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Taxa de analfabetismo no Brasil: Alagoas lidera entre os estados, e Santa Catarina tem a menor
No Censo 2022, 11,4 milhões de brasileiros de 15 anos ou mais não sabiam ler e escrever um bilhete simples, e 53,7% deles moravam no Nordeste.

A taxa de analfabetismo no Brasil é de 7,0% pelo Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São 11,4 milhões de pessoas de 15 anos ou mais que não sabiam ler e escrever um bilhete simples. Pela pesquisa anual do instituto, a taxa caiu para 4,9% em 2025, a menor desde 2016.
Alagoas tem a maior taxa entre os estados, 17,7%, seguida do Piauí, com 17,2%. Santa Catarina tem a menor, 2,7%, e o Distrito Federal vem logo atrás, com 2,8%. Em números absolutos, a Bahia lidera: 1,4 milhão de moradores adultos não sabiam ler no Censo.
- Taxa de analfabetismo no Censo 20227,0% das pessoas de 15 anos ou mais
- Taxa de alfabetização no Censo 202293,0%
- Pessoas que não sabem ler e escrever11.403.801, de um total de 162,95 milhões com 15 anos ou mais
- Taxa na PNAD Contínua 20254,9%, ou 8,4 milhões de pessoas
- Estado com a maior taxaAlagoas, 17,7%
- Estado com a menor taxaSanta Catarina, 2,7%
- Região com a maior taxaNordeste, 14,2%
- Meta do novo PNE97% de alfabetização até 2031 e fim do analfabetismo até 2036
O critério do IBGE é simples. Pelo Censo 2022, é alfabetizada a pessoa que sabe ler e escrever pelo menos um bilhete simples ou uma lista de compras, no idioma que conhece, esteja ou não na escola. A pergunta do questionário é direta: “Sabe ler e escrever?”.
Saber ler abre a porta para o emprego com carteira assinada, a bula do remédio e o contrato do aluguel. O mapa se repete em outros indicadores. No IDH dos estados de 2024, Alagoas tem a menor nota de educação, 0,729, e o Distrito Federal, a maior, 0,851, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
Analfabetismo estado por estado no Censo 2022
Alagoas tem a maior taxa de analfabetismo do Brasil no Censo 2022, com 17,7% das pessoas de 15 anos ou mais sem saber ler e escrever, segundo o IBGE. Os dez estados com as taxas mais altas são os nove do Nordeste e o Acre. Santa Catarina tem a menor taxa, 2,7%.
A tabela traz os 27 estados do maior para o menor analfabetismo no Censo. As duas últimas colunas mostram a taxa da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua em 2016 e em 2025, para você ver a tendência.
| Posição | Estado | Analfabetismo no Censo 2022 | Pessoas que não sabem ler e escrever | PNAD Contínua 2016 | PNAD Contínua 2025 |
|---|---|---|---|---|---|
| 1º | Alagoas | 17,7% | 426.730 | 18,3% | 13,1% |
| 2º | Piauí | 17,2% | 446.048 | 16,2% | 13,1% |
| 3º | Paraíba | 16,0% | 502.449 | 15,3% | 11,6% |
| 4º | Maranhão | 15,1% | 772.309 | 15,7% | 10,9% |
| 5º | Ceará | 14,1% | 987.209 | 14,4% | 11,1% |
| 6º | Rio Grande do Norte | 13,9% | 366.923 | 13,9% | 9,3% |
| 7º | Sergipe | 13,8% | 240.415 | 13,9% | 10,3% |
| 8º | Pernambuco | 13,4% | 960.959 | 12,1% | 10,1% |
| 9º | Bahia | 12,6% | 1.420.947 | 12,3% | 9,5% |
| 10º | Acre | 12,1% | 73.835 | 12,5% | 8,9% |
| 11º | Tocantins | 9,1% | 105.140 | 9,5% | 6,8% |
| 12º | Pará | 8,8% | 536.677 | 8,7% | 6,2% |
| 13º | Amazonas | 6,9% | 198.976 | 6,6% | 4,3% |
| 14º | Roraima | 6,9% | 31.196 | 6,0% | 3,4% |
| 15º | Amapá | 6,5% | 34.642 | 4,7% | 4,5% |
| 16º | Rondônia | 6,5% | 79.535 | 6,0% | 5,1% |
| 17º | Minas Gerais | 5,9% | 985.006 | 5,8% | 3,8% |
| 18º | Mato Grosso | 5,8% | 164.492 | 5,9% | 3,5% |
| 19º | Espírito Santo | 5,6% | 173.848 | 5,7% | 3,8% |
| 20º | Goiás | 5,5% | 308.699 | 5,9% | 3,5% |
| 21º | Mato Grosso do Sul | 5,4% | 115.864 | 5,7% | 3,9% |
| 22º | Paraná | 4,3% | 398.334 | 4,1% | 3,3% |
| 23º | Rio de Janeiro | 3,3% | 432.864 | 2,5% | 1,6% |
| 24º | São Paulo | 3,1% | 1.133.421 | 2,6% | 1,9% |
| 25º | Rio Grande do Sul | 3,1% | 278.815 | 3,0% | 2,2% |
| 26º | Distrito Federal | 2,8% | 63.282 | 2,4% | 2,0% |
| 27º | Santa Catarina | 2,7% | 165.186 | 2,7% | 1,5% |
| Brasil | 7,0% | 11.403.801 | 6,7% | 4,9% |
Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2022 (tabelas 9542 e 9543) e PNAD Contínua Educação 2016 e 2025 (tabela 7113).
