Maiores rios do Brasil: o Amazonas lidera com 6.900 km, segundo a ANA
A bacia amazônica concentra cerca de 80% da água do país, e o São Francisco atravessa cinco estados em até 2.863 km, pela medição da Codevasf.

O Amazonas é o maior rio do Brasil, com 6.900 km estimados, e o maior do mundo em volume, segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Entre os rios com extensão medida por órgãos federais, vêm depois o Madeira, o Paraná e o São Francisco.
A medida exata de cada rio muda conforme o ponto escolhido como nascente e a escala do mapa. Por isso, os órgãos públicos divulgam números diferentes para o mesmo curso d'água.
O São Francisco, por exemplo, tem 2.700 km para o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Para a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), são 2.863 km.
- Maior rioAmazonas, cerca de 6.900 km (ANA)
- Maior vazãoAmazonas, 210 mil m³ de água por segundo (ANA)
- Mais longo inteiramente no BrasilSão Francisco, de 2.700 a 2.863 km
- Maior região hidrográficaAmazônica, 3.826.063 km² (IBGE e ANA)
- Regiões hidrográficas12, pela Resolução 32/2003 do CNRH
- Maior hidrelétricaBelo Monte, rio Xingu, 11.233,1 MW (Aneel)
Extensão dos grandes rios brasileiros
A tabela reúne oito grandes rios com trecho no Brasil e extensão divulgada por órgão federal, em ordem de tamanho. As medidas são da ANA, do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), da Codevasf, do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e do Ministério dos Transportes.
| Rio | Extensão | Nasce em | Deságua em | Estados brasileiros | Medida |
|---|---|---|---|---|---|
| Amazonas | 6.900 km | Andes, no Peru | Oceano Atlântico | AM, PA, AP | ANA |
| Madeira | 3.240 km | Bolívia e Peru, com outros nomes | Rio Amazonas | RO, AM | ANA |
| Paraná | 2.960 km | Encontro dos rios Grande e Paranaíba | Rio da Prata, na Argentina | SP, MS, PR | Ministério dos Transportes |
| São Francisco | 2.863 km | Região da Serra da Canastra (MG) | Atlântico, entre AL e SE | MG, BA, PE, AL, SE | Codevasf |
| Tocantins | 2.400 km | Planalto de Goiás, perto do DF | Atlântico, perto da Ilha do Marajó | GO, TO, MA, PA | DNIT |
| Araguaia | 2.115 km | Serra do Caiapó (GO) | Rio Tocantins | GO, MT, TO, PA | DNIT |
| Xingu | 1.815 km | Mato Grosso | Rio Amazonas | MT, PA | Ministério dos Transportes |
| Parnaíba | 1.344 km | Chapada das Mangabeiras (PI) | Atlântico, no Delta do Parnaíba | PI, MA | SGB |
Fonte: ANA, DNIT, Codevasf, SGB e Ministério dos Transportes, consultados em outubro de 2026.
O Purus e o Juruá, grandes afluentes que nascem no Peru e cortam o Acre e o Amazonas, não têm extensão total divulgada por órgão federal. Por isso, ficaram fora da tabela.
O rio Amazonas lança no Atlântico, a cada segundo, 210 mil metros cúbicos de água e 31 toneladas de sedimentos, em média, segundo a ANA. A bacia amazônica se espalha por oito países, e 64% dela fica em território brasileiro.
80%
do volume de água do Brasil está na bacia amazônica, que tem 64% da sua área no país
Fonte: ANA, 2026
O rio nasce na Cordilheira dos Andes, no Peru, e muda de nome pelo caminho: Apurimac, Ucayali, Marañon e Solimões, segundo a ANA. No Brasil, entra pelo Amazonas com o nome de Solimões, em Tabatinga, na fronteira com a Colômbia e o Peru.
Perto de Manaus, o Solimões recebe o rio Negro e passa a se chamar Amazonas até a foz. Pelas fichas de hidrovias do Ministério dos Transportes, o trecho do Solimões tem 1.700 km, navegáveis até Tabatinga, e o do Amazonas, 1.488 km, navegáveis o ano inteiro, com restrições só na seca.
O Madeira é o afluente que mais se destaca nos números oficiais. Com 3.240 km, é o 17º rio mais extenso do mundo e um dos cinco mais caudalosos, segundo a ANA. Ele banha Brasil, Bolívia e Peru e tem uma bacia de 125 milhões de hectares.
Entre Porto Velho e a foz no Amazonas, o Madeira é navegável por cerca de 1.345 km, segundo a ANA. Por ali passam soja, milho, fertilizantes, combustíveis e contêineres, segundo o Ministério dos Transportes, numa rota que liga Porto Velho ao Atlântico.
