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População indígena no Brasil chega a 1,69 milhão de pessoas no Censo 2022
Roraima tem a maior proporção de moradores indígenas, 15,3%, e em Uiramutã eles são 96,6% dos habitantes, segundo o IBGE.

O Brasil tem 1.694.836 indígenas, segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Eles são 0,83% dos 203.080.756 moradores do país e vivem em 4.833 municípios. Em 2010, o censo anterior tinha contado 896.917 indígenas: o número quase dobrou em 12 anos.
O Amazonas é o estado com mais indígenas, 490.935, e Roraima é onde eles pesam mais na população, com 15,3% dos moradores. Manaus é a cidade com o maior número absoluto, 71.691 pessoas. Em São Gabriel da Cachoeira, no alto rio Negro, 93,2% dos habitantes são indígenas.
- Total no país1.694.836 pessoas (0,83% da população)
- Em 2010896.917 pessoas
- Estado com mais indígenasAmazonas, com 490.935
- Maior proporçãoRoraima, com 15,3% dos moradores
- Em terras indígenas622.844 pessoas (36,7%)
- Em área urbana914.746 pessoas (53,97%)
- Povos e línguas391 etnias e 295 línguas
- Povo mais numerosoTikúna, com 74.061 pessoas
1.694.836
indígenas contados pelo Censo 2022, quase o dobro dos 896.917 registrados em 2010
Fonte: IBGE, dezembro de 2023
Os números são a versão revista do Censo 2022, que o IBGE publicou em dezembro de 2023 com as últimas apurações da pesquisa. A primeira divulgação, de agosto de 2023, tinha dado 1.693.535 indígenas, 1.301 a menos.
Saber quantos são e onde vivem os indígenas tem efeito direto na vida dessas famílias. É com dados do censo que o poder público planeja serviços como a saúde indígena e as escolas indígenas.
Em outubro de 2025, a gerente de Povos e Comunidades Tradicionais do IBGE, Marta Antunes, explicou por que mais indígenas passaram a declarar a que povo pertencem. “Depois de anos de ocultação para lidar com o racismo, principalmente no contexto urbano, se reúnem condições favoráveis para a declaração do pertencimento étnico”, afirmou ela.
Estados e cidades com mais indígenas
O Amazonas e a Bahia reúnem 720.378 indígenas, 42,5% do total do país, segundo o Censo 2022 do IBGE. Depois deles vêm Mato Grosso do Sul, com 116.469, Pernambuco, com 106.646, e Roraima, com 97.668. Nenhum outro estado passa de 100 mil.
A ordem muda quando se olha o peso na população. Em Roraima, o estado menos populoso do país, 15,3% dos moradores são indígenas; no Amazonas, 12,5%; em Mato Grosso do Sul, 4,2%; no Acre, 3,8%.
No outro extremo, São Paulo tem 55.331 indígenas, mais que os 31.694 do Acre, mas eles são só 0,12% dos paulistas. O Rio de Janeiro tem a menor proporção do país, 0,11%.
A tabela mostra os 27 estados, do maior para o menor número de indígenas, e quantos vivem dentro de terras indígenas.
