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O que o Brasil mais exporta: petróleo, soja e minério de ferro lideram a lista

De janeiro a setembro de 2026, as vendas externas somaram US$ 284,7 bilhões, 10,4% acima de 2025, e a China levou quase 30% delas.

Navio graneleiro deixa o canal do Porto de Santos, com morros ao fundo
Navio graneleiro deixa o canal do Porto de Santos (SP) rumo ao mar, em imagem de 2011.Foto: Danilo Bertelli / Wikimedia Commons · CC BY 3.0

O Brasil exportou US$ 348,7 bilhões em 2025, o maior valor da série, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Petróleo bruto, soja e minério de ferro responderam por um terço das vendas, e a China comprou 28,7% de tudo o que o país mandou para fora.

O ritmo continua em 2026. De janeiro a setembro, as exportações somaram US$ 284,7 bilhões, alta de 10,4% em relação ao mesmo período de 2025, e as importações, US$ 222,3 bilhões. O saldo, de US$ 62,4 bilhões em nove meses, já se aproxima do resultado do ano passado inteiro.

As vendas externas trazem dólares para o país e sustentam empregos no campo, nos portos, nas minas e nas fábricas. Os números deste guia são do MDIC e do Comex Stat, o sistema aberto do ministério. Ali as exportações aparecem por produto, país, estado e município, em dólares e no valor FOB, sem frete e seguro.

  • Exportações em 2025US$ 348,7 bilhões, alta de 3,5%
  • Importações em 2025US$ 280,4 bilhões, alta de 6,7%
  • Saldo de 2025US$ 68,3 bilhões, o terceiro maior da série
  • Exportações de janeiro a setembro de 2026US$ 284,7 bilhões
  • Saldo de janeiro a setembro de 2026US$ 62,4 bilhões
  • Maior compradorChina, 28,7% do total em 2025
  • Produto número 1Petróleo bruto, 12,8% em 2025
  • Estado que mais exportaSão Paulo, 20,5%
  • FonteMDIC, balança comercial e Comex Stat

28,7%

das exportações brasileiras de 2025 foram para a China, US$ 99,9 bilhões, 2,7 vezes o valor vendido aos Estados Unidos

Fonte: MDIC, Comex Stat, 2025

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Principais produtos exportados pelo Brasil

Os principais produtos exportados pelo Brasil em 2025 foram petróleo bruto, com US$ 44,5 bilhões, soja, com US$ 43,5 bilhões, e minério de ferro, com US$ 29,0 bilhões, segundo o Comex Stat do MDIC. Café, carne bovina e açúcar vêm em seguida, cada um com cerca de 4% das vendas externas.

A tabela mostra os 15 maiores produtos de 2025, pela classificação de quatro dígitos usada no comércio mundial, e o valor de janeiro a setembro de 2026. A participação é calculada sobre o total do Comex Stat, de US$ 348,3 bilhões em 2025, valor já revisado pelo sistema.

PosiçãoProduto2025 (US$ bilhões)% do totalVolume em 2025Jan-set 2026 (US$ bilhões)
1ºPetróleo bruto44,512,8%98,2 milhões de t43,0
2ºSoja em grão43,512,5%108,2 milhões de t42,9
3ºMinério de ferro29,08,3%416,3 milhões de t20,1
4ºCafé14,94,3%2,3 milhões de t9,2
5ºCarne bovina congelada14,54,1%2,7 milhões de t11,1
6ºAçúcar14,14,1%33,8 milhões de t7,4
7ºDerivados de petróleo10,33,0%19,2 milhões de t10,5
8ºCelulose9,22,6%20,7 milhões de t7,1
9ºCarne de frango8,82,5%5,0 milhões de t7,8
10ºMilho8,62,5%41,0 milhões de t4,4
11ºFarelo de soja7,92,3%23,3 milhões de t7,2
12ºOuro6,61,9%—6,9
13ºAutomóveis5,91,7%—3,9
14ºMinério de cobre5,01,4%1,5 milhão de t6,2
15ºAlgodão4,91,4%3,0 milhões de t3,6

Fonte: MDIC, Comex Stat, dados consultados em 25 de outubro de 2026. Os valores de 2026 são de janeiro a setembro.

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Em 2025, o petróleo bruto ficou à frente da soja por uma diferença de US$ 1 bilhão. Em 2026, a disputa ficou ainda mais apertada: de janeiro a setembro, o óleo somou US$ 43,0 bilhões e o grão, US$ 42,9 bilhões, cada um com 15,1% das vendas. No mesmo período de 2025, o petróleo tinha US$ 33,4 bilhões.