Censo e PNAD não devem ser misturados na mesma conta.
O Censo entrevista todos os domicílios do país e serve para comparar estados e cidades. A PNAD Contínua ouve uma amostra no segundo trimestre de cada ano e serve para acompanhar a tendência. Por isso, a taxa de 2022 é de 7,0% no Censo e de 5,6% na PNAD do mesmo ano.
O Nordeste reúne 6,1 milhões das pessoas que não sabem ler, 53,7% do total do país no Censo. A taxa da região é de 14,2%. No Norte, é de 8,2%; no Centro-Oeste, 5,1%; no Sudeste, 3,9%; e no Sul, 3,5%.
Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2022
O avanço mais rápido veio de onde a taxa era maior. Entre os censos de 2010 e 2022, Alagoas foi o estado que mais aumentou a fatia de adultos alfabetizados, com alta de 6,7 pontos percentuais, segundo o IBGE. A distância entre o primeiro e o último estado caiu de 20,9 pontos em 2010 para 15,0 pontos em 2022.
Na PNAD, a queda entre 2016 e 2025 foi de 5,2 pontos em Alagoas, de 18,3% para 13,1%. O Rio Grande do Norte caiu 4,6 pontos, e o Maranhão, 4,8 pontos.
No Nordeste, a diferença entre gerações é a maior do país. Lá, 39,4% das pessoas de 65 anos ou mais não sabiam ler no Censo, contra 2,4% dos jovens de 15 a 19 anos, segundo o IBGE.
De 56% em 1940 a 7% em 2022
O analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais caiu de 56,0% em 1940 para 7,0% em 2022, segundo a série dos censos do IBGE. Em 1940, menos da metade dos brasileiros adultos sabia ler e escrever. A taxa de alfabetização passou de 44,0% naquele ano para 74,5% em 1980 e para 93,0% em 2022.
Fonte: IBGE, Censos Demográficos 1940 a 2022
O IBGE atribui a queda a dois movimentos. O primeiro é a expansão da escola, que universalizou o acesso ao ensino fundamental no começo dos anos 1990. O segundo é a troca de gerações: os mais velhos, que tiveram menos chance de estudar, dão lugar a jovens que passaram pela escola.
A pesquisa anual confirma o ritmo. Pela PNAD Contínua, 8,4 milhões de pessoas de 15 anos ou mais não sabiam ler e escrever em 2025, segundo o IBGE. São cerca de 592 mil a menos do que em 2024. A taxa caiu de 6,7% em 2016 para 4,9% em 2025.
4,9%
é a taxa de analfabetismo de 2025, a primeira abaixo de 5% na série da PNAD Contínua iniciada em 2016
Fonte: IBGE, junho de 2026
| Ano | Taxa de analfabetismo (15 anos ou mais) | Entre 60 anos ou mais |
|---|---|---|
| 2016 | 6,7% | 20,5% |
| 2019 | 6,1% | 18,1% |
| 2022 | 5,6% | 16,0% |
| 2024 | 5,3% | 14,8% |
| 2025 | 4,9% | 13,8% |
Fonte: IBGE, PNAD Contínua Educação (tabela 7113), série reponderada com o Censo 2022.