| Estado | Indígenas | % dos moradores | Em terras indígenas |
|---|---|---|---|
| Amazonas | 490.935 | 12,46% | 149.080 |
| Bahia | 229.443 | 1,62% | 17.211 |
| Mato Grosso do Sul | 116.469 | 4,22% | 68.682 |
| Pernambuco | 106.646 | 1,18% | 34.314 |
| Roraima | 97.668 | 15,34% | 71.754 |
| Pará | 80.980 | 1,00% | 41.819 |
| Mato Grosso | 58.356 | 1,60% | 45.175 |
| Maranhão | 57.166 | 0,84% | 41.677 |
| Ceará | 56.372 | 0,64% | 10.521 |
| São Paulo | 55.331 | 0,12% | 4.179 |
| Minas Gerais | 36.699 | 0,18% | 12.137 |
| Rio Grande do Sul | 36.102 | 0,33% | 15.724 |
| Acre | 31.694 | 3,82% | 19.583 |
| Paraná | 30.466 | 0,27% | 13.893 |
| Paraíba | 30.140 | 0,76% | 19.044 |
| Alagoas | 25.725 | 0,82% | 6.672 |
| Santa Catarina | 21.773 | 0,29% | 10.792 |
| Rondônia | 21.146 | 1,34% | 11.525 |
| Tocantins | 20.023 | 1,32% | 15.213 |
| Goiás | 19.517 | 0,28% | 344 |
| Rio de Janeiro | 16.994 | 0,11% | 546 |
| Espírito Santo | 14.410 | 0,38% | 4.663 |
| Rio Grande do Norte | 11.724 | 0,35% | 0 |
| Amapá | 11.334 | 1,54% | 7.853 |
| Piauí | 7.202 | 0,22% | 114 |
| Distrito Federal | 5.811 | 0,21% | 0 |
| Sergipe | 4.710 | 0,21% | 329 |
| Brasil | 1.694.836 | 0,83% | 622.844 |
Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2022, tabelas 9970 e 4714 (dezembro de 2024)
No Rio Grande do Norte e no Distrito Federal, o censo não registrou nenhum indígena morando em terra indígena. Na Bahia, 92,5% dos indígenas moram fora de terras indígenas, boa parte em Salvador, que tem 27.715. Em Roraima, ao contrário, 73,5% vivem dentro delas.
Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2022 (dezembro de 2024)
Cada região tem um perfil. No Norte, coberto em grande parte pelo bioma Amazônia, metade dos indígenas mora em área urbana e metade no campo. No Nordeste, a segunda região, 62,3% vivem em cidades, com destaque para Bahia, Pernambuco e Ceará.
O Centro-Oeste é o mais rural: 62,05% dos indígenas da região vivem no campo, e Mato Grosso tem a maior fatia rural do país, 82,7%. No Sudeste, 77,25% moram em cidades. No Sul, 58,2% estão em área rural.
Dos 1.694.836 indígenas do país, 622.844 vivem em terras indígenas, 36,7% do total, segundo o Censo 2022 do IBGE. Os outros 1.071.992 moram fora delas, em cidades grandes, em vilas do interior ou em aldeias fora de terras demarcadas. O censo considerou 573 terras indígenas, as que estavam declaradas, homologadas ou regularizadas em julho de 2022, segundo a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
Os Tikúna, povo mais numeroso, têm 71,1% de sua gente em terras indígenas; os Kokama, segundo maior, vivem sobretudo em cidades, com 67,7% fora delas e em área urbana.
Manaus é a cidade com mais indígenas no país: 71.691, ou 3,5% dos moradores. Salvador aparece em quarto lugar, com 27.715, e São Paulo fecha a lista dos dez maiores.
| Município | Indígenas | % dos moradores |
|---|---|---|
| Manaus (AM) | 71.691 | 3,47% |
| São Gabriel da Cachoeira (AM) | 48.256 | 93,17% |
| Tabatinga (AM) | 34.497 | 51,67% |
| Salvador (BA) | 27.715 | 1,15% |
| São Paulo de Olivença (AM) | 26.619 | 80,74% |
| Pesqueira (PE) | 22.728 | 36,24% |
| Autazes (AM) | 20.447 | 49,19% |
| Boa Vista (RR) | 20.410 | 4,94% |
| Tefé (AM) | 20.394 | 27,68% |
| São Paulo (SP) | 19.783 | 0,17% |
Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2022, tabelas 9970 e 4714 (dezembro de 2024)
Em oito municípios brasileiros, os indígenas passam de 85% da população, e em 25 eles são maioria. Uiramutã, em Roraima, lidera com 96,6%, seguido de Santa Isabel do Rio Negro (96,2%) e São Gabriel da Cachoeira (93,2%), no Amazonas. Depois vêm Amaturá (AM), com 92,0%, e Normandia (RR), com 89,1%.
A surpresa fica no Nordeste. Marcação e Baía da Traição, no litoral norte da Paraíba, onde vivem os Potiguara, têm 88,1% e 86,6% de moradores indígenas. Em Pernambuco, Carnaubeira da Penha, no sertão, tem 85,8%, e Pesqueira, no agreste, soma 22.728 indígenas, o sexto maior número do país.
