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Tubarão-branco vive na costa do Brasil, e em Pernambuco o risco se concentra no Grande Recife

O Cemit registrou 84 incidentes no estado desde 1992, 70 deles no litoral continental, e o banho de mar é proibido só em 2,2 km da Praia de Piedade.

Vista aérea da Praia de Boa Viagem, no Recife, com prédios à beira-mar, guarda-sóis coloridos e mar verde-azulado
Praia de Boa Viagem, no Recife, a praia com mais incidentes com tubarão registrados pelo Cemit.Foto: Ouviram

O tubarão-branco é uma das 63 espécies ameaçadas do plano nacional para tubarões e raias, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Em Pernambuco, porém, o risco de incidente com tubarão se concentra em 33 km de praias do Grande Recife, de acordo com o comitê estadual que monitora os casos desde 1992.

O Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), presidido pela Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha (Semas-PE), contou 84 incidentes de junho de 1992 a junho de 2026. Foram 70 no litoral continental e 14 em Fernando de Noronha.

84

incidentes com tubarões foram registrados pelo Cemit em Pernambuco entre junho de 1992 e junho de 2026

Fonte: Cemit/Semas-PE, 1º de junho de 2026

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O dado importa agora porque o verão aumenta o movimento nas praias. A Semas informou, em janeiro de 2026, que o número de guarda-vidas no Grande Recife passou de 30, em média, para cerca de 48 a partir de dezembro. Das 27 mortes da série, todas aconteceram no continente, e 23 eram de banhistas.

  • Trecho de atenção33 km, dos coqueirais da Praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, à Praia do Farol, em Olinda
  • Banho proibido2,2 km da Praia de Piedade, entre a Igrejinha de Piedade e o Hotel Barramares
  • Surfe e esportes náuticosProibidos nos 33 km, pelo Decreto estadual 21.402/1999
  • Melhor condiçãoMaré baixa, em área protegida por recifes, com sol e água clara
  • EmergênciaCorpo de Bombeiros, 193, e Samu, 192

Tubarões ameaçados e praias de risco

O tubarão-branco (Carcharodon carcharias) é classificado como vulnerável na lista nacional de espécies ameaçadas. A informação está no sumário do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Tubarões e Raias Marinhos, publicado pelo ICMBio em junho de 2026. A lista vem da Portaria do Ministério do Meio Ambiente (MMA) 148/2022 e da avaliação de risco do próprio instituto.

O plano, no segundo ciclo de gestão, abrange 63 espécies ameaçadas que vivem do mar territorial até o limite da Zona Econômica Exclusiva. Ele foi consolidado pela Portaria ICMBio 1.558/2025 e prevê 66 ações, com custo estimado de R$ 54,5 milhões, para reduzir a captura e recuperar as populações.

O tubarão-cabeça-chata (Carcharhinus leucas) também está na lista, como vulnerável. O tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier) não aparece entre as espécies ameaçadas do plano.

São justamente essas duas espécies, o tigre e o cabeça-chata, que preocupam no Grande Recife.

Em texto de novembro de 2024, a Semas descreveu as duas como de “maior potencial agressivo”, ao contrário do tubarão-lixa, que vive junto ao fundo. Nos dois incidentes de maio e junho de 2026, o Cemit identificou um cabeça-chata em Piedade e um tigre em Boa Viagem.

Boa Viagem, no Recife, e Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, somam 49 dos 84 incidentes registrados pelo Cemit em Pernambuco desde 1992, mais da metade do total. Os números estão na planilha do comitê atualizada em 1º de junho de 2026. Nenhuma outra praia do estado passa de seis casos.

