RodoviasExplicador
Acidentes na Via Dutra: atropelamentos são 4 em cada 10 mortes, e Guarulhos lidera
De janeiro a agosto de 2026, a ligação entre Rio e São Paulo teve 113 vítimas fatais, 15% a mais que no mesmo período de 2025, segundo a PRF.

A Via Dutra registrou 3.468 acidentes e 153 mortes em 2025, segundo os boletins da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Quase quatro em cada dez vítimas morreram atropeladas, três em cada quatro delas à noite.
Para quem usa a rodovia todos os dias, a pé, de moto ou de carro, os números mostram onde e quando o risco cresce. Guarulhos, Nova Iguaçu e São José dos Campos somam três em cada dez mortes desde 2024. A noite, a madrugada e os fins de semana pesam mais que as horas de pico.
A Rodovia Presidente Dutra, trecho da BR-116 entre as duas maiores cidades do país, tem 402 km, segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Foi inaugurada em janeiro de 1951. Em São Paulo, a quilometragem começa na divisa, em Queluz, e termina no km 231, na Marginal Tietê. No Rio, vai do km 339,6, na divisa, até a capital.
- Extensão402 km, de São Paulo ao Rio de Janeiro
- Acidentes em 20253.468, quase dez por dia
- Mortes em 2025153, com 598 feridos graves
- Mortes em 2026113 de janeiro a agosto
- Cidade com mais mortesGuarulhos (SP), 54 desde 2024
- Trecho mais letalKm 180 a 189, em Nova Iguaçu (RJ)
- Emergência na rodoviaPRF, telefone 191
39,7%
das mortes na Dutra desde 2024 foram atropelamentos, que são só 4,9% dos acidentes
Fonte: PRF, dados abertos de 2024 a agosto de 2026
A Dutra faz parte da BR-116, a rodovia federal mais longa já construída, que vai do Ceará ao Rio Grande do Sul. Em 2025, concentrou 31,5% dos acidentes da BR-116 inteira, mas 21,6% das mortes, segundo a PRF.
A explicação está no tipo de acidente: com pista dupla e trânsito pesado, predominam batidas traseiras e laterais, que ferem mais do que matam. Em rodovias de pista simples, como a BR-262 em Minas e no Espírito Santo, as colisões frontais são o tipo de acidente que mais mata.
As mortes subiram em 2026. De janeiro a agosto, foram 113, contra 98 no mesmo período de 2025, uma alta de 15,3%. O número de acidentes ficou praticamente igual, com 2.266 registros, ante 2.243. O aumento veio sobretudo do lado paulista, que passou de 53 para 66 vítimas.
| Estado | Acidentes 2024 | Mortes 2024 | Acidentes 2025 | Mortes 2025 | Acidentes jan-ago 2026 | Mortes jan-ago 2026 |
|---|---|---|---|---|---|---|
| São Paulo | 2.343 | 86 | 2.200 | 91 | 1.379 | 66 |
| Rio de Janeiro | 1.271 | 66 | 1.268 | 62 | 887 | 47 |
| Total | 3.614 | 152 | 3.468 | 153 | 2.266 | 113 |
Fonte: PRF, dados abertos de acidentes, 2024 a agosto de 2026
Os quilômetros mais perigosos no Rio e em São Paulo
Do km 180 ao 189 da Via Dutra, em Nova Iguaçu (RJ), morreram 33 pessoas desde 2024, mais que em qualquer outro trecho, segundo a PRF. Em São Paulo, lidera o trecho do km 220 ao 229, entre Guarulhos e a capital, com 31 mortes.
