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Maiores portos do Brasil: Ponta da Madeira lidera em toneladas e Santos entre os públicos

O Brasil embarcou e desembarcou 1,403 bilhão de toneladas por via aquaviária em 2025, alta de 6,1%, puxada por minério, petróleo e soja.

Navio graneleiro atracado em terminal de granéis do Porto de Santos
Navio graneleiro atracado sob os carregadores de um terminal de granéis do Porto de Santos (SP), em imagem de 2024.Foto: Marinha do Brasil / Wikimedia Commons · CC BY-SA 2.0

O maior porto do Brasil em volume de carga é o Terminal Marítimo de Ponta da Madeira, em São Luís (MA). Ele movimentou 172,4 milhões de toneladas em 2025, segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Entre os portos públicos, o primeiro lugar é de Santos (SP), com 142,8 milhões de toneladas.

A diferença entre os dois líderes explica boa parte do mapa portuário brasileiro. Ponta da Madeira é um terminal privado da mineradora Vale, quase todo dedicado ao minério de ferro que chega de Carajás (PA) pela ferrovia. Santos é um porto público com dezenas de terminais e carga de todo tipo, de contêineres a soja, açúcar e combustíveis.

No total, o país movimentou 1,403 bilhão de toneladas por via aquaviária em 2025, o maior volume da série da Antaq, que começa em 2010. O número inclui exportação, importação, cabotagem (a navegação entre portos brasileiros pela costa) e o transporte em rios.

1,403 bilhão

de toneladas passaram pelos portos e hidrovias do Brasil em 2025, alta de 6,1% em um ano

Fonte: Antaq, fevereiro de 2026

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  • Total em 20251,403 bilhão de toneladas, ante 1,322 bilhão em 2024
  • Maior instalaçãoPonta da Madeira (MA), 172,4 milhões de toneladas
  • Maior porto públicoSantos (SP), 142,8 milhões de toneladas
  • Maior em contêineresSantos, 4,05 milhões de TEU no porto público
  • Terminais privados906,1 milhões de toneladas, 64,6% do total
  • Portos públicos497 milhões de toneladas, 35,4% do total
  • Instalações35 portos públicos e 237 terminais de uso privado

O peso dos terminais privados, chamados de TUPs, vem do minério e do petróleo. Em 2025 eles cresceram 7%, enquanto os 35 portos públicos, administrados por autoridades portuárias e arrendados a operadores, avançaram 4,5%, segundo a Antaq. A agência registra ainda 45 estações de transbordo de carga, que fazem a ponte entre caminhões e barcaças nos rios.

A tabela abaixo traz as 15 instalações que mais movimentaram carga no ano passado, públicas e privadas, com a variação sobre 2024 e a carga que domina cada uma.

PosiçãoInstalaçãoTipoEstadoMilhões de t em 2025VariaçãoCarga principal
1ºPonta da Madeira (São Luís)Terminal privadoMA172,4−1,9%Minério de ferro
2ºSantosPorto públicoSP142,8+3,0%Contêineres, soja e açúcar
3ºTubarão (Vitória)Terminal privadoES87,4+12,9%Minério de ferro
4ºTebig (Angra dos Reis)Terminal privadoRJ70,4+12,3%Petróleo
5ºParanaguáPorto públicoPR66,4+12,0%Soja, farelo e contêineres
6ºItaguaíPorto públicoRJ62,8+3,6%Minério e carvão
7ºTPET/TOIL Açu (São João da Barra)Terminal privadoRJ60,4+20,3%Petróleo
8ºTebar (São Sebastião)Terminal privadoSP54,1+1,4%Petróleo
9ºItaqui (São Luís)Porto públicoMA36,8+8,5%Grãos e combustíveis
10ºRio GrandePorto públicoRS31,6+7,9%Soja e contêineres
11ºIlha Guaíba (Mangaratiba)Terminal privadoRJ31,5−2,1%Minério de ferro
12ºPorto Sudeste (Itaguaí)Terminal privadoRJ30,6+23,8%Minério de ferro
13ºSuape (Ipojuca)Porto públicoPE24,3−2,4%Combustíveis e contêineres
14ºTerminal de Minério do Açu (São João da Barra)Terminal privadoRJ24,2−3,1%Minério de ferro
15ºVila do Conde (Barcarena)Porto públicoPA21,3+5,7%Grãos, bauxita e alumina

Fonte: Antaq, Desempenho Aquaviário 2025.

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O Rio de Janeiro coloca seis instalações na lista, mais que qualquer outro estado. Quatro delas ficam no litoral sul fluminense, entre Angra dos Reis, Mangaratiba e Itaguaí, e outras duas no Porto do Açu, no norte do estado. O maior salto entre as 15 foi o do Porto Sudeste, com alta de 23,8%.

Em 2026, o ritmo segue positivo em Santos.

