado por estado

São Paulo tem o maior acesso a esgoto por rede geral, rede pluvial ou fossa ligada à rede do país, com 90,8% dos moradores, segundo o Censo 2022 do IBGE. O Amapá tem o menor, 11,0%. Na água da rede geral, São Paulo também lidera, com 95,6%, e o Amapá fica em último, com 43,7%.

A tabela ordena os 27 estados pelo esgoto por rede. A coluna da fossa rudimentar mostra quantos moradores usam buraco sem tratamento, a solução mais comum onde a rede não chega.

PosiçãoEstadoEsgoto por rede ou fossa ligada à redeFossa rudimentar ou buracoÁgua da rede geralLixo coletado
1ºSão Paulo90,8%3,0%95,6%99,0%
2ºDistrito Federal84,7%5,8%92,8%98,8%
3ºRio de Janeiro83,8%3,0%84,1%98,0%
4ºMinas Gerais80,1%10,8%87,6%92,5%
5ºEspírito Santo74,2%12,4%83,7%92,8%
6ºParaná69,6%19,2%88,7%94,3%
7ºRio Grande do Sul62,4%13,3%86,2%95,3%
8ºSergipe53,6%29,0%85,3%91,5%
9ºSanta Catarina53,5%9,3%83,8%96,7%
10ºPernambuco52,3%24,0%70,6%84,7%
11ºGoiás52,2%25,9%84,4%94,6%
12ºBahia52,2%32,5%82,7%82,7%
13ºMato Grosso do Sul49,0%26,9%87,0%89,7%
14ºParaíba47,7%29,0%74,0%84,1%
15ºRoraima42,1%24,7%80,1%77,7%
16ºCeará40,1%34,7%78,8%85,1%
17ºAcre34,0%30,4%51,6%75,9%
18ºAlagoas33,1%44,2%67,7%86,7%
19ºMato Grosso33,0%41,1%80,5%88,3%
20ºRio Grande do Norte31,5%36,5%84,6%90,6%
21ºAmazonas29,9%35,8%64,7%79,6%
22ºTocantins28,4%46,7%81,8%85,1%
23ºPará18,6%46,0%48,0%75,9%
24ºPiauí18,3%44,0%76,9%73,4%
25ºMaranhão16,5%48,3%65,3%69,8%
26ºRondônia13,3%58,9%45,3%79,2%
27ºAmapá11,0%39,5%43,7%90,4%
Brasil62,5%19,4%82,9%90,9%

Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2022 (tabelas 6894, 7555 e 9541), percentual dos moradores em domicílios particulares permanentes ocupados.

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Santa Catarina e Rio Grande do Sul aparecem no meio da tabela por um motivo próprio. Nos dois estados, muitas casas usam fossa séptica sem ligação à rede, solução com tratamento parcial do esgoto no próprio terreno. Em Santa Catarina, são 35,7% dos moradores; no Rio Grande do Sul, 21,9%. A fossa rudimentar fica em 9,3% e 13,3%.

No Norte e no Nordeste, a fossa rudimentar é a regra em vários estados. Em Rondônia, 58,9% dos moradores usam essa solução, a maior fatia do país. No Maranhão, são 48,3%; em Tocantins, 46,7%; e no Pará, 46,0%.

Sudeste tem quase quatro vezes o esgoto por rede do Norte (moradores com esgoto por rede ou fossa ligada, em %)
Sudeste86,1
Sul62,9
Centro-Oeste53,0
Nordeste41,2
Norte22,8

Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2022

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A água segue outro mapa. No Norte, só 55,7% dos moradores recebem água da rede geral como forma principal; o resto depende de poço, rio, chuva ou carro-pipa. No Sudeste, são 91,0%; no Sul, 86,6%; no Centro-Oeste, 85,4%; e no Nordeste, 76,3%.

O lixo é o serviço mais espalhado. A coleta chega a 99,0% dos moradores de São Paulo e a 98,8% dos do Distrito Federal, segundo o IBGE. No Maranhão, chega a 69,8%, e 27,3% dos moradores queimam o lixo na propriedade. No país, 15,9 milhões de pessoas ainda queimam o lixo em casa.

As capitais com melhor e pior saneamento

Vitória é a capital com o maior acesso a esgoto por rede ou fossa ligada à rede, com 99,7% dos moradores, segundo o Censo 2022 do IBGE. Belo Horizonte, com 97,0%, e Curitiba, com 96,9%, vêm em seguida. Macapá tem o menor índice entre as capitais, 15,5%, e Porto Velho, o segundo menor, 22,0%.

CapitalEsgoto por rede ou fossa ligada à redeÁgua da rede geral
Vitória (ES)99,7%99,5%
Belo Horizonte (MG)97,0%99,3%
Curitiba (PR)96,9%97,8%
Salvador (BA)94,7%99,1%
São Paulo (SP)94,7%99,1%
Rio de Janeiro (RJ)94,6%98,3%
Porto Alegre (RS)91,7%99,0%
Aracaju (SE)87,3%97,4%
Brasília (DF)84,7%92,8%
Goiânia (GO)77,0%95,1%
Palmas (TO)71,4%94,0%
Fortaleza (CE)71,0%90,9%
Cuiabá (MT)69,7%94,6%
João Pessoa (PB)69,2%93,5%
Rio Branco (AC)68,0%59,3%
Recife (PE)66,3%84,3%
Campo Grande (MS)65,3%94,8%
Belém (PA)59,4%67,9%
Boa Vista (RR)59,3%93,8%
Florianópolis (SC)55,2%94,1%
São Luís (MA)51,8%68,1%
Manaus (AM)49,2%77,0%
Maceió (AL)46,9%67,5%
Natal (RN)43,7%98,4%
Teresina (PI)39,0%94,2%
Porto Velho (RO)22,0%36,5%
Macapá (AP)15,5%44,6%

Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2022 (tabelas 6894 e 7555).

