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Taxa de homicídios por estado: Amapá tem a maior e São Paulo, a menor

O Atlas do Ipea aponta 42.590 assassinatos registrados em 2024, 6,9% menos que em 2023, com alta relevante do índice só no Maranhão e no Ceará.

Viatura da Polícia Militar Rodoviária de São Paulo parada no acostamento de uma rodovia
Viatura da Polícia Militar Rodoviária de São Paulo no acostamento de uma rodovia paulista, em imagem de 2023.Foto: Lmportella / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0

O Amapá tem a maior taxa de homicídios do Brasil, 45,7 por 100 mil habitantes em 2024, segundo o Atlas da Violência 2026, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). São Paulo tem a menor, com 6,6.

O país como um todo registrou 42.590 homicídios em 2024, o que dá 20,1 mortes por 100 mil habitantes. É o menor patamar da série desde 1998, segundo o relatório, publicado em 26 de maio de 2026. O Atlas usa os registros de óbito do Ministério da Saúde e a população medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

20,1

homicídios por 100 mil habitantes foi a taxa do Brasil em 2024, a menor da série histórica

Fonte: Ipea, Atlas da Violência 2026

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Em dez anos, a queda foi grande. Em 2014, o Brasil tinha 60.474 homicídios e taxa de 30,2. A redução da taxa entre 2014 e 2024 chegou a 33,4%, e o número de vítimas caiu 29,6%, segundo o Ipea. Ainda assim, 18 das 27 unidades da Federação ficaram acima da média nacional em 2024.

A tabela abaixo traz os 27 estados em ordem, da maior para a menor taxa de homicídios registrados em 2024. A coluna da taxa estimada inclui os homicídios ocultos, mortes violentas que o sistema de saúde não classificou como assassinato, mas que a metodologia do Ipea aponta como prováveis homicídios.

PosiçãoEstadoTaxa em 2024Homicídios em 2024Taxa em 2014Taxa estimada em 2024
1ºAmapá45,736335,147,1
2ºBahia40,96.06142,142,6
3ºPernambuco37,33.53436,938,6
4ºAlagoas35,91.15265,939,8
5ºCeará34,33.16352,943,7
6ºAmazonas32,21.32634,033,8
7ºMaranhão31,12.16736,431,7
8ºRondônia30,352535,231,1
9ºMato Grosso29,11.10242,130,2
10ºRoraima27,817434,330,3
11ºPará27,42.36443,128,7
12ºEspírito Santo26,01.06442,528,3
13ºParaíba25,71.05839,926,0
14ºRio Grande do Norte23,580948,626,8
15ºSergipe23,052650,724,2
16ºPiauí20,669722,121,4
17ºRio de Janeiro20,43.52033,924,4
18ºAcre20,217429,021,2
19ºTocantins19,830926,421,3
20ºParaná18,62.19427,119,5
21ºGoiás18,41.35444,219,3
22ºMato Grosso do Sul18,351927,420,0
23ºRio Grande do Sul15,21.70124,715,9
24ºMinas Gerais12,82.73123,218,5
25ºDistrito Federal10,330830,510,9
26ºSanta Catarina8,165413,48,8
27ºSão Paulo6,63.04114,112,8
—Brasil20,142.59030,223,4

Fonte: Ipea, Atlas da Violência 2026, com dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, e da PNAD Contínua, do IBGE. Taxas por 100 mil habitantes; o estado é o de residência da vítima.

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Os números mais recentes das polícias apontam para a mesma direção. Em 2025, os estados informaram 31.448 vítimas de homicídio doloso ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). São 10,5% menos que as 35.138 de 2024, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

A conta das polícias é diferente da conta da saúde e não inclui, por exemplo, os feminicídios, registrados à parte.

Estado mais violento e estado mais seguro do Brasil

O estado mais violento do Brasil em 2024 foi o Amapá, com 45,7 homicídios por 100 mil habitantes, mais que o dobro da média nacional, segundo o Atlas da Violência 2026, do Ipea. Depois vêm Bahia (40,9), Pernambuco (37,3), Alagoas (35,9) e Ceará (34,3), todos no Nordeste.

