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Maiores portos do Brasil: Ponta da Madeira lidera em toneladas e Santos entre os públicos
O Brasil embarcou e desembarcou 1,403 bilhão de toneladas por via aquaviária em 2025, alta de 6,1%, puxada por minério, petróleo e soja.

O maior porto do Brasil em volume de carga é o Terminal Marítimo de Ponta da Madeira, em São Luís (MA). Ele movimentou 172,4 milhões de toneladas em 2025, segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Entre os portos públicos, o primeiro lugar é de Santos (SP), com 142,8 milhões de toneladas.
A diferença entre os dois líderes explica boa parte do mapa portuário brasileiro. Ponta da Madeira é um terminal privado da mineradora Vale, quase todo dedicado ao minério de ferro que chega de Carajás (PA) pela ferrovia. Santos é um porto público com dezenas de terminais e carga de todo tipo, de contêineres a soja, açúcar e combustíveis.
No total, o país movimentou 1,403 bilhão de toneladas por via aquaviária em 2025, o maior volume da série da Antaq, que começa em 2010. O número inclui exportação, importação, cabotagem (a navegação entre portos brasileiros pela costa) e o transporte em rios.
1,403 bilhão
de toneladas passaram pelos portos e hidrovias do Brasil em 2025, alta de 6,1% em um ano
Fonte: Antaq, fevereiro de 2026
- Total em 20251,403 bilhão de toneladas, ante 1,322 bilhão em 2024
- Maior instalaçãoPonta da Madeira (MA), 172,4 milhões de toneladas
- Maior porto públicoSantos (SP), 142,8 milhões de toneladas
- Maior em contêineresSantos, 4,05 milhões de TEU no porto público
- Terminais privados906,1 milhões de toneladas, 64,6% do total
- Portos públicos497 milhões de toneladas, 35,4% do total
- Instalações35 portos públicos e 237 terminais de uso privado
O peso dos terminais privados, chamados de TUPs, vem do minério e do petróleo. Em 2025 eles cresceram 7%, enquanto os 35 portos públicos, administrados por autoridades portuárias e arrendados a operadores, avançaram 4,5%, segundo a Antaq. A agência registra ainda 45 estações de transbordo de carga, que fazem a ponte entre caminhões e barcaças nos rios.
A tabela abaixo traz as 15 instalações que mais movimentaram carga no ano passado, públicas e privadas, com a variação sobre 2024 e a carga que domina cada uma.
| Posição | Instalação | Tipo | Estado | Milhões de t em 2025 | Variação | Carga principal |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1º | Ponta da Madeira (São Luís) | Terminal privado | MA | 172,4 | −1,9% | Minério de ferro |
| 2º | Santos | Porto público | SP | 142,8 | +3,0% | Contêineres, soja e açúcar |
| 3º | Tubarão (Vitória) | Terminal privado | ES | 87,4 | +12,9% | Minério de ferro |
| 4º | Tebig (Angra dos Reis) | Terminal privado | RJ | 70,4 | +12,3% | Petróleo |
| 5º | Paranaguá | Porto público | PR | 66,4 | +12,0% | Soja, farelo e contêineres |
| 6º | Itaguaí | Porto público | RJ | 62,8 | +3,6% | Minério e carvão |
| 7º | TPET/TOIL Açu (São João da Barra) | Terminal privado | RJ | 60,4 | +20,3% | Petróleo |
| 8º | Tebar (São Sebastião) | Terminal privado | SP | 54,1 | +1,4% | Petróleo |
| 9º | Itaqui (São Luís) | Porto público | MA | 36,8 | +8,5% | Grãos e combustíveis |
| 10º | Rio Grande | Porto público | RS | 31,6 | +7,9% | Soja e contêineres |
| 11º | Ilha Guaíba (Mangaratiba) | Terminal privado | RJ | 31,5 | −2,1% | Minério de ferro |
| 12º | Porto Sudeste (Itaguaí) | Terminal privado | RJ | 30,6 | +23,8% | Minério de ferro |
| 13º | Suape (Ipojuca) | Porto público | PE | 24,3 | −2,4% | Combustíveis e contêineres |
| 14º | Terminal de Minério do Açu (São João da Barra) | Terminal privado | RJ | 24,2 | −3,1% | Minério de ferro |
| 15º | Vila do Conde (Barcarena) | Porto público | PA | 21,3 | +5,7% | Grãos, bauxita e alumina |
Fonte: Antaq, Desempenho Aquaviário 2025.