O Xingu e o Tapajós também deságuam no Amazonas, já no Pará. O Xingu tem 1.815 km, e o trecho navegável vai da foz até Belo Monte, por 210 km, segundo o Ministério dos Transportes. A comparação com os biomas do Brasil ajuda a entender o tamanho dessa rede: o bioma Amazônia ocupa 49,5% do território, segundo o IBGE.
Os cinco estados do São Francisco
O rio São Francisco banha cinco estados, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe, segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. A bacia ainda inclui partes de Goiás e do Distrito Federal, soma 634 mil km² e reúne 504 municípios, 9% do total do país.
O Velho Chico, como o rio também é chamado, nasce na Serra da Canastra, em São Roque de Minas (MG). A Codevasf mede 2.814 km dessa nascente histórica até a foz, na divisa entre Alagoas e Sergipe. A partir da nascente geográfica, no rio Samburá, em Medeiros (MG), são 2.863 km.
A divisão oficial do ministério separa o rio em quatro trechos, cada um com paisagem e uso próprios:
| Trecho | Extensão | Área da bacia | Moradores |
|---|---|---|---|
| Alto São Francisco | 702 km | 100.076 km² | cerca de 6,2 milhões |
| Médio São Francisco | 1.230 km | 402.531 km² | cerca de 3,2 milhões |
| Submédio São Francisco | 440 km | 110.446 km² | cerca de 1,9 milhão |
| Baixo São Francisco | 214 km | 25.523 km² | cerca de 1,4 milhão |
Fonte: Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, com população do Censo 2010.
O rio recebe água de 168 afluentes, 99 deles perenes, segundo o ministério. A chuva vai de 1.900 milímetros por ano na Serra da Canastra a 350 milímetros no Semiárido nordestino.
No trecho nordestino, o rio também gera energia. A usina de Xingó, entre Alagoas e Sergipe, tem 3.162 MW, e Paulo Afonso IV, entre Bahia e Alagoas, tem 2.462,4 MW, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Fora da bacia do São Francisco, outros grandes rios nascem e deságuam no Brasil, como o Tocantins, o Araguaia e o Parnaíba. Os dois primeiros formam a segunda maior região hidrográfica do país.
O Tocantins nasce a 1.110 metros de altitude, perto do Distrito Federal, e corre 2.400 km até a foz, perto da Ilha do Marajó, segundo o DNIT. O Araguaia nasce na Serra do Caiapó, em Goiás, e percorre 2.115 km até encontrar o Tocantins.
No caminho, o Araguaia faz a divisa natural entre Goiás, Mato Grosso, Tocantins e Pará e se divide em dois braços para formar a Ilha do Bananal, no Tocantins. O DNIT descreve a ilha como a maior ilha fluvial do mundo.
No Nordeste, o Parnaíba tem 1.344 km e separa o Piauí do Maranhão, segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB). Ele nasce na Chapada das Mangabeiras, a cerca de 700 metros de altitude, e deságua no Atlântico pelo Delta do Parnaíba.
As 12 regiões hidrográficas do Brasil
O Brasil é dividido em 12 regiões hidrográficas desde a Resolução 32 do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), de 15 de outubro de 2003. O mapa atual dessas regiões foi feito pelo IBGE e pela ANA em 2021, na Divisão Hidrográfica Nacional, e mostra a Amazônica com cerca de 45% do território.
Fonte: IBGE e ANA, Divisão Hidrográfica Nacional, 2021
Uma região hidrográfica é uma bacia ou um grupo de bacias vizinhas com características naturais, sociais e econômicas parecidas, segundo o IBGE. A divisão orienta o planejamento e a gestão da água usada na irrigação, na indústria e no abastecimento das cidades.
As regiões com nome de rio seguem a bacia daquele rio: Amazônica, Tocantins-Araguaia, Parnaíba, São Francisco, Paraná, Paraguai e Uruguai. As cinco com nome de Atlântico agrupam rios menores que correm direto para o mar.
A Atlântico Nordeste Oriental reúne rios do sertão e do litoral nordestino, como o Jaguaribe, no Ceará. A Atlântico Sudeste inclui o Paraíba do Sul, que corre por São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A Atlântico Sul cobre o litoral do Sul e a bacia do Guaíba, em Porto Alegre.
Quem mora na capital paulista, em Curitiba ou em Goiânia está na região do Paraná, porque os rios dessas cidades, como o Tietê e o Iguaçu, terminam no rio Paraná. O Pantanal fica na região do Paraguai, e o oeste gaúcho e catarinense, na do Uruguai. Para comparar com o tamanho dos estados, vale ver os maiores estados em área.
