RodoviasExplicador
BR-163: caminhões estão em 6 de cada 10 acidentes com mortes, mostram os dados da PRF
Mato Grosso concentra 211 dos 607 óbitos registrados na rodovia desde janeiro de 2024, com Sorriso e Sinop à frente entre os municípios do estado.

Caminhões estavam em 302 dos 486 acidentes com mortes na BR-163 desde 2024, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF). De janeiro de 2024 a agosto de 2026, a rodovia teve 6.785 acidentes e 607 mortes, e Mato Grosso respondeu por 211 delas.
Para quem viaja pela BR-163, os boletins mostram onde e quando o risco cresce. As mortes se concentram no norte de Mato Grosso e no sudoeste do Pará, em Campo Grande e Dourados, em Mato Grosso do Sul, e em trechos de pista simples. Domingo e o fim da tarde são os momentos mais perigosos.
A BR-163 é um dos principais corredores de escoamento de grãos do país, segundo o Ministério dos Transportes. Sai de Tenente Portela (RS) e corta Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Pará até Santarém, às margens do Tapajós.
Mato Grosso, cortado de ponta a ponta, colheu 28,6% da soja do país em 2025/26, como mostra a produção de soja por estado.
- LigaTenente Portela (RS) a Santarém (PA)
- Estados com acidentes registradosSanta Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Pará
- Acidentes em 20252.519, com 659 feridos graves
- Mortes em 2025210
- Mortes em 2026157 de janeiro a agosto
- Município com mais mortesCampo Grande (MS), 36 desde 2024
- Trecho de 10 km mais letalKm 1.040 a 1.049, em Matupá (MT), 12 mortes
- Emergência na rodoviaPRF, telefone 191
210
pessoas morreram em acidentes na BR-163 em 2025, 30 a menos que as 240 de 2024
Fonte: PRF, dados abertos de 2024 e 2025
Entre todas as rodovias federais, a BR-163 foi a 5ª com mais mortes em 2025, segundo a PRF. Ficou atrás da BR-101, com 760 mortes, da BR-116, com 708, da BR-153, com 282, e da BR-040, com 214. Em 2024, tinha ficado em 4º lugar, com 240 mortes.
| Estado | Acidentes 2024 | Mortes 2024 | Acidentes 2025 | Mortes 2025 | Acidentes jan-ago 2026 | Mortes jan-ago 2026 |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Mato Grosso | 920 | 73 | 969 | 84 | 600 | 54 |
| Mato Grosso do Sul | 866 | 74 | 781 | 47 | 532 | 40 |
| Pará | 204 | 52 | 261 | 40 | 209 | 29 |
| Paraná | 408 | 37 | 373 | 34 | 281 | 23 |
| Santa Catarina | 124 | 4 | 135 | 5 | 122 | 11 |
| Total | 2.522 | 240 | 2.519 | 210 | 1.744 | 157 |
Fonte: PRF, dados abertos de acidentes (2026 até 31 de agosto).
Os números de 2026 são parciais e vão até 31 de agosto, último mês publicado pela PRF. Na comparação dos mesmos oito meses, este ano tem mais acidentes e mais mortes que 2025. Foram 1.744 acidentes e 157 mortes, contra 1.650 acidentes e 143 mortes de janeiro a agosto do ano passado.
As cidades com mais mortes
Sorriso é o município de Mato Grosso com mais mortes na BR-163, segundo a PRF: foram 428 acidentes e 32 mortes de janeiro de 2024 a agosto de 2026. Sinop teve mais acidentes, 617, e 30 mortes. Os dois municípios somam 62 das 211 mortes da rodovia no estado, quase três em cada dez.
Mais ao sul, os números também pesam. Nova Mutum registrou 216 acidentes e 25 mortes no período, e Lucas do Rio Verde, 166 acidentes e 20 mortes. Do km 640 ao 649, entre os dois municípios, foram 23 acidentes e 11 mortes, quase uma morte a cada dois casos.
Ao norte de Sinop, a rodovia é quase toda de pista simples, e a gravidade aumenta. Guarantã do Norte, na divisa com o Pará, teve 163 acidentes e 22 mortes, e Matupá, 107 acidentes e 18 mortes. Entre os km 1.040 e 1.049, em Matupá, estão as 12 mortes do trecho de 10 quilômetros mais letal de toda a BR-163.
| Município (MT) | Acidentes | Mortes | Feridos graves |
|---|---|---|---|
| Sorriso | 428 | 32 | 122 |
| Sinop | 617 | 30 | 156 |
| Nova Mutum | 216 | 25 | 52 |
| Guarantã do Norte | 163 | 22 | 51 |
| Lucas do Rio Verde | 166 | 20 | 60 |
| Matupá | 107 | 18 | 34 |
| Rondonópolis | 193 | 12 | 39 |
| Terra Nova do Norte | 111 | 11 | 30 |
| Itaúba | 83 | 9 | 24 |
Fonte: PRF, dados abertos de acidentes, janeiro de 2024 a agosto de 2026.