O estado mais seguro, pela taxa registrada, foi São Paulo, com 6,6. Santa Catarina (8,1), Distrito Federal (10,3), Minas Gerais (12,8) e Rio Grande do Sul (15,2) completam a lista dos cinco menores índices.

Na prática, o risco de ser assassinado em 2024 foi quase sete vezes maior para quem morava no Amapá do que para quem morava em São Paulo.

O mapa da violência segue a geografia do país. Os nove estados com as maiores taxas ficam no Norte, no Nordeste e no Centro-Oeste. No Sul, nenhum estado passou de 18,6, a taxa do Paraná. No Sudeste, o Espírito Santo (26,0) tem a maior taxa, e o Rio de Janeiro (20,4) ficou ligeiramente acima da média nacional.

Em números absolutos, o retrato muda por causa do tamanho da população. A Bahia teve 6.061 homicídios em 2024, o maior total do país, seguida de Pernambuco (3.534), Rio de Janeiro (3.520), Ceará (3.163) e São Paulo (3.041). Acre e Roraima tiveram o menor número, 174 cada.

Para comparar estados de tamanhos tão diferentes, a taxa por 100 mil habitantes é a medida mais justa. O ranking dos estados por população ajuda a entender o peso de cada um.

A violência também não se concentra só nas metrópoles. Em 2024, os municípios médios, de 100 mil a 500 mil habitantes, tiveram a maior taxa média de homicídios estimados: 24,1 por 100 mil, segundo o Ipea. As cidades grandes ficaram com 23,2, e as pequenas, com 19,7.

“a violência letal mais intensa não se concentra necessariamente nas maiores metrópoles, mas frequentemente nos municípios de porte intermediário”

Atlas da Violência 2026, relatório do Ipea publicado em 26 de maio de 2026

Entre as 336 cidades com mais de 100 mil habitantes, a maior taxa estimada foi a de Maranguape, no Ceará, com 87,2 por 100 mil. Jequié (BA), com 79,4, Maracanaú (CE), com 74,1, Itapipoca (CE), com 74,0, e Caucaia (CE), com 72,9, vêm em seguida.

Dos 20 municípios com as maiores taxas, 17 ficam no Nordeste, e a Bahia sozinha tem dez deles.

Na outra ponta, as 20 cidades com as menores taxas estão no Sudeste e no Sul. Jaraguá do Sul (SC) teve 2,0 homicídios por 100 mil habitantes, a menor marca do país nesse grupo. Brusque (SC), com 2,6, Santa Bárbara d’Oeste (SP), com 3,2, Lavras (MG), com 3,6, e Bragança Paulista (SP), com 3,8, completam as cinco primeiras.

Entre as capitais, Salvador teve a maior taxa estimada em 2024, com 52,7, seguida de Maceió (45,9), Macapá (45,6), Recife (45,5) e Fortaleza (42,2). As menores ficaram com Florianópolis (9,7), Brasília (10,9), Curitiba (13,2), Goiânia (14,7) e São Paulo (15,3). Das 27 capitais, 14 ficaram acima da referência nacional de 23,4.

Dez anos de queda e os homicídios ocultos

A taxa de homicídios do Brasil caiu de 30,2 para 20,1 por 100 mil habitantes entre 2014 e 2024, segundo o Atlas da Violência 2026, do Ipea. O pico foi em 2017, com 32,1, e a queda começou em 2018. Desde então, só 2020 teve alta, e os quatro anos seguintes foram de recuo.

Homicídios no Brasil caíram um terço em dez anos (taxa por 100 mil habitantes)
201430,2
201529,3
201630,8
201732,1
201828,2
201922,0
202023,9
202122,8
202222,1
202321,7
202420,1

Fonte: Ipea, Atlas da Violência 2026

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As maiores reduções da década foram no Distrito Federal, onde a taxa caiu 66,2%, e em Goiás (58,4%), Sergipe (54,6%), São Paulo (53,2%) e Rio Grande do Norte (51,6%). Alagoas, que tinha a pior taxa do país em 2014, com 65,9, chegou a 2024 com 35,9.

Só três unidades da Federação, Distrito Federal, Goiás e Santa Catarina, reduziram a taxa todos os anos entre 2019 e 2024, segundo o Ipea.