De janeiro a agosto, o complexo movimentou 125,9 milhões de toneladas, alta de 3,1% sobre o mesmo período de 2025, segundo a Autoridade Portuária de Santos (APS). A conta da APS abrange todo o complexo portuário do estuário, e por isso dá um número maior que o da Antaq para o porto público.

Minério, petróleo e soja: o que passa pelos portos

O minério de ferro é a carga que mais passa pelos portos brasileiros: foram 425,8 milhões de toneladas em 2025, 30% de toda a movimentação do país, segundo a Antaq. Petróleo bruto, com 221,7 milhões, e contêineres, com 164,6 milhões, completam o trio que soma mais da metade do total.

Quase todo esse minério vai para fora. Segundo a Antaq, 95% da movimentação de minério de ferro é exportação, e a China recebe 72% do total. O Sudeste concentra 57% desse fluxo, com os terminais do Espírito Santo e do litoral fluminense, e o Nordeste fica com a maior parte do restante, pelo Maranhão.

Minério de ferro lidera com folga a carga dos portos (milhões de toneladas em 2025)
Minério de ferro425,8
Petróleo bruto221,7
Contêineres164,6
Soja139,7
Derivados de petróleo84,7
Milho62,0
Fertilizantes49,3
Bauxita34,5
Açúcar31,2
Ferro e aço26,6

Fonte: Antaq, Desempenho Aquaviário 2025

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O petróleo segue outro caminho. Segundo a Antaq, 63% do óleo bruto movimentado em 2025 veio das plataformas em alto-mar para terminais em terra, na chamada cabotagem de plataforma, e 29% saiu do país como exportação. Três terminais concentram 77% desse fluxo: Tebig, em Angra dos Reis, com 31%, o Açu, com 27%, e Tebar, em São Sebastião, com 19%.

A divisão entre portos públicos e terminais privados também segue a carga. Os portos públicos dominam o agronegócio e os produtos que chegam de vários donos ao mesmo cais, enquanto os terminais privados cuidam dos grandes fluxos de uma só empresa, como minério e petróleo.

CargaPortos públicosTerminais privados
Trigo90%10%
Açúcar84%16%
Fertilizantes82%18%
Contêineres65%35%
Milho59%41%
Soja56%44%
Celulose40%60%
Minério de ferro14%86%
Bauxita13%87%
Petróleo bruto3%97%

Fonte: Antaq, Desempenho Aquaviário 2025.

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A soja também avançou. A movimentação chegou a 139,7 milhões de toneladas, e a exportação do grão pelos portos cresceu 11%, segundo a Antaq. O salto acompanha a safra colhida em 2024/25, detalhada no guia de produção de soja por estado.

Santos exportou 42,1 milhões de toneladas de soja e milho em 2025, à frente de Paranaguá, com 19,7 milhões, e de Itaqui, com 18,8 milhões, segundo a Antaq.

Para quem acompanha o comércio exterior, a lista das cargas é quase a mesma das principais exportações do Brasil. Petróleo, soja e minério lideram as vendas em dólares e também o volume embarcado nos navios.

Contêineres: Santos na frente da América Latina

O Porto de Santos é o maior do Brasil em contêineres: movimentou 4,05 milhões de TEU em 2025, segundo a Antaq. O TEU é a medida de um contêiner padrão de 20 pés, com cerca de seis metros de comprimento. Paranaguá, com 1,54 milhão, e Itapoá (SC), com 1,45 milhão, vêm em seguida.

Somado ao terminal privado da DP World, vizinho no mesmo estuário, Santos chega a 5,19 milhões de TEU. Na comparação regional, Santos também lidera.

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), das Nações Unidas, pôs Santos em primeiro lugar entre os portos de contêineres da região em 2024. Foram 5,48 milhões de TEU, à frente de Manzanillo, no México, e de Cartagena, na Colômbia.

PosiçãoInstalaçãoEstadoMil TEU em 2025
1ºSantos (porto público)SP4.051
2ºParanaguáPR1.540
3ºItapoáSC1.446
4ºDP World SantosSP1.142
5ºPortonave (Navegantes)SC1.034
6ºRio GrandeRS1.018
7ºRio de JaneiroRJ939
8ºChibatão (Manaus)AM712
9ºSuapePE698
10ºPecémCE665

Fonte: Antaq, Desempenho Aquaviário 2025.

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Santa Catarina aparece duas vezes entre os dez, com Itapoá e Portonave, os dois terminais privados. No Norte e no Nordeste, a conta é outra. Em Chibatão, Suape e Pecém, de 67% a 79% dos contêineres circulam pela cabotagem, que liga a Zona Franca de Manaus e o Nordeste ao Sudeste pela água, sem usar as rodovias.

Entre os quatro tipos de carga da Antaq, o contêiner é o que mais cresce no período recente. Segundo a Antaq, o peso movimentado em contêineres subiu 7,2% em 2025 e 23,8% desde 2021, e as três frentes, exportação, importação e cabotagem, bateram recorde em 2025. Para o consumidor, isso significa eletrônicos, roupas, peças e alimentos industrializados que chegam às lojas por esses cais.

