Pantanal: como visitar pela Transpantaneira e pela Estrada-Parque, melhor época e bichos
O Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense ganhou 47.260 hectares em março de 2026 e passou a ter cerca de 183 mil, por decreto federal.

Duas estradas-parque de terra, com cerca de 145 km e 116 km, cortam o Pantanal, segundo o Ministério do Turismo. A Transpantaneira fica em Mato Grosso, e a Estrada-Parque Pantanal, em Mato Grosso do Sul. Nas duas, pousadas, fazendas e bichos aparecem à vista da janela do carro.
A Transpantaneira passa por cerca de 125 pontes entre Poconé e Porto Jofre. A Estrada-Parque segue pelas rodovias MS-184 e MS-228, entre Corumbá, Miranda e Ladário. Em qualquer das duas, a época de seca é a mais procurada para ver onça-pintada, jacaré, capivara e tuiuiú.
O Pantanal não tem portaria nem bilheteria. É uma região inteira, de rios, baías e campos que enchem e secam ao longo do ano, e quase toda a terra é de fazendas. Por isso, a visita se faz em pousadas e com guias locais, que levam a passeios de barco, a cavalo e em safáris fotográficos.
150.988 km²
é a área do Pantanal no Brasil, o menor dos seis biomas, com cerca de 1,8% do território
Fonte: IBGE, 2019
O Pantanal ocupa 150.988 km² no Brasil, segundo o IBGE, uma área maior que a do Ceará. É o menor bioma do país e, ao mesmo tempo, uma das maiores áreas úmidas contínuas do planeta, nas palavras do Ministério do Turismo. A planície continua do outro lado da fronteira, na Bolívia e no Paraguai.
- Onde ficaOeste de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul, na fronteira com Bolívia e Paraguai
- Porta norteCuiabá e Poconé, onde começa a Transpantaneira (MT-060)
- Porta sulCorumbá, Miranda e Aquidauana, pela BR-262 e pela Estrada-Parque
- IngressoNão há; paga-se hospedagem, refeições e passeios nas pousadas
- Melhor épocaSeca, quando os animais se juntam perto da água
- CheiaDe janeiro a março no norte e de abril a julho em Corumbá, segundo a Embrapa
- Pesca em MTProibida de 1º de outubro de 2026 a 31 de janeiro de 2027 (piracema)
- EmergênciasCorpo de Bombeiros 193, Samu 192, Polícia Militar 190
- 1Transpantaneira trilhaMT-060, saída de Poconéestrada de terra de cerca de 145 km e 125 pontes até Porto Jofre
- 2Porto Jofre parquefim da Transpantaneira, margem do rio Cuiabáponto de saída dos barcos para observar onças
- 3Parque Estadual Encontro das Águas parqueentre Poconé e Barão de Melgaçocerca de 109 mil hectares, onças e observação de aves
- 4Hotel Sesc Porto Cercado parquePorto Cercado, Poconéhotel do Polo Socioambiental Sesc Pantanal
- 5RPPN Sesc Pantanal parqueBarão de Melgaçoreserva particular de cerca de 108 mil hectares entre os rios Cuiabá e São Lourenço
- 6Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense parqueencontro dos rios Cuiabá e Paraguai, Poconécerca de 183 mil hectares, acesso por rio
Mapa: © colaboradores do OpenStreetMap. Toque num nome da lista para vê-lo no mapa.
- 1Estrada-Parque Pantanal trilhaMS-184 e MS-228cerca de 116 km de terra entre Corumbá, Miranda e Ladário
- 2Buraco das Piranhas trilhaBR-262, entrada da MS-184começo da Estrada-Parque para quem vem de Campo Grande
- 3Curva do Leque trilhaMS-184 com MS-228entroncamento no meio da Estrada-Parque
- 4Porto da Manga parqueMS-228, margem do rio Paraguaitravessia de balsa no rio Paraguai
- 5Passo do Lontra parqueMS-184, rio Mirandaregião de pousadas e pesca
- 6Casario do Porto museuCentro, Corumbácasarões ligados ao antigo porto do rio Paraguai
- 7Serra do Amolar trilhario Paraguai, acesso por barcoserra na planície, só alcançada por navegação
- 8Bioparque Pantanal museuParque das Nações Indígenas, Campo Grandeaquários de água doce, entrada grátis com agendamento
Mapa: © colaboradores do OpenStreetMap. Toque num nome da lista para vê-lo no mapa.
O que faz do Pantanal um lugar único é o pulso da água. Na cheia, rios transbordam, campos viram lagoas e boa parte da planície fica coberta. Na seca, a água recua para baías e corixos, os canais naturais que ligam rios e lagoas, e os bichos se concentram em volta do que sobrou.
