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Mpox: sintomas aparecem em até 21 dias, e vacina do SUS vai só a grupos de risco
No Brasil e em outros países onde a doença não é endêmica, a mortalidade é de 0,022%, e a maioria melhora em até quatro semanas, diz o Ministério da Saúde.

O Ministério da Saúde informa que os primeiros sinais da mpox, como feridas na pele, febre e ínguas, surgem de 3 a 21 dias após o contato. A doença passa sobretudo pelo contato direto com as lesões, e a vacina do Sistema Único de Saúde (SUS) vai só a grupos de maior risco.
Para a maioria das pessoas, a doença é leve ou moderada e some sozinha em duas a quatro semanas. O que muda tudo é procurar a unidade de saúde cedo. Lá, o teste confirma o caso, a equipe orienta o isolamento e quem teve contato de risco ainda pode receber a vacina a tempo.
- O que éDoença viral, causada pelo vírus MPXV, do mesmo gênero da varíola humana
- Como pegaContato direto com feridas, secreções e objetos usados pelo doente
- IncubaçãoDe 3 a 16 dias, podendo chegar a 21 dias
- DuraçãoDe 2 a 4 semanas, na maioria dos casos
- TratamentoAlívio dos sintomas; não há antiviral com eficácia comprovada
- VacinaJynneos, duas doses, só para grupos prioritários
- Onde procurarUnidade Básica de Saúde (UBS) mais perto de casa
O Brasil confirmou 13.244 casos de mpox da cepa II desde o surto global de 2022, segundo a Nota Técnica nº 202/2025 do Ministério da Saúde, assinada em setembro de 2025. O próprio ministério informa que as novas infecções caíram desde o pico do surto, mas que casos esporádicos continuam a surgir.
13.244
casos de mpox da cepa II foram confirmados no Brasil desde o surto global que começou em 2022
Fonte: Ministério da Saúde, setembro de 2025
Em 2026, o painel do ministério registrava 140 casos confirmados no ano até 9 de março, sem nenhuma morte, com o estado de São Paulo à frente. O nome antigo, “varíola dos macacos”, caiu em desuso: a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou o termo mpox em 28 de novembro de 2022.
Como a doença aparece e se espalha
Os sintomas da mpox são feridas na pele, ínguas (gânglios inchados), febre, dor de cabeça, dores no corpo, calafrio e fraqueza, segundo o Ministério da Saúde. Eles aparecem de 3 a 16 dias depois do contato com o vírus, e esse intervalo pode chegar a 21 dias.
As feridas costumam surgir de um a três dias depois da febre, mas às vezes vêm antes dela. Começam planas ou um pouco elevadas, se enchem de líquido claro ou amarelado e viram crostas, que secam e caem.
O número de lesões varia muito: pode ser só uma ou chegar a milhares, informa o ministério. Elas aparecem com mais frequência no rosto, na palma das mãos e na sola dos pés, mas também podem surgir na boca, nos olhos, nos genitais e no ânus.
Por isso, uma ferida isolada na região íntima também merece atenção. A definição de caso suspeito usada pelo SUS desde abril de 2025 inclui lesão em mucosas, inflamação no reto, com dor ou sangramento, e inchaço no pênis, com ou sem outros sintomas.
A maioria dos casos é leve. Algumas pessoas, porém, têm mais chance de complicação: gestantes, idosos, crianças e pessoas que vivem com HIV com contagem de células de defesa CD4 abaixo de 200, segundo a Nota Técnica nº 202/2025. Transplantados e pacientes em tratamento de câncer também estão no grupo de atenção do ministério.
As complicações descritas pelo Ministério da Saúde incluem infecção bacteriana nas feridas, pneumonia, confusão mental e desidratação, quando as lesões na boca impedem a pessoa de beber água. Infecções nos olhos podem levar à perda da visão.
O vírus passa de uma pessoa para outra principalmente pelo contato direto com as feridas e as crostas do doente, segundo o Ministério da Saúde. Secreções como pus, sangue das lesões e saliva também transmitem. O contato íntimo e o sexo estão entre as situações de maior risco, porque envolvem pele com pele.
Objetos também carregam o vírus. Roupas, toalhas, lençóis, talheres e pratos usados pelo doente podem transmitir a doença se forem compartilhados antes de lavados.
A transmissão por gotículas respiratórias existe, mas exige contato próximo e prolongado, o que expõe mais familiares, parceiros e profissionais de saúde.
A pessoa transmite o vírus desde o início dos sintomas até que todas as feridas cicatrizem e uma nova camada de pele se forme. A Nota Técnica nº 202/2025 acrescenta que a transmissão pode começar um pouco antes dos primeiros sinais.
Apesar do nome antigo, o macaco não é a origem da doença. O Ministério da Saúde explica que os primatas não são reservatório do vírus e que os principais suspeitos são pequenos roedores, como esquilos, das florestas da África Central e Ocidental.
