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Como se proteger de raios: carro fechado e casa protegem, árvore e quiosque não

O Elat, do Inpe, contou 2.194 mortes por descargas elétricas de 2000 a 2019, e três em cada quatro ocorreram na primavera e no verão.

Raio cai entre prédios iluminados de Santos durante tempestade noturna
Raio cai entre prédios de Santos, no litoral paulista, durante tempestade de madrugada, em imagem de 2014.Foto: Chrisporto / Wikimedia Commons · CC BY-SA 3.0

Casas de alvenaria e veículos fechados são os dois abrigos seguros contra raios, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Vale para carro, ônibus, caminhão e trator com cabine. Árvores, quiosques de palha e barracas de lona não protegem quem está ao ar livre.

  • Abrigo seguroCasa ou prédio de alvenaria e carro, ônibus, caminhão ou trator com cabine, sempre fechados
  • Não protegeÁrvore, quiosque de palha, barraca de lona, guarda-sol e ponto de ônibus
  • Quando se abrigarAo ver nuvens carregadas ou ouvir o primeiro trovão
  • Quando sairSó quando não se ouvir mais nenhum trovão
  • Distância do raioSegundos entre o clarão e o trovão, divididos por 3, em quilômetros
  • EmergênciaSamu 192 e Corpo de Bombeiros 193
  • Alertas grátisSMS com o CEP para o 40199

A orientação vale para o país inteiro.

Na média dos últimos 10 anos, o Brasil recebeu de 100 a 150 milhões de descargas elétricas por ano, conforme a técnica de medição, segundo o Inpe. O número coloca o país entre os três com mais raios do planeta, ao lado da República Democrática do Congo e dos Estados Unidos.

150 milhões

é o teto da média anual de raios que atingem o Brasil, contada nos últimos 10 anos

Fonte: Inpe, março de 2026

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A tendência é de alta. O instituto é ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Pelas suas estimativas, cada 1 °C a mais na temperatura média global pode aumentar a incidência de raios de 15% a 40%. Até 2100, se o ritmo de aquecimento continuar, a média brasileira pode chegar perto ou passar de 200 milhões por ano.

O pesquisador do Inpe Kleber Naccarato explicou a relação num balanço divulgado pelo instituto em março. “A Terra já aqueceu quase 1,5ºC nos últimos 100 anos. Então, quanto mais quente estiver o ambiente, maior a chance de formar tempestades e, assim, aumentar a atividade de raios”, afirmou.

A época mais perigosa já começou. No levantamento do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), do Inpe, com dados de 2000 a 2019, 43% das mortes por raio aconteceram no verão e 33% na primavera. A primavera vai até 21 de dezembro, quando começa o verão de 2026.

O calendário de fim de ano também leva muita gente para praias, rios e clubes. O próximo feriadão é o de Finados, na segunda-feira, 2 de novembro.

Verão43
Primavera33
Outono e inverno24

Fonte: Elat/Inpe, levantamento 2000–2019

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No campo, na rua e na praia, os lugares abertos são os mais perigosos

As mortes por raio no Brasil se concentram em áreas rurais, praias, campos de futebol, clubes e outros lugares abertos, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O instituto mantém séries de dados sobre descargas elétricas há mais de duas décadas.

No levantamento de 2000 a 2019, o Elat contou 2.194 mortes, cerca de 110 por ano, e cerca de um quarto delas em atividades rurais.

A diferença entre a cidade e a roça está na proteção das construções. “As regiões afastadas, fora das áreas urbanas, são mais perigosas porque quase nenhuma construção tem proteção contra raios. Na cidade, existem os prédios com os para-raios e as linhas de distribuição de energia com protetores de surto”, disse Naccarato.

Na cidade, o risco não some. Segundo o pesquisador, quem está numa praça cheia de árvores, num ponto de ônibus ou numa piscina descoberta “corre um risco maior de ser atingida”, porque são lugares abertos. Pesquisas citadas pelo Inpe também registram mais raios em áreas urbanas, por causa das ilhas de calor e da poluição.

A Cartilha de Proteção Contra Raios do Elat organiza as recomendações por situação. A tabela resume o que ela orienta evitar em cada lugar, conforme a versão divulgada pela Defesa Civil do Piauí.

