São Paulo, Minas e Bahia concentram 42% das viagens nacionais dos brasileiros
O gasto médio de quem pernoitou fora foi de R$ 1.843 em 2024 e passou de R$ 3.000 quando o destino era Alagoas ou o Ceará, mostra a pesquisa do IBGE.

São Paulo, Minas Gerais e Bahia foram o destino de 42% das viagens nacionais dos brasileiros em 2024, segundo o IBGE. Para quem planeja as férias de verão, a pesquisa mais recente do instituto sobre turismo mostra para onde o país viaja e quanto gasta em cada lugar.
A PNAD Contínua Turismo, divulgada em outubro de 2025, contou 19,9 milhões de viagens dentro do país no período pesquisado. Em 80,9% delas, o viajante não saiu da própria região. Somadas as idas ao exterior, o carro foi o principal transporte em 50,7% das viagens, o avião em 14,7% e o ônibus de linha em 11,9%.
A praia continua na frente, mas perde espaço. Sol e mar motivaram 44,6% das viagens de lazer em 2024, contra 55,5% em 2020. No mesmo período, cultura e gastronomia passaram de 15,5% para 24,4%. Natureza, ecoturismo e aventura ficaram com 21,7%.
| Estado de destino | Viagens em 2024 | Parte do total | Gasto médio por viagem | Gasto por pessoa por dia |
|---|---|---|---|---|
| São Paulo | 4,35 milhões | 21,9% | R$ 1.702 | R$ 295 |
| Minas Gerais | 2,03 milhões | 10,2% | R$ 1.269 | R$ 235 |
| Bahia | 1,99 milhão | 10,0% | R$ 2.711 | R$ 305 |
| Rio de Janeiro | 1,38 milhão | 6,9% | R$ 2.194 | R$ 348 |
| Paraná | 1,25 milhão | 6,3% | R$ 1.588 | R$ 270 |
| Rio Grande do Sul | 1,21 milhão | 6,1% | R$ 1.637 | R$ 285 |
| Santa Catarina | 1,04 milhão | 5,2% | R$ 2.556 | R$ 323 |
| Goiás | 741 mil | 3,7% | R$ 1.750 | R$ 264 |
| Pernambuco | 716 mil | 3,6% | R$ 2.422 | R$ 351 |
| Pará | 708 mil | 3,6% | R$ 1.085 | R$ 181 |
Fonte: IBGE, PNAD Contínua Turismo 2024, divulgada em outubro de 2025. Gastos referentes a viagens com pernoite.
A Bahia foi o estado que mais ganhou viajantes de um ano para o outro: 140 mil viagens a mais que em 2023. São Paulo segue muito à frente, mesmo com 343 mil viagens a menos.
Do litoral nordestino à serra gaúcha
O IBGE mede as viagens por estado. Para chegar ao nível do destino, uma régua oficial é a visitação dos parques nacionais, contada pelo ICMBio e divulgada em maio pelo Ministério do Turismo. Oito dos dez parques mais visitados ficam no Rio de Janeiro ou no Nordeste.
Fonte: Ministério do Turismo, com dados do ICMBio, maio de 2026 (valores arredondados)
O Nordeste recebe 27,4% das viagens e tem o maior gasto médio do país, R$ 2.523 por viagem. Três de seus parques estão entre os seis mais visitados: Jericoacoara, no Ceará, Fernando de Noronha, em Pernambuco, e os Lençóis Maranhenses, Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco.
No litoral que vai de Salvador a Natal, chove mais de abril a julho. Em Fortaleza, o pico é abril, com 385 mm, e de agosto a novembro a média fica abaixo de 21 mm por mês. Os dados são das normais climatológicas do Inmet, que resumem 30 anos de medições.
Nos Lençóis, a temporada de lagoas cheias vai até setembro, segundo o Ministério do Turismo. O caminho mais prático, pelo ICMBio, é voar até São Luís e seguir por estrada até Barreirinhas ou Santo Amaro. Para Noronha, há voos diários do Recife, com cerca de uma hora, informa a administração da ilha.
O Sudeste concentra 41,2% das viagens. No Rio, o Parque Nacional da Tijuca, onde fica o Cristo Redentor, é o mais visitado do país. A Serra da Bocaina, entre Rio e São Paulo, e a Serra dos Órgãos, com mais de 200 km de trilhas, também estão entre os dez primeiros.
Minas Gerais, segundo estado mais visitado, tem o menor gasto médio do Sudeste, R$ 1.269 por viagem. O inverno é a estação seca: em Belo Horizonte, chove 5,4 mm em julho e 339,1 mm em dezembro, pelas médias do Inmet. É a janela mais firme para cidades históricas e trilhas.
No Sul, o Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu (PR), recebeu mais de 2,2 milhões de pessoas em 2025. A região divide o ano em dois, com praia no verão e frio na serra no inverno. Em São Joaquim (SC), a máxima média de julho é de 14,6 °C; em Caxias do Sul (RS), de 17,3 °C.
Santa Catarina tem o maior gasto médio do Sul, R$ 2.556 por viagem. Se você pensa na ilha para o verão, o guia de Florianópolis detalha praias, trilhas e bairros.
O Centro-Oeste é a única região em que a natureza passa a praia: 33,9% das viagens de lazer buscam ecoturismo e aventura, contra 32,9% de sol e praia. É a terra do Pantanal, de Bonito e das chapadas. De maio a setembro é a estação seca: em julho, Brasília tem 1,5 mm de chuva, e Cuiabá, 10,2 mm.
O Norte recebe 6,3% das viagens, e quem vai fica mais: 9,1 pernoites em média, contra 6,9 no país. O Pará é o destino mais procurado da região, e Belém vive neste domingo, 11 de outubro, o Círio de Nazaré. Em Manaus, os meses de menos chuva vão de julho a setembro.
