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Saneamento básico no Brasil por estado: São Paulo lidera em esgoto, e Amapá tem o menor índice
Pelo Censo 2022, 39,3 milhões de pessoas usam fossa rudimentar ou buraco, e 1,2 milhão vivem em casas sem banheiro nem sanitário.

A coleta de esgoto chega a 62,5% dos brasileiros, segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse é o grupo que mora em casa ligada à rede geral, à rede pluvial ou a fossa ligada à rede. A água da rede geral é a principal fonte para 82,9%.
São Paulo lidera o esgoto por rede, com 90,8% dos moradores, seguido do Distrito Federal, com 84,7%, e do Rio de Janeiro, com 83,8%. No outro extremo, estão Amapá, com 11,0%, Rondônia, com 13,3%, e Maranhão, com 16,5%. A coleta de lixo alcança 90,9% dos brasileiros.
- Esgoto por rede ou fossa ligada à rede62,5% dos moradores, ou 126,3 milhões de pessoas
- Fossa séptica sem ligação à rede13,2%, ou 26,7 milhões
- Fossa rudimentar ou buraco19,4%, ou 39,3 milhões
- Vala, rio, lago, córrego ou mar3,5%, ou 7,1 milhões
- Sem banheiro nem sanitário0,6%, ou 1,2 milhão
- Água da rede geral como forma principal82,9%, ou 167,5 milhões
- Lixo coletado90,9%, ou 183,7 milhões
- Esgoto tratado no país49,4% do volume gerado, pelo Sinisa de 2023
- Meta legal99% com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto até 31 de dezembro de 2033
Os números do IBGE contam pessoas. Cada morador recenseado em 2022 está numa das categorias acima, conforme o destino do esgoto do banheiro da casa. O total considerado é de 202,1 milhões de moradores em domicílios particulares permanentes.
Saneamento é saúde dentro de casa. Água tratada e esgoto longe do quintal afastam doenças transmitidas pela água, como diarreia e hepatite A, que pesam mais sobre as crianças pequenas. Por isso o tema aparece colado a indicadores como a expectativa de vida por estado e o IDH dos estados.
Esgoto, água e lixo estado por estado
São Paulo tem o maior acesso a esgoto por rede geral, rede pluvial ou fossa ligada à rede do país, com 90,8% dos moradores, segundo o Censo 2022 do IBGE. O Amapá tem o menor, 11,0%. Na água da rede geral, São Paulo também lidera, com 95,6%, e o Amapá fica em último, com 43,7%.
A tabela ordena os 27 estados pelo esgoto por rede. A coluna da fossa rudimentar mostra quantos moradores usam buraco sem tratamento, a solução mais comum onde a rede não chega.
| Posição | Estado | Esgoto por rede ou fossa ligada à rede | Fossa rudimentar ou buraco | Água da rede geral | Lixo coletado |
|---|---|---|---|---|---|
| 1º | São Paulo | 90,8% | 3,0% | 95,6% | 99,0% |
| 2º | Distrito Federal | 84,7% | 5,8% | 92,8% | 98,8% |
| 3º | Rio de Janeiro | 83,8% | 3,0% | 84,1% | 98,0% |
| 4º | Minas Gerais | 80,1% | 10,8% | 87,6% | 92,5% |
| 5º | Espírito Santo | 74,2% | 12,4% | 83,7% | 92,8% |
| 6º | Paraná | 69,6% | 19,2% | 88,7% | 94,3% |
| 7º | Rio Grande do Sul | 62,4% | 13,3% | 86,2% | 95,3% |
| 8º | Sergipe | 53,6% | 29,0% | 85,3% | 91,5% |
| 9º | Santa Catarina | 53,5% | 9,3% | 83,8% | 96,7% |
| 10º | Pernambuco | 52,3% | 24,0% | 70,6% | 84,7% |
| 11º | Goiás | 52,2% | 25,9% | 84,4% | 94,6% |
| 12º | Bahia | 52,2% | 32,5% | 82,7% | 82,7% |
| 13º | Mato Grosso do Sul | 49,0% | 26,9% | 87,0% | 89,7% |
| 14º | Paraíba | 47,7% | 29,0% | 74,0% | 84,1% |
| 15º | Roraima | 42,1% | 24,7% | 80,1% | 77,7% |
| 16º | Ceará | 40,1% | 34,7% | 78,8% | 85,1% |
| 17º | Acre | 34,0% | 30,4% | 51,6% | 75,9% |
| 18º | Alagoas | 33,1% | 44,2% | 67,7% | 86,7% |
| 19º | Mato Grosso | 33,0% | 41,1% | 80,5% | 88,3% |
| 20º | Rio Grande do Norte | 31,5% | 36,5% | 84,6% | 90,6% |
| 21º | Amazonas | 29,9% | 35,8% | 64,7% | 79,6% |
| 22º | Tocantins | 28,4% | 46,7% | 81,8% | 85,1% |
| 23º | Pará | 18,6% | 46,0% | 48,0% | 75,9% |
| 24º | Piauí | 18,3% | 44,0% | 76,9% | 73,4% |
| 25º | Maranhão | 16,5% | 48,3% | 65,3% | 69,8% |
| 26º | Rondônia | 13,3% | 58,9% | 45,3% | 79,2% |
| 27º | Amapá | 11,0% | 39,5% | 43,7% | 90,4% |
| Brasil | 62,5% | 19,4% | 82,9% | 90,9% |
Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2022 (tabelas 6894, 7555 e 9541), percentual dos moradores em domicílios particulares permanentes ocupados.