O Amapá foi o caso oposto. Foi o único estado com aumento forte na década, de 30,2% na taxa e de 41,8% no número de vítimas. Pernambuco terminou 2024 com taxa 1,1% acima da de 2014, e o número de vítimas no estado passou de 3.358 para 3.534.

De 2023 para 2024, a melhora foi ampla. Apenas Maranhão, com alta de 7,6%, e Ceará, com 5,2%, tiveram aumento relevante da taxa; São Paulo ficou estável. As quedas mais fortes no ano foram no Amapá (30,0%), no Tocantins (26,7%), em Sergipe (24,8%), em Roraima (22,8%) e no Acre (20,5%).

Em vidas, o Rio de Janeiro teve 772 homicídios a menos, e a Bahia, 555 a menos.

O próprio relatório, porém, faz uma ressalva sobre 2024. Parte da queda vem da piora na classificação das mortes nos registros de saúde.

As mortes violentas por causa indeterminada são aquelas em que a certidão de óbito não diz se houve acidente, suicídio ou assassinato. Elas aumentaram 23,8% em um ano e chegaram a 17.207, segundo o Ipea. Em 2014, eram 9.468.

Para corrigir esse efeito, o Ipea calcula os homicídios ocultos: casos sem causa definida que, pelas características da morte, têm alta probabilidade de ter sido assassinatos. Somados aos registrados, eles levam o total de 2024 a 49.673 homicídios estimados e a taxa nacional a 23,4 por 100 mil. Nessa conta, a queda em relação a 2023 foi de só 0,4%.

23,4

homicídios por 100 mil habitantes é a taxa estimada do Brasil em 2024, somando os casos ocultos

Fonte: Ipea, Atlas da Violência 2026

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Os homicídios ocultos mexem no ranking. Pela taxa estimada, Santa Catarina (8,8) passa a ter o menor índice do país, à frente do Distrito Federal (10,9) e de São Paulo (12,8). Minas Gerais sobe de 12,8 para 18,5, e o Ceará, de 34,3 para 43,7, a segunda maior taxa estimada, atrás apenas do Amapá (47,1).

O efeito é mais forte em algumas capitais. Na cidade de São Paulo, os 1.539 homicídios ocultos de 2024 corresponderam a 84,7% dos homicídios estimados, segundo o Ipea. Em Belo Horizonte, foram 441 casos, ou 65,2% do total. Por isso, o Atlas afirma que a leitura das capitais não deve se limitar às taxas registradas.

Jovens, homens e pessoas negras são a maioria das vítimas

Jovens de 15 a 29 anos foram 46,5% das vítimas de homicídio no Brasil em 2024: 19.801 mortes, com taxa de 42,2 por 100 mil, segundo o Atlas da Violência 2026, do Ipea. Entre os rapazes dessa idade, a taxa chega a 78,0. De cada 54 jovens assassinados por dia no país, 51 eram homens.

O recorte por cor é ainda mais desigual. Em 2024, 32.820 pessoas negras foram assassinadas, 77% de todas as vítimas, com taxa de 27,3 por 100 mil. Entre não negros, grupo que reúne brancos, amarelos e indígenas, foram 9.234 casos e taxa de 10,1.

O risco para a população negra foi 170,3% maior, segundo o Ipea. A queda em dez anos também foi menor: 21,7% no número de vítimas negras, contra 38,9% entre não negras.

Para as famílias, há um dado de alívio na década. Os homicídios de adolescentes de 15 a 19 anos caíram de 10.348 em 2014 para 4.570 em 2024, uma redução de 55,8%. A taxa passou de 60,3 para 30,5 por 100 mil.

Entre crianças de 5 a 14 anos, foram 320 mortes em 2024, 63,2% menos que em 2014. Mesmo assim, cerca de 14 crianças e adolescentes de até 19 anos foram assassinados por dia no país, segundo o Ipea.

As mulheres somaram 3.642 vítimas de homicídio em 2024, segundo os registros de saúde, com taxa de 3,4 por 100 mil mulheres, a menor da série iniciada em 2014. O número caiu 6,7% em relação a 2023. Pela estimativa com os casos ocultos, a taxa sobe para 4,4, perto dos níveis de 2014 a 2018, segundo o Atlas.

