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Produção de milho por estado: Mato Grosso é o maior produtor do Brasil, com 40,5% da safra

A safrinha, plantada depois da soja, rendeu 78% dos 144,5 milhões de toneladas colhidos no país, e a Conab prevê 148 milhões no ciclo 2026/27.

Lavoura de milho verde em Extrema, no sul de Minas Gerais
Lavoura de milho em fase de crescimento em Extrema, no sul de Minas Gerais, em imagem de 2015.Foto: Carlos Ebert / Wikimedia Commons · CC BY 2.0

Mato Grosso colheu 58,6 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26, 40,5% do total nacional de 144,5 milhões, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás vêm em seguida, e os quatro estados somam 72,3% do milho do país.

O próximo ciclo começou com previsão de alta. O primeiro levantamento da safra 2026/27, divulgado pela Conab em 15 de outubro, estima 148 milhões de toneladas, 2,4% a mais. A área deve crescer 4,9%, para 23,7 milhões de hectares, enquanto a produtividade média prevista cai 2,3%, para 6.244 kg por hectare.

O milho chega à mesa de quem mora longe da roça. É a base da ração do frango, do porco e da vaca de leite e entra no fubá, no cuscuz e na pamonha. Cada vez mais, também vira etanol no tanque do carro.

Em 2025, a colheita valeu R$ 122,1 bilhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), atrás apenas da soja entre as lavouras do país.

  • Maior produtorMato Grosso, 58,6 milhões de toneladas em 2025/26
  • Safra 2025/26144,5 milhões de toneladas, em 22,6 milhões de hectares
  • Estimativa 2026/27148 milhões de toneladas, em 23,7 milhões de hectares
  • Produtividade prevista6.244 kg por hectare, cerca de 104 sacas
  • Peso da safrinha78% da produção de 2025/26
  • Plantio da 1ª safra em 16 de outubro36% da área nos nove estados acompanhados
  • FontesConab, IBGE e USDA
PosiçãoEstadoProdução 2025/26 (mil t)ParticipaçãoEstimativa 2026/27 (mil t)Área 2026/27 (mil ha)Produtividade 2026/27 (kg/ha)
1ºMato Grosso58.577,140,5%57.898,77.993,07.244
2ºParaná21.430,914,8%21.598,13.349,36.449
3ºMato Grosso do Sul14.161,39,8%13.178,52.191,06.015
4ºGoiás10.352,77,2%12.396,81.993,26.220
5ºMinas Gerais7.235,05,0%7.593,11.173,86.469
6ºRio Grande do Sul6.011,44,2%6.626,5913,57.254
7ºSão Paulo4.726,23,3%4.955,8832,75.951
8ºBahia3.235,42,2%3.417,4816,64.185
9ºSanta Catarina3.177,52,2%3.338,0341,09.789
10ºMaranhão2.998,12,1%3.409,0635,85.362
11ºTocantins2.722,61,9%3.054,0572,75.333
12ºPiauí2.489,41,7%2.496,4514,94.848
13ºPará2.476,71,7%2.593,8585,04.434
14ºRondônia2.409,41,7%2.533,5483,55.240
—Outras 13 unidades2.495,31,7%2.926,31.308,7—
—Brasil144.499,0100%148.015,923.704,76.244

Fonte: Conab, 1º levantamento da safra 2026/27, outubro de 2026.

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O mapa do milho tem centro no Centro-Oeste. A região colheu 83,5 milhões de toneladas em 2025/26, 57,8% do total, segundo a Conab. O Sul respondeu por 21,2%, o Sudeste por 8,3%, o Nordeste por 7,3% e o Norte por 5,4%.

Entre os maiores produtores, as altas mais fortes previstas para 2026/27 são as de Goiás, que deve colher 19,7% a mais, do Maranhão, com 13,7%, e do Tocantins, com 12,2%. Já Mato Grosso do Sul pode recuar 6,9% e Mato Grosso, 1,2%, por causa da produtividade menor estimada pela Conab.

