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Índice de Gini do Brasil fica em 0,511, e o Distrito Federal tem a maior desigualdade
Os 10% mais ricos receberam, em média, 13,8 vezes a renda dos 40% mais pobres em 2025, e Santa Catarina teve a menor concentração do país.

O índice de Gini da renda por pessoa no Brasil passou de 0,504 em 2024 para 0,511 em 2025, segundo o IBGE. Pelos dados da PNAD Contínua, o Distrito Federal é a unidade mais desigual, com 0,570, e Santa Catarina a menos desigual, com 0,425.
O Gini vai de 0, quando todos recebem a mesma renda, a 1, quando uma só pessoa fica com tudo. O valor de 2025 é o segundo mais baixo da série iniciada em 2012, atrás apenas do registrado em 2024. No informativo da pesquisa, o IBGE descreveu a mudança de um ano para o outro como “ligeira oscilação”.
Na prática, metade dos brasileiros vivia com até R$ 1.490 por pessoa da casa em 2025, menos que o salário mínimo do ano, de R$ 1.518. Para entrar no grupo dos 10% mais ricos, bastava passar de R$ 4.609 por pessoa. Uma família de quatro pessoas em Campinas, por exemplo, precisava somar mais de R$ 18.436 por mês para estar nesse grupo.
- Brasil em 20250,511
- Menor valor da série0,504, em 2024
- Maior valor da série0,545, em 2018
- Unidade mais desigualDistrito Federal, 0,570
- Unidade menos desigualSanta Catarina, 0,425
- Região mais desigualCentro-Oeste, 0,506
- FontePNAD Contínua, IBGE, divulgada em 8 de maio de 2026
Os números são do módulo de rendimento de todas as fontes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ele soma salário, aposentadoria, pensão, aluguel, benefícios sociais e outros ganhos de cada morador e divide pelo número de pessoas da casa.
Índice de Gini por estado e por região em 2025
O Distrito Federal teve o maior índice de Gini do país em 2025, 0,570, seguido por Rio de Janeiro (0,543), Rio Grande do Norte (0,540) e Sergipe (0,532), segundo a PNAD Contínua do IBGE. Na outra ponta, Santa Catarina (0,425), Mato Grosso (0,439) e Mato Grosso do Sul (0,457) têm a renda menos concentrada.
Só seis unidades da federação ficaram acima do índice nacional, de 0,511. A tabela traz as 27, do índice mais alto ao mais baixo, com os valores de 2024 e de 2019, o último ano antes da pandemia.
| Posição | Estado | Gini 2025 | Gini 2024 | Gini 2019 | Diferença desde 2019 |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Distrito Federal | 0,570 | 0,547 | 0,554 | +0,016 |
| 2 | Rio de Janeiro | 0,543 | 0,522 | 0,553 | −0,010 |
| 3 | Rio Grande do Norte | 0,540 | 0,522 | 0,555 | −0,015 |
| 4 | Sergipe | 0,532 | 0,498 | 0,580 | −0,048 |
| 5 | Pernambuco | 0,520 | 0,530 | 0,573 | −0,053 |
| 6 | Alagoas | 0,512 | 0,516 | 0,525 | −0,013 |
| 7 | Acre | 0,509 | 0,502 | 0,560 | −0,051 |
| 8 | Piauí | 0,508 | 0,493 | 0,538 | −0,030 |
| 9 | Paraíba | 0,507 | 0,496 | 0,563 | −0,056 |
| 10 | Ceará | 0,506 | 0,487 | 0,562 | −0,056 |
| 10 | Roraima | 0,506 | 0,530 | 0,580 | −0,074 |
| 12 | Amapá | 0,496 | 0,509 | 0,513 | −0,017 |
| 13 | Pará | 0,492 | 0,490 | 0,528 | −0,036 |
| 14 | Maranhão | 0,491 | 0,487 | 0,531 | −0,040 |
| 14 | São Paulo | 0,491 | 0,489 | 0,527 | −0,036 |
| 16 | Amazonas | 0,488 | 0,474 | 0,567 | −0,079 |
| 17 | Espírito Santo | 0,480 | 0,480 | 0,518 | −0,038 |
| 18 | Goiás | 0,479 | 0,462 | 0,460 | +0,019 |
| 19 | Minas Gerais | 0,473 | 0,447 | 0,487 | −0,014 |
| 20 | Tocantins | 0,472 | 0,477 | 0,531 | −0,059 |
| 21 | Paraná | 0,470 | 0,473 | 0,476 | −0,006 |
| 22 | Rio Grande do Sul | 0,468 | 0,458 | 0,481 | −0,013 |
| 23 | Bahia | 0,466 | 0,477 | 0,555 | −0,089 |
| 24 | Rondônia | 0,458 | 0,442 | 0,472 | −0,014 |
| 25 | Mato Grosso do Sul | 0,457 | 0,454 | 0,484 | −0,027 |
| 26 | Mato Grosso | 0,439 | 0,442 | 0,456 | −0,017 |
| 27 | Santa Catarina | 0,425 | 0,430 | 0,422 | +0,003 |
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, rendimento de todas as fontes 2025 (tabela 7435), maio de 2026.