Onde você estáO que evitar durante a tempestade
Sítio, fazenda ou lavouraColher frutas, ficar perto de árvores, animais, cercas de arame, tratores e carrocerias de caminhão, carregar facão, enxada ou pá
Rua, praça ou campo de futebolContinuar o jogo, andar em terreno baldio, cemitério ou canteiro de obras, parar em rodovias e ruas, subir em telhado, terraço ou morro
Quintal e varandaFicar perto de varal de metal, antena ou portão de ferro
Praia, rio ou piscinaFicar na água, andar na areia, no calçadão ou na beira do rio, ficar sob guarda-sol, tenda ou quiosque, pescar ou ficar perto de barcos

Fonte: Cartilha de Proteção Contra Raios do Elat/Inpe, divulgada pela Defesa Civil do Piauí em dezembro de 2023

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O perigo começa antes da chuva e não acaba com ela. Segundo a cartilha, o raio pode cair pouco antes de a chuva começar ou no fim da tempestade.

Por isso, a orientação é buscar abrigo assim que surgirem nuvens carregadas ou o primeiro trovão. Também não se deve voltar para o mar, o rio ou a piscina logo depois que a chuva para.

Os abrigos improvisados enganam. Quiosques de palha e barracas de lona não oferecem proteção adequada, diz o Inpe. Em compensação, carros, ônibus, caminhões e tratores com cabine, desde que fechados, estão entre os lugares mais seguros, ao lado das construções de alvenaria.

Dentro de casa, o risco está no chuveiro elétrico, na tomada e no telefone com fio

Quase 20% dos acidentes com raio no Brasil aconteceram dentro de casa, segundo levantamento do Inpe divulgado pela Secretaria da Saúde de São Paulo em 2017. O motivo é a corrente que o raio caído perto induz na fiação elétrica e na rede telefônica. O pesquisador do Inpe Osmar Pinto Júnior descreveu os casos na divulgação do estudo.

“São raios que caem próximos à casa de uma pessoa e o raio induz correntes elétricas na fiação, na rede elétrica e na rede telefônica. Exemplo disso que tem acontecido é pessoas falando ao telefone com fio, pessoas encostadas numa geladeira, pessoas tomando banho no chuveiro elétrico”, disse.

A casa continua sendo o melhor abrigo, desde que se evite contato com aparelhos, fios e canos. A cartilha do Elat lista o que evitar enquanto a tempestade estiver perto:

  • usar aparelhos ligados à tomada ou ficar encostado neles, como a geladeira;
  • falar ao telefone com fio ou usar o celular ligado ao carregador;
  • tomar banho em chuveiro elétrico;
  • ficar perto de janelas, portas metálicas, torneiras e canos.

O Nordeste conhece bem o problema. O Piauí é o segundo estado da região em concentração de descargas elétricas, segundo a Defesa Civil estadual, e Teresina carrega o apelido de “chapada do corisco” (corisco é um nome popular para o raio). A quadra chuvosa do estado vai de janeiro a abril, quando o órgão faz campanhas de prevenção.

Werton Costa, diretor de Prevenção e Mitigação da Defesa Civil do Piauí, apontou o mesmo risco em dezembro de 2023. Segundo ele, a casa é “o local mais seguro”, mas não para quem fica sob janelas e varandas ou está “manuseando equipamentos eletrônicos conectados à rede elétrica”.

As férias escolares pedem atenção dobrada das famílias.

No Piauí, elas coincidem com o período chuvoso, e a Defesa Civil lembra que é quando mais gente vai a balneários, clubes, praias e campos de futebol. No restante do país, as férias de fim de ano coincidem com o verão, a estação com mais mortes por raio.

Se o seu filho joga bola no fim da tarde, combine com ele a regra da cartilha: trovão no céu é fim de jogo e hora de entrar.

Longe de abrigo: pés juntos, agachado e longe de metal

Sem abrigo seguro por perto, a Cartilha de Proteção Contra Raios do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), do Inpe, manda se afastar de pontos altos e de objetos de metal. Depois, é juntar os pés e se agachar até a tempestade passar. Deitar no chão não é recomendado.

  1. Ao ouvir o primeiro trovão, procure uma construção de alvenaria ou entre num veículo fechado.
  2. Se não houver abrigo, saia da água, do campo aberto e de perto de árvores, cercas, varais e pontos altos.
  3. Largue ferramentas e objetos de metal pontiagudos, como enxada, facão ou pá.
  4. Agache com os pés juntos, sem deitar no chão.
  5. Espere até não ouvir mais trovões antes de voltar à atividade.

