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Produção de soja por estado: Mato Grosso é o maior produtor do Brasil, com 28,6% da safra

A primeira estimativa da Conab para o ciclo 2026/27 prevê 181,6 milhões de toneladas no país, novo recorde, e o plantio chegou a 30,1% da área em 16 de outubro.

Lavouras e pivôs de irrigação no cerrado do oeste da Bahia vistos por satélite
Lavouras e pivôs de irrigação entre Barreiras e Riachão das Neves, no oeste da Bahia, vistos pelo satélite CBERS-4, em imagem de 2018.Foto: Coordenação-Geral de Observação da Terra/INPE / Wikimedia Commons · CC BY-SA 2.0

Mato Grosso colheu 51,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, 28,6% do total nacional de 180,4 milhões, segundo a Conab. O estado lidera o ranking, à frente de Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul, e os quatro somam 62% da soja do país.

A próxima safra já está no chão. O primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para 2026/27, divulgado em 15 de outubro, prevê 181,6 milhões de toneladas, alta de 0,7% e novo recorde. Até 16 de outubro, os produtores tinham plantado 30,1% da área prevista, acima dos 21,4% do mesmo ponto de 2025.

A soja mexe com o bolso de quem nunca pisou numa lavoura. O grão vira o farelo da ração do frango e do porco, o óleo da cozinha e parte do biodiesel misturado ao diesel. Em 2025, a soja em grão rendeu US$ 43,5 bilhões em exportações, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

  • Maior produtorMato Grosso, 51,6 milhões de toneladas em 2025/26
  • Safra 2025/26180,4 milhões de toneladas, recorde, em 48,6 milhões de hectares
  • Estimativa 2026/27181,6 milhões de toneladas, em 49,3 milhões de hectares
  • Produtividade prevista3.683 kg por hectare, cerca de 61 sacas
  • Plantio em 16 de outubro30,1% da área, contra média de 26,4% em cinco anos
  • Maior compradorChina, 79% da soja exportada em 2025
  • FontesConab, IBGE e MDIC
PosiçãoEstadoProdução 2025/26 (mil t)ParticipaçãoEstimativa 2026/27 (mil t)Área 2026/27 (mil ha)Produtividade 2026/27 (kg/ha)
1ºMato Grosso51.621,628,6%50.884,513.084,23.889
2ºParaná21.957,612,2%21.838,35.825,13.749
3ºGoiás20.147,811,2%20.318,95.199,33.908
4ºRio Grande do Sul18.634,310,3%20.182,16.743,12.993
5ºMato Grosso do Sul15.754,18,7%15.913,04.451,23.575
6ºBahia9.452,55,2%9.209,42.263,34.069
7ºMinas Gerais9.158,85,1%9.292,82.405,63.863
8ºTocantins5.994,43,3%5.946,61.716,73.464
9ºMaranhão5.514,13,1%5.593,41.603,63.488
10ºPará5.395,13,0%5.493,01.519,53.615
11ºSão Paulo5.368,83,0%5.383,91.422,83.784
12ºPiauí4.397,92,4%4.305,31.153,33.733
13ºSanta Catarina3.159,31,8%3.195,9828,83.856
14ºRondônia2.829,01,6%2.917,3766,53.806
15ºRoraima443,70,2%534,5163,43.271

Fonte: Conab, 1º levantamento da safra 2026/27, outubro de 2026. A estimativa de 2026/27 é preliminar.

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Na safra 2025/26, Mato Grosso liderou a produção de soja por estado, com 51,6 milhões de toneladas, segundo a Conab. O Paraná colheu 22 milhões, Goiás, 20,1 milhões, e o Rio Grande do Sul, 18,6 milhões. Os 15 maiores estados concentram 99,7% da colheita nacional.

O Centro-Oeste sozinho colheu 87,9 milhões de toneladas, quase metade da soja do país (48,7%). O Sul respondeu por 24,3%, o Nordeste por 10,8%, o Norte por 8,2% e o Sudeste por 8,1%. Na conta da Conab, cinco estados aparecem sem área de soja: Rio Grande do Norte, Paraíba, Sergipe, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

A maior produtividade entre os grandes produtores ficou com a Bahia, com 4.260 kg por hectare em 2025/26, cerca de 71 sacas. A soja baiana, concentrada no oeste do estado, na região do Matopiba, rendeu mais por hectare que a de Mato Grosso, que fechou em 3.969 kg.

O Rio Grande do Sul teve a menor média dos grandes, 2.769 kg por hectare, e a Conab espera recuperação de 8,1% no rendimento gaúcho em 2026/27.

A safra de soja cresceu de 140 para 180 milhões de toneladas em cinco anos (milhões de toneladas)
2020/21140,2
2021/22130,8
2022/23159,2
2023/24151,3
2024/25171,5
2025/26180,4
2026/27 (estimativa)181,6

Fonte: Conab, série histórica e 1º levantamento da safra 2026/27, outubro de 2026

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Municípios que mais produzem soja no Brasil

São Desidério, no oeste da Bahia, foi o município que mais colheu soja no Brasil em 2025, segundo a Produção Agrícola Municipal (PAM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foram 2,36 milhões de toneladas. Sorriso, em Mato Grosso, ficou logo atrás, com 2,34 milhões, e Formosa do Rio Preto, também na Bahia, em terceiro.

