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40 gírias brasileiras por região, do “égua” do Pará ao “bah” gaúcho

O país tem 203 milhões de habitantes em 27 unidades da federação, segundo o Censo 2022 do IBGE, e o jeito de falar muda a cada divisa.

Fachada da Estação da Luz, sede do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo
Estação da Luz, em São Paulo, onde funciona o Museu da Língua Portuguesa, dedicado ao idioma e às suas variações, em imagem de 2006.Foto: Dianarchitect / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0

O português une as 5 grandes regiões e as 27 unidades da federação listadas pelo IBGE, mas o vocabulário muda de um estado para o outro. O mesmo espanto pode sair como “égua”, “oxente”, “uai” ou “bah”, conforme o lugar.

Saber essas palavras ajuda quem viaja, muda de cidade a trabalho ou tem colega de outro estado. Ajuda também o estudante: a matriz do Enem, do Inep, cobra a habilidade de identificar as marcas das variedades regionais da língua.

A lista abaixo reúne 40 gírias e expressões, oito por região, com o lugar onde são mais ouvidas, o significado e um exemplo. As frases de exemplo foram escritas pela redação. As palavras viajam com as pessoas, a música e a internet, e muitas já são entendidas no país inteiro.

A variedade vai além do português. O Censo 2022 do IBGE registrou 295 línguas indígenas faladas no país, 21 a mais do que em 2010. As línguas indígenas também deixaram palavras no dia a dia, como carapanã e pitiú, de origem tupi, ouvidas no Norte.

Norte e Nordeste, do égua ao oxente

No Norte, a palavra-símbolo é o “égua” do Pará, que muda de sentido conforme o tom de voz. Em Manaus e em Belém, o peixe de cada dia também entrou no vocabulário.

GíriaOndeO que quer dizerExemplo
éguaParáEspanto, admiração ou irritação“Égua, que chuva foi essa?”
pai d’éguaParáMuito bom, excelente“O show de ontem foi pai d’égua.”
de rochaAmazonas e ParáDe verdade, com certeza“Amanhã eu vou, de rocha.”
lesoAmazonas e ParáBobo, distraído“Deixa de ser leso, a chave tá na tua mão.”
brocadoAmazonasCom muita fome“Bora almoçar, que eu tô brocado.”
pitiúAmazonas e ParáCheiro forte, como o de peixe“Passa limão na mão pra tirar o pitiú.”
pegar o becoAmazonasIr embora“Já deu a hora, vou pegar o beco.”
carapanãRegião NorteMosquito, pernilongo“Fecha a janela, que tá cheio de carapanã.”

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No Nordeste, “oxente” e a forma curta “oxe” atravessam os nove estados. Outras palavras têm endereço mais certo, como o “visse” de Pernambuco e o “macho” do Ceará.

GíriaOndeO que quer dizerExemplo
oxenteTodo o NordesteEspanto ou estranheza“Oxente, tu já voltou?”
arretadoPernambuco, Paraíba e BahiaMuito bom; também irritado“Esse forró é arretado demais.”
vissePernambuco“Viu?”, “entendeu?”, no fim da frase“Chego às oito, visse?”
mainha e painhoBahia e outros estadosMãe e pai, com carinho“Domingo eu almoço na casa de mainha.”
massaPernambuco e BahiaLegal, ótimo“Que massa a tua bicicleta nova!”
aperreadoTodo o NordesteAflito, preocupado, aborrecido“Tô aperreada com a prova de amanhã.”
mangarTodo o NordesteZombar, caçoar“Tá mangando de mim, é?”
machoCearáJeito de chamar o amigo, como “cara”“Macho, tu viu o jogo ontem?”

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Centro-Oeste e Sudeste, do véi ao uai

Brasília, cidade de 1960 feita por gente de todos os estados, criou um vocabulário próprio em poucas décadas. Em Goiás, a exclamação da vez é “rensga”. Em Cuiabá, quem chega de fora e fica ganha um apelido.

GíriaOndeO que quer dizerExemplo
véiDistrito FederalJeito de chamar qualquer pessoa, como “cara”“Véi, a prova tava difícil.”
paiaDistrito Federal e GoiásSem graça, ruim, chato“A festa tava paia, voltei cedo.”
cameloDistrito FederalBicicleta“Vou de camelo pra aula.”
baúDistrito FederalÔnibus“Perdi o baú das sete.”
rensgaGoiásExclamação de espanto ou alegria“Rensga, que pamonha boa!”
dar contaGoiásConseguir, aguentar“Não dou conta de comer isso tudo.”
vôteMato GrossoEspanto, surpresa ou repulsa“Vôte, que calor é esse?”
pau-rodadoMato GrossoQuem veio de outra cidade e ficou“Sou pau-rodado, cheguei a Cuiabá há 20 anos.”

