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Como separar o lixo para reciclagem e onde descartar pilha, remédio e eletrônico

Farmácias de cidades com mais de 100 mil habitantes devem ter um coletor de medicamentos vencidos para cada 10 mil moradores, segundo o Decreto 10.388/2020.

Quatro lixeiras de coleta seletiva verde, vermelha, amarela e azul lado a lado num parque ensolarado
Lixeiras de coleta seletiva para vidro, plástico, metal e papel num parque, numa manhã de sol.Foto: Ouviram

A coleta seletiva atende 36% da população brasileira, segundo dados de 2023 do Ministério das Cidades. Onde o caminhão dos recicláveis não passa, você ainda pode separar papel, plástico, vidro e metal e levar pilhas, remédios e eletrônicos a pontos de entrega gratuitos.

36%

é a parcela dos brasileiros atendida por coleta seletiva, segundo dados de 2023

Fonte: Sinisa 2024, Ministério das Cidades, março de 2025

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A regra das cores vale para o país inteiro desde 2001. A Resolução 275/2001 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) define azul para papel e papelão, vermelho para plástico e verde para vidro. O amarelo é do metal, e o marrom, dos restos de comida. O cinza fica com o lixo que não se recicla.

Separar também é uma obrigação. Onde a prefeitura instituiu a coleta seletiva, quem mistura tudo pode receber advertência e, se repetir, multa de R$ 50 a R$ 500, segundo o Decreto 6.514/2008. Para remédios, pilhas, lâmpadas e eletrônicos, a lei manda devolver ao comércio, e não jogar no lixo de casa.

As dez cores das lixeiras definidas pelo Conama

A Resolução 275, de 25 de abril de 2001, do Conama estabelece dez cores para lixeiras, caminhões e campanhas de coleta seletiva. O padrão é obrigatório nos programas de órgãos públicos federais, estaduais e municipais e recomendado para empresas, escolas, igrejas, cooperativas e organizações não governamentais.

CorO que vai nelaExemplos do dia a dia
AzulPapel e papelãoCaixas, jornais, folhas de caderno, embalagens de papel
VermelhoPlásticoGarrafas PET, potes, sacolas, frascos de xampu
VerdeVidroGarrafas, potes de conserva, frascos de vidro
AmareloMetalLatas de bebida, latas de óleo e de conserva, tampinhas
MarromResíduos orgânicosRestos de comida, cascas de frutas, borra de café
CinzaLixo não reciclável ou misturadoPapel higiênico, fralda, esponja usada
PretoMadeiraCaixotes, restos de móveis de madeira
LaranjaResíduos perigososPilhas, baterias, produtos químicos
BrancoResíduos de serviços de saúdeMaterial de hospitais e ambulatórios
RoxoResíduos radioativosRejeitos controlados pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)

Fonte: Resolução Conama 275/2001, publicada no Diário Oficial da União em 19 de junho de 2001.

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Na prática, a maioria das casas não precisa de dez lixeiras. Muitas prefeituras fazem a coleta em duas frações: os recicláveis secos, todos juntos num saco só, e o lixo comum, com restos de comida e material sujo.

Os recicláveis secos chegam às cooperativas e centrais de triagem misturados e são separados à mão. Por isso, a regra mais importante é entregar o material limpo e seco: resto de comida e gordura estragam o papel e atraem bichos no caminho até a triagem.

O passo a passo abaixo serve para quem mora em casa ou apartamento e quer começar hoje, sem gastar com lixeiras novas.

  1. Separe dois recipientes na cozinha: um para os recicláveis secos e outro para o lixo comum e os restos de comida.
  2. Enxágue potes, latas e garrafas com a água que sobrou da louça, só para tirar o resto de comida. Não precisa de detergente.
  3. Amasse latas, garrafas PET e caixas longa vida e desmonte as caixas de papelão. O volume cai e o saco dura mais dias.
  4. Embrulhe vidro quebrado em papel grosso ou numa caixa e escreva «vidro quebrado» por fora, para proteger quem faz a coleta.
  5. Guarde à parte pilhas, baterias, remédios vencidos, lâmpadas e óleo de cozinha usado. Eles não vão no saco dos recicláveis.
  6. Coloque o saco de recicláveis na rua no dia e no horário do caminhão da coleta seletiva ou leve a um ponto de entrega voluntária.