A Bahia teve a maior queda desde 2019, de 0,555 para 0,466, e passou do empate na 8ª posição, com o Rio Grande do Norte, para a 23ª. Amazonas (−0,079) e Roraima (−0,074) vêm logo depois. Desde 2012, o maior recuo é o do Amazonas, que tinha 0,590 e chegou a 0,488.
Apenas três unidades estão acima do patamar de 2019: Distrito Federal, Goiás e Santa Catarina, esta última com variação mínima. Entre 2024 e 2025, o índice subiu em 17 das 27, com as maiores altas em Sergipe (+0,034), Minas Gerais (+0,026) e Distrito Federal (+0,023).
Variações pequenas de um ano para o outro pedem cuidado. A PNAD Contínua é uma pesquisa por amostra, e o próprio IBGE publica, ao lado de cada índice, o coeficiente de variação, que mede a margem de imprecisão da estimativa. Para o Brasil, esse coeficiente foi de 0,6% em 2025.
O Gini mostra como a renda está repartida, e não quanto cada estado tem. O Distrito Federal, por exemplo, também lidera a renda per capita por estado, enquanto a Bahia, com Gini baixo, aparece em 22º lugar naquela lista, com R$ 1.465 por morador.
O Centro-Oeste passou a ter o maior índice de Gini entre as cinco regiões em 2025, com 0,506, pela primeira vez na série da PNAD Contínua, segundo o IBGE. O Nordeste, até então a região mais desigual por esse indicador, ficou logo atrás, com 0,503, e o Sul manteve o menor índice, 0,458.
A troca de posição veio de um salto no Centro-Oeste, onde o índice passou de 0,485 em 2024 para 0,506 em 2025. No Nordeste e no Norte, o movimento dos últimos anos foi o oposto: desde 2019, o Gini nordestino caiu de 0,559 para 0,503, e o do Norte, de 0,538 para 0,492.
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, maio de 2026
O Sul tem o menor índice entre as regiões desde o início da série, em 2012, e também a menor distância entre ricos e pobres. Lá, os 10% de maior renda recebiam, em média, 10 vezes o rendimento dos 40% de menor renda em 2025. No Nordeste, a razão era de 13,1 vezes, e no Centro-Oeste, de 13,0, depois de subir de 11,7 vezes em 2024.
Se você mora no Nordeste ou no Norte, a renda das famílias depende mais de aposentadorias e benefícios do que no resto do país. O trabalho respondia por 67,4% do rendimento domiciliar per capita no Nordeste em 2025, contra 78,9% no Centro-Oeste e 75,1% na média brasileira, segundo o IBGE.
Quanto ganham os 10% mais ricos e os 40% mais pobres
Os 10% mais ricos do Brasil tinham renda média de R$ 9.117 por pessoa por mês em 2025, e os 40% mais pobres, de R$ 663, segundo a PNAD Contínua do IBGE. A diferença é de 13,8 vezes, acima das 13,2 vezes de 2024, mas abaixo das 16,9 vezes de 2019.