Dos 12 municípios que mais colheram, sete são de Mato Grosso, três de Goiás e dois da Bahia. A soja foi colhida em 2.641 cidades brasileiras em 2025, quase metade dos municípios do país.

PosiçãoMunicípioProdução em 2025 (t)
1ºSão Desidério (BA)2.360.926
2ºSorriso (MT)2.343.000
3ºFormosa do Rio Preto (BA)2.241.106
4ºCampo Novo do Parecis (MT)1.754.610
5ºRio Verde (GO)1.671.150
6ºQuerência (MT)1.635.100
7ºNova Mutum (MT)1.593.600
8ºSapezal (MT)1.550.587
9ºDiamantino (MT)1.546.048
10ºParanatinga (MT)1.493.100
11ºJataí (GO)1.458.000
12ºCristalina (GO)1.256.250

Fonte: IBGE, Produção Agrícola Municipal 2025.

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Os números do IBGE e da Conab não batem, e há uma razão para isso. A PAM conta a soja colhida no ano civil, de janeiro a dezembro, com base em informações municipais, e registrou 165,3 milhões de toneladas em 2025.

A Conab mede a safra, que começa a ser plantada em setembro e é colhida no ano seguinte, com levantamentos próprios, e chegou a 171,5 milhões em 2024/25.

A soja colhida em 2025 valeu R$ 315,2 bilhões, segundo o IBGE, a lavoura de maior valor do país. Só Mato Grosso respondeu por R$ 90,3 bilhões desse total.

Quanto da soja do Brasil vai para a China

A China comprou 85,4 milhões de toneladas de soja em grão do Brasil em 2025, 79% de todo o volume exportado, segundo o Comex Stat, sistema de estatísticas do MDIC. O país exportou 108,2 milhões de toneladas do grão no ano, por US$ 43,5 bilhões, o segundo produto da pauta, atrás só do petróleo bruto.

Em 2026, os embarques seguem em ritmo forte e mais espalhados pelo mundo. De janeiro a setembro, o Brasil exportou 100,2 milhões de toneladas, 6,7% a mais que no mesmo período de 2025, e a receita subiu 14,9%, para US$ 42,9 bilhões. A fatia da China caiu para 69,9% do volume, enquanto Espanha, Turquia, Paquistão e Países Baixos compraram mais.

País2025 (mil t)Participação em 2025Jan. a set. de 2026 (mil t)Participação em 2026
China85.42779,0%70.00869,9%
Espanha4.0043,7%4.1974,2%
Tailândia3.4113,2%3.2243,2%
Turquia1.8431,7%3.0873,1%
Paquistão1.5061,4%2.4952,5%
Total exportado108.181100%100.152100%

Fonte: MDIC, Comex Stat, soja em grão (posição 1201), consulta de 25 de outubro de 2026.

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Nem toda a soja sai do país em grão. A Conab estima que a indústria brasileira vai esmagar 63,8 milhões de toneladas em 2026/27, quase 2 milhões a mais que no ciclo anterior. Desse processamento saem 49,1 milhões de toneladas de farelo, das quais 27,1 milhões devem ser exportadas, e 12,8 milhões de toneladas de óleo.

A procura interna por óleo deve crescer mais de 10%, para 11,6 milhões de toneladas, puxada pelo biodiesel, segundo a Conab. A companhia diz que uma eventual alta do percentual obrigatório de biodiesel no diesel tende a elevar o consumo de óleo de soja e o esmagamento do grão.

As exportações do grão em 2026/27 estão projetadas em 118 milhões de toneladas, alta de 1,5%. Mais detalhes sobre a pauta estão no guia das exportações do Brasil.

Safra de soja 2026/27 e calendário de plantio

A safra de soja 2026/27 deve chegar a 181,6 milhões de toneladas, segundo o primeiro levantamento da Conab, de outubro de 2026. A área plantada deve crescer 1,4%, para 49,3 milhões de hectares, e a produtividade média deve recuar 0,8%, para 3.683 kg por hectare, depois dos rendimentos recordes da safra anterior.

A expansão é a mais lenta em duas décadas. O boletim da Conab diz que, se a previsão se confirmar, “essa será a menor expansão percentual registrada nos últimos 20 anos”. A companhia liga o freio ao aperto nas margens dos produtores e às incertezas com o El Niño, fenômeno de aquecimento do Pacífico que altera as chuvas no Brasil.

A área cresce mais no Norte e no Nordeste, com destaque para Rondônia, Tocantins, Piauí e Maranhão. Entre os 15 maiores, Roraima tem a maior alta proporcional de produção prevista, de 20,5%, e o Rio Grande do Sul deve somar 1,5 milhão de toneladas a mais.

Já Mato Grosso, Paraná, Bahia, Tocantins e Piauí aparecem com pequena queda na primeira estimativa, por causa da produtividade menor.