O que é o milho safrinha e por que ele lidera a colheita

O milho safrinha é a segunda safra do ano, plantada de janeiro a meados de abril, logo depois da soja, e rendeu 78% do milho do Brasil em 2025/26, segundo a Conab. Foram 112,8 milhões de toneladas, quase quatro vezes a primeira safra.

78%

do milho colhido no Brasil na safra 2025/26 veio da segunda safra, plantada depois da soja

Fonte: Conab, outubro de 2026

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O diminutivo ficou do tempo em que essa colheita era menor que a de verão. A conta mudou porque o produtor do cerrado aprendeu a tirar duas lavouras da mesma terra: a soja no verão e o milho em seguida, aproveitando o fim das chuvas. A Conab chama esse arranjo de modelo soja/milho e diz que ele segue “economicamente atrativo”.

Mato Grosso é o retrato desse modelo. Dos 58,6 milhões de toneladas que o estado colheu em 2025/26, 58 milhões vieram da segunda safra, ou 99%. Em Mato Grosso do Sul, a fatia da safrinha também passa de 98%; em Goiás, chega a 85%, e no Paraná, a 81%.

A primeira safra, a de verão, divide a terra com a soja e pesa mais no Sul e em Minas Gerais. O Rio Grande do Sul deve colher 6,6 milhões de toneladas nela em 2026/27. Depois vêm Minas Gerais, com 4,9 milhões, o Paraná, com 4,5 milhões, e Santa Catarina, com 3,3 milhões.

É no verão que o milho rende mais por hectare. Na primeira safra, a Conab prevê 11.140 kg por hectare em Mato Grosso do Sul, 10.516 kg no Paraná e 10.498 kg em Goiás. A média da safrinha é de 6.126 kg.

Para 2026/27, a área de verão deve crescer 10,7%, para 4,5 milhões de hectares, segundo a Conab. A alta vem da procura das usinas de etanol de milho em alguns estados e da vantagem econômica sobre outras culturas.

A terceira safra é a do Nordeste e de Roraima. Ela se concentra na Bahia, em Sergipe e em Alagoas, faixa que a Conab chama de Sealba, e somou 2,2 milhões de toneladas no país em 2025/26.

SafraÉpoca de plantioÁrea 2026/27 (mil ha)Produção 2025/26 (mil t)Estimativa 2026/27 (mil t)Maiores produtores em 2026/27
1ª safra (verão)Do fim de agosto a dezembro4.540,229.487,832.102,5RS, MG, PR e SC
2ª safra (safrinha)De janeiro a meados de abril18.486,6112.769,0113.254,5MT, PR, MS e GO
3ª safraDe abril a junho677,92.242,22.658,9BA, SE, AL e RR
Total—23.704,7144.499,0148.015,9MT, PR, MS e GO

Fonte: Conab, 1º levantamento da safra 2026/27, outubro de 2026.

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A terceira safra de 2025/26 sofreu com chuva irregular e escassa no Sealba. Parte das lavouras virou silagem ou pasto, e em Alagoas o rendimento ficou perto de 40 sacas por hectare, segundo a Conab. Para 2026/27, a estimativa é de alta de 18,6%, com Sergipe saindo de 670 mil para 970 mil toneladas.

A diferença entre regiões é grande. Santa Catarina deve colher 9.789 kg por hectare em 2026/27, o Rio Grande do Sul 7.254 kg e Mato Grosso 7.244 kg. No Nordeste, o Maranhão prevê 5.362 kg e o Ceará, no semiárido, 1.268 kg. No Norte, Tocantins e Rondônia passam de 5 mil kg por hectare.

Cidades que mais produzem milho no Brasil

Sorriso, no norte de Mato Grosso, foi o município que mais colheu milho no Brasil em 2025, com 3,78 milhões de toneladas, segundo a Produção Agrícola Municipal do IBGE. Sozinha, a cidade colheu mais que 20 das 27 unidades da federação, entre elas Bahia, Santa Catarina e Piauí.