A vacina Jynneos e os grupos prioritários
A vacina contra mpox no SUS é a Jynneos, aplicada em duas doses de 0,5 ml com 28 dias de intervalo, por via subcutânea, segundo o informe técnico do Ministério da Saúde. Ela não está no calendário de rotina: vai a pessoas com maior risco de exposição ou de quadro grave, conforme a quantidade de doses disponível.
A Jynneos usa uma forma enfraquecida de um vírus parente, que não se multiplica no corpo. Ela é indicada para adultos a partir de 18 anos. No Brasil, está liberada para uso emergencial desde 2022, porque não tem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), segundo nota técnica de 2025.
Em abril de 2025, a Nota Técnica Conjunta nº 3/2025 informou a compra de 25.000 doses pelo fundo rotatório da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). O mesmo documento diz que a vacinação em massa não é recomendada.
| Situação | Quem entra | Como funciona |
|---|---|---|
| Prioridade | Pessoas vivendo com HIV/aids com CD4 abaixo de 100 | Cadastro prévio no centro de referência onde já fazem acompanhamento |
| Ampliação | Pessoas com HIV e CD4 abaixo de 200, usuários de PrEP e técnicos de laboratório que manipulam o vírus | Convocação com as doses que sobram, 15 dias depois da data marcada |
| Pós-exposição | Quem teve contato de médio ou alto risco com caso suspeito ou confirmado | Indicação da vigilância em saúde, depois de avaliar o contato |
Fonte: Ministério da Saúde, Nota Técnica Conjunta nº 3/2025 e página Saúde de A a Z
A ampliação existe para não perder vacina. Depois de descongelada, a dose vale só 28 dias, e por isso as sobras vão para o segundo grupo, explica a nota técnica.
Para quem teve contato de risco, o relógio importa. O informe técnico indica a vacina em até 4 dias depois da exposição, quando ela tem o maior efeito. Até o 14º dia ela ainda pode ser aplicada, mas com outro objetivo: diminuir a chance de a doença ficar grave.
A vacina não serve para quem já está doente. Quem já recebeu o diagnóstico ou tem uma ferida suspeita no dia da aplicação fica de fora, segundo o ministério.
“Estudos observacionais sugerem que a vacinação não impede totalmente a infecção, mas reduz gravidade, número de lesões e complicações”, diz a Nota Técnica nº 202/2025 do Ministério da Saúde. Ou seja, mesmo quem tomou as duas doses precisa manter os outros cuidados.
Se você vive com HIV e faz acompanhamento num centro de referência, pergunte na próxima consulta se está no cadastro da vacina. Quem usa PrEP deve ficar atento à convocação do serviço onde retira o remédio. As outras vacinas do adulto estão no calendário de vacinação do SUS.
Do teste ao cuidado em casa
Quem tem ferida na pele com febre ou ínguas, ou teve contato próximo com um caso suspeito, deve procurar uma unidade de saúde, orienta o Ministério da Saúde. O exame é gratuito no SUS e usa um teste molecular, que procura o material genético do vírus numa amostra da lesão.
- Vá à Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima e conte se teve contato com alguém doente.
- Até a consulta, cubra as feridas com roupa de manga e calça compridas e use máscara bem ajustada.
- Deixe a equipe colher a amostra: o ideal é a secreção da ferida; se ela já secou, a crosta serve.
- Enquanto espera o resultado, não divida toalhas, roupas de cama, talheres, copos nem escova de dentes.
- Se o teste der positivo, siga o isolamento até as crostas caírem e a pele se refazer.
O serviço de saúde é obrigado a notificar o caso em até 24 horas no sistema nacional de vigilância, o e-SUS Sinan. A mpox está na lista de doenças de notificação compulsória, como o sarampo e a meningite.
Quem convive com o doente não precisa ficar isolado se não tiver sintomas. A Nota Técnica nº 202/2025 manda acompanhar esses contatos por 21 dias, a contar do último encontro com a pessoa diagnosticada.
Em casa, a regra é proteger os outros sem esconder o doente. As feridas devem ficar cobertas, e a roupa que as cobre deve ser trocada quando estiver úmida. O ministério também orienta não estourar as bolhas, não passar lâmina de barbear nas áreas com lesão e deixar as lentes de contato de lado até o fim da transmissão.
Lençóis, toalhas e roupas do doente vão para a lavagem com água e detergente. Superfícies devem ser limpas e desinfetadas, e quem cuida da pessoa deve usar luvas e máscara, além de lavar as mãos com água e sabão ou álcool em gel.
Se a criança tiver febre e feridas, a atenção precisa ser maior. Segundo o Ministério da Saúde, crianças têm mais chance de quadros graves do que adolescentes e adultos, e por isso devem ser avaliadas logo na unidade de saúde.