A cheia não chega a todo lugar ao mesmo tempo. No norte, perto de Cuiabá e Cáceres, ela vem de janeiro a março, no período mais chuvoso, segundo a Embrapa Pantanal. Na região de Corumbá e Ladário, a água sobe entre abril e julho, porque desce devagar, de norte para sul, pela planície.
Esse vaivém sustenta uma fauna que se vê a olho nu, sem trilha longa nem binóculo caro. Jacarés tomam sol nas margens, capivaras andam em grupos, araras-azuis e tuiuiús, a ave-símbolo da região, passam baixo sobre os campos. Com sorte e guia, aparecem a ariranha, o cervo-do-pantanal e a onça-pintada.
A importância do lugar está escrita na lei. A Constituição de 1988 declarou o Pantanal Mato-Grossense patrimônio nacional, no artigo 225. Em 2000, a Unesco inscreveu a Área de Conservação do Pantanal, com 187.818 hectares, na lista do Patrimônio Mundial. O conjunto reúne o Parque Nacional e as reservas particulares de Acurizal, Penha e Dorochê.
O parque nacional cresceu neste ano. O Decreto 12.886, de 23 de março de 2026, acrescentou 47.260 hectares ao Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense, em Poconé, que passou a ter cerca de 183.095 hectares. Entre os objetivos listados no decreto estão proteger berçários de peixes e espécies ameaçadas e ampliar o ecoturismo e a visitação.
- 1981Decreto 86.392 cria o Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense, em Poconé (MT)
- 1988Constituição declara o Pantanal Mato-Grossense patrimônio nacional, no artigo 225
- 1993Mato Grosso do Sul cria a Estrada-Parque Pantanal como área de especial interesse turístico
- 2000Unesco inscreve a Área de Conservação do Pantanal na lista do Patrimônio Mundial
- 2026Decreto 12.886, de 23 de março, amplia o parque nacional para cerca de 183 mil hectares
O parque nacional fica no encontro dos rios Cuiabá e Paraguai, longe das estradas, e não é a forma mais comum de conhecer a região. A maioria dos visitantes fica nas pousadas e fazendas ao longo das duas estradas-parque, que funcionam como corredores de observação de fauna.
Transpantaneira, de Poconé a Porto Jofre
A porta norte começa em Poconé, a 104,7 km de Cuiabá pela MT-060, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso. Ali, a estrada perde o asfalto e vira a Transpantaneira, que segue por cerca de 145 km e 125 pontes até Porto Jofre, na margem do rio Cuiabá.
Pousadas e fazendas turísticas ficam ao longo da estrada e oferecem passeios a cavalo, de barco e caminhadas com guia. O próprio trajeto já é um safári: é comum parar o carro a cada poucos quilômetros para ver bichos.
No fim da estrada, Porto Jofre é o ponto de saída dos barcos que percorrem o rio Cuiabá e seus afluentes. Perto dali fica o Parque Estadual Encontro das Águas, com cerca de 109 mil hectares entre Poconé e Barão de Melgaço. O Ministério do Turismo cita a área como uma das principais para observar onças-pintadas e aves.
Outra opção no norte é a RPPN Sesc Pantanal, reserva particular de cerca de 108 mil hectares entre os rios Cuiabá e São Lourenço, em Barão de Melgaço. Ela faz parte do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, que tem o Hotel Sesc Porto Cercado, em Poconé, como base de hospedagem.
Quem chega de avião desce no aeroporto de Cuiabá, em Várzea Grande, e segue de carro ou com transfer da pousada. Na própria capital, o guia o que fazer em Cuiabá reúne o centro histórico, o Mercado do Porto e a Chapada dos Guimarães, para quem quer emendar a viagem.
A Transpantaneira é estrada de terra, com trechos de areia, buracos e pontes estreitas. Dirija devagar, só de dia, e saia de Poconé com o tanque cheio.
Na cheia, a água pode cobrir partes do caminho. Antes de sair, confirme a situação das pontes com a Secretaria de Infraestrutura de Mato Grosso, a Sinfra, e com a pousada.
Estrada-Parque, Miranda e Corumbá, no Pantanal Sul
A porta sul tem como eixo a BR-262, que liga Campo Grande a Corumbá, na fronteira com a Bolívia, numa viagem de mais de 400 quilômetros. No caminho ficam Aquidauana e Miranda, duas cidades que funcionam como base para safáris, cavalgadas e passeios de barco, segundo o Ministério do Turismo.