Os cinco piores trechos de dez quilômetros ficam nas duas pontas da rodovia, onde a Dutra corta bairros populosos. Ali, a estrada funciona também como avenida: há pontos de ônibus, comércio nas margens, motos em grande número e gente atravessando a pé.
| Trecho | Estado | Cidades | Acidentes | Mortes |
|---|---|---|---|---|
| km 180 a 189 | RJ | Nova Iguaçu | 814 | 33 |
| km 220 a 229 | SP | Guarulhos e São Paulo | 1.049 | 31 |
| km 190 a 199 | RJ | Queimados e Nova Iguaçu | 282 | 27 |
| km 210 a 219 | SP | Guarulhos | 891 | 26 |
| km 170 a 179 | RJ | São João de Meriti e Rio de Janeiro | 752 | 24 |
| km 140 a 149 | SP | São José dos Campos | 551 | 19 |
| km 200 a 209 | SP | Guarulhos e Arujá | 324 | 18 |
Fonte: PRF, dados abertos de acidentes, janeiro de 2024 a agosto de 2026
Quilômetro a quilômetro, três pontos dividem o topo, com oito mortes cada um. São o km 184, em Nova Iguaçu, e os km 228 e 230, já na capital paulista, perto da Marginal Tietê. O km 219, em Guarulhos, é o que mais registra acidentes, 175 em 32 meses, mas quase todos sem vítima fatal.
Fora das regiões metropolitanas, chama atenção o trecho final fluminense, entre os km 300 e 339, em Resende e Itatiaia, com 30 mortes. No Vale do Paraíba paulista, caminho de quem vai a Aparecida, morreram 24 pessoas entre os km 90 e 109, em Pindamonhangaba e Taubaté.
Fonte: PRF, dados abertos de 2024 a agosto de 2026
Há sinais de melhora em alguns pontos. Em Guarulhos, os acidentes caíram de 851 em 2024 para 673 em 2025 e somam 392 até agosto de 2026, com 13 mortes. Em Piraí, onde fica a Serra das Araras, as mortes passaram de 15 em 2024 para 5 em 2025 e 3 nos oito primeiros meses de 2026.
Nova Iguaçu vai na direção oposta: as 16 mortes de 2026 já superam as 12 de cada um dos dois anos anteriores.
Pedestres, motos e a noite
Os atropelamentos causaram 166 das 418 mortes na Via Dutra entre janeiro de 2024 e agosto de 2026, segundo a PRF, embora sejam apenas 454 dos 9.348 acidentes do período. Três em cada quatro dessas mortes, 127 no total, aconteceram de noite.
A proporção é quase igual nos dois estados: 70 das 175 mortes do lado fluminense e 96 das 243 do lado paulista foram de pedestres atingidos por veículos. Guarulhos lidera, com 23 mortes por atropelamento, seguida de Nova Iguaçu (15), São Paulo (13), Queimados (11) e Taubaté (10).
Nos boletins, a PRF aponta como causa mais frequente o pedestre que andava pela pista, com 49 mortes. Em seguida vêm a entrada repentina na frente do veículo, com 36, e a travessia fora da faixa, com 33.
O artigo 69 do Código de Trânsito Brasileiro manda usar a faixa ou a passarela sempre que houver uma a até 50 metros.
A tendência é de queda. As mortes por atropelamento passaram de 71 em 2024 para 61 em 2025. De janeiro a agosto de 2026, foram 34, contra 40 no mesmo período do ano anterior.
O contrato de concessão da Dutra e da Rio-Santos prevê 128 passarelas e 144 km de vias marginais em 30 anos, segundo o Ministério dos Transportes.
Para quem precisa atravessar, a regra prática é usar a passarela mesmo quando ela parece longe, e de noite vestir roupa clara. Motoristas que entram na Baixada ou na Grande São Paulo depois do anoitecer devem reduzir a velocidade nos trechos com ponto de ônibus e comércio à beira da pista.
Depois dos pedestres, vêm as motos. Uma motocicleta esteve envolvida em 5.015 dos 9.348 acidentes da Via Dutra entre janeiro de 2024 e agosto de 2026, ou 53,6%, segundo os boletins da PRF. No mesmo período, morreram 137 motociclistas e garupas, um terço de todas as vítimas da rodovia.