A conta da viagem, região por região
Cada viagem nacional com pernoite custou em média R$ 1.843 em 2024, 8% a mais que em 2023, segundo o IBGE. Por pessoa e por dia, a média ficou em R$ 268. O número é o que os viajantes declararam gastar, não uma tabela de preços.
R$ 1.843
É quanto os brasileiros gastaram, em média, em cada viagem nacional com pernoite feita em 2024
Fonte: IBGE, outubro de 2025
| Região de destino | Gasto médio por viagem | Por pessoa, por dia | Pernoites em média |
|---|---|---|---|
| Nordeste | R$ 2.523 | R$ 288 | 7,8 |
| Sul | R$ 1.943 | R$ 293 | 6,2 |
| Centro-Oeste | R$ 1.704 | R$ 277 | 6,9 |
| Sudeste | R$ 1.684 | R$ 281 | 6,2 |
| Norte | R$ 1.263 | R$ 192 | 9,1 |
Fonte: IBGE, PNAD Contínua Turismo 2024, divulgada em outubro de 2025.
Os destinos mais caros estão no Nordeste: Alagoas (R$ 3.790), Ceará (R$ 3.006) e Bahia (R$ 2.711). No outro extremo, quem foi a Rondônia gastou R$ 930. A renda pesa: famílias com menos de meio salário mínimo por pessoa gastaram R$ 806 por viagem, e as de quatro salários ou mais, R$ 3.032.
Alguns destinos têm taxa própria. Em Fernando de Noronha, a taxa de preservação ambiental custa R$ 105,79 por dia em 2026, e sete dias saem por R$ 672,85, pela tabela da administração da ilha. Por exemplo, um casal que fica uma semana paga R$ 1.345,70, fora o ingresso do parque nacional marinho, cobrado à parte.
Se você tem filho na escola, confira o calendário escolar antes de comprar as passagens. Em oito das 13 redes estaduais com data oficial, as aulas vão até 18 de dezembro.
Ponha também a caderneta de vacinação na lista. O Ministério da Saúde recomenda a vacina contra a febre amarela a partir dos 9 meses, pelo menos dez dias antes da viagem.
O movimento não é só de brasileiros. O país recebeu 9.287.196 turistas internacionais em 2025, 37,1% a mais que em 2024, segundo a Embratur. Nos voos domésticos, foram 101,2 milhões de passageiros, a primeira vez acima de 100 milhões, de acordo com a ANAC.
Para viajar sem gastar dias de férias, restam quatro feriados nacionais em 2026 colados ao fim de semana. São duas segundas-feiras, 12 de outubro e 2 de novembro, e duas sextas, 20 de novembro e 25 de dezembro.
Em Noronha, a taxa pode ser paga pela internet antes do embarque. Quem fica além do período declarado sem autorização paga em dobro pelos dias a mais, segundo a administração da ilha.
Como citar: Ouviram (8 out. 2026). «São Paulo, Minas e Bahia concentram 42% das viagens nacionais dos brasileiros». ouviram.com.br/turismo/destinos-nacionais-mais-procurados
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
Qual o destino mais barato para viajar no Brasil?
Pela pesquisa do IBGE, o menor gasto médio por viagem com pernoite em 2024 foi em Rondônia (R$ 930), seguido de Acre (R$ 1.019), Amapá (R$ 1.061) e Piauí (R$ 1.067). É a média do que os viajantes declararam gastar, não uma tabela de preços.
Onde os brasileiros se hospedam quando viajam?
Em 40,7% das viagens de 2024, na casa de amigos ou parentes, segundo o IBGE. Hotel, resort ou flat aparecem em 18,8% das viagens, pousada em 5,9% e imóvel de temporada ou de aplicativo em 5,2%.
Quantos dias dura, em média, uma viagem pelo Brasil?
Foram 6,9 pernoites em média nas viagens nacionais de 2024, segundo o IBGE. Para destinos do Norte, a média sobe para 9,1 pernoites; no Nordeste, para 7,8; no Sudeste e no Sul, fica em 6,2.
Precisa pagar para entrar nos Lençóis Maranhenses?
Não. O ICMBio não cobra taxa de visitação no parque. Os passeios, porém, são feitos com agências e veículos credenciados, que cobram pelo serviço.
Qual vacina tomar antes de viajar pelo Brasil?
O Ministério da Saúde recomenda a vacina contra a febre amarela para toda a população a partir dos 9 meses de idade. Ela é gratuita no SUS e deve ser tomada pelo menos dez dias antes da viagem. Uma dose protege por toda a vida.
Quantos brasileiros não viajam por falta de dinheiro?
Em 2024, nenhum morador viajou em 80,7% dos domicílios do país no período pesquisado pelo IBGE. A falta de dinheiro foi o motivo mais citado, por 39,2%, seguida de falta de tempo (19,1%) e de não ter necessidade (18,4%).
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1. Qual estado recebeu mais viagens nacionais em 2024, segundo o IBGE?
São Paulo foi o destino de 4,35 milhões de viagens, 21,9% do total, segundo a PNAD Contínua Turismo 2024, do IBGE.
2. Qual foi o parque nacional mais visitado do Brasil em 2025?
O Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro, recebeu mais de 4,9 milhões de visitantes, segundo o Ministério do Turismo.
3. Em qual região a natureza supera a praia como motivo das viagens de lazer?
No Centro-Oeste, 33,9% das viagens de lazer buscaram natureza, ecoturismo ou aventura, contra 32,9% de sol e praia, segundo o IBGE.
4. Qual estado teve o maior gasto médio por viagem em 2024?
Quem viajou para Alagoas gastou em média R$ 3.790 por viagem com pernoite, o maior valor do país, segundo o IBGE.
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