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Produção de cana-de-açúcar e etanol por estado: São Paulo colhe 51% da cana do país
As usinas devem fazer 41,9 bilhões de litros de combustível renovável em 2026/27, alta de 11,7%, e 42,9 milhões de toneladas de açúcar, 2,9% a menos.

São Paulo deve colher 362,8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2026/27, 51,4% do total nacional, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul completam o grupo dos quatro maiores.
A safra inteira deve somar 705,2 milhões de toneladas, alta de 4,7% sobre 2025/26, segundo o segundo levantamento da Conab, divulgado em 20 de agosto. Seria a segunda maior colheita da série histórica da companhia, iniciada em 2005/06. A área deve crescer 1,1%, para 9,05 milhões de hectares, e o rendimento, 3,6%, para 77,9 toneladas por hectare.
Neste ciclo, uma parte maior da cana vai para o tanque. Com o que a Conab chama de “mercado mais favorável ao etanol”, as usinas devem produzir 41,9 bilhões de litros do combustível, 11,7% a mais. O açúcar deve cair 2,9%, para 42,9 milhões de toneladas.
Se você tem carro flex, é essa safra que abastece a bomba de etanol e entra em 32% de cada litro de gasolina comum.
- Maior produtor de canaSão Paulo, 362,8 milhões de toneladas previstas em 2026/27
- Safra 2026/27705,2 milhões de toneladas, alta de 4,7%
- Safra 2025/26673,3 milhões de toneladas
- Etanol previsto41,9 bilhões de litros, sendo 30 bilhões de cana e 11,9 bilhões de milho
- Açúcar previsto42,9 milhões de toneladas
- Etanol na gasolina comum32% desde 1º de agosto de 2026
- FontesConab, ANP, IBGE e MDIC
| Posição | Estado | Cana 2025/26 (mil t) | Cana 2026/27 (mil t) | Participação | Açúcar 2026/27 (mil t) | Etanol 2026/27 (milhões de litros) |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1º | São Paulo | 347.937,2 | 362.821,9 | 51,4% | 25.748,7 | 12.993,9 |
| 2º | Minas Gerais | 77.138,8 | 82.542,7 | 11,7% | 5.566,8 | 3.457,6 |
| 3º | Goiás | 80.140,8 | 79.690,4 | 11,3% | 2.929,1 | 5.809,0 |
| 4º | Mato Grosso do Sul | 51.563,3 | 57.831,0 | 8,2% | 1.821,7 | 5.619,6 |
| 5º | Paraná | 35.981,0 | 37.267,8 | 5,3% | 2.609,5 | 1.481,5 |
| 6º | Mato Grosso | 18.487,9 | 19.508,8 | 2,8% | 564,9 | 8.405,5 |
| 7º | Alagoas | 18.232,0 | 18.777,3 | 2,7% | 1.481,0 | 512,1 |
| 8º | Pernambuco | 13.428,4 | 13.458,9 | 1,9% | 951,5 | 383,5 |
| 9º | Paraíba | 6.915,1 | 7.290,3 | 1,0% | 142,0 | 456,4 |
| 10º | Bahia | 5.874,4 | 6.543,9 | 0,9% | 214,0 | 854,5 |
| 11º | Espírito Santo | 3.320,8 | 3.917,5 | 0,6% | 218,0 | 168,2 |
| 12º | Rio Grande do Norte | 3.596,3 | 3.716,6 | 0,5% | 214,0 | 140,7 |
| — | Outras 15 unidades | 10.667,8 | 11.865,6 | 1,7% | 425,4 | 1.600,1 |
| — | Brasil | 673.283,8 | 705.232,7 | 100% | 42.886,6 | 41.882,6 |
Fonte: Conab, 2º levantamento da safra de cana-de-açúcar 2026/27, agosto de 2026. O etanol inclui o feito de milho.
A cana é uma lavoura do Centro-Sul. A região deve responder por 91,6% da colheita de 2026/27, e só o Sudeste, por 64%, segundo a Conab. Norte e Nordeste somam 59,5 milhões de toneladas, 8,4% do total, com Alagoas e Pernambuco à frente, numa tradição que vem dos engenhos da Zona da Mata.
Entre os dez maiores produtores, as maiores altas previstas estão em Mato Grosso do Sul, com 12,2% a mais, na Bahia, com 11,4%, e em Minas Gerais, com 7%. Goiás deve repetir a safra passada, com leve queda de 0,6%.
