Pará tem recorde de queimadas em outubro na série do INPE, e Santarém proíbe o fogo
Os dez municípios com mais focos do país ficam no estado, e o restante do Brasil teve 20% menos focos do que um ano antes, segundo o INPE.

O Pará registrou 12.457 focos de queimadas em outubro, o maior número para o mês na série iniciada em 1998, segundo o INPE. Em Santarém, onde o ar chegou à classificação “muito ruim”, o uso do fogo está proibido por 180 dias.
O total mais que triplicou em um ano: outubro de 2025 teve 3.682 focos no estado. Na série do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a marca anterior do mês era de 11.568, em 2008, e 2023 chegou perto, com 11.378. Os números de 2026 são preliminares e vêm do satélite de referência do instituto.
12.457
focos de queimadas detectados no Pará em outubro, quase o dobro da média do mês de 2010 a 2024
Fonte: INPE, novembro de 2026
O salto confirma o que os dez primeiros dias do mês já indicavam. O Pará respondeu por 38% dos 32.454 focos do país, e os dez municípios com mais pontos de fogo no Brasil ficam em território paraense. Uruará lidera, com 963, contra 72 em outubro de 2025.
Fora dali, o quadro foi outro. O restante do Brasil somou 19.997 focos, queda de 20% em um ano. Com o Pará, o total nacional subiu 13,2%, mas ficou perto da média de outubro de 2010 a 2024, de 32.806 focos.
Fonte: INPE, novembro de 2026
Santarém, no oeste do estado, passou de 63 para 579 focos em um ano. Em 28 de outubro, a prefeitura decretou emergência ambiental e proibiu o uso do fogo, inclusive para limpeza e manejo de áreas. O Decreto 792/2026 vale por 180 dias e pode ser prorrogado.
Na mesma data, o monitoramento da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) classificou a qualidade do ar da cidade como “muito ruim”. A medida se soma à emergência por estiagem decretada em 15 de outubro. O prefeito José Maria Tapajós disse que a cidade está “adotando mais essa medida para fortalecer a atuação integrada dos órgãos municipais, estaduais e federais”.
Na noite de sexta-feira (30), um incêndio de grandes proporções atingiu Alter do Chão, vila de Santarém às margens do rio Tapajós e um dos destinos mais conhecidos da região.
A prefeitura informou que a Brigada de Alter do Chão e o Corpo de Bombeiros controlaram as chamas durante a madrugada, mas que ainda havia pontos em monitoramento. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente previu um levantamento com drone para medir a área atingida e apurar as circunstâncias do fogo.
No estado, a resposta federal reúne 522 brigadistas do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com 41 veículos e 13 aeronaves. O governo federal informou os números em 22 de outubro. O ICMBio mantém um posto de comando em Itaituba, e a Força Nacional foi acionada.
Professores da Ufopa apontaram a influência do El Niño na estiagem. Para novembro, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê chuva abaixo da média no Pará.
| Estado | Outubro de 2026 | Outubro de 2025 |
|---|---|---|
| Pará | 12.457 | 3.682 |
| Maranhão | 4.225 | 5.019 |
| Bahia | 3.308 | 3.304 |
| Amazonas | 2.271 | 874 |
| Piauí | 1.817 | 3.709 |
| Tocantins | 1.757 | 2.428 |
| Ceará | 1.042 | 1.532 |
| Minas Gerais | 949 | 2.018 |
| Amapá | 937 | 333 |
| Mato Grosso | 761 | 1.410 |
Fonte: INPE, satélite de referência, dados preliminares de 1º de novembro de 2026
Em número de focos, as maiores altas depois do Pará vieram do Amazonas e do Amapá, enquanto Piauí, Minas Gerais e Mato Grosso tiveram cerca da metade dos focos de um ano antes. Por bioma, a Amazônia somou 18.907 focos, contra 7.868 em outubro de 2025.
Em áreas com fumaça, a Prefeitura de Santarém orienta manter portas e janelas fechadas, reduzir atividades ao ar livre e beber bastante água. Para sair em dias de muita fumaça, a recomendação é a máscara N95, principalmente para idosos e pessoas com asma ou bronquite. Os boletins diários da qualidade do ar saem nas redes sociais da prefeitura.
Quem vir fogo em mata deve ligar 193, o número do Corpo de Bombeiros. A denúncia ambiental pode ser feita ao Ibama pelo 0800 061 8080, de graça, de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, exceto feriados.
Como calculamos. Contamos os focos do satélite de referência do INPE em outubro, por estado e por município, no arquivo mensal de 2026 e nos arquivos anuais de 2003 a 2025. O recorde foi conferido na série mensal do estado, publicada pelo INPE desde 1998. As médias de outubro cobrem os anos de 2010 a 2024: 32.806 focos no país e 6.360 no Pará.
Como citar: Ouviram (1 nov. 2026). «Pará tem recorde de queimadas em outubro na série do INPE, e Santarém proíbe o fogo». ouviram.com.br/brasil/para-maior-numero-queimadas-outubro-desde-2003-santarem-proibe-fogo-180-dias
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
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