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As capitais estão quase sempre à frente do próprio estado. Salvador tem 94,7% de esgoto por rede, contra 52,2% na Bahia. Aracaju chega a 87,3%, contra 53,6% em Sergipe.

Há exceções que surpreendem. Florianópolis tem 55,2% de esgoto por rede, abaixo de Fortaleza e de João Pessoa. Natal e Teresina têm água da rede para mais de 94% dos moradores, mas esgoto por rede para menos da metade.

Se você mora em Porto Velho, Macapá, Rio Branco, Belém, São Luís ou Maceió, a água da rede também é um desafio. Nessas capitais, menos de 70% dos moradores recebem água da rede geral como forma principal, segundo o Censo.

Esgoto tratado e as metas do Marco do Saneamento para 2033

Só 49,4% do esgoto gerado no Brasil passa por tratamento, pelo indicador de 2023 do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), mantido pelo Ministério das Cidades. O indicador compara o volume tratado com o volume de água consumida. Do esgoto que chega às redes, 78,7% é tratado.

49,4%

é a parcela do esgoto gerado no país que recebe tratamento, pelo indicador de 2023 do Sinisa

Fonte: Ministério das Cidades, Sinisa 2024

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O Sinisa mede o atendimento por outra régua, a das empresas e prefeituras que prestam o serviço. Por ela, 59,7% da população tem rede coletora de esgoto, ou 111,3 milhões de pessoas, e 83,1% recebe água da rede, ou 167,6 milhões.

A distância entre cidade e campo é enorme: a rede de esgoto atende 67,5% da população urbana e 5,6% da rural.

Indicador (2023)BrasilÁrea urbanaÁrea rural
População com água da rede83,1%93,3%24,2%
População com rede coletora de esgoto59,7%67,5%5,6%
Esgoto tratado sobre o gerado49,4%——
Esgoto tratado sobre o coletado78,7%——

Fonte: Ministério das Cidades, Sinisa 2024, ano de referência 2023.

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O Sinisa substituiu em 2024 o antigo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), que reunia dados desde 1995. Por isso, a comparação com anos anteriores pede cuidado: parte da diferença vem da mudança de método, e não só de obras novas.

As metas estão na Lei 11.445/2007, a lei do saneamento, com a redação dada pela Lei 14.026/2020, o Marco Legal do Saneamento. O artigo 11-B obriga os contratos a garantir água potável para 99% da população e coleta e tratamento de esgoto para 90% até 31 de dezembro de 2033.

Os contratos também precisam ter metas de redução de perdas e de abastecimento sem interrupção.

Pelos números do Censo, o país precisa subir 16,1 pontos na água da rede e 27,5 pontos no esgoto por rede para chegar lá. No Sudeste, a distância é menor: faltam 3,9 pontos no esgoto. No Norte, faltam 67,2 pontos.


A lei permite adiar o prazo em casos específicos. Quando os estudos de uma licitação regionalizada mostram que a universalização não fecha as contas até 2033, o prazo pode ser estendido. O limite é 1º de janeiro de 2040, com aval prévio da agência reguladora, pelo parágrafo 9º do artigo 11-B.

Para quem vive em área com rede disponível, a lei também traz um dever. Pelo artigo 45 da Lei 11.445/2007, as edificações urbanas devem se ligar às redes públicas de água e esgoto disponíveis. O pedido de ligação é feito na empresa de saneamento da sua cidade, pelo site, aplicativo ou agência.

Como calculamos. Comparamos as metas do artigo 11-B da Lei 11.445/2007 com os percentuais de moradores do Censo 2022 do IBGE (tabelas 6894 e 7555), por região. O Censo mede ligação à rede, não tratamento; a distância real até a meta de esgoto tratado tende a ser maior.

Como citar: Ouviram (25 out. 2026). «Saneamento básico no Brasil por estado: São Paulo lidera em esgoto, e Amapá tem o menor índice». ouviram.com.br/brasil/saneamento-basico-no-brasil-por-estado

Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.

Perguntas frequentes

Fossa séptica é considerada saneamento adequado?

Sim. O Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) considera adequado o uso de fossa séptica, e 13,2% dos brasileiros usavam fossa séptica sem ligação à rede em 2022, segundo o IBGE. Já a fossa rudimentar, sem tratamento, é classificada como atendimento precário.

Quem é responsável pelo saneamento na minha cidade?

Pela Lei 11.445/2007, a titularidade dos serviços de água e esgoto é do município. Em regiões metropolitanas e microrregiões criadas por lei complementar estadual, é do estado em conjunto com os municípios. A prefeitura pode prestar o serviço direto ou contratar uma companhia estadual ou empresa privada.

Como pedir ligação de esgoto na minha casa?

O pedido é feito à empresa de água e esgoto da sua cidade, pelo site, aplicativo ou agência de atendimento. Quando a rede passa na rua, a lei obriga o imóvel a se ligar a ela, e a tarifa de esgoto pode ser cobrada.

O que é tarifa social de água e esgoto?

É o desconto na conta para famílias de baixa renda. A Lei 14.898/2024 criou regras nacionais para a tarifa social, com direito para famílias com renda por pessoa de até meio salário mínimo inscritas no CadÚnico ou com quem recebe o BPC. O pedido é feito na empresa de saneamento.

Qual a cidade com melhor saneamento do Brasil?

Entre as capitais, Vitória (ES) tem 99,7% dos moradores com esgoto por rede ou fossa ligada à rede e 99,5% com água da rede geral, segundo o Censo 2022 do IBGE.

#Saneamento#Censo2022#IBGE#MinistérioDasCidades#MarcoDoSaneamento

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