PIBExplicador
Produção industrial sobe 0,8% em 2026 até agosto, com extração em alta e fábricas estáveis
A Confederação Nacional da Indústria cortou de 2% para 1,6% a previsão para o PIB do ano, e o resultado de setembro sai em 5 de novembro.

A produção industrial do Brasil cresceu 0,8% de janeiro a agosto de 2026 sobre igual período de 2025, segundo o IBGE. A alta veio principalmente da extração de petróleo, gás e minério de ferro. As fábricas, no conjunto, ficaram praticamente no mesmo lugar.
O número importa para quem trabalha, compra e investe. A indústria respondeu por 23,4% do valor adicionado da economia no 1º semestre de 2026, segundo as Contas Nacionais Trimestrais do IBGE. Quando ela desacelera, o efeito chega às encomendas de fornecedores, ao frete e às vagas nas cidades onde as fábricas ficam.
Nesta quarta-feira, 28 de outubro de 2026, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) reduziu de 2% para 1,6% sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. A CNI é a entidade que representa as empresas do setor. O próximo dado oficial do IBGE, com o resultado de setembro, sai na quinta-feira, 5 de novembro.
- Acumulado em 2026Alta de 0,8% (janeiro a agosto)
- Agosto ante julhoQueda de 0,6%, com ajuste sazonal
- Agosto ante agosto de 2025Queda de 1,2%
- Em 12 mesesAlta de 0,6%
- Ante fevereiro de 20201,3% acima, o nível pré-pandemia
- Próximo dado5 de novembro, às 9h, com o resultado de setembro
0,8%
foi quanto a produção industrial cresceu de janeiro a agosto de 2026 sobre o mesmo período de 2025
Fonte: IBGE, outubro de 2026
O dado é da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF) do IBGE, divulgada em 2 de outubro. O ritmo perdeu força ao longo do ano: em junho, o acumulado era de 1,5%, e em julho, de 1,2%.
O primeiro semestre teve meses fortes. Na comparação com o mesmo mês de 2025, a produção subiu 4,5% em março, 2,8% em abril, 0,2% em maio e 1,7% em junho. Julho virou o sinal, com queda de 0,5%, e agosto aprofundou a baixa, para 1,2%.
Na comparação com o mês anterior, com ajuste sazonal, maio e junho somaram perda de 2,6%, segundo o IBGE. Julho subiu 0,1%, e agosto caiu 0,6%. No recuo de agosto, as quatro grandes categorias da pesquisa e 16 dos 25 ramos industriais produziram menos.
A comparação de longo prazo ajuda a dar a medida. Em agosto de 2026, a indústria estava 1,3% acima do nível de fevereiro de 2020, o último mês antes da pandemia, segundo o IBGE. E seguia 15,6% abaixo do recorde da série, de maio de 2011.
Fonte: IBGE, PIM-PF, outubro de 2026
Petróleo, minério e carros em alta, máquinas em queda
As indústrias extrativas lideram o crescimento de 2026, com alta de 6,1% de janeiro a agosto, segundo o IBGE. A alta veio de óleos brutos de petróleo, minérios de ferro pelotizados ou sinterizados e gás natural. A indústria de transformação, a das fábricas, recuou 0,1% no mesmo período.
A extração, porém, perdeu fôlego no fim do período. Em agosto, ela teve o quarto mês seguido de queda na comparação com o mês anterior, com perda de 4,7% nesse intervalo, segundo o IBGE. Ainda assim, na comparação com agosto de 2025, subiu 2,4%.
Dentro das fábricas, o retrato é dividido. Dos 25 ramos pesquisados pelo IBGE, contada a extração, 11 produziram mais em 2026 do que em igual período de 2025. Veículos automotores cresceram 5,8%, com mais automóveis, autopeças e veículos de carga. Os derivados de petróleo e biocombustíveis subiram 3,1%, com etanol, óleo diesel, querosene de aviação e nafta.