A Estrada-Parque Pantanal sai da BR-262 no Buraco das Piranhas e corre por trechos das rodovias MS-184 e MS-228, em cerca de 116 km de terra. Ela passa por Corumbá, Miranda e Ladário e foi criada em 1993 pelo governo de Mato Grosso do Sul como área de especial interesse turístico.
Na beira da estrada, tuiuiús, biguás, garças e jacarés aparecem nas lagoas, segundo o Ministério do Turismo.
O roteiro clássico segue até a Curva do Leque, entroncamento das duas rodovias, e dali até o Porto da Manga, onde uma balsa atravessa o rio Paraguai. No caminho, a região do Passo do Lontra, às margens do rio Miranda, concentra pousadas voltadas à pesca e à observação de bichos.
Miranda, um dos principais portais de entrada do Pantanal Sul, segundo o Ministério do Turismo, também oferece turismo de base comunitária com comunidades indígenas. Aquidauana soma passeios ecológicos, caminhadas e a vista das serras de Piraputanga e Maracaju, no limite da planície.
Corumbá fica às margens do rio Paraguai, na fronteira com a Bolívia. O centro histórico guarda casarões ligados ao antigo porto e ao comércio.
A cidade é ponto de partida para passeios de barco e para a Serra do Amolar, conjunto de morros no meio da planície que só se alcança por navegação.
Quem vem de longe costuma voar até Campo Grande. Na capital, o Bioparque Pantanal, mantido pelo governo do estado, reúne aquários de peixes de água doce, com entrada gratuita de terça a sábado e agendamento obrigatório.
O guia o que fazer em Campo Grande traz o resto da cidade, e Bonito fica a cerca de 270 a 300 km de estrada, conforme a rota.
| Pantanal Norte (MT) | Pantanal Sul (MS) | |
|---|---|---|
| Cidade-base | Cuiabá e Poconé | Campo Grande, Miranda e Corumbá |
| Estrada-parque | Transpantaneira, cerca de 145 km | Estrada-Parque, cerca de 116 km |
| Destaque | onças em Porto Jofre e no Encontro das Águas | Serra do Amolar, rio Paraguai e turismo indígena |
| Cheia | janeiro a março | abril a julho (Corumbá) |
| Distância da capital | 104,7 km até Poconé | mais de 400 km até Corumbá |
Fonte: Ministério do Turismo, Embrapa Pantanal e Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso, 2026.
Quando ir, roteiros de 1 e 2 dias e regras de visita
A época mais procurada é a seca, quando a água baixa e os animais se concentram perto das lagoas que sobram.
No norte, a planície começa a secar depois da cheia de janeiro a março. No sul, perto de Corumbá, a água demora mais e fica alta até julho, segundo a Embrapa. Na cheia, a paisagem vira um espelho d’água e muitos passeios passam a ser de barco.
As férias escolares de julho caem na seca, o que torna o mês bom para famílias. Novembro tem dois feriadões nacionais, como mostra o calendário de feriados de 2026. Finados, em 2 de novembro, cai numa segunda-feira, e o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, em 20 de novembro, numa sexta. Pousadas costumam lotar nessas datas.
Um dia basta para sentir o lugar a partir de Cuiabá. Saia cedo, porque os bichos ficam mais ativos no começo da manhã e no fim da tarde:
- 5hSaída de Cuiabá pela MT-060, rumo a Poconé
- 7hChegada a Poconé, abastecimento e entrada na Transpantaneira
- 8h às 12hPrimeiros quilômetros da estrada, com paradas nas pontes e lagoas
- 12hAlmoço em pousada da estrada, com reserva feita antes
- 14h às 16h30Passeio a cavalo ou caminhada com guia da pousada
- 17hVolta, para chegar a Poconé antes de escurecer
Com dois dias, durma numa pousada da Transpantaneira e use a segunda manhã para um passeio de barco ou um safári fotográfico ao amanhecer.
Com três ou quatro dias, dá para ir até Porto Jofre e reservar uma saída de barco para procurar onças. No sul, uma noite numa pousada do Passo do Lontra ou da Curva do Leque rende mais que ir e voltar no mesmo dia.
Com crianças, o Pantanal funciona bem, porque os bichos aparecem perto e não é preciso caminhar muito. Leve repelente, protetor solar, chapéu e água, e escolha passeios curtos. Em Campo Grande, o Bioparque Pantanal é uma boa introdução antes da planície, com aquários e visita agendada.
A acessibilidade varia muito. As estradas são de terra e muitos passeios usam barcos, cavalos e trilhas sem calçamento. Quem usa cadeira de rodas ou tem mobilidade reduzida deve perguntar à pousada, antes de reservar, sobre quartos adaptados, embarque nos barcos e veículos de safári.