Na BR-163, a contagem dos quilômetros cresce do sul para o norte, ao contrário da maioria das rodovias longitudinais, segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Por isso, os números mais altos das placas em Mato Grosso ficam perto da divisa paraense, e o km zero de cada estado fica no limite sul.
Mato Grosso também lidera as batidas de frente. Foram 159 colisões frontais na BR-163 mato-grossense desde 2024, com 96 mortes, segundo a PRF. Em pista simples, o estado somou 1.679 acidentes e 171 mortes, ou 81% dos óbitos da rodovia em seu território.
Do outro lado da divisa, o Pará tem a BR-163 mais letal por acidente, segundo a PRF. Desde 2024, foram 674 acidentes e 121 mortes no trecho paraense, uma morte a cada 5,6 ocorrências. Em Mato Grosso, a proporção foi de uma morte a cada 11,8 acidentes; em Santa Catarina, de uma a cada 19.
Novo Progresso, primeira cidade depois da divisa com Mato Grosso, concentra o maior número de mortes no estado: 34 em 182 acidentes. Itaituba, onde a BR-163 encontra a Transamazônica perto dos portos do Tapajós, teve 137 acidentes e 32 mortes. Trairão somou 147 acidentes e 21 mortes, e Altamira, 87 acidentes e 18 mortes.
| Município (PA) | Acidentes | Mortes | Feridos graves |
|---|---|---|---|
| Novo Progresso | 182 | 34 | 20 |
| Itaituba | 137 | 32 | 46 |
| Trairão | 147 | 21 | 46 |
| Altamira | 87 | 18 | 15 |
| Santarém | 93 | 10 | 25 |
| Belterra | 20 | 4 | 12 |
Fonte: PRF, dados abertos de acidentes, janeiro de 2024 a agosto de 2026.
Quase toda a rodovia no Pará é de pista simples. Dos 674 acidentes registrados pela PRF no estado desde 2024, 662 ocorreram nesse tipo de pista, assim como 119 das 121 mortes. As colisões frontais foram 95 e causaram 58 mortes, quase metade do total paraense.
No fim da rodovia, Santarém registrou 93 acidentes e 10 mortes, a maioria entre os km 980 e 989. É o caminho de quem vai às praias de água doce de Alter do Chão, como mostra o guia de Santarém.
No sul, Campo Grande é o município com mais mortes em toda a BR-163, segundo a PRF: 36 desde 2024, em 517 acidentes. O trecho mais movimentado fica entre os km 480 e 489, na capital sul-mato-grossense, com 200 acidentes e 10 mortes no período.
Dourados, segunda maior cidade do estado, teve 315 acidentes e 21 mortes. Sete em cada dez ocorreram entre os km 250 e 269, onde a PRF registrou 222 acidentes e 19 mortes. Bandeirantes, ao norte da capital, somou 112 acidentes e 17 mortes, e Mundo Novo, no extremo sul, perto do Paraná e do Paraguai, 144 acidentes e 10 mortes.
| Município (MS) | Acidentes | Mortes | Feridos graves |
|---|---|---|---|
| Campo Grande | 517 | 36 | 151 |
| Dourados | 315 | 21 | 81 |
| Bandeirantes | 112 | 17 | 44 |
| Mundo Novo | 144 | 10 | 31 |
| Nova Alvorada do Sul | 116 | 9 | 41 |
| Coxim | 101 | 9 | 17 |
| Douradina | 28 | 9 | 3 |
| Jaraguari | 73 | 8 | 10 |
| Caarapó | 81 | 8 | 18 |
Fonte: PRF, dados abertos de acidentes, janeiro de 2024 a agosto de 2026.
Mato Grosso do Sul teve a maior queda de mortes entre os estados cortados pela rodovia. Foram 74 em 2024 e 47 em 2025, uma redução de 36%, segundo a PRF. De janeiro a agosto de 2026, o estado registrou 40 mortes.