Do outro lado, a fabricação de máquinas e equipamentos caiu 7,8%. O IBGE cita menos aparelhos de ar-condicionado, máquinas para colheita, tratores agrícolas, silos para grãos e plantadeiras. Os produtos químicos recuaram 3,5%, e a confecção de roupas, 7,3%.
| Atividade | Jan. a ago. de 2026 | Agosto ante agosto de 2025 |
|---|---|---|
| Indústrias extrativas | 6,1% | 2,4% |
| Veículos automotores | 5,8% | 6,6% |
| Derivados de petróleo e biocombustíveis | 3,1% | -1,0% |
| Bebidas | 2,3% | 4,4% |
| Metalurgia | 1,1% | 3,7% |
| Produtos alimentícios | 0,2% | -1,0% |
| Indústria de transformação (total) | -0,1% | -1,8% |
| Produtos químicos | -3,5% | -3,8% |
| Confecção de roupas e acessórios | -7,3% | -10,6% |
| Máquinas e equipamentos | -7,8% | -8,0% |
Fonte: IBGE, PIM-PF, outubro de 2026
As grandes categorias contam a mesma história por outro ângulo. A produção de bens de capital, as máquinas e os equipamentos que as empresas compram para produzir mais, caiu 5,3% de janeiro a agosto, segundo o IBGE. Essa categoria funciona como termômetro do investimento das empresas. Já a de automóveis de passeio subiu 9,1%, e a de bens intermediários, os insumos usados por outras indústrias, 1,6%.
A indústria estado por estado
O Espírito Santo tem o maior crescimento industrial entre os estados pesquisados em 2026, com alta de 17,7% de janeiro a agosto, segundo a PIM-PF Regional do IBGE. Pernambuco vem em seguida, com 13,9%, nos dados divulgados em 8 de outubro. Rio de Janeiro (6,9%) e Mato Grosso do Sul (7,1%) também crescem acima da média nacional, de 0,8%.
No Sudeste, a diferença entre vizinhos é grande. Espírito Santo e Rio de Janeiro avançam com folga. São Paulo, o maior parque fabril do país, recua 0,7% no ano, e Minas Gerais sobe 0,7%.
No Sul, o Rio Grande do Sul cresce 3,7%, enquanto Paraná (-1,1%) e Santa Catarina (-1,4%) produzem um pouco menos. No Centro-Oeste, Mato Grosso e Goiás avançam 2,0% cada. No Norte, Amazonas (-2,5%) e Pará (-5,4%) estão no vermelho, e no Nordeste o conjunto da região sobe 0,9%, com Pernambuco à frente.
| Estado ou região | Jan. a ago. de 2026 | Agosto ante agosto de 2025 |
|---|---|---|
| Espírito Santo | 17,7% | 8,0% |
| Pernambuco | 13,9% | -0,7% |
| Mato Grosso do Sul | 7,1% | 3,8% |
| Rio de Janeiro | 6,9% | 8,3% |
| Rio Grande do Sul | 3,7% | -0,8% |
| Goiás | 2,0% | -0,4% |
| Mato Grosso | 2,0% | -4,4% |
| Nordeste | 0,9% | -2,7% |
| Brasil | 0,8% | -1,2% |
| Minas Gerais | 0,7% | 0,5% |
| São Paulo | -0,7% | -2,5% |
| Paraná | -1,1% | -1,3% |
| Santa Catarina | -1,4% | -0,7% |
| Amazonas | -2,5% | 0,5% |
| Ceará | -3,8% | -7,8% |
| Bahia | -4,4% | -3,0% |
| Pará | -5,4% | -19,8% |
| Maranhão | -6,9% | -11,2% |
| Rio Grande do Norte | -10,7% | 0,1% |
Fonte: IBGE, PIM-PF Regional, outubro de 2026
Se você mora no Espírito Santo ou em Pernambuco, a indústria do seu estado vive um ano de expansão. O mês de agosto, porém, foi fraco em quase todo o país. Na comparação com julho, 10 dos 15 locais com série ajustada pelo IBGE produziram menos, com as maiores quedas no Pará (-7,3%) e no Amazonas.
O peso de cada estado na economia, e não só o ritmo da indústria, aparece no ranking do PIB dos estados.
A previsão da CNI para 2026
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) prevê crescimento de 1,6% para o PIB brasileiro em 2026, ante 2% na estimativa de julho. A previsão está no Informe Conjuntural do 3º trimestre, divulgado em 28 de outubro. Para a indústria como um todo, a previsão caiu de 2% para 1,3%, e para a indústria de transformação passou de alta de 0,6% para queda de 0,7%.
A entidade atribuiu a revisão à demanda interna mais fraca, ao crédito caro, aos custos de produção mais altos e à concorrência com produtos importados. Nos serviços, a previsão caiu de 1,9% para 1,6%. Na agropecuária, subiu de 1,8% para 2,5%, com a perspectiva melhor para a segunda safra de milho.
Fonte: CNI, Informe Conjuntural, 28 de outubro de 2026
A CNI também projeta inflação de 5,15% pelo IPCA e Selic de 13,25% ao ano no fim de 2026. Para a dívida bruta do governo, prevê alta de 78,6% para 83,7% do PIB. Para a construção, prevê alta de 1,5%, sustentada por obras de infraestrutura e pelo programa Minha Casa, Minha Vida.