Portos por região e o avanço do Arco Norte

O Sudeste concentra quase metade da carga dos portos brasileiros: foram 699,8 milhões de toneladas em 2025, 49,9% do total do país, segundo a Antaq. O Nordeste vem em segundo, com 329,7 milhões, puxado pelo complexo de São Luís, e o Norte foi a região que mais cresceu entre as quatro maiores.

RegiãoMilhões de t em 2025ParticipaçãoVariação 2024-2025Variação 2010-2025
Sudeste699,849,9%+8%+50%
Nordeste329,723,5%0%+76%
Sul199,714,2%+5%+85%
Norte163,311,6%+10%+115%
Centro-Oeste10,60,8%+147%+169%

Fonte: Antaq, Desempenho Aquaviário 2025.

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O Centro-Oeste não tem mar, mas aparece na conta pela Hidrovia Paraguai, que liga Corumbá e Ladário (MS) aos portos do Prata. A região mais que dobrou a carga em 2025, com o minério de ferro descendo o rio em barcaças, e esse minério bateu recorde na hidrovia, segundo a Antaq.

A grande mudança dos últimos 15 anos está no Arco Norte, o conjunto de portos e estações acima do paralelo 16° Sul, da Amazônia à Bahia, na divisão usada pela Antaq.

Em 2010, passavam por ali 11,2 milhões de toneladas de soja e milho. Em 2025, foram 106,5 milhões, mais do que nos portos do restante do país, que somaram 95,2 milhões, segundo a Antaq.

106,5 milhões

de toneladas de soja e milho passaram pelo Arco Norte em 2025, quase dez vezes o volume de 2010

Fonte: Antaq, fevereiro de 2026

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O caminho mais comum é por barcaça. A carga sai de Mato Grosso de caminhão até estações como Miritituba, no Pará, desce o Tapajós e o Amazonas e embarca em navios em Santarém e Barcarena, no Pará. A navegação interior, nos rios, cresceu 19,7% em 2025 e chegou a 91,3 milhões de toneladas, segundo a Antaq.

Na exportação, porém, Sul e Sudeste ainda levam a maior parte.

Os portos fora do Arco Norte embarcaram 93 milhões de toneladas de soja e milho para o exterior em 2025, contra 56,5 milhões pelo Arco Norte, segundo a Antaq. No Arco Norte, a movimentação inclui também o transporte de grãos em barcaças pelos rios, e não só o embarque para o exterior.


A Antaq projeta que a carga dos portos e hidrovias chegue a 1,59 bilhão de toneladas em 2030. Para 2026, a previsão da agência é de alta de 2,7%, o equivalente a 38,2 milhões de toneladas a mais que em 2025.

Assim como os maiores aeroportos do Brasil concentram os passageiros, poucos portos concentram a carga. As 15 maiores instalações da tabela somaram 917 milhões de toneladas, 65% do total movimentado no país em 2025.

O balanço de 2025 foi divulgado pela Antaq em fevereiro de 2026, e a agência atualiza todo mês os números de cada porto no Estatístico Aquaviário, painel aberto na sua página na internet.

Como citar: Ouviram (25 out. 2026). «Maiores portos do Brasil: Ponta da Madeira lidera em toneladas e Santos entre os públicos». ouviram.com.br/economia/maiores-portos-do-brasil-movimentacao-antaq

Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.

Perguntas frequentes

Quem administra o Porto de Santos?

A Autoridade Portuária de Santos (APS), estatal federal ligada ao Ministério de Portos e Aeroportos. Ela cuida do canal, das vias internas e dos contratos com os terminais, que são operados por empresas privadas.

Existe porto público administrado por empresa privada no Brasil?

Sim. Os portos de Vitória e de Barra do Riacho, no Espírito Santo, foram concedidos à iniciativa privada em leilão de 2022. A Antaq registra essa como a única concessão portuária em vigor.

Navio de cruzeiro entra na estatística dos portos?

Não. O ranking da Antaq mede carga, em toneladas. Os passageiros de cruzeiro são contados à parte, e o país tem seis instalações portuárias de turismo autorizadas, segundo a agência.

O que é arrendamento portuário?

É o contrato pelo qual a União cede, por prazo determinado, uma área dentro de um porto público a uma empresa que constrói e opera o terminal. Em 2025 havia 155 contratos de arrendamento em vigor, segundo a Antaq.

O que é navegação de longo curso?

É a navegação entre portos brasileiros e estrangeiros, usada na exportação e na importação, como define a Lei 9.432/1997. Em 2025, a exportação por longo curso cresceu 6,7% e a importação, 3,1%, segundo a Antaq.

#Antaq#PortoDeSantos#PontaDaMadeira#ComércioExterior#Infraestrutura

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  1. 1. Qual instalação movimentou mais carga no Brasil em 2025?

  2. 2. Qual carga mais passou pelos portos brasileiros em 2025?

  3. 3. Qual região movimentou quase metade da carga dos portos em 2025?

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