Nem tudo o que parece papel ou plástico é reciclável. Papel higiênico, guardanapo, lenço de papel e fralda usados vão no lixo comum, assim como papel sujo de gordura, fita adesiva, etiqueta e papel-carbono. No vidro, espelho, cerâmica, porcelana e copo de cristal ficam de fora, porque têm composição diferente da do vidro de embalagem.

Restos de comida, cascas e borra de café são resíduos orgânicos e podem virar adubo. Segundo o Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), do Ministério das Cidades, 118 unidades de compostagem recuperaram 160 mil toneladas de orgânicos no Brasil em 2023. Em casa, uma composteira de baldes transforma esses restos em adubo para vasos e hortas.

Onde descartar pilha, lâmpada, eletrônico e remédio vencido

Pilhas, baterias, lâmpadas fluorescentes, pneus, óleos lubrificantes, agrotóxicos e eletroeletrônicos entram na logística reversa da Política Nacional de Resíduos Sólidos, a Lei 12.305/2010. Pelo artigo 33, o consumidor devolve esses produtos à loja ou ao distribuidor depois do uso, e fabricantes e importadores dão o destino final.

Isso quer dizer que a loja que vende pilha deve ter onde receber a pilha usada. O mesmo vale para lâmpadas e baterias de celular. Guarde tudo num pote fechado, longe do calor e das crianças, e leve quando juntar uma quantidade razoável.

Para os eletroeletrônicos de uso doméstico, o Decreto 10.240/2020 criou um calendário de cinco anos. As 400 cidades listadas no anexo do decreto deveriam ter, até 2025, pelo menos um ponto de recebimento a cada 25 mil habitantes.

A meta de coleta subiu de 1% em 2021 para 17% em 2025, calculada sobre o peso dos eletrônicos vendidos no país em 2018.

São Paulo concentra quase um quarto das cidades com pontos obrigatórios de lixo eletrônico (número de cidades em 2025)
São Paulo95
Minas Gerais44
Rio de Janeiro33
Paraná27
Rio Grande do Sul25
Bahia23
Pará20
Pernambuco19
Goiás16
Santa Catarina15

Fonte: Presidência da República, Decreto 10.240/2020, Anexo II, 12 de fevereiro de 2020

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Celular velho, carregador, fone, controle remoto, ferro de passar, liquidificador, ventilador e computador entram na lista do decreto. Antes de entregar um celular ou um computador, apague os dados e tire o chip e o cartão de memória.

Remédio vencido ou que sobrou de um tratamento não vai no lixo de casa nem no vaso sanitário. O Decreto 10.388/2020 transformou farmácias e drogarias em pontos fixos de recebimento, com um coletor que traz a frase “Descarte aqui os medicamentos domiciliares vencidos ou em desuso”.

Pelo artigo 10 do decreto, nos municípios com mais de 100 mil habitantes, as farmácias devem manter pelo menos um coletor para cada 10 mil moradores. As capitais e as cidades com mais de 500 mil habitantes vieram primeiro no cronograma. Leve comprimidos, xaropes e pomadas e siga as instruções impressas no coletor.

O óleo de fritura usado não deve ir pela pia: ele entope o encanamento e chega aos rios pela rede de esgoto. Espere esfriar, coe e guarde numa garrafa PET bem fechada. Muitas prefeituras recebem o óleo em ecopontos e pontos de entrega voluntária, e cooperativas o transformam em sabão e biodiesel.

