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Implanon: Anvisa amplia uso para cinco anos, e o implante segue grátis no SUS

A decisão de 26 de outubro vale também para quem já tem o bastão no braço, e a rede pública comprou 1,8 milhão de unidades para 2025 e 2026.

Prédio azul e branco de Unidade Básica de Saúde com canteiro de plantas na entrada, sob céu azul numa manhã de sol
Unidade Básica de Saúde, porta de entrada do SUS para o implante contraceptivo, numa manhã de sol.Foto: Ouviram

O Implanon, implante contraceptivo colocado no braço, pode agora ficar até cinco anos no corpo, e não mais três, segundo a Anvisa. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou a mudança na segunda-feira, 26 de outubro de 2026, e ela vale também para quem já usa o método.

Na prática, uma única colocação passa a proteger por mais tempo, com menos idas à unidade de saúde para trocar o bastão. A mesma decisão liberou a inserção logo depois do parto ou de um aborto, ainda no hospital, antes da alta.

O implante foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) em julho de 2025 e é de graça para meninas e mulheres de 14 a 49 anos. Nos planos de saúde, a cobertura obrigatória vale de 18 a 49 anos e, desde 1º de julho de 2026, também para adolescentes de 15 a 17 anos.

  • NomeImplanon NXT, implante de etonogestrel 68 mg
  • DuraçãoAté 5 anos (antes, 3 anos)
  • EficáciaFalha de 0,05% ao ano
  • No SUSGrátis, de 14 a 49 anos
  • Nos planosObrigatório de 15 a 49 anos
  • Onde colocarUnidade Básica de Saúde (UBS) e maternidades públicas
  • Quem colocaMédico ou enfermeiro habilitado
  • Tempo do procedimentoPoucos minutos, na própria unidade

“Quem já está usando o implante também pode estender seu uso até o novo limite, sob a devida orientação médica”, informou a Anvisa no comunicado da decisão. A mudança foi publicada no Diário Oficial da União na Resolução 4.184/2026.

O Ministério da Saúde comprou 1,8 milhão de implantes para abastecer a rede pública em 2025 e 2026, segundo nota técnica de julho de 2026. A distribuição começou em outubro de 2025 pelas cidades maiores, e as três remessas de 2026, com término previsto para agosto, foram programadas para todos os municípios.

1,8 milhão

implantes foram comprados pelo Ministério da Saúde para a rede pública nos ciclos de 2025 e 2026

Fonte: Ministério da Saúde, julho de 2026

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A nova bula do Implanon

A Anvisa ampliou em 26 de outubro de 2026 o prazo de eficácia aprovado do Implanon NXT de três para cinco anos de uso contínuo do mesmo implante. A agência baseou a decisão em dados clínicos do quarto e do quinto ano de uso, que mostraram proteção mantida e perfil de segurança favorável.

No principal estudo apresentado à agência, nenhuma gravidez foi registrada no período extra de uso, segundo a Anvisa. Estados Unidos, Canadá e Reino Unido já tinham aprovado os mesmos cinco anos antes do Brasil.

A segunda mudança trata do momento da colocação. A bula agora permite inserir o implante imediatamente após o parto e imediatamente após um aborto, inclusive de primeiro e segundo trimestres. A Anvisa considerou a avaliação de segurança feita pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA).

Para a agência brasileira, colocar o implante ainda no hospital pode reduzir o risco de uma nova gravidez não planejada entre mulheres que não voltam ao posto depois da alta. O Ministério da Saúde já previa essa oferta: uma nota técnica de julho de 2026 reserva uma cota dos implantes de cada estado para as maternidades públicas.

O medicamento em si não mudou. Continua sendo um bastão de plástico de 4 centímetros de comprimento e 2 milímetros de espessura, segundo o Ministério da Saúde. Ele contém 68 miligramas de etonogestrel, um hormônio sintético da família dos progestagênios.

Colocado sob a pele do braço, ele libera o hormônio aos poucos na corrente sanguínea. Assim, impede a ovulação e deixa mais espesso o muco do colo do útero, o que dificulta a passagem dos espermatozoides.

A grande vantagem é não depender de memória. Ao contrário da pílula, que precisa ser tomada todo dia, o implante funciona sozinho desde a colocação até a retirada.

MétodoTaxa de falha
Preservativo externo (camisinha)18% no uso típico
Pílula anticoncepcionalaté 9% no uso típico
Laqueadura0,3% a 1%
DIU de cobre0,2% ao ano
Implante de etonogestrel0,05% ao ano

Fonte: Ministério da Saúde, Nota Técnica Conjunta 419/2025.

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Pelos números da nota técnica, o implante falha menos até do que a laqueadura, que é definitiva. Uso típico é o do dia a dia, com esquecimentos e erros, e não o uso perfeito dos estudos.

Para quem já usa o Implanon, a regra nova também vale: segundo a Anvisa, é possível manter o mesmo implante até completar cinco anos, com orientação médica. A regra vale para os implantes já inseridos, no SUS ou na rede particular, desde a decisão de 26 de outubro de 2026.

