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Telescópio Swift, da Nasa, vai cair e sua rota cruza o Norte, o Nordeste e o Centro-Oeste

A queda deve ocorrer nas próximas semanas, sem data nem local definidos, e a Agência Espacial Europeia não registra nenhum ferido por lixo espacial até hoje.

Telescópio espacial com manta dourada e painéis solares em órbita sobre o oceano e as nuvens da Terra
Telescópio espacial com manta térmica dourada em órbita sobre a Terra.Foto: Ouviram

O telescópio espacial Swift, da Nasa, encerrou a missão após quase 22 anos e vai cair na Terra nas próximas semanas, segundo a agência americana. A órbita dele passa sobre boa parte do Brasil. O risco para quem está no chão é muito baixo, e há regras claras sobre o que fazer e quem paga eventuais danos.

A Nasa anunciou o fim da missão em 23 de outubro de 2026. O Swift fez a última observação no dia 20. Hoje voa a menos de 275 quilômetros de altura, onde o atrito com o ar impede os telescópios de manter a mira nos alvos. A agência não divulgou data nem lugar para a queda, que será sem controle, porque o Swift não tem motor próprio.

O assunto interessa ao Brasil por causa da geografia. Um satélite só passa sobre as latitudes que a inclinação da órbita alcança, e a do Swift é de 20,6 graus, segundo a ficha técnica da Nasa. Isso coloca sob a rota do telescópio desde Roraima até Belo Horizonte, Vitória e Campo Grande.

20,6 graus

é a inclinação da órbita do Swift; ele só pode cair entre essa latitude ao norte e ao sul

Fonte: Nasa, 2004

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Onde o telescópio Swift pode cair no Brasil

O telescópio Swift só pode cair entre as latitudes de 20,6 graus norte e 20,6 graus sul, segundo a inclinação da órbita informada pela Nasa. No Brasil, essa faixa cobre todo o Norte e o Nordeste, o Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso. Também entram o norte e o centro de Minas Gerais, a maior parte do Espírito Santo e o norte de Mato Grosso do Sul.

Ficam fora da faixa o estado do Rio de Janeiro, a capital paulista e os três estados do Sul. Estar dentro dela não significa que a queda vá acontecer no Brasil: a mesma faixa dá a volta no planeta e cruza a África, o sul da Ásia, a Oceania e, sobretudo, oceanos.

CapitalLatitude (graus sul)Sob a rota do Swift
Belém1,5Sim
Manaus3,1Sim
Fortaleza3,7Sim
Recife8,1Sim
Salvador13,0Sim
Cuiabá15,6Sim
Brasília15,8Sim
Goiânia16,7Sim
Belo Horizonte19,9Sim
Vitória20,3Sim
Campo Grande20,5Sim, no limite
Rio de Janeiro22,9Não
São Paulo23,6Não
Curitiba25,4Não
Porto Alegre30,0Não

Fonte: Nasa (inclinação da órbita) e IBGE (coordenadas das sedes municipais), outubro de 2026.

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Cerca de 75% da superfície da Terra é coberta por água, lembra a Agência Espacial Europeia (ESA). Por isso, a chance de um destroço cair no mar é bem maior do que a de atingir terra firme.

Mesmo em terra firme, o risco de uma pessoa ser ferida por lixo espacial é muito baixo. Até hoje não há nenhum ferimento confirmado por destroços que voltaram do espaço, segundo a Agência Espacial Europeia. A ESA calcula que ser atingido por um raio é 60 mil vezes mais provável do que ser ferido por um pedaço de satélite.

Quedas como a do Swift não são raras. Objetos de um metro ou mais entram na atmosfera cerca de uma vez por semana, e dois pequenos detritos rastreados caem por dia, em média, segundo a ESA. Quase sempre ninguém percebe, porque o atrito com o ar derrete e quebra a maior parte da estrutura ainda no alto.

Nem tudo some. Em reentradas grandes e sem controle, de 20% a 40% da massa da nave pode chegar ao chão, segundo a ESA, que cita como exemplos a estação americana Skylab e a soviética Salyut-7.

A Nasa diz que o Swift entregou muito mais do que o previsto. “O Swift entregou um retorno incrível e duradouro sobre o investimento para o país”, disse Shawn Domagal-Goldman, diretor da Divisão de Astrofísica da sede da Nasa, no anúncio de 23 de outubro. Segundo ele, o telescópio foi projetado para dois anos de missão principal e funcionou mais de dez vezes esse tempo.