O Rio de Janeiro coloca seis instalações na lista, mais que qualquer outro estado. Quatro delas ficam no litoral sul fluminense, entre Angra dos Reis, Mangaratiba e Itaguaí, e outras duas no Porto do Açu, no norte do estado. O maior salto entre as 15 foi o do Porto Sudeste, com alta de 23,8%.
Em 2026, o ritmo segue positivo em Santos.
De janeiro a agosto, o complexo movimentou 125,9 milhões de toneladas, alta de 3,1% sobre o mesmo período de 2025, segundo a Autoridade Portuária de Santos (APS). A conta da APS abrange todo o complexo portuário do estuário, e por isso dá um número maior que o da Antaq para o porto público.
Minério, petróleo e soja: o que passa pelos portos
O minério de ferro é a carga que mais passa pelos portos brasileiros: foram 425,8 milhões de toneladas em 2025, 30% de toda a movimentação do país, segundo a Antaq. Petróleo bruto, com 221,7 milhões, e contêineres, com 164,6 milhões, completam o trio que soma mais da metade do total.
Quase todo esse minério vai para fora. Segundo a Antaq, 95% da movimentação de minério de ferro é exportação, e a China recebe 72% do total. O Sudeste concentra 57% desse fluxo, com os terminais do Espírito Santo e do litoral fluminense, e o Nordeste fica com a maior parte do restante, pelo Maranhão.
Fonte: Antaq, Desempenho Aquaviário 2025
O petróleo segue outro caminho. Segundo a Antaq, 63% do óleo bruto movimentado em 2025 veio das plataformas em alto-mar para terminais em terra, na chamada cabotagem de plataforma, e 29% saiu do país como exportação. Três terminais concentram 77% desse fluxo: Tebig, em Angra dos Reis, com 31%, o Açu, com 27%, e Tebar, em São Sebastião, com 19%.
A divisão entre portos públicos e terminais privados também segue a carga. Os portos públicos dominam o agronegócio e os produtos que chegam de vários donos ao mesmo cais, enquanto os terminais privados cuidam dos grandes fluxos de uma só empresa, como minério e petróleo.
| Carga | Portos públicos | Terminais privados |
|---|---|---|
| Trigo | 90% | 10% |
| Açúcar | 84% | 16% |
| Fertilizantes | 82% | 18% |
| Contêineres | 65% | 35% |
| Milho | 59% | 41% |
| Soja | 56% | 44% |
| Celulose | 40% | 60% |
| Minério de ferro | 14% | 86% |
| Bauxita | 13% | 87% |
| Petróleo bruto | 3% | 97% |
Fonte: Antaq, Desempenho Aquaviário 2025.
A soja também avançou. A movimentação chegou a 139,7 milhões de toneladas, e a exportação do grão pelos portos cresceu 11%, segundo a Antaq. O salto acompanha a safra colhida em 2024/25, detalhada no guia de produção de soja por estado.
Santos exportou 42,1 milhões de toneladas de soja e milho em 2025, à frente de Paranaguá, com 19,7 milhões, e de Itaqui, com 18,8 milhões, segundo a Antaq.
Para quem acompanha o comércio exterior, a lista das cargas é quase a mesma das principais exportações do Brasil. Petróleo, soja e minério lideram as vendas em dólares e também o volume embarcado nos navios.