No Paraná, a BR-163 vai de Barracão, na fronteira com a Argentina, a Guaíra, às margens do rio Paraná. Cascavel teve 166 acidentes e 12 mortes desde 2024, e Toledo, 152 acidentes e 10 mortes, segundo a PRF. Entre os km 230 e 239, no trecho entre as duas cidades, foram 76 acidentes e 7 mortes.
Capanema, no sudoeste paranaense, tem a proporção mais alta de mortes por acidente entre os municípios da rodovia com mais de 30 ocorrências. Foram 34 acidentes e 13 mortes no período, quase uma morte a cada dois acidentes e meio. Barracão somou 76 acidentes e 10 mortes, 8 delas entre os km 10 e 19.
Santa Catarina tem os menores números da rodovia, mas as mortes subiram em 2026. Depois de 4 mortes em 2024 e 5 em 2025, foram 11 de janeiro a agosto deste ano, segundo a PRF. São Miguel do Oeste concentra os acidentes, 207 desde 2024, e Dionísio Cerqueira, na fronteira com a Argentina, as mortes: 6 em 39 casos.
Contramão, batida de frente e caminhões
As colisões frontais são o tipo de acidente que mais mata na BR-163, segundo a PRF. De janeiro de 2024 a agosto de 2026, foram 444 batidas de frente, 6,5% dos 6.785 acidentes da rodovia, mas elas causaram 247 das 607 mortes, ou 40,7%. Nenhum outro tipo chega perto: as saídas de pista mataram 67 pessoas.
O tipo de pista explica boa parte desse quadro. Em pista simples, sem canteiro entre os sentidos, uma ultrapassagem malfeita vira batida de frente. Esses trechos tiveram 69% dos acidentes e 80,4% das mortes da BR-163 no período, segundo os boletins da PRF.
Fonte: PRF, dados abertos de acidentes, 2024 a agosto de 2026
Nos boletins da PRF, “ausência de reação do condutor” indica que o motorista não freou nem desviou diante do perigo. A causa aparece em 1.268 acidentes, o maior número da lista, com 78 mortes. A ingestão de álcool pelo condutor foi apontada em 525 acidentes e 18 mortes, e o sono, em 170 acidentes e 14 mortes.
O peso dos caminhões aparece no arquivo da PRF que lista cada pessoa e cada veículo envolvido. Pelo menos um caminhão ou carreta estava em 2.385 dos 6.785 acidentes da BR-163 desde 2024, ou 35,2%. Entre os 486 acidentes com mortes, a proporção sobe para 62,1%: foram 302, que deixaram 398 mortos.
A maior parte das vítimas, porém, estava nos veículos menores. Dos 607 mortos, 174 viajavam de automóvel, 145 de moto e 74 de caminhonete, segundo a PRF. Os motoristas e passageiros de carretas e caminhões somaram 104 mortes, e os de bicicleta, 18.
O atropelamento é outro risco concentrado. Foram 163 atropelamentos de pedestres na BR-163 no período, com 45 mortes, mais de uma morte a cada quatro casos, segundo os boletins.
O calendário também pesa: o domingo é o dia mais perigoso da BR-163, segundo a PRF. Foram 143 das 607 mortes registradas de janeiro de 2024 a agosto de 2026, ou 23,6%, mais que o dobro das 60 registradas às terças-feiras. Somados, sábados e domingos concentraram 236 mortes, quase quatro em cada dez.
A faixa das 18h às 20h59 foi a mais crítica, com 1.312 acidentes e 123 mortes, mais que qualquer outro intervalo de três horas. Os acidentes em plena noite foram 35,4% do total, mas responderam por 40,7% das mortes, segundo os boletins da PRF.
O tempo bom não protege o motorista. Sete em cada dez acidentes da rodovia, 69%, ocorreram com céu claro, e só 8,2% com chuva. Em 2025, agosto foi o mês com mais acidentes e mortes na BR-163: 236 acidentes e 30 mortes, contra uma média de 210 acidentes e 17,5 mortes por mês.
O feriado de Finados cai na segunda-feira, 2 de novembro. Em Mato Grosso do Sul, os servidores estaduais emendam a folga desde sexta, 30, com o ponto facultativo do Dia do Servidor. Pelos boletins, o domingo e o começo da noite são os momentos de maior risco na estrada.
O leilão de Sinop a Miritituba
A concessão da BR-163 entre Sinop (MT) e Miritituba (PA) vai a leilão em 12 de novembro, às 14h, em São Paulo, segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O edital põe à venda 100% das ações da concessionária que já administra o trecho, com um contrato remodelado.