A estimativa é preliminar. No primeiro levantamento, boa parte da área ainda não foi semeada, e a Conab usa modelos estatísticos para projetar o rendimento. Os números mudam a cada mês, conforme o clima e o plantio avançam, e o retrato final só sai depois da colheita.

42%

da soja colhida no mundo em 2026/27 deve sair do Brasil, que também responde por 61% das exportações do grão

Fonte: USDA, relatório de oferta e demanda de outubro de 2026

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O Brasil é o maior produtor e o maior exportador de soja do mundo. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta a safra brasileira 2026/27 em 186 milhões de toneladas, num total mundial de 442,7 milhões. Os Estados Unidos, segundo maior produtor, devem colher 124,2 milhões, e a Argentina, terceira, 50 milhões.

O plantio da soja 2026/27 só pode começar depois do vazio sanitário, período de 60 a 90 dias sem soja viva no campo. As datas foram fixadas pela Portaria SDA/Mapa nº 1.579, de 9 de abril de 2026, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

A regra corta o ciclo da ferrugem asiática, doença muito prejudicial à lavoura, segundo a Conab, e vale em 21 estados e no Distrito Federal.

O vazio terminou em datas diferentes em cada estado, o que ajuda a explicar por que o plantio avança primeiro no Centro-Oeste e no norte do Paraná.

  • Mato GrossoVazio de 8 de junho a 6 de setembro; plantio liberado desde 7 de setembro
  • Paraná, região 2 (Norte, Noroeste, Centro-Oeste e Oeste)Vazio de 2 de junho a 31 de agosto; plantio de 1º de setembro a 31 de dezembro
  • Paraná, região 1 (Sul, Leste, Campos Gerais e Litoral)Vazio de 21 de junho a 19 de setembro; plantio de 20 de setembro a 20 de janeiro de 2027
  • Mato Grosso do SulVazio de 15 de junho a 15 de setembro
  • GoiásVazio de 27 de junho a 24 de setembro
  • Minas Gerais e Distrito FederalVazio de 1º de julho a 30 de setembro
  • Rio Grande do SulVazio de 3 de julho a 30 de setembro

O plantio de 2026/27 está adiantado. Até 16 de outubro, a semeadura chegou a 30,1% da área nos 12 estados que somam 95% da soja, segundo o acompanhamento semanal da Conab. Um ano antes, eram 21,4%, e a média das últimas cinco safras é de 26,4%.

Mato Grosso liderava, com 60,8% da área plantada, seguido por Paraná, com 39%, e São Paulo, com 35%.

No Rio Grande do Sul, onde o vazio sanitário só terminou em 30 de setembro, o plantio mal começou, com 1% da área. Em Tocantins, Maranhão e Piauí, o plantio ainda não tinha começado, à espera do calendário usual e da chegada regular das chuvas, segundo a Conab.

A colheita da safra 2026/27 começa no início de 2027 nas lavouras plantadas primeiro, e a Conab acompanha o avanço semana a semana.

Se você é produtor ou trabalha na cadeia da soja, o calendário do seu estado está na agência de defesa agropecuária local, que fiscaliza o vazio sanitário. O peso da soja na economia local aparece no ranking do PIB dos estados. Os efeitos do clima sobre a lavoura estão no guia do El Niño de 2026.


A Conab divulga o progresso do plantio toda segunda-feira, às 19h, com o próximo boletim em 26 de outubro. O segundo levantamento da safra 2026/27, com a estimativa revista estado por estado, sai em 13 de novembro de 2026.

Como citar: Ouviram (25 out. 2026). «Produção de soja por estado: Mato Grosso é o maior produtor do Brasil, com 28,6% da safra». ouviram.com.br/economia/producao-de-soja-por-estado-conab

Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.

Perguntas frequentes

Para que serve a soja produzida no Brasil?

Pouco mais de um terço da safra é esmagada no país e vira farelo, usado na ração de frangos, porcos e bois, e óleo, que vai para a cozinha e para o biodiesel. A maior parte é exportada em grão, segundo o balanço de oferta e demanda da Conab.

Quantas sacas de soja dá um hectare?

A saca de soja tem 60 kg. Com a produtividade média estimada pela Conab para 2026/27, de 3.683 kg por hectare, um hectare rende cerca de 61 sacas. Em Mato Grosso, a média prevista é de 3.889 kg, perto de 65 sacas.

O que é a ferrugem asiática da soja?

É a doença causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, que precisa de uma planta viva para sobreviver. Por isso os estados proíbem soja no campo durante o vazio sanitário, de 60 a 90 dias, para quebrar o ciclo do fungo, segundo a Conab.

O que é o Matopiba?

É a região de cerrado formada por áreas do Maranhão, do Tocantins, do Piauí e da Bahia, nome feito com as iniciais dos quatro estados. Somados, os quatro estados devem colher 25,1 milhões de toneladas de soja em 2026/27, segundo a Conab.

Onde ver a produção de soja da minha cidade?

A Produção Agrícola Municipal do IBGE traz área, produção e valor da soja de cada município, ano a ano, no sistema Sidra. Os dados de 2025 foram os últimos divulgados.

#Agronegócio#Conab#MatoGrosso#Soja#Safra202627

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