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O que fazer em São Luís: azulejos, bumba meu boi e o caminho para os Lençóis
As visitas guiadas ao Teatro Arthur Azevedo, de 1817, voltaram em agosto após a maior reforma em 30 anos e são gratuitas de terça a domingo.

O Teatro Arthur Azevedo, inaugurado em 1817 no Centro Histórico de São Luís, voltou a receber visitas guiadas gratuitas em agosto, segundo a direção do teatro. A reforma, a maior das últimas três décadas, modernizou climatização, luz, som e acessibilidade.
A capital maranhense tem 1.089.215 moradores, pela estimativa do IBGE para 2025, e ocupa parte de uma ilha na costa norte do país. Foi fundada por franceses em 1612, passou por ocupação holandesa e cresceu sob domínio português, segundo o Ministério do Turismo.
Dessa mistura nasceu o Centro Histórico: ruas de pedra, sobrados de até quatro andares e fachadas cobertas de azulejos. A cultura popular completa o roteiro, com o bumba meu boi, o tambor de crioula e o reggae, que deu à cidade o apelido de Jamaica brasileira.
Azulejos, sobrados e teatro
O Centro Histórico foi tombado pelo Iphan em 1974 e inscrito na lista do Patrimônio Mundial da Unesco em 6 de dezembro de 1997. A Unesco reconheceu o conjunto como exemplo de cidade colonial portuguesa adaptada ao clima equatorial, com o traçado urbano preservado.
O passeio começa na Praia Grande, o bairro do antigo porto. Na Rua Portugal, os casarões exibem azulejos trazidos de Portugal, muitos pintados à mão. Além de bonitos, eles protegiam as paredes do calor e da umidade, segundo o Ministério do Turismo.
No mesmo quarteirão, o Mercado das Tulhas, também chamado de Feira da Praia Grande, vende camarão seco, farinha d’água e doces de frutas da região. Vende também a tiquira, aguardente de mandioca típica do Maranhão. É o lugar para provar e levar sabores da terra.
Subindo as ladeiras, a Catedral da Sé e o Palácio dos Leões, sede do governo estadual, ficam lado a lado na Avenida Pedro II. Os dois têm vista para a Baía de São Marcos. Perto dali, na Rua do Sol, está o Teatro Arthur Azevedo, que nasceu como Teatro União e ganhou o nome atual em homenagem ao dramaturgo maranhense.
O teatro foi reinaugurado na sexta-feira, 3 de julho, e no dia seguinte recebeu a Orquestra Filarmônica do Maranhão com a cantora Alcione. As visitas guiadas voltaram um mês depois.
Em entrevista em agosto, o diretor do teatro, o ator César Boas, contou que a reforma trouxe cadeiras novas, lugares para pessoas com deficiência e banheiros e camarins acessíveis.
- Visita guiadaGratuita, de terça a domingo
- GruposAté dez pessoas entram sem agendamento
- EndereçoRua do Sol, no Centro Histórico
Reggae, praias e passeios de barco
O reggae virou trilha das festas de radiola, os paredões de som que animam os bairros de São Luís. O Museu do Reggae, aberto pelo governo do estado em 2018, fica na Rua da Estrela, 124, no Centro Histórico, com entrada gratuita e visita guiada.
A outra trilha sonora da cidade é o bumba meu boi. Em 11 de dezembro de 2019, a Unesco inscreveu o complexo cultural do bumba meu boi do Maranhão na lista do patrimônio imaterial da humanidade. O Iphan já o havia registrado como patrimônio do Brasil em 2011.
São cinco sotaques, os estilos de tocar e dançar: matraca, orquestra, baixada, zabumba e costa de mão. Os grupos saem às ruas em junho, nas festas de São João, São Pedro e São Marçal, e enchem os arraiais da cidade.
Para a praia, a orla urbana vai da Ponta d’Areia ao Olho d’Água, passando por São Marcos e Calhau, com calçadão, quiosques e o pôr do sol sobre o mar. A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) monitora a água de 22 pontos da Grande São Luís.
No laudo divulgado em 6 de setembro, com coletas de agosto, 20 desses 22 pontos estavam próprios para banho, segundo a Sema. Os dois impróprios ficavam na capital, em trechos de São Marcos e do Olho d’Água. A Sema recomenda conferir o laudo mais recente antes de entrar no mar e evitar o banho nas 24 horas seguintes a qualquer chuva.
Com crianças, a orla da Ponta d’Areia e do Calhau tem espaço para caminhar e brincar na areia nos trechos liberados. No Centro Histórico, o passeio pelas ladeiras e pelos azulejos rende uma aula de história ao ar livre, boa para quem tem filho estudando o Brasil colonial.