Na cidade de São Paulo, a prefeitura mantém 129 ecopontos, segundo balanço de outubro de 2025. Eles recebem de graça entulho de pequenas reformas, móveis, sofás, colchões e recicláveis como papelão, plástico, vidro e metal, no limite de 1 metro cúbico ou 20 sacos por entrega.

Só os seis ecopontos da região central, na Subprefeitura Sé, receberam 15.278 toneladas de resíduos em 2026, segundo a prefeitura. A conta equivale a uma fila de cerca de 2.800 caminhões com caçamba.

“A ideia é justamente oferecer um local adequado para que o munícipe possa levar seus materiais, evitando que esses resíduos sejam deixados nas ruas ou em outros locais impróprios”

Abrahao de Lellis Pereira, supervisor técnico de Limpeza Pública da Subprefeitura Sé, em nota da Prefeitura de São Paulo de 9 de outubro de 2026

O supervisor também lembrou o efeito do lixo largado na calçada. “Quando o material é deixado em locais inadequados, acaba contribuindo para a formação de pontos viciados”, afirmou Abrahao de Lellis Pereira, ao apresentar o balanço dos ecopontos do centro.

Os ecopontos do centro abrem de segunda a sábado, das 6h às 22h, e aos domingos e feriados, das 6h às 18h. No feriado de Finados, em 2 de novembro, segunda-feira, valem os horários de feriado, das 6h às 18h. O gesso só é aceito em algumas unidades, como Glicério, Cambuci e Bela Vista.

Em Curitiba, a troca virou comida na mesa. O programa Câmbio Verde, coordenado pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente, recebe recicláveis e óleo usado e entrega frutas e verduras da agricultura familiar.

Em 2024, segundo a prefeitura, foram 2.496 toneladas de recicláveis e 16.077 litros de óleo, trocados por 738 toneladas de hortifrúti para 54.024 famílias. As trocas acontecem em 103 pontos, a cada 15 dias.

A coleta seletiva no Brasil, região por região

A Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic) 2023, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), encontrou algum tipo de coleta seletiva em 3.364 municípios. São 60,5% dos que têm serviço de manejo de resíduos. O serviço é mais comum no Sul, onde chega a 81,9% das cidades, e mais raro no Norte, com 33,5%.

A diferença entre os dois números oficiais tem explicação. A Munic registra se a cidade tem coleta seletiva, mesmo que o serviço não cubra todos os bairros. O Sinisa mede a parcela da população de fato atendida, e por isso chega aos 36%.

Os catadores são a base desse trabalho. Segundo o IBGE, havia catadores informais em 4.093 municípios, 73,7% dos que têm serviço de limpeza urbana. Associações ou cooperativas de catadores atuavam na coleta seletiva de 1.498 cidades, 27% desse grupo.

RegiãoMunicípios com lixãoCom catadores informaisCom cooperativas ou associações de catadores
Norte73,8%72,6%16,7%
Nordeste51,6%71,8%18,7%
Centro-Oeste52,9%75,3%23,2%
Sudeste12,1%78,0%33,5%
Sul5,7%70,2%35,5%

Fonte: IBGE, Munic 2023, divulgada em 28 de novembro de 2024.

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O lixão a céu aberto ainda era o destino final do lixo em 31,9% dos municípios em 2023, segundo o IBGE. O novo marco do saneamento, a Lei 14.026/2020, escalonou os prazos para o fim dos lixões. O último, para cidades com menos de 50 mil habitantes, venceu em 2 de agosto de 2024.

Há dinheiro novo entrando no setor. No leilão do Eco Invest homologado em outubro, os bancos indicaram R$ 8,8 bilhões para reciclagem e aproveitamento de resíduos. O dado é do Ministério da Fazenda.

A Lei 12.305/2010, em seu artigo 35, obriga o morador a separar e acondicionar o lixo do jeito que a prefeitura definir, sempre que houver coleta seletiva instituída na cidade. O consumidor também precisa deixar os recicláveis disponíveis para a coleta ou devolvê-los nos pontos indicados.