Região por região, o desenho muda bastante. O Centro-Oeste, com Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, deve colher 157 milhões de toneladas, 22,3% do país. No Sul, só o Paraná aparece na estimativa da Conab, com 37,3 milhões. No Nordeste, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Bahia lideram, e no Norte, Tocantins é o maior, com 2,3 milhões de toneladas.
Produção de etanol por estado e o avanço do milho
São Paulo é o maior produtor de etanol do Brasil, com 13 bilhões de litros previstos na safra 2026/27, segundo a Conab. Mato Grosso já é o segundo, com 8,4 bilhões, graças ao milho. Goiás e Mato Grosso do Sul vêm logo atrás.
Fonte: Conab, agosto de 2026
O total do país deve chegar a 41,9 bilhões de litros. Desse volume, 30 bilhões saem da cana, alta de 9,7%, e 11,9 bilhões saem do milho, alta de 17%. O cereal já responde por 28,4% do etanol brasileiro, e a Conab trata o número como “mais um recorde” do combustível feito de grão.
41,9 bilhões
de litros de etanol devem sair das usinas de cana e de milho na safra 2026/27, alta de 11,7%
Fonte: Conab, agosto de 2026
O milho explica por que o mapa do etanol é diferente do mapa da cana. Mato Grosso colhe só 2,8% da cana do país, mas suas usinas de cereal devem fazer 7,2 bilhões de litros.
A Bahia mais que dobra a produção, de 351 milhões para 854,5 milhões de litros, puxada pelo etanol de milho, que o estado não fazia na safra passada.
No Nordeste, o Maranhão é o maior produtor de etanol, com 1,1 bilhão de litros, a maior parte feita de milho. Já Alagoas, Paraíba e Pernambuco seguem com o etanol de cana, e Alagoas é o maior fabricante de açúcar da região, com 1,5 milhão de toneladas.
Existem dois tipos de etanol, e cada um tem um destino. O anidro, quase sem água, é misturado à gasolina; a Conab prevê 15,2 bilhões de litros, alta de 8,1%. O hidratado é o que você coloca puro no carro flex; a previsão é de 26,6 bilhões de litros, alta de 13,8%.
Quanto de etanol tem na gasolina hoje
A gasolina comum vendida nos postos do Brasil tem 32% de etanol anidro desde 1º de agosto de 2026, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A regra está na Resolução nº 9/2026 do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Antes, o teor obrigatório era de 30%.
A mudança tem prazo. A resolução vale por 180 dias e pode ser prorrogada uma única vez, por igual período, segundo a ANP. Ela se apoia na Lei 14.993/2024, a Lei do Combustível do Futuro, e não alterou as demais especificações da gasolina, como a octanagem.
O Ministério de Minas e Energia (MME) estima que a mudança evite a importação de 900 milhões de litros de gasolina por ano.
- 14 de julho de 2026O CNPE aprova a alta do etanol anidro na gasolina para 32%
- 30 de julhoA resolução sai em edição extra do Diário Oficial da União
- 1º de agostoA mistura de 32% passa a valer em todo o país
- Agosto e setembroDistribuidoras têm 15 dias e postos, 30 dias para se adaptar; na Região Norte, os prazos são de 30 e 60 dias
- Fim de janeiro de 2027Terminam os 180 dias, se não houver prorrogação
Para quem abastece, a regra não exige nada: o teor já sai da distribuidora, e o preço da gasolina varia de posto para posto.
Para as usinas, a mistura maior significa mais procura por etanol anidro. A Conab avalia que o aumento pode ampliar a demanda pelo combustível e reforçar o incentivo para que as usinas desviem mais cana do açúcar para o etanol.
As exportações de etanol somaram 350,1 milhões de litros de abril a julho de 2026, queda de 20,9% sobre o mesmo período de 2025. Para a Conab, o volume menor sugere mais etanol direcionado ao mercado interno.
As importações caíram 79,2%, para 22,3 milhões de litros, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) reunidos pela Conab.
Exportação de açúcar e as cidades da cana
O Brasil exportou 33,8 milhões de toneladas de açúcar em 2025, no valor de US$ 14,1 bilhões, segundo o Comex Stat do MDIC. A China foi o maior comprador, com 4,7 milhões de toneladas, 14% do total, à frente de Índia, Argélia e Bangladesh.
| Destino | Açúcar exportado em 2025 (milhões de t) | Participação |
|---|---|---|
| China | 4,74 | 14,0% |
| Índia | 2,63 | 7,8% |
| Argélia | 2,13 | 6,3% |
| Bangladesh | 2,08 | 6,2% |
| Indonésia | 1,94 | 5,7% |
| Arábia Saudita | 1,85 | 5,5% |
| Emirados Árabes Unidos | 1,73 | 5,1% |
| Nigéria | 1,63 | 4,8% |
Fonte: MDIC, Comex Stat, 2025.