Santa Catarina e Rio Grande do Sul aparecem no meio da tabela por um motivo próprio. Nos dois estados, muitas casas usam fossa séptica sem ligação à rede, solução com tratamento parcial do esgoto no próprio terreno. Em Santa Catarina, são 35,7% dos moradores; no Rio Grande do Sul, 21,9%. A fossa rudimentar fica em 9,3% e 13,3%.
No Norte e no Nordeste, a fossa rudimentar é a regra em vários estados. Em Rondônia, 58,9% dos moradores usam essa solução, a maior fatia do país. No Maranhão, são 48,3%; em Tocantins, 46,7%; e no Pará, 46,0%.
Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2022
A água segue outro mapa. No Norte, só 55,7% dos moradores recebem água da rede geral como forma principal; o resto depende de poço, rio, chuva ou carro-pipa. No Sudeste, são 91,0%; no Sul, 86,6%; no Centro-Oeste, 85,4%; e no Nordeste, 76,3%.
O lixo é o serviço mais espalhado. A coleta chega a 99,0% dos moradores de São Paulo e a 98,8% dos do Distrito Federal, segundo o IBGE. No Maranhão, chega a 69,8%, e 27,3% dos moradores queimam o lixo na propriedade. No país, 15,9 milhões de pessoas ainda queimam o lixo em casa.
As capitais com melhor e pior saneamento
Vitória é a capital com o maior acesso a esgoto por rede ou fossa ligada à rede, com 99,7% dos moradores, segundo o Censo 2022 do IBGE. Belo Horizonte, com 97,0%, e Curitiba, com 96,9%, vêm em seguida. Macapá tem o menor índice entre as capitais, 15,5%, e Porto Velho, o segundo menor, 22,0%.
| Capital | Esgoto por rede ou fossa ligada à rede | Água da rede geral |
|---|---|---|
| Vitória (ES) | 99,7% | 99,5% |
| Belo Horizonte (MG) | 97,0% | 99,3% |
| Curitiba (PR) | 96,9% | 97,8% |
| Salvador (BA) | 94,7% | 99,1% |
| São Paulo (SP) | 94,7% | 99,1% |
| Rio de Janeiro (RJ) | 94,6% | 98,3% |
| Porto Alegre (RS) | 91,7% | 99,0% |
| Aracaju (SE) | 87,3% | 97,4% |
| Brasília (DF) | 84,7% | 92,8% |
| Goiânia (GO) | 77,0% | 95,1% |
| Palmas (TO) | 71,4% | 94,0% |
| Fortaleza (CE) | 71,0% | 90,9% |
| Cuiabá (MT) | 69,7% | 94,6% |
| João Pessoa (PB) | 69,2% | 93,5% |
| Rio Branco (AC) | 68,0% | 59,3% |
| Recife (PE) | 66,3% | 84,3% |
| Campo Grande (MS) | 65,3% | 94,8% |
| Belém (PA) | 59,4% | 67,9% |
| Boa Vista (RR) | 59,3% | 93,8% |
| Florianópolis (SC) | 55,2% | 94,1% |
| São Luís (MA) | 51,8% | 68,1% |
| Manaus (AM) | 49,2% | 77,0% |
| Maceió (AL) | 46,9% | 67,5% |
| Natal (RN) | 43,7% | 98,4% |
| Teresina (PI) | 39,0% | 94,2% |
| Porto Velho (RO) | 22,0% | 36,5% |
| Macapá (AP) | 15,5% | 44,6% |
Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2022 (tabelas 6894 e 7555).
As capitais estão quase sempre à frente do próprio estado. Salvador tem 94,7% de esgoto por rede, contra 52,2% na Bahia. Aracaju chega a 87,3%, contra 53,6% em Sergipe.
Há exceções que surpreendem. Florianópolis tem 55,2% de esgoto por rede, abaixo de Fortaleza e de João Pessoa. Natal e Teresina têm água da rede para mais de 94% dos moradores, mas esgoto por rede para menos da metade.
Se você mora em Porto Velho, Macapá, Rio Branco, Belém, São Luís ou Maceió, a água da rede também é um desafio. Nessas capitais, menos de 70% dos moradores recebem água da rede geral como forma principal, segundo o Censo.
