Anne Carson, poeta canadense que reescreve os gregos, vence o Nobel de Literatura de 2026
Aos 76 anos, a autora de “Autobiografia do vermelho” é a 19ª mulher premiada pela Academia Sueca na categoria e receberá 12 milhões de coroas.

A poeta canadense Anne Carson, de 76 anos, venceu o Nobel de Literatura de 2026, anunciou a Academia Sueca nesta quinta-feira (8). Pelo menos seis livros dela já foram traduzidos no Brasil, entre eles o mais conhecido, “Autobiografia do vermelho”.
A Academia premiou a autora “por sua obra ousada e inventiva que, em diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea”, diz o comunicado. O prêmio é de 12 milhões de coroas suecas, o mesmo valor das outras categorias neste ano.
Carson nasceu em Toronto, em 21 de junho de 1950, e doutorou-se em letras clássicas em 1981. Desde então, divide o tempo entre a poesia, a tradução do grego antigo e as aulas em universidades.
“Quase toda a sua produção literária se concentra no cruzamento entre a obsessão do filólogo pelas palavras e o desejo do poeta por novos sentidos”, escreveu Anders Olsson, presidente do Comitê Nobel. A frase está na nota biográfica divulgada com o prêmio. Filólogo é quem estuda uma língua pelos textos antigos.
O ponto de partida dessa obra é o ensaio “Eros, o doce-amargo”, de 1986. Nele, Carson parte de um adjetivo composto da poeta grega Safo, que define o amor como dor e doçura ao mesmo tempo, para pensar o que move um poema.
O livro que a Academia aponta como o mais celebrado veio em 1998. “Autobiografia do vermelho” é um romance em versos que reconta o mito de Gerião, o monstro alado e vermelho morto por Héracles. Na versão de Carson, ele vira um rapaz sensível, apegado à mãe, que se apaixona por quem vai destruí-lo.
Outros títulos misturam gêneros do mesmo jeito. “A beleza do marido”, de 2001, narra a briga de uma mulher com o marido que a engana, em 29 episódios que a autora chama de tangos. “Nox”, de 2010, é uma caixa com fotos, cartas e textos em homenagem ao irmão dela, morto na Dinamarca em 2000.
As traduções contam como obra própria, segundo a Academia. Carson verteu para o inglês os fragmentos de Safo e tragédias como “Electra” e “Antígona”, de Sófocles. O livro mais recente, “Wrong Norma”, saiu em 2024.
No Brasil, a primeira edição foi “O método Albertine”, em 2017. Depois vieram “Autobiografia do vermelho” (2021), “Eros, o doce-amargo” e “Falas curtas” (ambos em 2022), “Sobre aquilo em que eu mais penso” (2023) e “A beleza do marido” (2024).
A escolha confirma uma mudança recente. Carson é a 19ª mulher entre os 123 premiados desde 1901, segundo a lista oficial do Prêmio Nobel, e a quinta nas últimas nove edições. De 1901 a 2017, foram 14. O Canadá não vencia desde 2013, com a contista Alice Munro.
Nenhum brasileiro recebeu o prêmio até hoje. O único autor de língua portuguesa na lista é o português José Saramago, premiado em 1998.
A semana do Nobel começou com as categorias científicas, entre elas o Nobel de Química, dado na quarta-feira (7) a um francês e a um japonês. O de Economia sai na segunda-feira (12), feriado de Nossa Senhora Aparecida no Brasil.
A entrega das medalhas será em 10 de dezembro, em Estocolmo. Antes disso, o Comitê Norueguês anuncia o Nobel da Paz nesta sexta-feira (9), às 6h de Brasília, em Oslo.
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Mais sobre o assunto
1. Quem venceu o Nobel de Literatura de 2026?
A canadense Anne Carson foi anunciada pela Academia Sueca em 8 de outubro de 2026. Han Kang venceu em 2024, e Annie Ernaux, em 2022.
2. Quantas mulheres já venceram o Nobel de Literatura?
São 19 mulheres entre 123 premiados desde 1901, segundo a lista oficial do Prêmio Nobel. A primeira foi a sueca Selma Lagerlöf, em 1909.
3. Qual é o único autor de língua portuguesa com um Nobel de Literatura?
O português José Saramago foi premiado em 1998, segundo a lista oficial do Prêmio Nobel. Nenhum brasileiro recebeu o prêmio.
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