Um salto de 89% desde 2010
O salto de 896.917 para 1.694.836 indígenas entre 2010 e 2022 não vem só de nascimentos, segundo o IBGE. Parte da diferença se explica pela forma de contar: o instituto ampliou a pergunta sobre identidade indígena e mapeou com mais detalhe os lugares onde vivem essas comunidades.
No Censo 2010, a pergunta “você se considera indígena?” era feita só a quem morava em terra indígena e tinha se declarado de outra cor ou raça. Em 2022, ela passou a ser feita também em outras localidades indígenas, fora das terras demarcadas.
O censo identificou 8.568 localidades indígenas no país, 2.438 delas fora de terras indígenas, segundo o IBGE. A maioria, 60,2%, fica no Norte.
O efeito aparece nas cidades. Entre 2010 e 2022, os indígenas em área urbana passaram de 324.834 para 914.746, alta de 181,6%, segundo o IBGE. No campo, o aumento foi de 36,4%, de 572.083 para 780.090. Em 2010, 63,8% dos indígenas viviam em área rural; em 2022, a maioria, 53,97%, estava nas cidades.
Na divulgação de dezembro de 2024, Marta Antunes explicou que a variação não se deve só ao crescimento demográfico nem à mudança de moradores entre campo e cidade. Pesaram também os aprimoramentos do Censo 2022, que melhoraram a captação de indígenas, inclusive nas cidades.
- 1991A categoria indígena entra pela primeira vez na pergunta de cor ou raça, só no questionário da amostra
- 2000A pergunta continua restrita à amostra do censo
- 2010Indígena vai para o questionário de todos os domicílios, com perguntas sobre etnia e língua; total de 896.917
- Agosto de 2023IBGE divulga o primeiro número do Censo 2022: 1.693.535 indígenas
- Dezembro de 2023IBGE revê o total do Censo 2022 para 1.694.836 indígenas, com as últimas apurações
- Dezembro de 2024Estudo mostra que a maioria dos indígenas, 53,97%, vive em área urbana
- 24 de outubro de 2025IBGE divulga estudo com 391 etnias e 295 línguas indígenas
Em 2010, cerca de 817 mil pessoas se declararam indígenas na pergunta de cor ou raça. As demais foram contadas pela pergunta complementar, feita dentro das terras indígenas. O mesmo desenho, com a pergunta levada a mais lugares, explica parte do crescimento de 2022.
Povos, línguas e alfabetização
O Censo 2022 registrou 391 etnias, povos ou grupos indígenas e 295 línguas indígenas no Brasil, segundo o IBGE. Em 2010, eram 305 etnias e 274 línguas. Parte do aumento vem da revisão da lista: 25 etnias foram desmembradas e 75 novos nomes de povos entraram em 2022.
Os Tikúna, do alto rio Solimões, no Amazonas, são o povo mais numeroso, com 74.061 pessoas. Os Kokama, também do Amazonas, e os Makuxí, de Roraima, completam o pódio. A tabela traz os dez maiores povos e a fatia de cada um que vive em terra indígena.
| Povo | Pessoas | % em terras indígenas |
|---|---|---|
| Tikúna | 74.061 | 71,13% |
| Kokama | 64.327 | 12,89% |
| Makuxí | 53.446 | 68,31% |
| Guarani Kaiowá | 50.034 | 70,46% |
| Kaingang | 45.840 | 73,80% |
| Terena | 44.667 | 49,01% |
| Pataxó | 39.276 | 21,86% |
| Guajajara | 38.244 | 80,28% |
| Potiguara | 37.292 | 50,96% |
| Múra | 36.347 | 22,48% |
Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2022, Etnias e Línguas Indígenas (outubro de 2025)
Quase três em cada quatro indígenas, 73,08%, declararam pertencer a um povo, e 1,43% citaram dois. Outros 13,05% disseram não saber a etnia e 9,85% não declararam nenhuma. Em 2010, a fatia dos que não sabiam era maior, de 16,41%.
A língua com mais falantes é a Tikúna, usada em casa por 51.978 pessoas de 2 anos ou mais. Depois vêm Guarani Kaiowá, com 38.658, Guajajara, com 29.212, e Kaingang, com 27.482. Ao todo, 474.856 indígenas, 29,2% dos que têm 2 anos ou mais, falam ou usam uma língua indígena no domicílio.