Contêineres: Santos na frente da América Latina
O Porto de Santos é o maior do Brasil em contêineres: movimentou 4,05 milhões de TEU em 2025, segundo a Antaq. O TEU é a medida de um contêiner padrão de 20 pés, com cerca de seis metros de comprimento. Paranaguá, com 1,54 milhão, e Itapoá (SC), com 1,45 milhão, vêm em seguida.
Somado ao terminal privado da DP World, vizinho no mesmo estuário, Santos chega a 5,19 milhões de TEU. Na comparação regional, Santos também lidera.
A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), das Nações Unidas, pôs Santos em primeiro lugar entre os portos de contêineres da região em 2024. Foram 5,48 milhões de TEU, à frente de Manzanillo, no México, e de Cartagena, na Colômbia.
| Posição | Instalação | Estado | Mil TEU em 2025 |
|---|---|---|---|
| 1º | Santos (porto público) | SP | 4.051 |
| 2º | Paranaguá | PR | 1.540 |
| 3º | Itapoá | SC | 1.446 |
| 4º | DP World Santos | SP | 1.142 |
| 5º | Portonave (Navegantes) | SC | 1.034 |
| 6º | Rio Grande | RS | 1.018 |
| 7º | Rio de Janeiro | RJ | 939 |
| 8º | Chibatão (Manaus) | AM | 712 |
| 9º | Suape | PE | 698 |
| 10º | Pecém | CE | 665 |
Fonte: Antaq, Desempenho Aquaviário 2025.
Santa Catarina aparece duas vezes entre os dez, com Itapoá e Portonave, os dois terminais privados. No Norte e no Nordeste, a conta é outra. Em Chibatão, Suape e Pecém, de 67% a 79% dos contêineres circulam pela cabotagem, que liga a Zona Franca de Manaus e o Nordeste ao Sudeste pela água, sem usar as rodovias.
Entre os quatro tipos de carga da Antaq, o contêiner é o que mais cresce no período recente. Segundo a Antaq, o peso movimentado em contêineres subiu 7,2% em 2025 e 23,8% desde 2021, e as três frentes, exportação, importação e cabotagem, bateram recorde em 2025. Para o consumidor, isso significa eletrônicos, roupas, peças e alimentos industrializados que chegam às lojas por esses cais.
Portos por região e o avanço do Arco Norte
O Sudeste concentra quase metade da carga dos portos brasileiros: foram 699,8 milhões de toneladas em 2025, 49,9% do total do país, segundo a Antaq. O Nordeste vem em segundo, com 329,7 milhões, puxado pelo complexo de São Luís, e o Norte foi a região que mais cresceu entre as quatro maiores.
| Região | Milhões de t em 2025 | Participação | Variação 2024-2025 | Variação 2010-2025 |
|---|---|---|---|---|
| Sudeste | 699,8 | 49,9% | +8% | +50% |
| Nordeste | 329,7 | 23,5% | 0% | +76% |
| Sul | 199,7 | 14,2% | +5% | +85% |
| Norte | 163,3 | 11,6% | +10% | +115% |
| Centro-Oeste | 10,6 | 0,8% | +147% | +169% |
Fonte: Antaq, Desempenho Aquaviário 2025.
O Centro-Oeste não tem mar, mas aparece na conta pela Hidrovia Paraguai, que liga Corumbá e Ladário (MS) aos portos do Prata. A região mais que dobrou a carga em 2025, com o minério de ferro descendo o rio em barcaças, e esse minério bateu recorde na hidrovia, segundo a Antaq.
A grande mudança dos últimos 15 anos está no Arco Norte, o conjunto de portos e estações acima do paralelo 16° Sul, da Amazônia à Bahia, na divisão usada pela Antaq.
Em 2010, passavam por ali 11,2 milhões de toneladas de soja e milho. Em 2025, foram 106,5 milhões, mais do que nos portos do restante do país, que somaram 95,2 milhões, segundo a Antaq.