Os dados de 2025 saíram em 19 de junho de 2026, no módulo de educação da PNAD Contínua. Na mesma divulgação, o IBGE refez a série desde 2016 com os pesos da população contada no Censo 2022. Por isso, números antigos publicados antes dessa revisão podem ser um pouco diferentes dos da tabela.
Idade, cor ou raça e capitais
A taxa de analfabetismo dos brasileiros de 65 anos ou mais foi de 20,3% no Censo 2022, contra 1,5% entre os jovens de 15 a 19 anos, segundo o IBGE. Em 2000, a taxa dos mais velhos era de 38,0%. A queda de 17,7 pontos em 22 anos foi a maior entre todas as faixas de idade.
| Idade | Analfabetismo no Censo 2022 |
|---|---|
| 15 a 19 anos | 1,5% |
| 20 a 24 anos | 1,5% |
| 25 a 34 anos | 2,0% |
| 35 a 44 anos | 4,1% |
| 45 a 54 anos | 7,8% |
| 55 a 64 anos | 11,5% |
| 65 anos ou mais | 20,3% |
Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2022 (tabela 9543).
Na publicação do Censo, o IBGE descreve a taxa alta entre os idosos como “um reflexo da dívida educacional brasileira”. Pela PNAD Contínua de 2025, as pessoas de 60 anos ou mais eram 58,0% de todos os analfabetos do país. Entre os brasileiros de 15 a 59 anos, a taxa ficou em 2,6%.
A diferença por cor ou raça também diminuiu, mas continua grande. No Censo 2022, a taxa foi de 2,5% entre os amarelos e de 4,3% entre os brancos, segundo o IBGE. Entre os pardos, chegou a 8,8%; entre os pretos, a 10,1%; e entre os indígenas, a 16,1%. Os perfis da cor ou raça no Censo 2022 e da população indígena ajudam a ler esses números.
Em 2010, a distância entre brancos e pretos era de 8,5 pontos percentuais; em 2022, caiu para 5,8 pontos. Entre brancos e indígenas, foi de 14,1 para 11,8 pontos. Na PNAD de 2025, a taxa foi de 2,8% entre os brancos e de 6,5% entre pretos e pardos somados.
O analfabetismo é maior entre os homens. Pela PNAD de 2025, foi de 5,2% entre eles e de 4,6% entre as mulheres. Entre as pessoas de 60 anos ou mais, a diferença quase some: 14,1% contra 13,7%.
As capitais têm taxas bem menores do que os estados. Florianópolis tem a menor do país, 1,4%, seguida de Curitiba, com 1,5%, e Porto Alegre, com 1,7%, segundo o Censo 2022. Maceió tem a maior, 8,4%, e é também a cidade com mais de 500 mil habitantes com o analfabetismo mais alto.
| Capital | Analfabetismo no Censo 2022 |
|---|---|
| Florianópolis (SC) | 1,4% |
| Curitiba (PR) | 1,5% |
| Porto Alegre (RS) | 1,7% |
| Belo Horizonte (MG) | 2,2% |
| Vitória (ES) | 2,2% |
| Rio de Janeiro (RJ) | 2,3% |
| Goiânia (GO) | 2,5% |
| São Paulo (SP) | 2,6% |
| Brasília (DF) | 2,8% |
| Campo Grande (MS) | 2,9% |
| Belém (PA) | 3,0% |
| Manaus (AM) | 3,0% |
| Palmas (TO) | 3,1% |
| Cuiabá (MT) | 3,3% |
| Salvador (BA) | 3,5% |
| Boa Vista (RR) | 3,6% |
| São Luís (MA) | 4,0% |
| Porto Velho (RO) | 4,4% |
| Macapá (AP) | 4,9% |
| Aracaju (SE) | 5,2% |
| Recife (PE) | 5,5% |
| Fortaleza (CE) | 5,6% |
| João Pessoa (PB) | 6,1% |
| Natal (RN) | 6,6% |
| Rio Branco (AC) | 7,0% |
| Teresina (PI) | 7,1% |
| Maceió (AL) | 8,4% |
Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2022 (tabela 9543); taxa de analfabetismo = 100% menos a taxa de alfabetização.
Salvador, São Luís e Belém mostram como a capital pode ficar longe da média do próprio estado. Em Salvador, a taxa é de 3,5%, contra 12,6% na Bahia. Em São Luís, é de 4,0%, contra 15,1% no Maranhão. Em Belém, de 3,0%, contra 8,8% no Pará.