Há um detalhe prático. O cartão entregue no SUS depois da colocação traz a data da inserção, o lote, o braço e a data-limite de remoção. Essa data foi calculada pela regra antiga, de três anos, que é a que aparece na nota técnica do Ministério da Saúde de novembro de 2025.

Por isso, quem estiver perto da data do cartão deve levar o documento à unidade onde fez a inserção e conversar com a equipe antes de decidir. A troca continua possível: se a mulher preferir, o bastão é retirado e um novo pode ser colocado logo em seguida.

Como conseguir o Implanon de graça pelo SUS

O implante de etonogestrel é oferecido de graça pelo SUS a meninas e mulheres de 14 a 49 anos. A oferta é prioritária na Atenção Primária, ou seja, nas UBS e nas equipes de Saúde da Família. A regra está nas Portarias SECTICS/MS 47 e 48, de 8 de julho de 2025, do Ministério da Saúde.

Antes da incorporação nacional, algumas cidades ofereciam o implante só a grupos específicos. Em São Paulo, o protocolo municipal o reservava a adolescentes, a pessoas em situação de vulnerabilidade e a casos de endometriose profunda, entre outros.

A nota técnica 01/2026 da prefeitura passou a prever “acesso irrestrito” para toda a faixa de 14 a 49 anos.

O caminho é o mesmo em qualquer cidade:

  1. Procure a UBS mais perto de casa e leve documento com foto e o Cartão Nacional de Saúde (CNS) ou o CPF, usados no cadastro do SUS.
  2. Peça uma consulta de planejamento reprodutivo com médico ou enfermeiro e diga que tem interesse no implante.
  3. Na consulta, a equipe explica os métodos disponíveis, tira dúvidas e confere se o implante é adequado para você.
  4. Se a escolha for o implante, a inserção é feita na própria unidade, em poucos minutos, por profissional habilitado.
  5. Guarde o cartão entregue no fim do procedimento, com a data da inserção, o lote e o braço usado.

O implante não sai da farmácia para ser levado a outro lugar. Pela nota técnica do Ministério da Saúde, a prescrição fica registrada e a colocação acontece obrigatoriamente na unidade que retirou o insumo, com controle de cada bastão usado.

Algumas cidades organizam mutirões. Em 17 de outubro, o Circuito de Cuidado da Mulher levou a colocação de implantes a postos abertos no sábado. Fortaleza programou mais de 500 inserções em um só dia.

Se a UBS informar que o estoque acabou, a secretaria municipal deve avisar a secretaria estadual, orienta o Ministério da Saúde. O estado pode remanejar implantes de outras cidades até a próxima remessa.

Para adolescentes, a regra é clara. A Portaria 48 inclui meninas de 14 a 17 anos. A nota técnica da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo afirma que a autorização dos pais não é obrigatória e não deve ser exigida. Basta o consentimento informado da própria adolescente, com o aconselhamento registrado no prontuário.

A mesma nota recomenda que, quando possível, um adulto responsável, que não precisa ser da família, acompanhe a adolescente e assine junto. O sigilo do atendimento é garantido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.

Se você tem filha adolescente, vale saber que a consulta de planejamento reprodutivo também serve para conversar sobre prevenção de infecções. O implante evita a gravidez, mas não substitui a camisinha, que o SUS distribui de graça.

A procura pelo implante cresceu rápido onde a rede foi treinada. No Paraná, as UBS registraram 5.972 colocações só nos quatro primeiros meses de 2026, contra 1.244 em todo o ano de 2025, segundo a Secretaria de Estado da Saúde.

Colocações de implante no Paraná passaram de 360 para quase 6 mil (implantes inseridos)
2024360
20251.244
1º quadrimestre de 20265.972

Fonte: Secretaria da Saúde do Paraná, junho de 2026

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O secretário de Estado da Saúde do Paraná, Cesar Neves, comentou os números em 16 de junho. “O salto impressionante no número de procedimentos mostra que as mulheres paranaenses confiam no SUS para o seu planejamento reprodutivo”, disse.

A expansão depende de equipes treinadas. Por isso, a segunda etapa do programa nacional mira os municípios com menos de 50 mil habitantes, que passaram a receber implantes nas remessas de 2026. Estados e capitais também ganharam kits de treino com braço de simulação, segundo o Ministério da Saúde: 100 em 2025 e mais 261 em 2026.

No Paraná, 400 profissionais de enfermagem de cidades com menos de 50 mil habitantes entraram nessa formação em junho. O estado tem 363 municípios desse porte, e 1.210 profissionais já tinham sido habilitados em 18 oficinas regionais, segundo a secretaria estadual.

A ordem da distribuição também seguiu um critério social. Na primeira etapa, de outubro e novembro de 2025, as 500 mil unidades foram divididas pela população de meninas e mulheres na faixa atendida, segundo o Ministério da Saúde. Tiveram prioridade as regiões com mais gravidez na adolescência e mais vulnerabilidade.

A tabela mostra como o restante do estoque foi programado para 2026:

RemessaPrevisãoImplantes
1ªinício de março de 2026290.304
2ªmarço de 2026362.880
3ªagosto de 2026646.816
Total de 20261.300.000

Fonte: Ministério da Saúde, Nota Técnica Conjunta 51/2026.