Os motociclistas morrem muito mais que os ocupantes de carros, com 47 vítimas, e de caminhões, com 39. Ciclistas somam 15 mortes.
A PRF registra 596 acidentes causados por motos que trafegavam entre as faixas, com 14 mortes. Mudanças de faixa, de qualquer veículo, causaram outros 817, com 16 mortes.
O perfil das vítimas se repete de ponta a ponta: 352 das 418 eram homens, e metade das que tinham a idade informada tinha 42 anos ou mais.
Quase metade dos acidentes com moto, 43,5%, ocorre em seis horas do dia: das 6h às 9h e das 17h às 20h. É quando o trânsito lento abre espaço para o corredor entre os carros.
Além do lugar, o horário conta. Seis em cada dez mortes na Via Dutra desde 2024, 248 de 418, aconteceram em plena noite, período que concentra só 34,3% dos acidentes, segundo a PRF. Entre as 21h e as 6h, foram 219 vítimas fatais em 32 meses.
As manhãs têm o maior número de batidas, mas poucas graves. Das 6h às 9h, a PRF registrou 1.687 acidentes e 37 mortes. Já entre as 21h e a meia-noite, com pouco mais da metade desses acidentes, morreram 79 pessoas.
| Horário | Acidentes | Mortes |
|---|---|---|
| 0h às 2h59 | 640 | 67 |
| 3h às 5h59 | 685 | 73 |
| 6h às 8h59 | 1.687 | 37 |
| 9h às 11h59 | 1.213 | 44 |
| 12h às 14h59 | 1.133 | 27 |
| 15h às 17h59 | 1.481 | 25 |
| 18h às 20h59 | 1.566 | 66 |
| 21h às 23h59 | 943 | 79 |
Fonte: PRF, dados abertos de acidentes, janeiro de 2024 a agosto de 2026
Os sábados somaram 77 mortes e os domingos, 74, contra 49 nas quartas-feiras. A sexta-feira é o dia com mais acidentes, 1.504, mas fica no meio da tabela em vítimas fatais. A chuva aparece em poucos registros: 581 acidentes, ou 6,2% do total, ocorreram sob chuva, e outros 342 com garoa.
A nova Serra das Araras e as obras na rodovia
A nova pista da Serra das Araras, entre Piraí e Paracambi (RJ), deve ficar pronta em 2027, segundo o Ministério dos Transportes. O primeiro trecho, de 4 km, foi entregue em 23 de junho de 2026, e a obra de R$ 1,5 bilhão vai elevar a velocidade de 40 para 80 km/h.
O trecho de serra recebe cerca de 390 mil veículos por mês, 36% deles caminhões, segundo o ministério. Com curvas fechadas e descida íngreme, a serra fica fechada mais de 40 dias por ano, somadas todas as interrupções por acidentes.
Quando a pista nova estiver completa, a viagem pela serra deve ficar até 25% mais rápida no sentido São Paulo e até 50% no sentido Rio.
“Esse projeto resolve um problema de uma rodovia que fica mais de 40 dias do ano fechada”
Os boletins da PRF mostram menos acidentes na serra. Entre os km 218 e 236, foram 38 ocorrências de janeiro a agosto de 2026, contra 57 no mesmo período de 2025 e 69 em 2024. O tipo mais comum ali é o tombamento, típico de caminhões em curva e descida.
A obra emprega cerca de 2.200 pessoas, segundo o ministério, e já tinha 70% de execução em junho.
O contrato de concessão também prevê vias marginais, pistas paralelas para o trânsito local, em Guarulhos, São José dos Campos, Taubaté e Resende, segundo a ANTT. Em São José dos Campos, são duas frentes, segundo o ministério em dezembro de 2025: do km 151 ao 158 (6,74 km) e do km 143 ao 151 (7,9 km).