O antigo Plano Nacional de Educação, a Lei 13.005/2014, previa acabar com o analfabetismo absoluto até 2024. A meta intermediária, de reduzir a taxa a 6,5% até 2015, foi alcançada no país, segundo o IBGE. Pela PNAD de 2025, Norte, Sudeste, Sul e Centro-Oeste já estão abaixo desse patamar, e o Nordeste, com 10,6%, ainda não.
O novo plano, a Lei 15.388/2026, foi sancionado em 14 de abril de 2026 e vale por dez anos. A Meta 11.a fixa 97% de alfabetização das pessoas de 15 anos ou mais até o quinto ano de vigência, em 2031. Até o fim do decênio, em 2036, o objetivo é superar o analfabetismo.
Para as famílias com filhos pequenos, a lei traz uma meta própria.
Pela Meta 3.a, pelo menos 80% das crianças devem estar alfabetizadas ao fim do 2º ano do ensino fundamental até 2031, e todas até 2036. Se o seu filho está no 1º ou no 2º ano, a estratégia 3.10 do plano prevê avaliações contínuas da leitura e da escrita de cada criança desde o 1º ano.
Quem tem 15 anos ou mais e não aprendeu a ler pode se matricular de graça na Educação de Jovens e Adultos (EJA), em escolas públicas. A Constituição garante a educação básica gratuita também a quem não estudou na idade própria. A matrícula é feita na secretaria de educação da sua cidade ou na escola estadual mais próxima.
Como citar: Ouviram (25 out. 2026). «Taxa de analfabetismo no Brasil: Alagoas lidera entre os estados, e Santa Catarina tem a menor». ouviram.com.br/brasil/taxa-de-alfabetizacao-por-estado-censo-2022
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
Qual a cidade com mais analfabetos do Brasil?
Em proporção, é Alto Alegre (RR), onde 36,8% dos moradores de 15 anos ou mais não sabiam ler e escrever em 2022, seguida de Floresta do Piauí (PI), com 34,7%, segundo o Censo 2022 do IBGE. Em números absolutos, a maior quantidade está em São Paulo, a cidade mais populosa do país.
Qual a cidade com menos analfabetos do Brasil?
É São João do Oeste (SC), onde a taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais foi de 0,9% no Censo 2022, segundo o IBGE. Entre as cidades com mais de 100 mil habitantes, a menor taxa é a de São Caetano do Sul (SP), com 1,2%.
Como saber a taxa de analfabetismo da minha cidade?
A tabela 9543 do Sidra, o banco de dados do IBGE, traz a taxa de alfabetização das pessoas de 15 anos ou mais de todos os 5.570 municípios no Censo 2022. A taxa de analfabetismo é o que falta para 100%.
Adulto que não sabe ler pode estudar de graça?
Sim. A Constituição garante a educação básica gratuita também para quem não estudou na idade própria. A matrícula na Educação de Jovens e Adultos (EJA) é feita nas escolas públicas, pela secretaria de educação da cidade ou do estado.
Qual a idade mínima para fazer a EJA?
Pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei 9.394/1996), os exames supletivos do ensino fundamental são para maiores de 15 anos, e os do ensino médio, para maiores de 18 anos. As redes de ensino seguem essas idades na matrícula da EJA.
O que é analfabetismo funcional?
É a situação de quem reconhece letras e números, mas não consegue entender um texto curto ou fazer contas do dia a dia. O Censo e a PNAD do IBGE não medem o analfabetismo funcional: perguntam só se a pessoa sabe ler e escrever um bilhete simples.
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1. Qual estado tem a menor taxa de analfabetismo no Censo 2022?
Em Santa Catarina, 2,7% das pessoas de 15 anos ou mais não sabiam ler e escrever em 2022, segundo o IBGE; no Distrito Federal, 2,8%.
2. Em 1940, que parcela dos brasileiros de 15 anos ou mais sabia ler e escrever?
Em 1940, só 44,0% sabiam ler e escrever, segundo a série dos censos do IBGE; a taxa chegou a 93,0% em 2022.
3. Qual capital tem a menor taxa de analfabetismo?
Em Florianópolis, 1,4% dos moradores de 15 anos ou mais não sabiam ler e escrever no Censo 2022, segundo o IBGE; em Curitiba, 1,5%.
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