O próprio trovão ajuda a medir o perigo. A luz do raio chega quase na hora, e o som demora mais. Conte os segundos entre o clarão e o trovão e divida por três: o resultado é a distância aproximada em quilômetros, segundo o Inpe.

Se o estrondo vem 6 segundos depois da luz, o raio caiu a cerca de 2 km.

Ser atingido em cheio é raro. A chance gira em torno de uma em um milhão, segundo o Inpe. A maior parte das mortes e ferimentos vem de efeitos indiretos de raios que caem perto, além de incêndios e fios de energia derrubados pelas descargas. A maioria das mortes é causada por parada cardíaca e respiratória.

Se alguém for atingido, ligue para o Samu, no 192, ou para os Bombeiros, no 193.

O monitoramento também evolui. O centro de monitoramento e alerta de descargas atmosféricas do Inpe funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, para todo o país. O objetivo é proteger quem faz atividades ao ar livre.

Em 2022, o último ano analisado pelo Elat, o Brasil teve o menor número de mortes por raio do levantamento, segundo a Defesa Civil do Piauí.

O estudo dos raios no Inpe
  • 1979Inpe começa as pesquisas sobre eletricidade atmosférica na área de ciências espaciais
  • 1995Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) é criado oficialmente dentro do Inpe
  • 2017Governo de São Paulo divulga estudo do Inpe: quase 20% dos acidentes com raio ocorrem em casa
  • 2019Termina a série de 20 anos do Elat, com 2.194 mortes por raio contadas desde 2000
  • 2022Brasil tem o menor número de mortes por raio do levantamento do Elat
  • 2026Inpe calcula de 100 a 150 milhões de raios por ano na média da última década

A temporada de chuva forte coincide, neste fim de ano, com o El Niño muito forte previsto pelo Inmet. Os alertas da Defesa Civil avisam com antecedência quando há risco de tempestade na sua região.

O cadastro é gratuito, e um mesmo celular pode receber avisos de vários endereços, como a casa, o trabalho e a escola dos filhos.

Para receber por SMS, mande o CEP para o número 40199, segundo o Ministério das Comunicações. No WhatsApp, salve o (61) 2034-4611 e envie “olá”; no Telegram, procure “Defesa Civil Alertas”. O Defesa Civil Alerta, por sua vez, dispara a mensagem sem cadastro para celulares compatíveis conectados às redes 4G e 5G da área afetada.

Como citar: Ouviram (26 out. 2026). «Como se proteger de raios: carro fechado e casa protegem, árvore e quiosque não». ouviram.com.br/brasil/como-se-proteger-de-raios-tempestade-inpe

Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre raio e relâmpago?

Relâmpago é toda descarga elétrica gerada por nuvens de tempestade, segundo o Inpe. Raio é a descarga que sai da nuvem e atinge o solo.

Pode usar o celular durante uma tempestade?

A Cartilha de Proteção Contra Raios do Elat, do Inpe, aponta como risco usar o celular ligado ao carregador na tomada. Telefone com fio também está na lista do que evitar dentro de casa.

O trovão é perigoso?

O som costuma ser inofensivo, segundo o Inpe, mesmo quando um trovão forte chega a 120 decibéis. O deslocamento de ar, porém, pode derrubar quem estiver muito perto do ponto onde o raio caiu.

Quanto tempo dura um raio?

Um raio pode durar até dois segundos, segundo o Inpe. Ele é formado por várias descargas, e cada uma dura frações de milésimo de segundo.

Casa sem para-raios protege contra raio?

Sim, segundo o Inpe: mesmo sem para-raios, casas e prédios têm estruturas metálicas internas que ajudam a dissipar a corrente do raio e protegem melhor as pessoas, embora os aparelhos possam ser danificados. As normas brasileiras sugerem para-raios em todas as construções.

De quantos quilômetros dá para ouvir um trovão?

Dificilmente se ouve o trovão de um raio que caiu a mais de 25 quilômetros, segundo o Inpe.

#Inpe#DefesaCivil#Raios#Tempestade#Verão

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  1. 1. Se o trovão chega 9 segundos depois do clarão, a que distância caiu o raio?

  2. 2. Qual destes lugares o Inpe aponta como abrigo seguro durante uma tempestade?

  3. 3. Além do Brasil, quais países estão entre os três com mais raios no mundo?

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