Quanto ao tratamento, a mpox não tem remédio específico aprovado, e o cuidado médico serve para aliviar os sintomas, prevenir complicações e dar suporte clínico, segundo o Ministério da Saúde. A maioria das pessoas melhora entre duas e quatro semanas, com analgésico quando necessário e cuidado em casa.
O antiviral tecovirimat chegou a ser estudado. Em análises preliminares, não encurtou o tempo de cicatrização das feridas nem controlou melhor a dor em adultos com a cepa II, informa a Nota Técnica nº 202/2025. Antibiótico preventivo também não é recomendado.
Quem está nos grupos de risco precisa de avaliação médica para decidir se deve ser internado. É o caso de gestantes, idosos, crianças e pessoas com HIV com CD4 abaixo de 200.
O dado que tranquiliza vem do próprio ministério. Em países onde a doença não é endêmica, como o Brasil, a taxa de mortalidade da mpox é de 0,022%. Na varíola humana, declarada erradicada pela OMS em 1980, essa taxa era de 30%.
Desde 2024, uma variante nova, a cepa Ib, identificada na República Democrática do Congo, chegou a outros países, segundo o Ministério da Saúde. O Brasil confirmou o primeiro caso dessa variante em 5 de março de 2025, numa paciente residente no estado de São Paulo. Até a nota técnica de setembro de 2025, não houve casos secundários.
- junho de 2022O Brasil confirma o primeiro caso do surto global, no estado de São Paulo
- 23 de julho de 2022A OMS declara a mpox emergência de saúde pública de importância internacional
- 28 de novembro de 2022A OMS recomenda o nome mpox no lugar de varíola dos macacos
- 11 de maio de 2023A OMS encerra a primeira emergência internacional da doença
- 14 de agosto de 2024A OMS declara nova emergência por causa da cepa Ib, e o ministério cria o COE Mpox
- 5 de março de 2025O Brasil confirma o primeiro caso da cepa Ib, em São Paulo
- 5 de setembro de 2025A OMS encerra a segunda emergência internacional de mpox
O fim da emergência não encerrou a vigilância. A Anvisa atualizou em setembro de 2025 as orientações para portos, aeroportos e fronteiras, e o Ministério da Saúde mantém um painel de casos de mpox em sua página na internet.
Se você tiver feridas com febre ou ínguas, procure a UBS do seu bairro com um documento com foto e o cartão do SUS ou o CPF. Para tirar dúvidas por telefone, o Disque Saúde atende pelo número 136, de segunda a sexta, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 18h.
Como citar: Ouviram (29 out. 2026). «Mpox: sintomas aparecem em até 21 dias, e vacina do SUS vai só a grupos de risco». ouviram.com.br/brasil/mpox-sintomas-como-pega-vacina-sus-quem-pode-tomar
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
Mpox passa da mãe para o bebê?
Sim. Segundo o Ministério da Saúde, o vírus pode passar da gestante para o feto pela placenta, ou da mãe para o bebê durante ou depois do parto, pelo contato pele a pele.
Cachorro e gato pegam mpox?
Ainda não há prova de que pessoas com mpox transmitam o vírus a animais, mas o Ministério da Saúde não descarta essa via. Por isso, quem está doente deve evitar contato direto com bichos de estimação até o fim do período de transmissão.
Só homens que fazem sexo com homens pegam mpox?
Não. O Ministério da Saúde explica que a mpox passa por contato físico próximo e que qualquer pessoa em contato com alguém infectado corre risco, seja qual for a orientação sexual.
Mpox é transmitida pelo sêmen?
Ainda não se sabe se o vírus passa pelo sêmen ou por fluidos vaginais, segundo o Ministério da Saúde. O que transmite durante o sexo é o contato direto da pele com as lesões, que podem estar nos genitais e na boca.
Quem usa PrEP precisa parar o remédio se pegar mpox?
Não. A Nota Técnica nº 202/2025 do Ministério da Saúde orienta que usuários da profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) mantenham o remédio mesmo com o diagnóstico de mpox.
Grávida pode tomar a vacina contra mpox?
Pode, com precaução, quando a exposição for de alto risco e a decisão for tomada em conjunto com a equipe de saúde, segundo o informe técnico do Ministério da Saúde. Não há estudos de segurança nesse grupo, mas a vacina usa um vírus que não se multiplica.
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1. A mpox é transmitida por macacos?
Segundo o Ministério da Saúde, os prováveis reservatórios são pequenos roedores das florestas da África Central e Ocidental.
2. Quantas doses tem o esquema da vacina contra mpox usada no SUS?
O informe técnico do Ministério da Saúde prevê duas doses de 0,5 ml da Jynneos, com 28 dias de intervalo.
3. Até quando uma pessoa com mpox pode transmitir o vírus?
O Ministério da Saúde informa que a transmissão vai do início dos sintomas até a formação de uma nova camada de pele.
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