Onça-pintada Ibaca morre no Pantanal de MT após resgate com cerca de 30 quilos
O projeto Jaguar ID registrou a fêmea em dez temporadas seguidas, e guias reúnem vídeos para entender a perda rápida de peso.

A onça-pintada Ibaca morreu no sábado (31), no Pantanal de Mato Grosso, um dia depois de ser resgatada com pouco mais de 30 quilos. A informação é do biólogo e guia de turismo Marcos Ardevino, que disse que uma necropsia vai apontar a causa da morte.
Ibaca foi encontrada muito debilitada na sexta-feira, 30 de outubro, às margens de um rio na região de Porto Jofre. Ela foi encaminhada para atendimento, mas não resistiu. A causa ainda não foi determinada, e não há laudo divulgado.
Ardevino disse que guias e observadores reúnem vídeos de datas diferentes para entender como ela emagreceu tão rápido. Como referência, em maio, o Ibama informou 72 quilos para uma fêmea de cerca de 4 anos capturada em Corumbá (MS) e solta na Serra do Amolar, também no Pantanal.
Fotógrafos, guias e biólogos lamentaram a morte nas redes sociais. O projeto Jaguar ID, que cataloga as onças da região de Porto Jofre, no Pantanal Norte, registrou a fêmea em dez temporadas seguidas, de 2016 a 2025. O nome, de origem tupi-guarani, significa “um céu com estrelas”, segundo o projeto.
Em 2022, ela foi filmada pelo guia Branco Arruda enfrentando uma sucuri no rio Três Irmãos, no Parque Estadual Encontro das Águas. A unidade tem 108.960 hectares entre Poconé e Barão de Melgaço, segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT). Em novembro de 2025, outras imagens a mostraram atravessando um rio com a filhote Jasy agarrada à cauda.
Ibaca deixa Jasy, que tem entre um ano e um ano e meio. Antes dela, teve outras crias, como Ipepo. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), os filhotes de onça-pintada podem ficar com a mãe por até dois anos.
A onça-pintada é classificada como vulnerável no Brasil, segundo o ICMBio. A região de Porto Jofre, no fim da Transpantaneira, é um dos pontos de saída dos barcos de observação de onças, como mostra o guia do Pantanal. Quem faz essa viagem costuma partir de Cuiabá.
Até a tarde deste domingo, a Sema-MT não havia publicado nota sobre o caso em seu site, e o resultado da necropsia não tinha data para sair. Em Mato Grosso, a orientação da Sema-MT para animal silvestre que precise de resgate é acionar a Polícia Militar, pelo 190, ou o Corpo de Bombeiros, pelo 193.
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