PosiçãoMunicípioEstadoProdução em 2025 (t)
1ºSorrisoMT3.780.000
2ºRio VerdeGO2.669.200
3ºNova MutumMT2.430.600
4ºJataíGO2.024.700
5ºDiamantinoMT1.896.864
6ºQuerênciaMT1.836.000
7ºMaracajuMS1.827.000
8ºTabaporãMT1.663.200
9ºPrimavera do LesteMT1.537.500
10ºPorto dos GaúchosMT1.482.300

Fonte: IBGE, Produção Agrícola Municipal 2025.

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Mato Grosso domina também a lista das cidades. Dos 15 municípios que mais colheram milho em 2025, 12 ficam no estado. Os outros são Rio Verde e Jataí, em Goiás, e Maracaju, em Mato Grosso do Sul. O milho, porém, está em quase todo o mapa: 4.993 municípios, de todos os estados, registraram colheita no ano.

Os números do IBGE e os da Conab não batem um a um, e isso é esperado. O IBGE conta o ano civil, de janeiro a dezembro. A Conab soma o ano-safra, que junta a lavoura de verão de um ano com a safrinha do ano seguinte.

Pelo IBGE, o Brasil colheu 141,2 milhões de toneladas em 2025, e Goiás ficou à frente de Mato Grosso do Sul.

Se você mora numa cidade do interior do Centro-Oeste, o milho explica parte do emprego e do comércio local. Em 2025, a lavoura valeu R$ 122,1 bilhões no país, segundo o IBGE, dinheiro que circula em revendas de máquinas, transportadoras, armazéns e, cada vez mais, nas usinas de etanol.

Etanol de milho, consumo no país e exportação

O consumo de milho no Brasil deve chegar a 104,8 milhões de toneladas na safra 2026/27, alta de 6,6%, puxada pelas usinas de etanol, segundo a Conab. Em 2025/26, o país usou internamente 68% do milho que colheu.

O consumo de milho no Brasil deve crescer 47% em seis safras (milhões de toneladas)
2020/2171,2
2021/2274,5
2022/2379,5
2023/2484,1
2024/2591,1
2025/2698,3
2026/27 (estimativa)104,8

Fonte: Conab, balanço de oferta e demanda, outubro de 2026

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Boa parte desse milho vira ração para frangos, porcos e o rebanho bovino. O que mudou nos últimos anos foi o tanque do carro. No boletim de outubro, a Conab atribui o aumento do consumo “principalmente ao aumento da utilização do milho na produção de etanol”.

As usinas de etanol de milho devem produzir 11,9 bilhões de litros na safra 2026/27, alta de 17%, segundo o levantamento de cana-de-açúcar divulgado pela Conab em agosto. O volume equivale a 28,4% de todo o etanol do país, estimado em 41,9 bilhões de litros.

A Conab classifica o resultado como “mais um recorde na produção do biocombustível derivado do cereal”.

Mato Grosso concentra 60,5% desse etanol, com 7,2 bilhões de litros previstos. Mato Grosso do Sul vem em seguida, com 2,1 bilhões, à frente de Goiás, que deve passar de 783 milhões para 1,2 bilhão de litros, alta de 50,6%.

No Nordeste, o Maranhão deve produzir 936 milhões de litros, e a Bahia, que não tinha etanol de milho na safra passada, 470 milhões.

A usina não aproveita só o amido. O que sobra da destilação volta para a fazenda em forma de farelos, DDG e óleo de milho. Segundo a Conab, esses coprodutos ampliam a integração com as cadeias de carnes.

A Conab cita essa demanda das usinas para explicar a alta da área de milho em Goiás, onde entraram novas plantas industriais, e no Tocantins.

O restante da safra vai para fora e reforça a lista das exportações do Brasil. A Conab prevê exportação de 43,9 milhões de toneladas em 2025/26, número revisado para baixo depois do ritmo de agosto e setembro, e de 46 milhões em 2026/27. Ao fim do ciclo 2025/26, em fevereiro de 2027, os estoques devem somar 16 milhões de toneladas.