106,5 milhões
de toneladas de soja e milho passaram pelo Arco Norte em 2025, quase dez vezes o volume de 2010
Fonte: Antaq, fevereiro de 2026
O caminho mais comum é por barcaça. A carga sai de Mato Grosso de caminhão até estações como Miritituba, no Pará, desce o Tapajós e o Amazonas e embarca em navios em Santarém e Barcarena, no Pará. A navegação interior, nos rios, cresceu 19,7% em 2025 e chegou a 91,3 milhões de toneladas, segundo a Antaq.
Na exportação, porém, Sul e Sudeste ainda levam a maior parte.
Os portos fora do Arco Norte embarcaram 93 milhões de toneladas de soja e milho para o exterior em 2025, contra 56,5 milhões pelo Arco Norte, segundo a Antaq. No Arco Norte, a movimentação inclui também o transporte de grãos em barcaças pelos rios, e não só o embarque para o exterior.
A Antaq projeta que a carga dos portos e hidrovias chegue a 1,59 bilhão de toneladas em 2030. Para 2026, a previsão da agência é de alta de 2,7%, o equivalente a 38,2 milhões de toneladas a mais que em 2025.
Assim como os maiores aeroportos do Brasil concentram os passageiros, poucos portos concentram a carga. As 15 maiores instalações da tabela somaram 917 milhões de toneladas, 65% do total movimentado no país em 2025.
O balanço de 2025 foi divulgado pela Antaq em fevereiro de 2026, e a agência atualiza todo mês os números de cada porto no Estatístico Aquaviário, painel aberto na sua página na internet.
Como citar: Ouviram (25 out. 2026). «Maiores portos do Brasil: Ponta da Madeira lidera em toneladas e Santos entre os públicos». ouviram.com.br/economia/maiores-portos-do-brasil-movimentacao-antaq
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
Quem administra o Porto de Santos?
A Autoridade Portuária de Santos (APS), estatal federal ligada ao Ministério de Portos e Aeroportos. Ela cuida do canal, das vias internas e dos contratos com os terminais, que são operados por empresas privadas.
Existe porto público administrado por empresa privada no Brasil?
Sim. Os portos de Vitória e de Barra do Riacho, no Espírito Santo, foram concedidos à iniciativa privada em leilão de 2022. A Antaq registra essa como a única concessão portuária em vigor.
Navio de cruzeiro entra na estatística dos portos?
Não. O ranking da Antaq mede carga, em toneladas. Os passageiros de cruzeiro são contados à parte, e o país tem seis instalações portuárias de turismo autorizadas, segundo a agência.
O que é arrendamento portuário?
É o contrato pelo qual a União cede, por prazo determinado, uma área dentro de um porto público a uma empresa que constrói e opera o terminal. Em 2025 havia 155 contratos de arrendamento em vigor, segundo a Antaq.
O que é navegação de longo curso?
É a navegação entre portos brasileiros e estrangeiros, usada na exportação e na importação, como define a Lei 9.432/1997. Em 2025, a exportação por longo curso cresceu 6,7% e a importação, 3,1%, segundo a Antaq.
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1. Qual instalação movimentou mais carga no Brasil em 2025?
O terminal de Ponta da Madeira, em São Luís (MA), somou 172,4 milhões de toneladas, segundo a Antaq. Santos, com 142,8 milhões, foi o maior porto público.
2. Qual carga mais passou pelos portos brasileiros em 2025?
Foram 425,8 milhões de toneladas de minério de ferro, 30% do total, segundo a Antaq. O petróleo bruto veio em segundo, com 221,7 milhões.
3. Qual região movimentou quase metade da carga dos portos em 2025?
O Sudeste somou 699,8 milhões de toneladas, 49,9% do 1,403 bilhão movimentado no país, segundo a Antaq.
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