No total, estão previstos 379,3 km de faixas adicionais na Dutra paulista e 203 km na fluminense.
- janeiro de 1951Inaugurada a Rodovia Presidente Dutra, entre Rio de Janeiro e São Paulo
- março de 2022Começa o novo contrato de concessão da Dutra e da Rio-Santos, de 30 anos
- abril de 2024Assinada a ordem de serviço da nova pista da Serra das Araras
- dezembro de 2025Obra da Serra das Araras chega a 49% de execução, segundo o Ministério dos Transportes
- 23 de junho de 2026Entregue o primeiro trecho de 4 km da nova pista de subida, com oito viadutos
- 2027Previsão de conclusão da nova serra, dois anos antes do prazo original de 2029
O próximo teste para a rodovia é o feriado de Finados, na segunda-feira, 2 de novembro, que forma um fim de semana prolongado em todo o país. No ano passado, novembro foi o mês com mais acidentes na Dutra, 322, segundo a PRF.
Em caso de acidente na Via Dutra, a PRF atende pelo 191, o Samu pelo 192 e o Corpo de Bombeiros pelo 193. Ao ligar, informe o km mais próximo e o sentido da pista, Rio ou São Paulo.
Como calculamos. Os números somam os boletins de acidentes da PRF na BR-116 em 2024, 2025 e de janeiro a agosto de 2026. O recorte vai do km 0 ao 231 em São Paulo e do km 163 ao 339,6 no Rio de Janeiro. As vítimas por tipo de veículo saem da planilha por pessoa da PRF.
Como citar: Ouviram (30 out. 2026). «Acidentes na Via Dutra: atropelamentos são 4 em cada 10 mortes, e Guarulhos lidera». ouviram.com.br/brasil/via-dutra-acidentes-trechos-mais-perigosos-km-rj-sp-prf
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
Qual a velocidade máxima na Via Dutra?
Onde não houver placa, o Código de Trânsito Brasileiro fixa, em pista dupla, 110 km/h para carros e motos e 90 km/h para caminhões e ônibus. Nos trechos urbanos, na Serra das Araras e em obras, vale o limite das placas, que costuma ser menor.
Como saber se a Dutra está interditada agora?
A PRF informa ocorrências pelo telefone 191 e pelos perfis oficiais das superintendências do Rio de Janeiro e de São Paulo. As concessionárias atendem 24 horas pelo número gratuito que aparece nas placas ao longo da rodovia.
Moto pode andar no corredor entre os carros na Dutra?
O Código de Trânsito não tem regra específica: o artigo 56, que proibia a moto entre veículos, foi vetado em 1997. O motociclista responde, porém, por não guardar distância lateral (artigo 192) e por mudar de faixa sem sinalizar, e a PRF registra a prática como causa de acidentes.
Pedestre pode atravessar a Dutra fora da passarela?
O artigo 69 do Código de Trânsito manda o pedestre usar a faixa ou a passarela sempre que houver uma a até 50 metros. Em rodovia de pista dupla, com tráfego rápido, a travessia fora da passarela é a situação de maior risco.
Onde consultar os acidentes de uma rodovia federal?
A Polícia Rodoviária Federal publica no portal gov.br os boletins de todos os acidentes atendidos nas BRs, com data, hora, km, município, causa, tipo e número de vítimas. As planilhas são gratuitas e saem por ano.
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1. Que tipo de acidente mais matou na Via Dutra desde 2024?
Os atropelamentos causaram 166 das 418 mortes registradas pela PRF de janeiro de 2024 a agosto de 2026.
2. Em que período do dia ocorreram seis em cada dez mortes na Dutra?
Foram 248 das 418 mortes de janeiro de 2024 a agosto de 2026, segundo os boletins da PRF.
3. Quantos quilômetros tem a Via Dutra?
Segundo a ANTT, a rodovia tem 402 km. São 231 km em São Paulo e o restante no Rio de Janeiro.
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