Salário médio no Brasil é de R$ 3.738, e o Distrito Federal paga o maior
Pela PNAD Contínua do IBGE, quem tem diploma universitário recebe R$ 7.284 por mês, 2,7 vezes o valor de quem parou no ensino médio completo.

Quem trabalha no Brasil recebeu em média R$ 3.738 por mês no 2º trimestre de 2026, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, do IBGE. O Distrito Federal tem o maior valor do país, R$ 6.171, e o Maranhão, o menor, R$ 2.284.
O dado nacional mais recente, do trimestre de junho a agosto de 2026, chegou a R$ 3.777, alta de 3,7% acima da inflação em um ano. A conta inclui todo tipo de trabalho, com ou sem carteira assinada, no setor público ou por conta própria, de pessoas com 14 anos ou mais.
Esse número serve de régua para quem vai negociar salário, mudar de estado ou escolher um curso. Ele é real, ou seja, corrigido pela inflação. Os valores de 2025 que aparecem abaixo já estão em preços de 2026, o que permite comparar o poder de compra de um ano para o outro.
Salário médio por estado em 2026
O salário médio por estado no 2º trimestre de 2026, segundo a PNAD Contínua do IBGE, vai de R$ 6.171 no Distrito Federal a R$ 2.284 no Maranhão. Dezessete das 27 unidades da federação ficam abaixo da média nacional de R$ 3.738, entre elas os nove estados do Nordeste e seis dos sete do Norte.
A tabela mostra o rendimento médio mensal habitual de todos os trabalhos de abril a junho de 2026 e do mesmo trimestre de 2025, já corrigido pela inflação. A penúltima coluna diz quantos salários mínimos de R$ 1.621 cabem na média. A última mostra quanto as mulheres recebem para cada R$ 100 pagos aos homens.
| Posição | Estado | Abr-jun 2026 (R$) | Abr-jun 2025 (R$, corrigido) | Variação real | Salários mínimos | Mulheres para cada R$ 100 dos homens |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1º | Distrito Federal | 6.171 | 6.174 | 0,0% | 3,8 | R$ 80 |
| 2º | São Paulo | 4.447 | 4.380 | +1,5% | 2,7 | R$ 77 |
| 3º | Santa Catarina | 4.372 | 4.237 | +3,2% | 2,7 | R$ 76 |
| 4º | Paraná | 4.204 | 3.951 | +6,4% | 2,6 | R$ 77 |
| 5º | Rio Grande do Sul | 4.169 | 3.962 | +5,2% | 2,6 | R$ 77 |
| 6º | Rio de Janeiro | 4.158 | 4.380 | -5,1% | 2,6 | R$ 75 |
| 7º | Mato Grosso | 4.137 | 3.759 | +10,1% | 2,6 | R$ 76 |
| 8º | Goiás | 3.946 | 3.618 | +9,1% | 2,4 | R$ 73 |
| 9º | Mato Grosso do Sul | 3.840 | 3.715 | +3,4% | 2,4 | R$ 77 |
| 10º | Rondônia | 3.799 | 3.313 | +14,7% | 2,3 | R$ 73 |
| 11º | Espírito Santo | 3.637 | 3.637 | 0,0% | 2,2 | R$ 75 |
| 12º | Roraima | 3.568 | 3.363 | +6,1% | 2,2 | R$ 81 |
| 13º | Tocantins | 3.498 | 3.276 | +6,8% | 2,2 | R$ 80 |
| 14º | Minas Gerais | 3.463 | 3.342 | +3,6% | 2,1 | R$ 78 |
| 15º | Acre | 3.149 | 2.633 | +19,6% | 1,9 | R$ 96 |
| 16º | Amapá | 3.134 | 3.203 | -2,2% | 1,9 | R$ 102 |
| 17º | Sergipe | 3.042 | 2.679 | +13,5% | 1,9 | R$ 92 |
| 18º | Rio Grande do Norte | 2.861 | 3.023 | -5,4% | 1,8 | R$ 85 |
| 19º | Paraíba | 2.799 | 2.539 | +10,2% | 1,7 | R$ 88 |
| 20º | Amazonas | 2.771 | 2.554 | +8,5% | 1,7 | R$ 88 |