No mercado mundial, o Brasil é o terceiro maior produtor e o segundo maior exportador de milho. Para 2026/27, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta 1,29 bilhão de toneladas no mundo.

Os EUA devem colher 407,3 milhões, a China 307 milhões e o Brasil 139 milhões, 10,7% do total. O USDA usa um calendário próprio para a safra brasileira, por isso o número difere do da Conab.

Nas vendas externas, a posição do Brasil é ainda mais forte. O USDA estima que os EUA exportem 83,8 milhões de toneladas em 2026/27 e o Brasil, 43 milhões, 20,4% do comércio mundial. Argentina, com 38 milhões, e Ucrânia, com 22 milhões, vêm atrás.

Como calculamos. A alta de 47% no consumo compara o balanço da Conab de 2020/21, 71,2 milhões de toneladas, com a estimativa para 2026/27, 104,8 milhões. As fatias do Brasil na produção e na exportação mundiais dividem os números do Brasil pelos totais do mundo no mesmo relatório do USDA, de 9 de outubro de 2026.


A safra 2026/27 já está no campo. Até 16 de outubro, os produtores tinham semeado 36% da área de milho de verão nos nove estados que a Conab acompanha, contra 35,3% um ano antes. Santa Catarina estava com 86%, o Paraná com 84% e o Rio Grande do Sul com 80%. A colheita da safrinha 2025/26 já terminou.

  • Desde o fim de agostoRio Grande do Sul começa o plantio do milho de verão
  • OutubroSão Paulo, Distrito Federal, Bahia e Mato Grosso do Sul semeiam a primeira safra
  • 13 de novembroA Conab divulga o 2º levantamento da safra de grãos 2026/27
  • Novembro e dezembroMaranhão e Piauí plantam o milho de verão, depois da chegada das chuvas
  • 15 de dezembroSai o 3º levantamento da Conab
  • Janeiro a junho de 2027Plantio da segunda e da terceira safras

A Conab publica o andamento do plantio e da colheita toda segunda-feira, às 19h, e o próximo boletim semanal sai em 26 de outubro.

Como citar: Ouviram (25 out. 2026). «Produção de milho por estado: Mato Grosso é o maior produtor do Brasil, com 40,5% da safra». ouviram.com.br/economia/producao-de-milho-por-estado-conab

Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.

Perguntas frequentes

Quantas sacas de milho dá um hectare?

A saca de milho tem 60 kg. Com a produtividade média estimada pela Conab para 2026/27, de 6.244 kg por hectare, um hectare rende cerca de 104 sacas. Em Mato Grosso, a média prevista é de 7.244 kg, perto de 121 sacas.

O Brasil importa milho?

Sim, em pequena quantidade. O balanço da Conab prevê importação de 1,7 milhão de toneladas na safra 2025/26 e de novo na 2026/27, pouco mais de 1% da produção do país.

O que é DDG de milho?

É o grão seco que sobra da destilação do milho nas usinas de etanol, rico em proteína e vendido para ração animal. A Conab cita os farelos, o DDG, o DDGS e o óleo de milho como coprodutos que ampliam a integração das usinas com as cadeias de carnes.

Onde ver a produção de milho da minha cidade?

A Produção Agrícola Municipal do IBGE traz área, produção e valor do milho de cada município, ano a ano, no sistema Sidra. Os dados de 2025, os últimos divulgados, mostram 4.993 municípios com colheita de milho.

Qual a diferença entre milho em grão e milho para silagem?

O milho em grão é colhido seco e debulhado, e é ele que a Conab e o IBGE contam na safra. Na silagem, a planta inteira é cortada ainda verde e picada para alimentar o gado, e essa área deixa de entrar na produção de grãos.

#Agronegócio#Conab#MatoGrosso#Milho#Safra202627

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