A diversidade também mora nas metrópoles. A cidade de São Paulo é a que tem mais povos declarados, 194, à frente de Manaus (186), Rio de Janeiro (176), Brasília (167) e Salvador (142). Fora das capitais, Campinas lidera, com 96. Em número de línguas, Manaus fica em primeiro, com 99, seguida de São Paulo, com 78, e Brasília, com 61.
A taxa de alfabetização dos indígenas de 15 anos ou mais subiu de 76,6% em 2010 para 84,95% em 2022, segundo o IBGE. A distância para o conjunto dos brasileiros, que chegou a 93%, caiu de 13,8 para 8,1 pontos percentuais em 12 anos.
O avanço foi maior nas terras indígenas, onde a alfabetização passou de 67,7% para 79,2%. Entre os indígenas que vivem em área rural, o salto foi de 11 pontos, para 78,85%. Nas cidades, 89,14% dos indígenas de 15 anos ou mais sabem ler e escrever.
A população indígena é jovem, e isso pesa na escola. A idade mediana dos indígenas era de 25 anos em 2022, e nas terras indígenas metade da população tinha até 19 anos, segundo o IBGE.
O IBGE publica os números de cada município na tabela 9970 do Sidra, o banco de dados do instituto. A tabela separa os indígenas que vivem dentro e fora de terras indígenas e em área urbana ou rural.
Como calculamos. O percentual de cada estado e município divide os indígenas da tabela 9970 do IBGE pela população residente da tabela 4714, ambas do Censo 2022.
Como citar: Ouviram (24 out. 2026). «População indígena no Brasil chega a 1,69 milhão de pessoas no Censo 2022». ouviram.com.br/brasil/populacao-indigena-no-brasil-censo-2022
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
Qual é a terra indígena mais populosa do Brasil?
A Terra Indígena Yanomami, entre Amazonas e Roraima, com 27.152 indígenas na primeira divulgação do Censo 2022 do IBGE, em agosto de 2023. Em seguida vem a Raposa Serra do Sol, em Roraima, com 26.176.
Quantos indígenas vivem na cidade de São Paulo?
A capital paulista tem 19.783 indígenas, 0,17% dos moradores, segundo o Censo 2022 do IBGE. É a décima cidade do país em número de indígenas e a primeira em diversidade de povos.
Quantos indígenas falam português?
Em 2022, 1.404.340 indígenas usavam o português em casa, 86,32% do total, segundo o IBGE. Nas terras indígenas, a fatia era de 67,14%; fora delas, de 98,01% nas cidades e 93,97% no campo.
O que o IBGE considera etnia indígena?
Para o IBGE, etnia é uma comunidade definida por afinidades de língua, cultura ou organização social, o mesmo que povo ou grupo indígena. No Censo 2022, o recenseador podia anotar até duas etnias por pessoa, conforme a declaração do morador.
Quantos indígenas vivem na Amazônia Legal?
São 868.419 indígenas na Amazônia Legal, 51,2% do total do país, segundo o Censo 2022 do IBGE. A região reúne os sete estados do Norte, Mato Grosso e parte do Maranhão; só o Amazonas tem 490.935.
Quando é o Dia dos Povos Indígenas?
Em 19 de abril. A Lei 14.402/2022 trocou o antigo nome, Dia do Índio, por Dia dos Povos Indígenas. A data não é feriado nacional.
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- Maior estado do Brasil é o Amazonas, com 1,56 milhão de km², e o menor é Sergipe
1. Qual é o povo indígena mais numeroso do Brasil pelo Censo 2022?
Os Tikúna somam 74.061 pessoas, quase todos no Amazonas, segundo o IBGE. Kokama (64.327) e Makuxí (53.446) vêm depois.
2. Qual estado tem a maior proporção de indígenas na população?
Em Roraima, 15,3% dos moradores são indígenas, pelo Censo 2022 do IBGE. No Amazonas, a fatia é de 12,5%.
3. Quantas línguas indígenas o Censo 2022 registrou no Brasil?
O IBGE identificou 295 línguas indígenas faladas em casa, contra 274 em 2010.
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