Esgoto tratado e as metas do Marco do Saneamento para 2033
Só 49,4% do esgoto gerado no Brasil passa por tratamento, pelo indicador de 2023 do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), mantido pelo Ministério das Cidades. O indicador compara o volume tratado com o volume de água consumida. Do esgoto que chega às redes, 78,7% é tratado.
49,4%
é a parcela do esgoto gerado no país que recebe tratamento, pelo indicador de 2023 do Sinisa
Fonte: Ministério das Cidades, Sinisa 2024
O Sinisa mede o atendimento por outra régua, a das empresas e prefeituras que prestam o serviço. Por ela, 59,7% da população tem rede coletora de esgoto, ou 111,3 milhões de pessoas, e 83,1% recebe água da rede, ou 167,6 milhões.
A distância entre cidade e campo é enorme: a rede de esgoto atende 67,5% da população urbana e 5,6% da rural.
| Indicador (2023) | Brasil | Área urbana | Área rural |
|---|---|---|---|
| População com água da rede | 83,1% | 93,3% | 24,2% |
| População com rede coletora de esgoto | 59,7% | 67,5% | 5,6% |
| Esgoto tratado sobre o gerado | 49,4% | — | — |
| Esgoto tratado sobre o coletado | 78,7% | — | — |
Fonte: Ministério das Cidades, Sinisa 2024, ano de referência 2023.
O Sinisa substituiu em 2024 o antigo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), que reunia dados desde 1995. Por isso, a comparação com anos anteriores pede cuidado: parte da diferença vem da mudança de método, e não só de obras novas.
As metas estão na Lei 11.445/2007, a lei do saneamento, com a redação dada pela Lei 14.026/2020, o Marco Legal do Saneamento. O artigo 11-B obriga os contratos a garantir água potável para 99% da população e coleta e tratamento de esgoto para 90% até 31 de dezembro de 2033.
Os contratos também precisam ter metas de redução de perdas e de abastecimento sem interrupção.
Pelos números do Censo, o país precisa subir 16,1 pontos na água da rede e 27,5 pontos no esgoto por rede para chegar lá. No Sudeste, a distância é menor: faltam 3,9 pontos no esgoto. No Norte, faltam 67,2 pontos.
A lei permite adiar o prazo em casos específicos. Quando os estudos de uma licitação regionalizada mostram que a universalização não fecha as contas até 2033, o prazo pode ser estendido. O limite é 1º de janeiro de 2040, com aval prévio da agência reguladora, pelo parágrafo 9º do artigo 11-B.
Para quem vive em área com rede disponível, a lei também traz um dever. Pelo artigo 45 da Lei 11.445/2007, as edificações urbanas devem se ligar às redes públicas de água e esgoto disponíveis. O pedido de ligação é feito na empresa de saneamento da sua cidade, pelo site, aplicativo ou agência.
Como calculamos. Comparamos as metas do artigo 11-B da Lei 11.445/2007 com os percentuais de moradores do Censo 2022 do IBGE (tabelas 6894 e 7555), por região. O Censo mede ligação à rede, não tratamento; a distância real até a meta de esgoto tratado tende a ser maior.
Como citar: Ouviram (25 out. 2026). «Saneamento básico no Brasil por estado: São Paulo lidera em esgoto, e Amapá tem o menor índice». ouviram.com.br/brasil/saneamento-basico-no-brasil-por-estado
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
Fossa séptica é considerada saneamento adequado?
Sim. O Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) considera adequado o uso de fossa séptica, e 13,2% dos brasileiros usavam fossa séptica sem ligação à rede em 2022, segundo o IBGE. Já a fossa rudimentar, sem tratamento, é classificada como atendimento precário.
Quem é responsável pelo saneamento na minha cidade?
Pela Lei 11.445/2007, a titularidade dos serviços de água e esgoto é do município. Em regiões metropolitanas e microrregiões criadas por lei complementar estadual, é do estado em conjunto com os municípios. A prefeitura pode prestar o serviço direto ou contratar uma companhia estadual ou empresa privada.
Como pedir ligação de esgoto na minha casa?
O pedido é feito à empresa de água e esgoto da sua cidade, pelo site, aplicativo ou agência de atendimento. Quando a rede passa na rua, a lei obriga o imóvel a se ligar a ela, e a tarifa de esgoto pode ser cobrada.
O que é tarifa social de água e esgoto?
É o desconto na conta para famílias de baixa renda. A Lei 14.898/2024 criou regras nacionais para a tarifa social, com direito para famílias com renda por pessoa de até meio salário mínimo inscritas no CadÚnico ou com quem recebe o BPC. O pedido é feito na empresa de saneamento.
Qual a cidade com melhor saneamento do Brasil?
Entre as capitais, Vitória (ES) tem 99,7% dos moradores com esgoto por rede ou fossa ligada à rede e 99,5% com água da rede geral, segundo o Censo 2022 do IBGE.
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