- RoupasLeves, de manga comprida e em cores neutras, que espantam menos os bichos
- CalçadoTênis fechado ou bota; chinelo só na pousada
- ProteçãoRepelente, protetor solar, chapéu e óculos escuros
- EquipamentoBinóculo, lanterna e capa de chuva na época das águas
- DocumentosDocumento com foto; para cruzar para a Bolívia em Corumbá, RG ou passaporte
- DinheiroUma parte em espécie, para o caso de faltar sinal para o cartão
As regras de visita são as de qualquer área natural, com algumas próprias da região. Não alimente nem chame os animais, mantenha distância de jacarés e onças e não saia do barco ou do carro sem orientação do guia.
Não acenda fogo: na seca, a vegetação queima com facilidade, e qualquer foco deve ser avisado ao Corpo de Bombeiros, pelo 193.
A pesca segue calendário próprio. Em Mato Grosso, a piracema, época de reprodução dos peixes, vai de 1º de outubro de 2026 a 31 de janeiro de 2027. A regra vale para as bacias do Paraguai, Amazonas e Araguaia-Tocantins, pela Resolução 1/2026 do Conselho Estadual de Pesca.
Nesse período, só a pesca de subsistência é liberada, com cota de três quilos ou um exemplar por pescador, sem transporte nem venda.
Pescar em época ou local proibido rende multa de R$ 700 a R$ 100 mil, mais R$ 20 por quilo de peixe, pelo Decreto federal 6.514, de 2008. A piracema limita a pesca, não a visita: passeios de barco e a observação de bichos seguem normalmente.
Em Mato Grosso, a pesca amadora volta a ser liberada em 1º de fevereiro de 2027, quando termina a piracema definida pelo Conselho Estadual de Pesca.
Como citar: Ouviram (20 out. 2026). «Pantanal: como visitar pela Transpantaneira e pela Estrada-Parque, melhor época e bichos». ouviram.com.br/turismo/pantanal-como-visitar-guia-completo
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
Precisa pagar para entrar no Pantanal?
Não existe portaria única nem ingresso para o Pantanal. A Transpantaneira e a Estrada-Parque são rodovias estaduais; o que se paga são a hospedagem, a alimentação e os passeios guiados nas pousadas e fazendas.
Qual é a melhor época para ver onça-pintada no Pantanal?
A seca, quando os bichos se concentram perto da água, é a época mais procurada. A região de Porto Jofre e do Parque Estadual Encontro das Águas, no fim da Transpantaneira, é citada pelo Ministério do Turismo como uma das principais para observar onças.
Dá para ir ao Pantanal de carro comum?
Na seca, carros de passeio costumam rodar nas estradas de terra com cuidado e devagar. Na cheia, trechos alagam e pontes podem ser interditadas; antes de sair, consulte o órgão de estradas do estado (Sinfra em Mato Grosso, Agesul em Mato Grosso do Sul) e a pousada.
Pantanal norte ou sul, qual é melhor?
Os dois têm a mesma fauna e paisagem de planície alagável. O norte, por Cuiabá e Poconé, fica mais perto de aeroporto de capital; o sul, por Corumbá e Miranda, tem a Estrada-Parque, a Serra do Amolar e o turismo de base comunitária com aldeias indígenas.
Pode pescar no Pantanal em outubro?
Em Mato Grosso, não: a piracema vai de 1º de outubro de 2026 a 31 de janeiro de 2027, com exceção da pesca de subsistência. Em Mato Grosso do Sul, confira o calendário do Imasul antes de viajar.
Quantos dias ficar no Pantanal?
Um dia dá para conhecer o começo da Transpantaneira a partir de Cuiabá. Para ver mais bichos e fazer passeio de barco, o ideal são de dois a quatro dias hospedado numa pousada dentro da planície.
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1. Em que ano a Unesco declarou a Área de Conservação do Pantanal Patrimônio Mundial?
A inscrição na lista da Unesco é de 2000. A Constituição de 1988 já tinha declarado o Pantanal Mato-Grossense patrimônio nacional.
2. Qual é o tamanho do Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense depois da ampliação de 2026?
O Decreto 12.886, de 23 de março de 2026, acrescentou 47.260 hectares, e o parque passou a ter cerca de 183.095 hectares.
3. Entre quais lugares corre a Transpantaneira?
A estrada liga Poconé a Porto Jofre, às margens do rio Cuiabá, com cerca de 145 km, segundo o Ministério do Turismo.
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