PraiaMunicípioIncidentes
Boa ViagemRecife25
PiedadeJaboatão dos Guararapes24
Del ChifreOlinda6
PaivaCabo de Santo Agostinho4
Cacimba do PadreFernando de Noronha4
Porto (área da Anpesca)Fernando de Noronha4
PinaRecife3
CandeiasJaboatão dos Guararapes2
Barra de JangadaJaboatão dos Guararapes2
Enseada dos CoraisCabo de Santo Agostinho2
Baía de SuesteFernando de Noronha2
ConceiçãoFernando de Noronha2

Fonte: Cemit/Semas-PE, planilha atualizada em 1º de junho de 2026

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Por município, Recife e Jaboatão dos Guararapes empatam, com 28 casos cada. Depois vêm Fernando de Noronha (14), Olinda (6), Cabo de Santo Agostinho (6), Paulista (1) e Goiana (1). O litoral de Pernambuco tem 187 km, e menos de um sexto dele tem risco crítico de incidente, segundo a Semas.

Os banhistas são as vítimas mais frequentes, com 41 casos, contra 38 surfistas e 5 mergulhadores. Quase todos os casos, 80 de 84, foram classificados pelo comitê como não provocados.

O fim de semana pesa na conta. O domingo concentra 22 incidentes, mais de um em cada quatro, e o sábado tem outros 12, segundo o Cemit.

A boa notícia está na série longa. No litoral continental, os incidentes caíram de 31 nos anos 1990 para 9 na década de 2010. De 2020 até junho de 2026 foram 8.

No litoral continental, os incidentes caíram para menos de um terço desde os anos 1990 (número de incidentes por década)
1992 a 199931
2000 a 200922
2010 a 20199
2020 a junho de 20268

Fonte: Cemit/Semas-PE, planilha atualizada em 1º de junho de 2026

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A queda é mais nítida entre os surfistas. Eles foram vítimas de 23 incidentes no litoral continental nos anos 1990, de 6 nos anos 2000, de 3 nos anos 2010 e de apenas 1 desde 2020. A virada coincide com o Decreto estadual 21.402, de 1999, que proibiu o surfe e outras atividades náuticas no trecho de atenção.

O ano de 2026, porém, voltou a acender o alerta. Até 1º de junho, o Cemit contou quatro incidentes, um com mergulhador em Noronha, em 9 de janeiro.

Os outros três foram com banhistas no continente: em Olinda (29 de janeiro), em Piedade (31 de maio) e em Boa Viagem (1º de junho). Antes disso, o litoral continental tinha passado de março de 2023 a janeiro de 2026 sem nenhum caso.

Proibições e cuidados no banho de mar

O banho de mar é proibido por lei em um único ponto de Pernambuco, informa a Semas. São 2,2 km da Praia de Piedade, entre a Igrejinha de Piedade e o Hotel Barramares, ao lado do Hospital da Aeronáutica do Recife. A proibição vem de decreto municipal de Jaboatão dos Guararapes.

No restante do trecho de atenção, de 33 km, o banho é permitido, mas o surfe e outras atividades náuticas são proibidos pelo Decreto estadual 21.402/1999. O trecho começa nos coqueirais da Praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, e termina na Praia do Farol, em Olinda, passando por Candeias, Piedade, Boa Viagem e Pina.

As placas de advertência marcam os pontos mais sensíveis. Segundo a Semas, 150 novas placas foram instaladas nas praias do Grande Recife, e o comitê pede que o banhista evite entrar no mar onde elas estão. Respeitar as bandeiras dos guarda-vidas também faz parte das recomendações do Cemit e do Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco.

Quem quer mar sem esse risco tem opção perto. O próprio comitê lembra que, subindo ou descendo o litoral a partir do trecho de atenção, é possível tomar banho com mais segurança. E a orla do Recife segue cheia de programas de lazer, esporte e gastronomia, como mostra o guia o que fazer no Recife.

O Cemit recomenda que o banho entre a Praia do Farol, em Olinda, e a Praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, seja feito na maré baixa. O ideal são as áreas protegidas pelos recifes, onde se formam as piscinas naturais. A orientação foi reforçada pelo comitê e pelo Corpo de Bombeiros em janeiro de 2026.

Nas luas nova e cheia, quando as marés são mais altas e as correntes mais fortes, o comitê orienta não entrar no mar durante a maré cheia. Antes de ir à praia, vale conferir o horário da maré baixa na tábua de marés do Porto do Recife, publicada pela Marinha do Brasil.