Os feminicídios, assassinatos de mulheres por razão de gênero, seguem outra curva nos registros policiais. Em 2025, foram 1.548 vítimas, 3,6% a mais que as 1.494 de 2024, cerca de quatro por dia, segundo o Sinesp. O Norte teve a maior alta regional, de 23,8%, e o Sul, a única queda, de 6,4%.

Quem mora no Rio Grande do Sul encontra o passo a passo no guia de medida protetiva contra o feminicídio. Desde a Lei 14.994, de outubro de 2024, o feminicídio é crime autônomo no Código Penal, com pena de 20 a 40 anos, e está na lista de crimes hediondos.


Nos registros das polícias de 2025, o Sul teve a maior queda de homicídios dolosos, de 24,0%, segundo o Mapa da Segurança Pública 2026, do Ministério da Justiça. Depois vêm Centro-Oeste (18,0%), Norte (12,7%), Nordeste (8,6%) e Sudeste (5,8%).

Amazonas (32,9%), Rio Grande do Sul (26,9%) e Mato Grosso do Sul (26,6%) tiveram as maiores reduções. Rio Grande do Norte (28,9%), Roraima (10,8%) e Distrito Federal (4,7%) tiveram as maiores altas.

Os dados de 2025 foram extraídos do Sinesp em 25 de fevereiro de 2026 e ainda podem ser revisados pelos estados, segundo o ministério. Já o Atlas da Violência é anual, e a edição de 2026 traz os registros de óbito de 2024.

Assim como a expectativa de vida por estado, a taxa de homicídios ajuda a medir a qualidade de vida em cada canto do país.

Em caso de emergência, a Polícia Militar atende pelo 190. Violência contra a mulher pode ser denunciada no Ligue 180, e violações de direitos humanos no Disque 100; os dois números são gratuitos, funcionam 24 horas e aceitam denúncia anônima.

Como citar: Ouviram (27 out. 2026). «Taxa de homicídios por estado: Amapá tem a maior e São Paulo, a menor». ouviram.com.br/brasil/taxa-de-homicidios-por-estado-atlas-da-violencia

Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.

Perguntas frequentes

Qual é o estado mais seguro do Brasil?

Pela taxa de homicídios registrados em 2024, é São Paulo, com 6,6 por 100 mil habitantes, segundo o Atlas da Violência do Ipea. Pela taxa estimada, que soma os homicídios ocultos, é Santa Catarina, com 8,8.

Qual é a cidade mais violenta do Brasil?

Entre as cidades com mais de 100 mil habitantes, Maranguape, no Ceará, teve a maior taxa estimada de homicídios em 2024: 87,2 por 100 mil, segundo o Ipea. Jequié, na Bahia, veio em seguida, com 79,4.

Qual é a capital mais violenta do Brasil?

Salvador teve a maior taxa estimada de homicídios entre as capitais em 2024, com 52,7 por 100 mil habitantes, segundo o Atlas da Violência. Florianópolis teve a menor, com 9,7.

O que é o Atlas da Violência?

É um relatório anual do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que usa os registros de óbito do Ministério da Saúde para medir homicídios no país, nos estados e nos municípios. A edição de 2026 traz dados de 2024.

Qual a diferença entre homicídio doloso e morte violenta intencional?

Homicídio doloso é o assassinato com intenção de matar. Morte violenta intencional é um grupo maior, que soma homicídio doloso, feminicídio, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes por intervenção policial.

Como denunciar um crime sem se identificar?

Em emergência, ligue 190, da Polícia Militar. Violações de direitos humanos podem ser denunciadas no Disque 100 e violência contra a mulher no Ligue 180, ambos gratuitos e com opção de anonimato.

#SegurançaPública#AtlasDaViolência#Ipea#Sinesp#Amapá

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  1. 1. Qual estado teve a maior taxa de homicídios registrados em 2024?

  2. 2. Quantas pessoas foram assassinadas no Brasil em 2024, pelos registros de óbito?

  3. 3. Que faixa de idade concentra quase metade das vítimas de homicídio no Brasil?

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