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No Sudeste, cada capital tem a sua marca. Minas Gerais resolve quase tudo com “uai” e “trem”. São Paulo chama o amigo de “meu”, o Rio de Janeiro desconfia de “caô”, e o Espírito Santo faz a festa “pocar”.

GíriaOndeO que quer dizerExemplo
uaiMinas GeraisEspanto, dúvida ou ênfase“Uai, mas não era amanhã?”
tremMinas GeraisQualquer coisa, objeto ou assunto“Pega esse trem aí pra mim.”
meuSão PauloJeito de chamar alguém, como “cara”“Meu, que trânsito é esse?”
da horaSão PauloLegal, muito bom“O show foi da hora.”
rolêSão PauloPasseio, volta“Bora dar um rolê no centro?”
caôRio de JaneiroMentira, conversa fiada“Isso aí é caô dele.”
maneiroRio de JaneiroLegal, bacana“Maneiro esse teu tênis.”
pocarEspírito SantoEstourar; também fazer sucesso“Essa festa vai pocar.”

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Sul, do bah ao dazumbanho

No Rio Grande do Sul, “bah” e “tchê” abrem e fecham a conversa. O Paraná tem o “piá”.

Em Santa Catarina, o falar rápido de Florianópolis junta as palavras: “dás um banho” vira “dazumbanho”, elogio para quem faz algo muito bem. Quem visita a capital catarinense ouve a expressão no mercado e na praia.

GíriaOndeO que quer dizerExemplo
bahRio Grande do SulEspanto, admiração ou desânimo“Bah, que frio!”
tchêRio Grande do SulJeito de chamar alguém, como “cara”“Mas que jogo, tchê!”
triRio Grande do SulMuito; também muito bom“O churrasco tava tri bom.”
guri e guriaRio Grande do SulMenino e menina; rapaz e moça“A guria passou no vestibular.”
capazRio Grande do Sul“Imagina!”, “de jeito nenhum”“Incomodo?” “Capaz!”
piáParanáMenino, garoto“O piá já tá na escola.”
tansoSanta CatarinaBobo, lerdo“Não seja tanso, presta atenção.”
dás um banhoSanta Catarina“Você arrasa”, elogio“Dás um banho na cozinha, hein?”

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A lista não esgota o assunto, e uma palavra apontada para um estado pode ser ouvida no vizinho. “Guri”, por exemplo, também circula em Santa Catarina e no Paraná, e “trem” é comum em Goiás.

Para quem tem filho no ensino médio, o tema rende estudo. A variação linguística aparece na prova de Linguagens, e a redação pede o registro formal. O Enem 2026 será aplicado em 8 e 15 de novembro, dois domingos.

A regra de fundo está na Constituição: o artigo 13 diz que a língua portuguesa é o idioma oficial do país. O texto não escolhe sotaque nem vocabulário. Até o Hino Nacional tem palavras que pedem dicionário, como “lábaro” e “garrida”.

Quem quiser ir mais fundo pode visitar o Museu da Língua Portuguesa, na Estação da Luz, em São Paulo. Ele abre de terça a domingo, das 9h às 16h30, e não cobra entrada às terças e aos domingos, segundo o museu.

Como citar: Ouviram (8 out. 2026). «40 gírias brasileiras por região, do “égua” do Pará ao “bah” gaúcho». ouviram.com.br/cultura/girias-brasileiras-por-regiao

Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre gíria e regionalismo?

Gíria é a palavra ou expressão informal de um grupo ou de uma época, como “da hora”. Regionalismo é o termo próprio de um lugar, como “carapanã” para mosquito no Norte. Muitas palavras são as duas coisas ao mesmo tempo.

Falar gíria é errado?

Não. A gíria faz parte da língua falada e combina com conversas informais. Em redação, prova, documento ou entrevista de emprego, o esperado é a norma-padrão.

Pode usar gíria na redação do Enem?

A redação do Enem é um texto dissertativo-argumentativo, e uma das cinco competências avaliadas pelo Inep é o domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa. Gírias contam como desvio de registro.

Por que cada região do Brasil fala de um jeito?

Porque a língua mudou de forma diferente em cada lugar, conforme os povos que ali viveram: indígenas, africanos, portugueses e imigrantes de várias origens. Distância, migrações internas, música e televisão também espalham ou isolam palavras.

De onde vem a palavra carapanã?

Vem do tupi e é o nome dado ao mosquito no Norte do país. É um dos muitos termos de origem indígena que continuam no português falado no Brasil.

#LínguaPortuguesa#Gírias#Sotaques#RegiõesDoBrasil#Enem

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  1. 1. Em que estado “égua” é usado como exclamação de espanto?

  2. 2. O que quer dizer “camelo” em Brasília?

  3. 3. Onde se diz “pocar” para estourar ou fazer sucesso?

  4. 4. Quantas línguas indígenas o Censo 2022 registrou no Brasil?

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