Estas são as situações que o Cemit pede para evitar:

  • mar aberto, sem a proteção dos recifes, em qualquer hora ou maré
  • áreas com placa de advertência sobre tubarões
  • banho com ferida ou sangramento, porque o sangue pode ativar o olfato dos animais
  • dias de chuva e água turva, que dificultam para o animal distinguir pessoas de suas presas naturais
  • perto da foz de rios, que turvam a água e servem de berçário para algumas espécies
  • amanhecer e entardecer
  • depois de beber álcool, sozinho ou com objetos brilhantes e chamativos

Crianças pedem atenção redobrada, e a recomendação consta das orientações do comitê e dos Bombeiros. O tema pesa nas férias: a rede estadual de Pernambuco encerra o ano letivo em 23 de dezembro, segundo o calendário escolar por estado, quando o reforço de guarda-vidas do verão já está nas praias.

Antes disso, os feriados nacionais de Finados, na segunda-feira, 2 de novembro, e da Consciência Negra, na sexta-feira, 20 de novembro, formam fins de semana prolongados, como mostra a lista de feriados de novembro.

Noronha e a volta do monitoramento

Fernando de Noronha registrou 14 incidentes com tubarões entre dezembro de 2015 e janeiro de 2026, e todas as vítimas sobreviveram, segundo a planilha do Cemit atualizada em 1º de junho de 2026. A Cacimba do Padre, ponto de surfe da ilha, e a área do porto, em frente à Associação Noronhense dos Pescadores (Anpesca), têm quatro casos cada.

Os quatro mais recentes, de novembro de 2024 a janeiro de 2026, seguem o mesmo padrão: mergulhadores na área do porto, em incidentes classificados como provocados. São os únicos casos provocados de toda a série estadual.

O primeiro deles levou o comitê a discutir uma nova classificação dos casos por gravidade. Em 19 de novembro de 2024, uma turista nadava perto de uma embarcação onde havia vários tubarões-lixa e acredita ter tocado um deles sem querer, segundo a Semas. Até então, não havia registro de incidente com essa espécie em Pernambuco.

“Não existe registro de incidentes de tubarões-lixa investindo em seres humanos em Pernambuco.”

Paulo Oliveira, membro do Cemit e professor da UFRPE, em reunião do comitê em 26 de novembro de 2024

O tubarão-lixa costuma viver junto ao fundo do mar, onde se alimenta, e quase nunca sobe à superfície, explicou o professor na mesma reunião. Para o comitê, o problema está na interferência humana: o Cemit alerta que alimentar animais marinhos muda o comportamento deles e pediu fiscalização mais intensa dessa prática na área do porto.

Na ilha, o monitoramento dos tubarões é contínuo, feito por acordo de cooperação técnica entre a Administração de Fernando de Noronha e a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Quem vai fazer mergulho ou passeio de barco encontra no guia o que fazer em Fernando de Noronha as praias e os mirantes da ilha.

No continente, o Governo de Pernambuco lançou em janeiro de 2026 um edital de R$ 1,052 milhão, com duração de 24 meses, informou a Semas. A meta é retomar o monitoramento de tubarões na Região Metropolitana do Recife, interrompido desde 2015.

A ação foi pedida pela Semas e é financiada pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti-PE) e pela Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia (Facepe).

O objetivo é acompanhar o deslocamento e o comportamento das espécies, mapear zonas de risco e gerar dados atualizados para as estratégias de prevenção. Até então, esse acompanhamento contínuo só existia em Noronha, segundo a Semas.

A primeira saída de campo no Grande Recife foi em 4 de setembro de 2026, um teste do barco, do equipamento e do método, segundo a secretária executiva do Cemit, Danise Alves. O projeto Ecotuba, da UFRPE, prevê capturar, marcar e soltar até 50 tubarões em 24 meses, com prioridade para o tigre e o cabeça-chata.