Destroço no chão: o que fazer e quem paga

Quem encontrar um possível pedaço de lixo espacial no Brasil não deve tocar nele e precisa avisar a Defesa Civil, pelo 199, ou os Bombeiros, pelo 193. Foi assim no caso de São Mateus do Sul, no Paraná, em março de 2022, quando a Agência Espacial Brasileira (AEB) foi ao local, isolou a área e analisou a peça.

Os destroços podem ter bordas cortantes e guardar restos de combustível ou de outras substâncias perigosas. Por isso, a regra é distância e registro, sem mexer:

  1. Afaste-se e mantenha crianças e animais longe da peça.
  2. Não toque, não chute e não tente erguer o objeto, nem com luvas.
  3. Fotografe de longe, com algo que mostre o tamanho, e anote o local exato ou a localização do celular.
  4. Ligue para a Defesa Civil (199), os Bombeiros (193) ou a Polícia Militar (190) e descreva o que viu.
  5. Se houver cheiro forte, fumaça ou líquido escorrendo, saia de perto e avise isso na ligação.
  6. Não leve a peça para casa, não venda e não publique a localização exata antes de as autoridades chegarem.

O país de origem pode pedir a peça de volta. O Acordo sobre Salvamento de Astronautas e Restituição de Objetos Lançados ao Espaço Cósmico, de 1968, vale no Brasil pelo Decreto 71.989/1973. Por ele, o objeto deve ser devolvido ao país que o lançou ou mantido à disposição dele, a pedido.

O mesmo acordo manda o Brasil avisar o país lançador e o secretário-geral da ONU quando um objeto espacial cai em território nacional. Se a peça for perigosa, o país de origem deve agir para eliminar o risco, sob a direção das autoridades brasileiras, e paga as despesas do resgate e da devolução.

No caso do Paraná, um agricultor encontrou em 16 de março de 2022 uma peça metálica de cerca de quatro metros na sua propriedade rural.

Uma equipe da AEB chegou no dia seguinte, falou com a Defesa Civil e o dono da terra e isolou a área. O relatório da agência concluiu que o objeto era derivado de um artefato espacial, e a AEB avisou a embaixada do país de origem. A agência, que também promove a Semana Mundial do Espaço, é o órgão técnico que examina esse tipo de achado no país.

Se a peça causar prejuízo, o país que a lançou paga os danos no solo ou a aviões em voo, sem que a vítima precise provar culpa. A regra está na Convenção sobre Responsabilidade Internacional por Danos Causados por Objetos Espaciais, de 1972, em vigor no Brasil desde 9 de março de 1973 e promulgada pelo Decreto 71.981/1973.

A convenção chama de dano a perda de vidas, os ferimentos e outros prejuízos à saúde, além da perda ou do estrago de bens de pessoas e empresas. Isso inclui, por exemplo, um telhado furado em Teresina, uma cerca destruída numa fazenda de Goiás ou um carro amassado em Salvador.

O pedido de indenização é feito de governo para governo. Quem sofre o prejuízo não cobra diretamente o país estrangeiro. Segundo o artigo 8º da convenção, a queixa é apresentada pelo governo do país da vítima ou daquele onde o dano aconteceu.

  • Quem pagaO país que lançou o objeto
  • Precisa provar culpaNão, para danos no solo e a aviões em voo
  • Quem cobraO governo do país da vítima ou do local do dano
  • Prazo para pedirAté um ano depois do dano ou da identificação do país lançador
  • ValorO necessário para devolver a vítima à situação anterior ao dano
  • Sem acordoUma comissão decide em até um ano, prorrogável

Se você tiver um prejuízo, guarde o registro oficial. O boletim de ocorrência, as fotos e o protocolo do atendimento da Defesa Civil ajudam a comprovar o dano e a identificar o objeto.

Quase 22 anos de missão e uma tentativa de resgate

O Swift perdeu altura porque a órbita baixa sofre atrito com as camadas mais altas da atmosfera e perde velocidade aos poucos. Lançado em 20 de novembro de 2004 numa órbita entre 584 e 601 quilômetros, ele chegou a menos de 275 quilômetros em outubro de 2026, segundo a Nasa.

O telescópio foi feito para caçar explosões de raios gama, clarões de energia que surgem e somem muito depressa no céu distante. Em quase 22 anos, registrou mais de 2.000 dessas explosões, estudou mais de 1.400 supernovas e alimentou cerca de 7.000 artigos científicos, segundo a Nasa.