| 20º | Pernambuco | 2.771 | 2.866 | -3,3% | 1,7 | R$ 89 |
| 22º | Ceará | 2.727 | 2.446 | +11,5% | 1,7 | R$ 91 |
| 23º | Pará | 2.593 | 2.713 | -4,4% | 1,6 | R$ 92 |
| 24º | Alagoas | 2.578 | 2.654 | -2,9% | 1,6 | R$ 87 |
| 25º | Bahia | 2.563 | 2.299 | +11,5% | 1,6 | R$ 89 |
| 26º | Piauí | 2.547 | 2.537 | +0,4% | 1,6 | R$ 92 |
| 27º | Maranhão | 2.284 | 2.266 | +0,8% | 1,4 | R$ 92 |
| Brasil | 3.738 | 3.635 | +2,8% | 2,3 | R$ 80 |
Fonte: IBGE, PNAD Contínua trimestral, 2º trimestre de 2026 (divulgada em 14 de agosto de 2026); valores de 2025 corrigidos pelo IBGE para preços de 2026.
6.171
reais por mês é o rendimento médio no Distrito Federal, o maior entre as 27 unidades da federação
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, 2º trimestre de 2026
O Distrito Federal fica na frente por causa do peso do serviço público, que paga acima da média e concentra parte grande dos empregos em Brasília. Segundo as Contas Regionais do IBGE, a administração pública respondia por 42,1% da riqueza gerada no Distrito Federal em 2023, como mostra o ranking do PIB dos estados.
Em um ano, o maior ganho real foi no Acre, onde o rendimento subiu 19,6%, seguido por Rondônia, com 14,7%, e Sergipe, com 13,5%. No sentido oposto, Rio Grande do Norte, com queda de 5,4%, e Rio de Janeiro, com 5,1%, tiveram as maiores perdas.
A PNAD é uma pesquisa por amostra, e nos estados menores a margem de variação de um trimestre para outro é maior.
O Centro-Oeste tem o maior rendimento médio entre as cinco regiões, R$ 4.362 por mês no 2º trimestre de 2026, segundo a PNAD Contínua do IBGE. O Sul vem logo atrás, com R$ 4.238, e o Sudeste, com R$ 4.124. Norte e Nordeste ficam abaixo de R$ 3.000.
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, 2º trimestre de 2026
A região que mais avançou em um ano foi justamente a primeira da lista. O Centro-Oeste teve alta real de 6,2%, puxada por Mato Grosso, com 10,1%, e Goiás, com 9,1%. O Sul subiu 5,1%, e o Nordeste, 4,9%, com destaque para Ceará e Bahia, ambos com 11,5%.
O Sudeste avançou menos, 0,7%, porque a queda no Rio de Janeiro compensou parte da alta de São Paulo, de 1,5%, e de Minas Gerais, de 3,6%. O Norte cresceu 3,2%, com Acre e Rondônia na frente e Pará e Amapá em queda.
O custo de vida também muda de região para região, e a PNAD não desconta essa diferença. Um mesmo salário rende mais numa cidade média do interior do Nordeste do que em São Paulo ou em Brasília, onde aluguel e transporte pesam mais no orçamento.
Homens, mulheres e o peso do diploma
As mulheres ocupadas receberam em média R$ 3.281 por mês no 2º trimestre de 2026, contra R$ 4.086 dos homens, segundo a PNAD Contínua do IBGE. A diferença é de R$ 805 por mês: para cada R$ 100 pagos a eles, elas recebem R$ 80.
A distância é maior justamente onde os salários são mais altos. No Centro-Oeste, no Sul e no Sudeste, as mulheres recebem entre R$ 76 e R$ 77 para cada R$ 100 dos homens. Em Goiás e Rondônia, a proporção cai para R$ 73.