O descumprimento é infração administrativa prevista no Decreto 6.514/2008. O artigo 62 pune quem deixa de “segregar resíduos sólidos na forma estabelecida para a coleta seletiva”. Para o consumidor, a primeira punição é a advertência; na reincidência, a multa vai de R$ 50 a R$ 500.

Muitas cidades têm leis próprias sobre o assunto, com regras para condomínios, comércio e grandes geradores de lixo. Os moradores de prédio devem conferir com o síndico onde ficam os contêineres de recicláveis e em que dia o material sai.

Para as famílias com filhos na escola, a separação do lixo costuma começar na sala de aula. A Resolução 275/2001 recomenda que as escolas adotem o mesmo código de cores, e as crianças aprendem cedo que o azul é do papel e o vermelho, do plástico.

Em casa, deixar a lixeira dos recicláveis ao alcance delas ajuda a manter o hábito. Pilhas e remédios, porém, devem ficar fora do alcance dos pequenos até a entrega.

Das cores de 2001 ao fim dos lixões
  • 25 de abril de 2001Conama aprova a Resolução 275, com o código de dez cores para a coleta seletiva
  • 2 de agosto de 2010Lei 12.305 cria a Política Nacional de Resíduos Sólidos e a logística reversa
  • 12 de fevereiro de 2020Decreto 10.240 cria o sistema de coleta de eletroeletrônicos de uso doméstico
  • 5 de junho de 2020Decreto 10.388 transforma farmácias em pontos de coleta de remédios vencidos
  • 15 de julho de 2020Lei 14.026, o novo marco do saneamento, refaz os prazos para o fim dos lixões
  • 2 de agosto de 2024Vence o último prazo, para cidades com menos de 50 mil habitantes, fecharem os lixões
  • 28 de novembro de 2024IBGE divulga a Munic 2023: 60,5% dos municípios têm coleta seletiva

Para achar o ecoponto ou o dia da coleta seletiva no seu bairro, ligue para a central da prefeitura, o 156 em cidades como São Paulo e Curitiba. No centro de São Paulo, os ecopontos abrem no feriado de 2 de novembro das 6h às 18h. A entrega é gratuita, com limite de 1 metro cúbico ou 20 sacos.

Como citar: Ouviram (29 out. 2026). «Como separar o lixo para reciclagem e onde descartar pilha, remédio e eletrônico». ouviram.com.br/brasil/como-separar-lixo-reciclagem-cores-lixeiras-onde-descartar-pilha-remedio

Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.

Perguntas frequentes

Isopor é reciclável?

Sim. O isopor é um plástico, o poliestireno expandido, e vai com os plásticos, limpo e seco. Como é leve e ocupa muito espaço, nem toda cooperativa aceita: confira com a prefeitura da sua cidade.

Caixa de leite vai em qual lixeira?

A embalagem longa vida mistura papel, plástico e alumínio e vai com os recicláveis secos. Enxágue, deixe secar e amasse a caixa para ocupar menos espaço.

Tampinha de garrafa vai com o plástico ou com o metal?

Depende do material. A tampinha de plástico, como a da garrafa PET, vai com os plásticos; a de metal, como a da garrafa de vidro, vai com os metais.

Caixa de pizza engordurada é reciclável?

A parte suja de gordura ou de queijo não é reciclável e vai no lixo comum. A tampa e as partes limpas podem ir com o papel e o papelão.

Preciso tirar o rótulo das embalagens antes de reciclar?

Não. O rótulo de papel ou de plástico é separado na triagem e na reciclagem. Basta que a embalagem esteja vazia, limpa e seca.

#MeioAmbiente#Conama#IBGE#Reciclagem#ColetaSeletiva

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  1. 1. Qual cor de lixeira recebe papel e papelão pela Resolução 275/2001 do Conama?

  2. 2. Em qual região está a maior parcela de municípios com coleta seletiva?

  3. 3. Quantos coletores de remédio vencido o Decreto 10.388/2020 exige nas cidades com mais de 100 mil habitantes?

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