Ao contrário da soja, que tem na China um comprador dominante, o açúcar brasileiro chegou a 146 países e territórios em 2025, a maioria na Ásia, no Oriente Médio e na África. É o sexto produto na lista de exportações do Brasil, com 4,1% das vendas externas.
Na safra atual, o ritmo diminuiu. De abril a julho de 2026, o país embarcou 9,3 milhões de toneladas, 13,1% menos que nos mesmos meses de 2025, segundo a Conab. A companhia liga a queda à menor oferta de açúcar para venda externa, com mais cana indo para o etanol.
No campo, a cana se concentra num cinturão que vai do interior paulista ao Triângulo Mineiro e ao sul de Goiás e de Mato Grosso do Sul. Uberaba, em Minas Gerais, foi o município que mais colheu cana em 2025, com 9 milhões de toneladas. O dado é da Produção Agrícola Municipal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
| Posição | Município | Estado | Cana colhida em 2025 (milhões de t) |
|---|---|---|---|
| 1º | Uberaba | MG | 9,00 |
| 2º | Nova Alvorada do Sul | MS | 7,74 |
| 3º | Quirinópolis | GO | 7,65 |
| 4º | Barretos | SP | 6,33 |
| 5º | Rio Brilhante | MS | 6,15 |
| 6º | Morro Agudo | SP | 6,14 |
| 7º | Guaíra | SP | 5,08 |
| 8º | Frutal | MG | 5,00 |
| 9º | Jaboticabal | SP | 4,89 |
| 10º | Mineiros | GO | 4,83 |
Fonte: IBGE, Produção Agrícola Municipal 2025.
Os números do IBGE e os da Conab não batem, e isso é esperado. O IBGE soma toda a cana colhida no ano civil e chegou a 766,1 milhões de toneladas em 2025. A Conab acompanha a cana das usinas de açúcar e etanol por ano-safra.
A Conab divulga o terceiro levantamento da safra de cana 2026/27 em 22 de dezembro, com a moagem do Centro-Sul já perto do fim. A mistura de 32% de etanol na gasolina comum vale até o fim de janeiro de 2027. Segundo a ANP, ela pode ser prorrogada uma única vez, por mais 180 dias.
Como citar: Ouviram (25 out. 2026). «Produção de cana-de-açúcar e etanol por estado: São Paulo colhe 51% da cana do país». ouviram.com.br/economia/producao-de-cana-de-acucar-e-etanol-por-estado-conab
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
O que é ATR da cana-de-açúcar?
É o açúcar total recuperável, a quantidade de açúcares que a indústria consegue aproveitar de cada tonelada de cana. A Conab estima 132,9 kg por tonelada na safra 2026/27, 1,5% abaixo do ciclo anterior.
A gasolina premium também tem 32% de etanol?
Não. A mistura de 32% vale para a gasolina comum e a comum aditivada. Na gasolina premium, o teor de etanol anidro continua em 25%, segundo a ANP.
Quando começa e termina a colheita da cana?
No Centro-Sul, a colheita da safra 2026/27 vai de abril a dezembro, e em São Paulo muitas usinas devem moer até meados de dezembro. No Nordeste, a moagem começa em agosto na maioria dos estados e vai até março de 2027, segundo a Conab. O próximo levantamento da companhia sai em 22 de dezembro.
Quanto vale a produção de cana no Brasil?
A cana rendeu R$ 108,9 bilhões aos produtores em 2025, segundo a Produção Agrícola Municipal do IBGE. É a terceira lavoura do país em valor, atrás da soja e do milho.
Onde ver a produção de cana da minha cidade?
A Produção Agrícola Municipal do IBGE traz área, produção e valor da cana de cada município no sistema Sidra. Em 2025, 3.200 municípios registraram colheita de cana.
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1. Qual estado mais produz cana-de-açúcar no Brasil?
São Paulo deve colher 362,8 milhões de toneladas na safra 2026/27, 51,4% do total do país, segundo a Conab.
2. Qual município colheu mais cana em 2025, segundo o IBGE?
Uberaba, no Triângulo Mineiro, colheu 9 milhões de toneladas, à frente de Nova Alvorada do Sul (MS) e Quirinópolis (GO), segundo o IBGE.
3. Quanto de etanol anidro tem a gasolina comum desde agosto de 2026?
A Resolução nº 9/2026 do CNPE elevou a mistura de 30% para 32% a partir de 1º de agosto de 2026, segundo a ANP.
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