Os rios dessas regiões também movem as maiores usinas do país. Belo Monte, no rio Xingu, no Pará, tem 11.233,1 megawatts (MW) e lidera a lista de hidrelétricas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A lista foi atualizada em 1º de outubro de 2026. Tucuruí, no Tocantins, vem em seguida, com 8.535 MW.
| Usina | Rio | Onde fica | Potência |
|---|---|---|---|
| Belo Monte | Xingu | Altamira e Vitória do Xingu (PA) | 11.233,1 MW |
| Tucuruí | Tocantins | Tucuruí (PA) | 8.535 MW |
| Itaipu (parte brasileira) | Paraná | Foz do Iguaçu (PR) | 7.000 MW |
| Jirau | Madeira | Porto Velho (RO) | 3.750 MW |
| Santo Antônio | Madeira | Porto Velho (RO) | 3.568 MW |
| Ilha Solteira | Paraná | Ilha Solteira (SP) e Selvíria (MS) | 3.444 MW |
| Xingó | São Francisco | Canindé de São Francisco (SE) e Piranhas (AL) | 3.162 MW |
| Teles Pires | Teles Pires, bacia do Tapajós | Jacareacanga (PA) e Paranaíta (MT) | 1.819,8 MW |
Fonte: Aneel, Sistema de Informações de Geração, 1º de outubro de 2026.
Itaipu é binacional, dividida com o Paraguai, e a Aneel registra apenas a metade brasileira. O rio Paraná concentra outras grandes usinas, como Jupiá e Porto Primavera, entre São Paulo e Mato Grosso do Sul, que têm eclusas para a passagem de barcos.
Essas eclusas permitem a hidrovia Tietê-Paraná. Pelo Ministério dos Transportes, o Paraná é navegável por 685 km, do encontro dos rios Grande e Paranaíba até a represa de Itaipu. O Tietê é navegável por 797 km, da foz até Mogi das Cruzes, com barcos carregados de cana e soja.
O nível dos grandes rios é acompanhado todos os dias pela ANA e pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB). Os dois órgãos publicam boletins por bacia, como os do Madeira e do Amazonas. Os dados servem para avisar a Defesa Civil, a navegação e as empresas de abastecimento antes de uma cheia ou de uma seca forte.
Os extremos recentes mostram a variação. O rio Negro teve a maior cheia registrada em Manaus em 16 de junho de 2021, com 30,02 metros, segundo o SGB. Em outubro de 2024, chegou a 12,11 metros, a menor marca da série iniciada em 1902.
No Madeira, a maior cheia em Porto Velho foi de 19,74 metros, em 30 de março de 2014, segundo a ANA. Em 6 de outubro de 2026, o rio Negro marcou 18,10 metros em Manaus, numa vazante do rio Negro dentro do esperado para a época, segundo o SGB.
No rio Amazonas, a estiagem vai de julho a outubro, segundo as fichas de hidrovias do Ministério dos Transportes. No Madeira, vai de agosto a outubro, e no Paraná, de agosto a novembro.
Os boletins diários das bacias ficam na Sala de Situação da ANA. Os alertas de cheia por cidade saem no Sistema de Alerta de Eventos Críticos (SACE) do Serviço Geológico do Brasil. Em caso de risco em área de margem de rio, a Defesa Civil atende pelo telefone 199.
Como citar: Ouviram (24 out. 2026). «Maiores rios do Brasil: o Amazonas lidera com 6.900 km, segundo a ANA». ouviram.com.br/brasil/maiores-rios-do-brasil-extensao-e-bacias
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
Qual é o maior rio do mundo?
Em volume de água, é o Amazonas, segundo a ANA. Em comprimento, a comparação com o Nilo depende do ponto adotado como nascente; a ANA estima o Amazonas em cerca de 6.900 km.
Qual é a diferença entre bacia hidrográfica e região hidrográfica?
Bacia é a área drenada por um rio e seus afluentes. Região hidrográfica, segundo o IBGE, é uma bacia ou um grupo de bacias vizinhas com características parecidas, usado para planejar o uso da água.
Qual é o maior rio do estado de São Paulo?
Entre os rios que correm só em território paulista, o maior é o Tietê, com 1.136 km, segundo o Ministério dos Transportes. Ele cruza o estado até desaguar no rio Paraná, e 797 km são navegáveis entre a foz e Mogi das Cruzes.
Onde fica a Ilha do Bananal?
No Tocantins, no meio do rio Araguaia, que se divide em dois braços: o próprio Araguaia e o rio Javaés. O DNIT a descreve como a maior ilha fluvial do mundo.
Qual foi a maior cheia do rio Madeira em Porto Velho?
O rio chegou a 19,74 metros em Porto Velho em 30 de março de 2014, a marca recorde registrada pela ANA.
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1. Quantas regiões hidrográficas oficiais o Brasil tem?
São 12, definidas pela Resolução 32 do Conselho Nacional de Recursos Hídricos, de 15 de outubro de 2003.
2. O rio São Francisco banha quantos estados?
São cinco: Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe, segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.
3. Que rio forma a Ilha do Bananal?
O Araguaia se divide em dois braços no Tocantins e forma a ilha, descrita pelo DNIT como a maior ilha fluvial do mundo.
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