No Norte e no Nordeste, as médias são mais baixas, e a diferença diminui. O Amapá é o único estado em que as mulheres recebem mais: R$ 3.175 por mês, contra R$ 3.105 dos homens. No Acre, elas chegam a R$ 96 para cada R$ 100, e em Sergipe, Ceará, Pará, Piauí e Maranhão, a R$ 91 ou R$ 92.
| Região | Homens (R$) | Mulheres (R$) | Diferença (R$) | Mulheres para cada R$ 100 dos homens |
|---|---|---|---|---|
| Centro-Oeste | 4.858 | 3.709 | 1.149 | R$ 76 |
| Sul | 4.732 | 3.625 | 1.107 | R$ 77 |
| Sudeste | 4.584 | 3.543 | 1.041 | R$ 77 |
| Norte | 3.076 | 2.693 | 383 | R$ 88 |
| Nordeste | 2.766 | 2.472 | 294 | R$ 89 |
| Brasil | 4.086 | 3.281 | 805 | R$ 80 |
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, 2º trimestre de 2026.
A Lei 14.611, de 2023, obriga as empresas a pagar o mesmo salário a homens e mulheres que exercem a mesma função ou fazem trabalho de igual valor. As que têm 100 empregados ou mais também precisam publicar, duas vezes por ano, um relatório de transparência salarial. Quem desconfia de diferença no próprio emprego pode procurar o sindicato da categoria ou fazer denúncia ao Ministério do Trabalho e Emprego.
Quem tem ensino superior completo recebeu em média R$ 7.284 por mês no 2º trimestre de 2026, segundo a PNAD Contínua do IBGE. O valor é 2,7 vezes o de quem concluiu só o ensino médio, R$ 2.741, e mais de quatro vezes o de quem não tem instrução.
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, 2º trimestre de 2026
O salto maior está no último degrau. Entre o ensino médio completo e a faculdade começada, a diferença é de R$ 571. Com o diploma na mão, a média sobe mais R$ 3.972. Há uma exceção na escada: quem começou o ensino médio e parou recebe, em média, R$ 153 a menos que quem terminou só o fundamental.
Se você tem filho no ensino médio, a nota do Enem é a porta de entrada mais usada para a faculdade pública e gratuita.
O Enem de 2026 será aplicado em 8 e 15 de novembro. A nota vale para o Sisu de 2027, que reúne vagas de universidades federais, estaduais e institutos federais. A mesma nota serve para bolsas do Prouni e para o financiamento do Fies.
Carteira assinada, admissão e salário mínimo
O tipo de vínculo também muda o salário. No trabalho principal, a média nacional foi de R$ 3.621 no 2º trimestre de 2026, segundo a PNAD Contínua do IBGE. O valor varia de R$ 1.266, no trabalho doméstico sem carteira, a R$ 9.148, entre os empregadores.
- EmpregadorR$ 9.148
- Militar e servidor estatutárioR$ 6.673
- Empregado no setor público (todos)R$ 5.493
- Setor privado com carteiraR$ 3.386
- Conta própriaR$ 3.109
- Setor privado sem carteiraR$ 2.608
- Doméstico com carteiraR$ 1.998
- Doméstico sem carteiraR$ 1.266
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, 2º trimestre de 2026, rendimento habitual do trabalho principal.
A carteira assinada faz diferença no bolso. No setor privado, quem tem registro recebe R$ 778 a mais por mês que quem trabalha sem carteira, além de ter direito a férias, 13º salário, FGTS e seguro-desemprego. Entre as trabalhadoras e os trabalhadores domésticos, a diferença é de R$ 732.
Por setor da economia, as maiores médias estão em informação, comunicação, finanças e serviços profissionais, com R$ 5.222, e em administração pública, educação e saúde, com R$ 5.062. Os serviços domésticos, com R$ 1.439, a agropecuária, com R$ 2.341, e o setor de alojamento e alimentação, que inclui bares, restaurantes e hotéis, com R$ 2.406, têm as menores.