As previsões oficiais e de mercado estão um pouco acima. A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda reduziu a sua estimativa para o PIB de 2026 de 2,3% para 2,0% em setembro. No Boletim Focus, a pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras, a mediana estava em 1,80% em 26 de outubro.
O dado fechado do ano só sai em 2027. Até lá, o IBGE divulga o PIB do 3º trimestre em 2 de dezembro de 2026. O valor do PIB em reais e o desempenho de cada setor estão explicados na matéria sobre o PIB do Brasil em 2026.
O crédito caro, um dos motivos citados pela CNI para a revisão, também chega ao consumidor. A taxa básica, a Selic, encarece o financiamento de máquinas para as empresas e o crediário de carros, geladeiras e móveis para as famílias. O caminho dos juros está na matéria sobre Selic, Copom e inflação.
Os preços na porta da fábrica também mexem com o bolso. O Índice de Preços ao Produtor (IPP) das indústrias extrativas e de transformação subiu 1,54% em setembro de 2026, puxado pelo setor de alimentos, segundo o IBGE. O IPP mede o preço que a indústria cobra na saída da fábrica, sem impostos nem frete.
No emprego, o quadro geral segue firme. A taxa de desocupação ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto de 2026, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua do IBGE. Se você trabalha em montadora, autopeças, refinaria ou mineração, está entre os ramos que mais cresceram no ano. Em fábricas de máquinas agrícolas, química e confecção, o ano é de produção menor.
O IBGE divulga os próximos resultados da indústria sempre às 9h, horário de Brasília. Nenhuma das datas coincide com feriado nacional: Finados cai na segunda-feira, 2 de novembro, e o Dia da Consciência Negra, na sexta-feira, 20 de novembro.
- 5 de novembroProdução industrial de setembro, Brasil
- 11 de novembroProdução industrial de setembro, por estado
- 26 de novembroPreços ao produtor (IPP) de outubro
- 2 de dezembroPIB do 3º trimestre de 2026
- 3 de dezembroProdução industrial de outubro, Brasil
- 9 de dezembroProdução industrial de outubro, por estado
Os números da PIM-PF ficam na página da pesquisa no site do IBGE e no Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra), com tabelas por atividade e por estado. O atendimento do instituto para dúvidas sobre a metodologia é pelo telefone 0800 721 8181.
Como citar: Ouviram (28 out. 2026). «Produção industrial sobe 0,8% em 2026 até agosto, com extração em alta e fábricas estáveis». ouviram.com.br/economia/producao-industrial-2026-quanto-cresceu-estados-previsao-pib
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
O que é a PIM-PF do IBGE?
É a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física, que mede todo mês o volume produzido pela indústria. Acompanha 1.042 produtos em cerca de 10 mil empresas, segundo o IBGE.
Produção industrial e PIB da indústria são a mesma coisa?
Não. A PIM-PF mede o volume físico de extração e de fábricas, mês a mês. O PIB da indústria, das Contas Trimestrais do IBGE, inclui também construção e serviços de luz, gás, água e esgoto.
Que horas o IBGE divulga a produção industrial?
A divulgação é às 9h, horário de Brasília. O resultado de setembro de 2026 sai em 5 de novembro, e o recorte por estado, em 11 de novembro, segundo o calendário do IBGE.
Por que a produção industrial é comparada com fevereiro de 2020?
Fevereiro de 2020 é o último mês antes da pandemia. Em agosto de 2026, a produção estava 1,3% acima desse patamar, segundo o IBGE.
Qual foi o melhor ano da indústria brasileira?
O ponto mais alto da série do IBGE foi alcançado em maio de 2011. Em agosto de 2026, a produção estava 15,6% abaixo desse recorde.
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1. Quanto a produção industrial cresceu de janeiro a agosto de 2026?
A alta acumulada nos oito meses foi de 0,8% sobre o mesmo período de 2025, segundo a PIM-PF do IBGE.
2. Qual setor da indústria mais caiu de janeiro a agosto de 2026?
Máquinas e equipamentos recuaram 7,8%, com menos tratores, máquinas agrícolas e aparelhos de ar-condicionado, segundo o IBGE.
3. Em que mês e ano a indústria brasileira teve o nível de produção recorde?
O pico da série é de maio de 2011, e em agosto de 2026 a produção estava 15,6% abaixo dele, segundo o IBGE.
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