A agência tentou salvá-lo. Em setembro de 2025, contratou uma empresa privada para enviar uma nave robótica que se acoplaria ao Swift e o empurraria para uma órbita mais alta. A nave foi lançada em julho de 2026, mas teve perdas de comunicação e problemas de controle e não chegou a agarrar o telescópio.

“Desde o começo, esta foi uma missão de alto risco e alta recompensa”

Shawn Domagal-Goldman, diretor da Divisão de Astrofísica da Nasa, em balanço da agência de 28 de setembro de 2026

Para ganhar tempo, os controladores mudaram a forma de apontar o telescópio. Desde fevereiro de 2026, o Swift passou a voar na posição que reduz o atrito com o ar e deixou de fazer observações de rotina até o fim de agosto, segundo a Nasa. A nave de resgate reentrou na atmosfera em 25 de setembro.

A trajetória do Swift
  • 20/11/2004Nasa lança o Swift em órbita de 584 a 601 km, inclinada a 20,6 graus
  • Set/2025Nasa contrata uma nave robótica para elevar a órbita do telescópio
  • Fev/2026Swift passa a voar na posição de menor atrito e suspende observações de rotina
  • Jul/2026Nave de resgate é lançada das Ilhas Marshall
  • 3/9/2026Nasa encerra a participação na tentativa de resgate
  • 25/9/2026Nave de resgate reentra na atmosfera
  • 20/10/2026Swift faz a última observação científica
  • 23/10/2026Nasa anuncia o fim da missão e a queda nas próximas semanas

Para quem gosta de acompanhar o céu, há também a lista de eclipses e chuvas de meteoros de 2026 e 2027, com datas e horários para cada região.

Até a reentrada, a faixa possível continua a mesma: qualquer ponto entre 20,6 graus norte e 20,6 graus sul, no Brasil ou em outro continente.

Se um destroço cair perto de você, em qualquer estado, a orientação é não tocar, fotografar de longe e ligar para a Defesa Civil pelo 199 ou para os Bombeiros pelo 193. As duas ligações são gratuitas e funcionam 24 horas.

Como calculamos. A lista de capitais sob a rota do Swift cruza a inclinação da órbita informada pela Nasa (20,6 graus) com as coordenadas das sedes municipais do IBGE. Ficam dentro da faixa as capitais com latitude até 20,6 graus sul.

Como citar: Ouviram (29 out. 2026). «Telescópio Swift, da Nasa, vai cair e sua rota cruza o Norte, o Nordeste e o Centro-Oeste». ouviram.com.br/brasil/telescopio-swift-nasa-vai-cair-rota-brasil-lixo-espacial-o-que-fazer

Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.

Perguntas frequentes

Lixo espacial é a mesma coisa que meteorito?

Não. Meteorito é uma rocha natural vinda do espaço que chega ao solo. Lixo espacial é tudo o que foi fabricado e lançado pelo ser humano, como satélites desativados, partes de foguetes e peças soltas.

Quem acompanha a queda de satélites e lixo espacial?

A Agência Espacial Europeia mantém um escritório de detritos espaciais em Darmstadt, na Alemanha, e os Estados Unidos rastreiam objetos em órbita com radares militares. No Brasil, a Agência Espacial Brasileira é o órgão técnico que examina objetos que caem no território.

O que são explosões de raios gama?

São clarões de radiação muito energética que aparecem por pouco tempo em galáxias distantes. Muitos estão ligados ao colapso de estrelas gigantes ou à fusão de estrelas de nêutrons. O Swift registrou mais de 2.000 deles, segundo a Nasa.

A Estação Espacial Internacional também vai cair?

Sim, mas de forma controlada. A Nasa planeja retirar a estação de órbita por volta de 2030 com uma nave feita para empurrá-la até uma área remota do oceano, longe de rotas e cidades.

Satélites brasileiros também podem cair?

Sim, todo satélite em órbita baixa perde altura com o tempo. Nesse caso, o Brasil responde pelos danos como país lançador, pelas mesmas regras da convenção de 1972.

#Espaço#Nasa#TelescópioSwift#AgênciaEspacialBrasileira#LixoEspacial

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  1. 1. Até que latitude o telescópio Swift pode cair?

  2. 2. Quantas vezes é mais provável ser atingido por um raio do que ferido por lixo espacial?

  3. 3. Qual número chama a Defesa Civil?

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