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Implanon pelo plano de saúde: quem tem direito

Os planos de saúde oferecem o implante de etonogestrel a mulheres de 18 a 49 anos desde 1º de setembro de 2025. A cobertura é obrigatória pelo Rol de Procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

A Resolução Normativa ANS 675, de 10 de junho de 2026, estendeu a cobertura a adolescentes de 15 a 17 anos a partir de 1º de julho de 2026.

A regra está na Diretriz de Utilização 170 do Rol, que trata do implante hormonal para prevenir a gravidez não desejada. Se o plano negar o procedimento dentro dessas idades, a beneficiária pode registrar reclamação na ANS pelo telefone 0800 701 9656.

A diferença de faixa etária importa: no SUS, a oferta começa aos 14 anos; nos planos, aos 15.

Seja no SUS, seja no plano, os efeitos indesejados mais relatados por quem usa o implante de etonogestrel são sangramento irregular ou prolongado, dor abdominal, tontura e dor de cabeça. A lista está na nota técnica do Ministério da Saúde de novembro de 2025.

Há efeitos bem-vindos. A mesma nota cita a redução das cólicas e do fluxo menstrual entre os benefícios relatados por quem usa o método.

Quem sentir um incômodo que não passa pode voltar à UBS a qualquer momento. A decisão de parar é da usuária. O Ministério da Saúde orienta as equipes a explicar que o uso pode ser interrompido a qualquer tempo, com a retirada do bastão na unidade.

Do SUS à bula de cinco anos
  • 8 de julho de 2025Portarias 47 e 48 do Ministério da Saúde incorporam o implante ao SUS, de 14 a 49 anos
  • 1º de setembro de 2025Planos de saúde passam a cobrir o implante para mulheres de 18 a 49 anos
  • outubro e novembro de 2025Primeiras 500 mil unidades chegam a estados e cidades com mais de 50 mil habitantes
  • março de 2026Nota técnica programa 1,3 milhão de implantes para todos os municípios em 2026
  • 1º de julho de 2026Resolução da ANS estende a cobertura dos planos a adolescentes de 15 a 17 anos
  • julho de 2026Ministério da Saúde reserva cota de implantes para as maternidades públicas
  • 26 de outubro de 2026Anvisa amplia a eficácia aprovada para cinco anos e libera a inserção pós-parto

O implante faz parte de uma lista maior de métodos gratuitos no SUS. Ela inclui camisinha externa e interna, pílula combinada e de progestagênio, injeções mensal e trimestral, DIU de cobre, laqueadura e vasectomia. A escolha é livre, como prevê a Lei do Planejamento Familiar, de 1996, atualizada em 2022.

Quem vai à UBS também pode aproveitar a visita para pôr em dia o calendário de vacinação do adulto.


Para colocar o Implanon de graça, procure a UBS mais perto de casa com documento com foto e CPF e peça uma consulta de planejamento reprodutivo. Dúvidas sobre o SUS podem ser tiradas no Disque Saúde, pelo 136, e reclamações contra planos de saúde vão para a ANS, no 0800 701 9656.

Como citar: Ouviram (28 out. 2026). «Implanon: Anvisa amplia uso para cinco anos, e o implante segue grátis no SUS». ouviram.com.br/brasil/implanon-5-anos-anvisa-como-colocar-pelo-sus

Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.

Perguntas frequentes

Implanon protege contra infecções sexualmente transmissíveis?

Não. O implante evita a gravidez, mas não impede infecções como HIV e sífilis. Para isso, o SUS distribui de graça preservativos externo e interno, que podem ser usados junto com o implante.

Quem amamenta pode colocar Implanon?

Pode. Segundo nota técnica do Ministério da Saúde de novembro de 2025, o implante não interfere na amamentação nem no crescimento do bebê, e por isso é indicado também logo depois do parto.

Depois de tirar o Implanon, quanto tempo leva para engravidar?

Não há espera. O Ministério da Saúde informa que a fertilidade volta logo após a retirada e que o implante não afeta a fertilidade a longo prazo.

Precisa fazer exame antes de colocar o Implanon?

Em regra, não. A nota técnica do Ministério da Saúde diz que não são necessários exames para inserir ou retirar o implante, salvo casos raros de bastão colocado fundo demais ou deslocado. Se houver dúvida sobre gravidez, a unidade faz teste rápido.

Enfermeiro pode colocar Implanon?

Pode, desde que habilitado. O Conselho Federal de Enfermagem reconhece a competência do enfermeiro desde o Parecer 277/2017, e o Ministério da Saúde confirma que médicos e enfermeiros treinados fazem a inserção e a retirada.

Quanto custa o Implanon fora do SUS?

Na rede privada, o procedimento completo pode custar até R$ 4 mil, segundo a Secretaria da Saúde do Paraná. No SUS, a inserção, o acompanhamento e a retirada são gratuitos.

#Implanon#Anvisa#SUS#MinistérioDaSaúde#ANS

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