Em agosto de 2026, quem foi contratado com carteira assinada começou ganhando R$ 2.410,74, em média. O dado é do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego. O valor ficou estável em relação a julho, de R$ 2.411,48, e é 1,02% maior que o de agosto de 2025, já descontada a inflação.
Em agosto, o país criou 165.827 vagas com carteira, como mostra a matéria sobre desemprego e Caged de agosto.
O salário mínimo de 2026 é de R$ 1.621, pelo Decreto 12.797/2025. A média nacional do trabalho, de R$ 3.738, equivale a 2,3 salários mínimos. No Distrito Federal, a média chega a 3,8 mínimos, e no Maranhão, a 1,4. O salário de admissão do Caged corresponde a 1,5 mínimo.
Se você ganha um salário mínimo e mora em São Paulo, por exemplo, recebe pouco mais de um terço da média do estado, de R$ 4.447. Em Teresina ou em São Luís, a mesma renda fica mais perto da média estadual: no Piauí, ela é de R$ 2.547, e no Maranhão, de R$ 2.284.
Alguns estados, como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, têm piso regional acima do mínimo nacional para várias categorias.
O IBGE divulga em 30 de outubro, uma sexta-feira, o rendimento médio nacional do trimestre de julho a setembro de 2026. Os dados de cada estado para o 3º trimestre saem em 18 de novembro, uma quarta-feira, dois dias antes do feriado nacional da Consciência Negra.
Os números de cada estado ficam disponíveis de graça no Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra), nas tabelas da PNAD Contínua.
Como calculamos. A coluna de salários mínimos divide o rendimento médio de cada estado, da PNAD Contínua do IBGE, pelo salário mínimo de R$ 1.621 fixado pelo Decreto 12.797/2025. A proporção entre mulheres e homens divide o rendimento médio delas pelo deles, nos dados do IBGE para o 2º trimestre de 2026.
Como citar: Ouviram (24 out. 2026). «Salário médio no Brasil é de R$ 3.738, e o Distrito Federal paga o maior». ouviram.com.br/economia/salario-medio-no-brasil-por-estado-ibge
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
O salário médio do IBGE é bruto ou líquido?
É bruto. A PNAD Contínua pergunta quanto a pessoa recebe normalmente por mês antes dos descontos, como a contribuição ao INSS e o Imposto de Renda retido na fonte.
O salário médio do IBGE inclui o 13º salário?
Não. O rendimento habitual deixa de fora valores pagos de forma esporádica, como 13º salário, adicional de férias e participação nos lucros. Esses valores aparecem no rendimento efetivo, no mês em que são pagos.
Qual é a diferença entre salário médio e salário mediano?
A média soma todos os rendimentos e divide pelo número de trabalhadores, por isso sobe com os salários mais altos. A mediana é o valor do meio da fila: metade ganha menos e metade ganha mais. Por isso a mediana costuma ficar abaixo da média.
Por que o salário do Caged é menor que o da PNAD?
O Novo Caged mede só o salário de entrada de quem foi contratado com carteira no mês, em geral menor que o de quem já está no emprego há anos. A PNAD inclui todos os ocupados, inclusive servidores públicos, empregadores e informais.
Onde consultar o salário médio da minha profissão?
O Ministério do Trabalho e Emprego publica os dados do Novo Caged por ocupação, pela Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), no Programa de Disseminação das Estatísticas do Trabalho. Dá para filtrar por estado e por município.
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1. Qual unidade da federação teve o maior rendimento médio do trabalho no 2º trimestre de 2026?
Segundo a PNAD Contínua do IBGE, o Distrito Federal teve R$ 6.171 por mês, à frente de São Paulo, com R$ 4.447.
2. Em qual estado as mulheres ocupadas receberam mais que os homens no 2º trimestre de 2026?
No Amapá, a média das mulheres foi de R$ 3.175 e a dos homens, de R$ 3.105, segundo o IBGE.
3. Quanto recebe por mês, em média, quem tem ensino superior completo no Brasil?
Pela PNAD Contínua do IBGE, no 2º trimestre de 2026, quem concluiu a faculdade recebeu R$ 7.284 por mês, em média.
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