40,3%
de toda a renda das famílias ficou com os 10% mais ricos em 2025, mais que a soma dos 70% de menor renda
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, maio de 2026
A tabela mostra a renda média de cada grupo e quanto ele tem do total recebido pelos brasileiros. Os valores são por pessoa da casa, por mês, em reais de 2025.
| Grupo da população | Renda média por pessoa (R$) | Parte da renda total |
|---|---|---|
| 10% mais pobres | 268 | 1,2% |
| 40% mais pobres | 663 | 11,7% |
| Média do Brasil | 2.264 | 100% |
| 10% mais ricos | 9.117 | 40,3% |
| 1% mais rico | 24.973 | 11,0% |
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, rendimento de todas as fontes 2025 (tabelas 7530 e 7531), maio de 2026.
O 1% do topo, cerca de 2,1 milhões de pessoas, recebia em média 37,7 vezes a renda dos 40% mais pobres. Em 2024, a razão era de 35,9 vezes, a menor da série, e em 2019 chegou a 48,8 vezes, o máximo registrado pelo IBGE.
Em 2025, a renda do topo cresceu mais rápido que a da base. Já descontada a inflação, o rendimento dos 10% mais ricos aumentou 8,7% em relação a 2024, e o dos 10% mais pobres, 3,1%. O dos 40% de menor renda subiu 4,7% e atingiu o maior valor da série.
Na comparação com 2019, a conta se inverte. O rendimento dos 40% mais pobres cresceu 37,6% em seis anos, já descontada a inflação, e o dos 10% mais pobres, 78,7%. No topo, a alta foi de 11,9%, segundo o informativo do IBGE.
Como o IBGE calcula o Gini e o peso dos programas sociais
O cálculo parte de uma fila imaginária. O IBGE ordena todos os moradores do país da menor para a maior renda por pessoa da casa e soma, passo a passo, quanto cada parte da fila acumula. Se 10% da população tivesse 10% da renda, 50% tivesse 50% e assim por diante, o índice seria zero.
A distância entre essa linha de igualdade e a renda que de fato se acumula ao longo da fila dá o valor do Gini. Em 2025, os primeiros 40% da fila tinham 11,7% da renda, e os primeiros 90%, 59,7%; o restante ficou com os 10% do fim.
A renda usada é o rendimento domiciliar per capita: tudo o que os moradores recebem no mês, de trabalho, aposentadoria, pensão, aluguel, programas sociais e aplicações, dividido pelo número de pessoas da casa. Uma casa com R$ 6.000 por mês e três moradores tem renda per capita de R$ 2.000.
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, maio de 2026
A série tem três fases. Entre 2012 e 2015, o índice caiu de 0,540 para 0,524. A partir de 2016 voltou a subir e chegou ao máximo, 0,545, em 2018. Depois da oscilação da pandemia, recuou para 0,517 em 2022 e 2023 e para 0,504 em 2024.
O IBGE calcula também um Gini só do salário e dos demais ganhos de trabalho, sem aposentadorias nem benefícios. Esse índice ficou em 0,491 em 2025, perto do 0,487 de 2024 e do mínimo de 0,485, de 2022. O máximo, 0,506, foi registrado em 2018 e 2019.
O salário médio por estado e o IDH dos estados brasileiros, que junta renda, educação e saúde, ajudam a comparar o Gini com outros indicadores sociais.
Os benefícios sociais entram no cálculo como parte da renda das famílias. Em 2025, 19,4 milhões de pessoas, ou 9,1% da população, recebiam dinheiro de programas sociais do governo, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), segundo a PNAD Contínua do IBGE. O valor médio recebido por beneficiário era de R$ 870 por mês.
Esses programas eram 3,5% de toda a renda domiciliar per capita do país, o dobro dos 1,7% de 2019. O peso muda muito de região para região, como mostra a tabela.
| Região | Parte da renda que vem de programas sociais (2025) | Parte que vem do trabalho (2025) |
|---|---|---|
| Nordeste | 8,8% | 67,4% |
| Norte | 7,5% | 76,2% |
| Centro-Oeste | 2,3% | 78,9% |
| Sudeste | 2,1% | 76,3% |
| Sul | 1,6% | 77,2% |
| Brasil | 3,5% | 75,1% |
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, rendimento de todas as fontes 2025, maio de 2026.