A prevenção também acontece na água. Segundo a Semas, quatro embarcações fazem ronda contínua no mar, uma em Olinda, duas no Recife e uma em Jaboatão dos Guararapes, com média de 1.300 orientações a banhistas por dia na alta estação.

Outra frente é a educação. Em novembro de 2023, a Semas e a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) lançaram o Plano de Educação Ambiental para Segurança Aquática e Prevenção de Incidentes com Tubarões (PEAST-PE). O lançamento foi no 1º Seminário de Monitoramento de Incidentes com Tubarões em Pernambuco, no Parque Estadual Dois Irmãos, no Recife.

Em comunicado de 8 de novembro de 2023, a gerente geral de Áreas Costeiras da Semas-PE, Danise Alves, explicou a meta do seminário. “O intuito do evento é fomentar o conhecimento técnico-científico e traçar estratégias de monitoramento e prevenção de incidentes com tubarões no Estado”, disse.

Cinco projetos da UFRPE e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), apoiados pelo edital 34/2024 da Facepe, têm o apoio do Cemit e tratam de sinalização de risco, divulgação científica e prevenção, segundo a Semas.

Três décadas de registro e prevenção
  • 28 de junho de 1992Primeiro incidente da série do Cemit, na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes
  • 1994Ano com mais casos da série, com 10 incidentes em Pernambuco
  • 1999Decreto estadual 21.402 proíbe atividades náuticas nos 33 km do trecho de atenção
  • 17 de maio de 2004Decreto estadual 26.729 cria o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões
  • 2015Monitoramento de tubarões no Grande Recife é interrompido
  • 14 de março de 2023Decreto 54.475 passa a presidência do comitê para a Semas
  • Novembro de 2023Semas e CPRH lançam o plano de educação ambiental PEAST-PE no Recife
  • 4 de setembro de 2026Monitoramento volta ao Grande Recife, com edital de R$ 1,052 milhão lançado em janeiro

Em caso de emergência na praia, o Corpo de Bombeiros atende pelo telefone 193, e o Samu, pelo 192.

Como calculamos. O Ouviram somou, por década, os incidentes do litoral continental e os casos com surfistas. A base é a planilha oficial do Cemit, atualizada em 1º de junho de 2026, que lista os 84 registros desde 1992 com data, praia e atividade da vítima.

Como citar: Ouviram (30 out. 2026). «Tubarão-branco vive na costa do Brasil, e em Pernambuco o risco se concentra no Grande Recife». ouviram.com.br/brasil/tubarao-branco-no-brasil-onde-ha-risco-de-ataque-recife-cemit

Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.

Perguntas frequentes

Tubarão ataca em Porto de Galinhas?

Nenhum dos 84 incidentes registrados pelo Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) desde 1992 aconteceu em Ipojuca, município de Porto de Galinhas. Os 70 casos do litoral continental ficaram entre Goiana, no norte, e o Cabo de Santo Agostinho, no sul.

Qual mês tem mais incidentes com tubarão em Pernambuco?

Julho lidera a série do Cemit, com 11 dos 84 incidentes registrados de 1992 a junho de 2026. Março e maio vêm em seguida, com 9 cada. Agosto e novembro têm os menores números, com 3 cada.

A lua influencia os ataques de tubarão?

Dos 84 incidentes registrados pelo Cemit, 52 aconteceram em fase de lua nova ou cheia, quando as marés têm maior amplitude. Nessas fases, o comitê orienta não entrar no mar na maré cheia.

Quem sofre mais incidentes com tubarão, morador ou turista?

Moradores são a maioria: 60 das 84 vítimas registradas pelo Cemit desde 1992 viviam em Pernambuco, contra 18 turistas. No litoral continental, foram 59 moradores e 5 turistas.

#Recife#Cemit#Pernambuco#FernandoDeNoronha#ICMBio

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  1. 1. Qual praia tem mais incidentes com tubarão registrados pelo Cemit?

  2. 2. Em que categoria o tubarão-branco está na lista nacional de espécies ameaçadas?

  3. 3. Quantos dos 84 incidentes em Pernambuco foram classificados como não provocados?

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