O salto vem da produção. O país bateu recorde de produção de petróleo e gás em 2025, puxado pelo pré-sal, e o óleo é hoje o principal item da pauta. Em setembro de 2026, as vendas de petróleo bruto cresceram 77,3% em um ano, segundo o MDIC.

O agronegócio continua no centro da lista. Soja, farelo de soja, carne bovina congelada, carne de frango, café, açúcar, milho, celulose e algodão somaram 36,3% das exportações de 2025. Só a soja em grão e o farelo renderam US$ 51,4 bilhões, e o Brasil embarcou 108,2 milhões de toneladas do grão em um ano.

Maiores parceiros comerciais do Brasil

Os maiores parceiros comerciais do Brasil nas exportações de 2025 foram China, com US$ 99,9 bilhões, Estados Unidos, com US$ 37,7 bilhões, e Argentina, com US$ 18,1 bilhões, segundo o Comex Stat do MDIC. Os três juntos compraram 44,7% de tudo o que o país vendeu ao exterior.

PosiçãoPaís2025 (US$ bilhões)% do totalJan-set 2026 (US$ bilhões)Variação em 2026*
1ºChina99,928,7%84,7+12,0%
2ºEstados Unidos37,710,8%27,5-6,5%
3ºArgentina18,15,2%11,6-18,5%
4ºPaíses Baixos11,73,4%10,0+16,6%
5ºEspanha8,82,5%7,5+10,0%
6ºMéxico7,72,2%6,6+14,8%
7ºSingapura7,42,1%5,7+12,1%
8ºCanadá7,32,1%5,7+12,1%
9ºChile7,22,1%5,4+6,9%
10ºÍndia6,92,0%8,2+85,5%
11ºAlemanha6,51,9%5,3+15,8%

Fonte: MDIC, Comex Stat, dados consultados em 25 de outubro de 2026. *Janeiro a setembro de 2026 comparado com janeiro a setembro de 2025.

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Soja, com 34,5%, petróleo bruto, com 20,1%, e minério de ferro, com 19,6%, formaram quase três quartos das compras chinesas em 2025, seguidos por carne bovina e celulose. Em 2026, a China ampliou as compras em 12,0% e chegou a 29,7% das exportações brasileiras de janeiro a setembro.

A pauta dos Estados Unidos é mais variada. Petróleo bruto liderou em 2025, com 12,5%, seguido por aviões, aço semiacabado, café, combustíveis, sucos de frutas e ferro-gusa. As vendas para lá caíram 6,5% nos nove primeiros meses de 2026. Para a Argentina, terceira colocada, a queda foi de 18,5%.

A Índia é a surpresa do ano. As compras indianas quase dobraram de janeiro a setembro, para US$ 8,2 bilhões, e o país subiu ao quinto lugar entre os destinos, à frente da Espanha. Petróleo bruto, com US$ 3,0 bilhões, e óleo de soja, com US$ 1,6 bilhão, foram os principais produtos vendidos aos indianos. A Itália, com mais 31,7%, também ganhou espaço.

Por blocos, a Ásia sem o Oriente Médio recebeu US$ 149,9 bilhões em 2025, 43% das exportações brasileiras. A Europa ficou com US$ 63,6 bilhões, sendo US$ 49,8 bilhões da União Europeia, e a América do Sul, com US$ 43,2 bilhões. O Mercosul, de que o Brasil faz parte, comprou US$ 25,7 bilhões.

Estados que mais exportam e o saldo comercial

São Paulo é o estado que mais exporta no Brasil: vendeu US$ 71,4 bilhões ao exterior em 2025, 20,5% do total, segundo o Comex Stat do MDIC. O Rio de Janeiro, com US$ 49,0 bilhões puxados pelo petróleo, e Minas Gerais, com US$ 45,8 bilhões, completam o pódio.

PosiçãoEstado2025 (US$ bilhões)% do Brasil
1ºSão Paulo71,420,5%
2ºRio de Janeiro49,014,1%
3ºMinas Gerais45,813,2%
4ºMato Grosso30,28,7%
5ºPará24,37,0%
6ºParaná23,76,8%
7ºRio Grande do Sul21,56,2%
8ºGoiás13,53,9%
9ºSanta Catarina12,23,5%
10ºBahia11,63,3%
11ºMato Grosso do Sul10,83,1%
12ºEspírito Santo10,53,0%

Fonte: MDIC, Comex Stat, dados consultados em 25 de outubro de 2026. O estado é o de origem da mercadoria, onde ela foi produzida.