O informativo do IBGE explica que a expansão dos programas desde 2019 veio tanto do aumento do número de pessoas e domicílios atendidos quanto da alta do valor médio pago. O ponto mais alto foi 2020, ano do Auxílio Emergencial da pandemia, quando 13,0% da população recebia algum programa social e eles formavam 5,9% da renda.
Naquele ano, a distância entre os 10% mais ricos e os 40% mais pobres caiu de 16,9 para 14,8 vezes. O IBGE ligou a queda à retração do mercado de trabalho e ao pagamento do auxílio. Em 2021, com a retomada do mercado de trabalho e os ajustes no auxílio, a razão voltou a 17,0 vezes.
Aposentadorias e pensões têm peso ainda maior. Em 2025, 29,3 milhões de pessoas, 13,8% da população, recebiam esse tipo de renda, que formava 16,4% de todo o rendimento domiciliar per capita do país.
Se a sua família tem renda de até meio salário mínimo por pessoa, ela pode se inscrever no Cadastro Único, a porta de entrada dos programas federais. As datas de depósito estão no calendário do Bolsa Família 2026, organizado pelo final do Número de Identificação Social (NIS).
Os números da PNAD Contínua por estado e por faixa de renda ficam abertos no Sidra, o banco de tabelas do IBGE. O Gini está na tabela 7435, e a renda de cada faixa, nas tabelas 7530 a 7534.
A inscrição no Cadastro Único é feita no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) ou no posto do cadastro da sua cidade. A central do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) atende pelo telefone 121.
Como citar: Ouviram (25 out. 2026). «Índice de Gini do Brasil fica em 0,511, e o Distrito Federal tem a maior desigualdade». ouviram.com.br/economia/desigualdade-de-renda-indice-de-gini-por-estado-ibge
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
O índice de Gini do IBGE desconta o Imposto de Renda?
Não. A PNAD Contínua pergunta o rendimento bruto de cada morador, antes dos descontos de impostos e contribuições. Serviços públicos gratuitos, como escola e posto de saúde, também não entram na conta, porque não são renda em dinheiro.
Existe índice de Gini por município?
A PNAD Contínua não tem amostra para calcular o índice em cada cidade e divulga apenas o Brasil, as cinco regiões e as 27 unidades da federação. Os números por município vêm do Censo Demográfico do IBGE.
Qual a diferença entre índice de Gini e IDH?
O Gini mede só como a renda está repartida entre as pessoas. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), calculado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), junta renda, educação e expectativa de vida numa nota de 0 a 1.
O Gini mede a riqueza ou a renda?
Mede a renda do mês. Imóveis, terras e aplicações financeiras não entram como patrimônio, só os rendimentos que eles geram: o aluguel tem categoria própria na PNAD Contínua, e os ganhos de aplicações entram em outros rendimentos.
Quando sai o índice de Gini de 2026?
O IBGE divulga o módulo de rendimento de todas as fontes da PNAD Contínua uma vez por ano. A edição com os números de 2025 saiu em 8 de maio de 2026, e a de 2026 entra no calendário de divulgações do instituto para o ano que vem.
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1. Qual unidade da federação teve o maior índice de Gini em 2025?
O Distrito Federal ficou com 0,570, à frente do Rio de Janeiro (0,543); a Bahia teve 0,466, segundo a PNAD Contínua do IBGE.
2. Qual é o menor índice de Gini do Brasil na série da PNAD Contínua, iniciada em 2012?
O menor valor da série é o de 2024, 0,504; em 2025 o índice ficou em 0,511, segundo o IBGE.
3. Que parte de toda a renda das famílias ficou com os 10% mais ricos em 2025?
Os 10% de maior renda tinham 40,3% da massa de rendimento; os 40% de menor renda, 11,7%, pelos dados do IBGE.
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