São 1.010,5 quilômetros, incluindo um pedaço da Transamazônica em Itaituba. Só 2,9 km têm pista dupla hoje, 0,3% do total, segundo a apresentação do projeto feita pelo Ministério dos Transportes em outubro.
O plano prevê 245,79 km de duplicação contínua na BR-163, de Sinop a Guarantã do Norte, entre o 2º e o 7º ano do contrato. Prevê ainda 118,23 km de faixas adicionais, 3 pontos de parada e descanso para caminhoneiros, 5 passarelas de pedestres, 25 retornos e 15 rotatórias, segundo o ministério.
O traçado passa por Matupá e Guarantã do Norte, em Mato Grosso, e por Novo Progresso, Trairão e Itaituba, no Pará, que somaram 127 mortes na rodovia desde 2024. O contrato terá prazo de 20 anos e investimento estimado de R$ 10,55 bilhões, segundo o ministério. A disputa combina menor tarifa de pedágio e aportes de capital.
Mato Grosso tem hoje 381,6 km de pista dupla na BR-163, segundo o levantamento do DNIT, quase toda ao sul de Sinop. A BR-163 é a rodovia com mais quilômetros concedidos no país, 2.718, como mostra a lista das maiores rodovias do Brasil.
Em caso de acidente, pane ou animal na pista, a PRF atende pelo telefone 191, 24 horas, em toda a BR-163. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) atende pelo 192 e o Corpo de Bombeiros pelo 193. Ao ligar, informe o quilômetro, que aparece nas placas à beira da estrada, e o sentido da viagem.
Como calculamos. Somamos os boletins da PRF de 2024, 2025 e de janeiro a agosto de 2026, por ocorrência e por pessoa. Depois separamos os casos da BR-163 por estado, município, km, causa, tipo, veículo, dia e hora. Trechos em que a BR-163 divide o leito com a BR-364, em Mato Grosso, podem aparecer com o número da outra rodovia.
Como citar: Ouviram (29 out. 2026). «BR-163: caminhões estão em 6 de cada 10 acidentes com mortes, mostram os dados da PRF». ouviram.com.br/brasil/br-163-trechos-com-mais-acidentes-mt-ms-pa-pr-sc-prf
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
Qual a velocidade máxima na BR-163?
Onde não houver placa, o Código de Trânsito Brasileiro fixa 110 km/h para carros, caminhonetes e motos em pista dupla e 100 km/h em pista simples. Caminhões e ônibus têm limite de 90 km/h nos dois tipos de pista. Nos perímetros urbanos e nos trechos sinalizados, vale o limite das placas.
Quanto tempo o caminhoneiro pode dirigir sem parar?
O artigo 67-C do Código de Trânsito proíbe o motorista profissional de dirigir mais de 5 horas e meia seguidas. No transporte de carga, ele deve descansar 30 minutos a cada 6 horas ao volante, e pode dividir essa pausa.
Qual a multa por ultrapassar em faixa contínua?
Ultrapassar pela contramão onde há linha amarela contínua, simples ou dupla, é infração gravíssima com multa multiplicada por cinco: R$ 1.467,35 e 7 pontos na carteira, pelo artigo 203 do Código de Trânsito. Se o motorista repetir a infração em até 12 meses, a multa dobra.
Precisa ligar o farol de dia na BR-163?
Sim, nos trechos de pista simples fora das cidades, se o carro não tiver luz diurna de rodagem (DRL). A regra está no artigo 40 do Código de Trânsito. Rodar com farol apagado nesses trechos é infração média, com multa de R$ 130,16 e 4 pontos.
Onde consultar os acidentes de uma rodovia federal?
A Polícia Rodoviária Federal publica no portal gov.br os boletins de todos os acidentes atendidos nas BRs, com data, hora, km, município, causa, tipo e número de vítimas. Os arquivos são gratuitos, saem por ano e trazem também o tipo de veículo envolvido.
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1. Que tipo de acidente mais matou na BR-163 entre 2024 e agosto de 2026?
As colisões frontais causaram 247 das 607 mortes registradas pela PRF no período, ou 40,7%.
2. Em que estado a BR-163 teve mais mortes desde 2024?
Mato Grosso somou 211 mortes de janeiro de 2024 a agosto de 2026, segundo os boletins da PRF.
3. Em que dia da semana a BR-163 registrou mais mortes desde 2024?
Os domingos somaram 143 das 607 mortes, ou 23,6%, segundo os boletins da PRF.
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