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Mato Grosso, quarto colocado, vende sobretudo produtos do campo: soja, com 42,2% das vendas do estado, milho, com 15,4%, carne bovina, algodão e farelo de soja. O Pará, quinto, tem 47,8% da pauta em minério de ferro e 16,0% em minério de cobre. A lista mostra o peso do Centro-Oeste, do Norte e do Nordeste: cinco dos 12 maiores exportadores estão fora do Sul e do Sudeste.

Por região, o Sudeste respondeu por 50,7% das exportações de 2025, com US$ 176,7 bilhões. O Sul ficou com 16,5%, o Centro-Oeste, com 15,7%, o Norte, com 9,2%, e o Nordeste, com 7,3%. Bahia, com US$ 11,6 bilhões, e Maranhão, com US$ 5,0 bilhões, são os maiores exportadores nordestinos, e o Pará domina as vendas do Norte.

Em 2026, a ordem se mantém, com uma mudança de peso. De janeiro a setembro, o Rio de Janeiro subiu para 16,0% das vendas externas do país, com US$ 45,4 bilhões, perto de São Paulo, com US$ 55,7 bilhões e 19,6%. A distância entre os dois, de 6,4 pontos percentuais em 2025, caiu para 3,6 pontos.

Exportações cresceram 66% em cinco anos (US$ bilhões por ano)
2020209,2
2021280,8
2022334,1
2023339,7
2024337,1
2025348,3

Fonte: MDIC, Comex Stat, outubro de 2026

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O saldo comercial de 2025, de US$ 68,3 bilhões, foi o terceiro maior da série, atrás dos de 2023 e de 2024, segundo o MDIC. As importações cresceram mais que as exportações e chegaram a US$ 280,4 bilhões, também recorde, e a corrente de comércio, a soma das duas, bateu US$ 629,1 bilhões.

Em 2026, o movimento se inverteu. As exportações cresceram 10,4% de janeiro a setembro, e as importações, 5,0%, o que fez o saldo de nove meses saltar para US$ 62,4 bilhões, contra US$ 46,3 bilhões no mesmo período de 2025. O resultado mês a mês está na balança comercial de setembro.

São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais também encabeçam a lista dos PIB dos estados. O tamanho da economia nacional, em reais e em dólares, está no guia do PIB do Brasil em 2026.


O MDIC divulga a balança comercial de cada mês nos primeiros dias úteis do mês seguinte, com parciais semanais ao longo do mês. Os números por produto, país, estado e município ficam no Comex Stat, o sistema aberto do ministério, com acesso gratuito e sem cadastro.

Como citar: Ouviram (25 out. 2026). «O que o Brasil mais exporta: petróleo, soja e minério de ferro lideram a lista». ouviram.com.br/economia/exportacoes-do-brasil-principais-produtos-e-destinos

Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.

Perguntas frequentes

O que é balança comercial?

É a diferença entre o que um país vende e o que compra do exterior em um período. Quando as exportações superam as importações, há superávit; quando ficam abaixo, há déficit.

O que significa valor FOB nas exportações?

FOB, do inglês free on board, é o valor da mercadoria colocada no navio ou no avião no país de origem, sem o frete e o seguro internacionais. É a medida usada pelo MDIC nas estatísticas de exportação.

Exportação paga imposto no Brasil?

A Constituição livra as vendas ao exterior do ICMS, do IPI e do PIS/Cofins, para que o produto brasileiro não leve tributos para fora. A reforma tributária, pela Emenda Constitucional 132/2023, manteve a regra para os novos IBS e CBS.

Onde consultar as exportações da minha cidade?

O Comex Stat, sistema aberto do MDIC, mostra exportações e importações por município, produto e país, mês a mês. O município é o do domicílio fiscal da empresa exportadora, que nem sempre é onde o produto foi feito.

Quando sai a balança comercial do mês?

O MDIC divulga o resultado de cada mês nos primeiros dias úteis do mês seguinte e publica parciais semanais ao longo do mês. Os números do Comex Stat são revisados depois, por isso podem mudar um pouco.

#ComércioExterior#MDIC#China#Petróleo#Soja

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