Do Cais da Praia Grande saem os barcos para Alcântara, cidade colonial do outro lado da Baía de São Marcos. A travessia leva de uma hora a uma hora e meia, e os horários de saída mudam todo dia conforme a maré, porque o cais não opera na maré muito baixa.
O destino mais procurado do estado fica fora da ilha. O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, com 155 mil hectares de dunas e lagoas, virou Patrimônio Natural da Humanidade em 26 de julho de 2024, segundo a Unesco. Barreirinhas, a porta de entrada mais usada, fica a cerca de 250 km de São Luís.
As lagoas ficam cheias até setembro, segundo o Ministério do Turismo, e o roteiro pelo Maranhão aparece no levantamento dos destinos mais procurados do país.
Na mesa, o prato símbolo é o arroz de cuxá, feito com vinagreira, gergelim e camarão seco. A torta de camarão, a peixada e o caranguejo completam o cardápio, e a juçara, o açaí maranhense, é servida grossa, com farinha e peixe.
Calendário e estação seca
O ano de São Luís é marcado pelas festas de rua, e o clima ajuda a escolher a data. Entre agosto e novembro quase não chove, enquanto o primeiro semestre concentra as chuvas.
- FevereiroCarnaval, com blocos no Centro Histórico; em 2027, a segunda e a terça de folia caem em 8 e 9 de fevereiro
- JunhoSão João, com os grupos de bumba meu boi nos arraiais da capital e do interior
- 8 de setembroAniversário da cidade e feriado municipal; em 2026, São Luís completou 414 anos
- Outubro e novembroFesta da Juçara, aos domingos, no Parque da Juçara, no bairro Maracanã; em 2025, a 56ª edição foi até 26 de outubro
- Agosto a novembroEstação seca, a melhor para caminhar pelo Centro Histórico
Os principais eventos do Nordeste estão reunidos no calendário de festivais, e as datas do próximo ano no calendário de feriados de 2027.
Fonte: Inmet, normais climatológicas 1991-2020
O calor é constante: as máximas médias ficam entre 30,3 °C e 32,5 °C o ano todo, e as mínimas não descem de 23 °C, segundo o Inmet. Chapéu, protetor solar e água são indispensáveis nas caminhadas do meio do dia.
O Aeroporto Internacional Marechal Cunha Machado fica a cerca de 15 km do Centro Histórico, segundo o Ministério do Turismo. Por estrada, a ligação da ilha com o continente é a BR-135.
As visitas gratuitas ao Teatro Arthur Azevedo acontecem de terça a sábado, das 14h às 18h, e aos domingos, das 10h às 13h. Grupos com mais de dez pessoas agendam antes pelo e-mail ou pelas redes sociais do teatro.
Como citar: Ouviram (12 out. 2026). «O que fazer em São Luís: azulejos, bumba meu boi e o caminho para os Lençóis». ouviram.com.br/turismo/o-que-fazer-em-sao-luis
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
O que fazer em São Luís em um dia?
Comece cedo pela Rua Portugal e pela Praia Grande, faça a visita guiada ao Teatro Arthur Azevedo à tarde e passe pelo Museu do Reggae. No fim do dia, siga para a orla da Ponta d’Areia para ver o pôr do sol.
Como chegar a São Luís?
De avião, pelo Aeroporto Internacional Marechal Cunha Machado, a cerca de 15 km do Centro Histórico, segundo o Ministério do Turismo. Por estrada, o acesso à ilha é pela BR-135.
Quando ir a São Luís?
De agosto a novembro, quando quase não chove: setembro e outubro têm menos de 3 mm, segundo o Inmet. De fevereiro a maio, a média passa de 300 mm por mês. Quem quer ver as lagoas dos Lençóis cheias deve ir até setembro.
Como ir de São Luís aos Lençóis Maranhenses?
De carro, de ônibus ou de van, até Barreirinhas, a porta de entrada mais usada, a cerca de 250 km da capital. A viagem leva de três a cinco horas, e de lá os passeios ao parque saem em veículos 4x4.
O que é arroz de cuxá?
É o prato símbolo do Maranhão: arroz cozido com um molho de vinagreira, folha de sabor ácido, gergelim torrado, farinha e camarão seco. Costuma acompanhar peixe frito ou torta de camarão.
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1. Em que ano o Centro Histórico de São Luís entrou na lista do Patrimônio Mundial da Unesco?
O título saiu em 6 de dezembro de 1997, numa reunião da Unesco em Nápoles, na Itália.
2. Quantos sotaques tem o bumba meu boi do Maranhão?
São cinco: matraca, orquestra, baixada, zabumba e costa de mão, cada um com ritmo e roupas próprios, segundo o Iphan.
3. Que povo europeu fundou São Luís, em 1612?
A cidade foi fundada por franceses e depois passou por ocupação holandesa e domínio português, segundo o Ministério do Turismo.
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