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Sistema Cantareira: nível passa de 50% e Grande SP tem o maior volume de água do ano
Outubro teve 210 milímetros de chuva nas represas até o dia 30, 62% acima da média do mês, e a redução noturna da pressão segue em oito horas.

O Sistema Cantareira passou de 50% do volume útil na quinta-feira (29), pela primeira vez desde 17 de junho de 2025, segundo a Sabesp. Nesta sexta-feira (30), o principal manancial da Grande São Paulo chegou a 50,71%, o maior nível de 2026.
Para quem mora na região, a marca significa represas mais folgadas na entrada do verão, quando o consumo sobe. A redução da pressão da água à noite, porém, seguiu em oito horas por dia em outubro. A decisão foi da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) e da Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas).
A virada veio da chuva. Até o dia 30, outubro somou 210,4 milímetros sobre o Cantareira, 62% acima da média histórica do mês, de 130,1 milímetros, segundo o Portal dos Mananciais da Sabesp. Só no domingo (25), caíram 53,3 milímetros.
50,71%
é o volume útil do Cantareira em 30 de outubro de 2026, o maior desde junho de 2025
Fonte: Sabesp, 30/10/2026
Setembro já tinha mudado o cenário. A chuva no Cantareira chegou a 282,5 milímetros, ou 358,3% da média do mês, segundo a Arsesp e a SP Águas.
A diretora-presidente da SP Águas, Camila Viana, ligou a mudança ao clima no início de outubro. “Percebemos que houve uma antecipação do período chuvoso como consequência dos efeitos do El Niño, mas também tivemos variações importantes de temperatura, com dias de calor intenso”, afirmou. Os efeitos do El Niño em 2026 variam de região para região do país.
A comparação com 2025 mostra o tamanho da recuperação. Em 30 de outubro do ano passado, o Cantareira tinha 23,35% do volume útil. Agora tem mais que o dobro, e o conjunto dos sete sistemas da região passou de 28,02% para 61,75%, segundo a Sabesp.
O Cantareira e os outros seis sistemas
O Sistema Cantareira, conjunto de cinco represas interligadas, abastece cerca de 46% da população da Grande São Paulo, segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). São elas Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro, com volume útil total de 981,56 bilhões de litros.
As represas são ligadas por túneis e canais. A água segue para a Grande São Paulo pela Estação Elevatória de Santa Inês, ponto em que a ANA mede quanto a Sabesp retira do sistema. O peso maior está no par Jaguari-Jacareí, que guarda 808,04 dos 981,56 bilhões de litros de volume útil, segundo o boletim da agência.
O Cantareira responde por metade da capacidade de armazenamento do Sistema Integrado Metropolitano, a rede que junta os sete sistemas produtores da região, segundo o Governo de São Paulo. Por isso, quando ele cai, a conta de toda a região fica mais apertada, mesmo com as outras represas cheias.
O sistema também abastece o interior. As represas liberam água para as bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), com destaque para Campinas, segundo a ANA. Como esses rios são de domínio da União, a operação é dividida entre a ANA e a SP Águas, que acompanham níveis e vazões todos os dias.
Desde 2018, o Cantareira recebe reforço de outra bacia. Uma interligação bombeia para a Atibainha a água da represa Jaguari da bacia do rio Paraíba do Sul, que não é a Jaguari do Cantareira. Em 2026, a média bombeada foi de 7,70 metros cúbicos por segundo até 14 de outubro, segundo a ANA, o equivalente a 7.700 litros a cada segundo.
Outras obras ampliaram a oferta da região, segundo o Governo de São Paulo. Até o fim de 2025, a Sabesp concluiu a Transferência Itapanhaú, que acrescenta 2 mil litros por segundo de água bruta, com investimento de R$ 161 milhões. A Transferência Guaratuba somou mais 200 litros por segundo.
Somados, os sete sistemas que abastecem a Grande São Paulo tinham 61,75% do volume útil em 30 de outubro de 2026, segundo a Sabesp, contra 28,02% na mesma data de 2025. O Cantareira é o mais baixo dos sete, mas também o maior: guarda 41% de toda a água armazenada na região.
| Sistema | Volume útil | Bilhões de litros | Chuva em outubro | Média de outubro |
|---|---|---|---|---|
| Cantareira | 50,71% | 497,96 | 210,4 mm | 130,1 mm |
| Alto Tietê | 59,93% | 335,80 | 183,7 mm | 106,9 mm |
| Guarapiranga | 94,94% | 162,54 | 232,2 mm | 114,2 mm |
| Rio Grande | 99,29% | 111,38 | 264,2 mm | 130,8 mm |
| São Lourenço | 76,19% | 67,67 | 248,6 mm | 143,0 mm |
| Cotia | 103,72% | 17,11 | 241,0 mm | 119,4 mm |
| Rio Claro | 60,99% | 8,34 | 246,6 mm | 174,1 mm |
| Sistema Integrado | 61,75% | 1.200,80 |
Fonte: Sabesp, Portal dos Mananciais, 30/10/2026.
Índice acima de 100%, como o do Cotia, indica que a represa guarda mais água do que o seu volume útil máximo. Em todos os sistemas, a chuva de outubro passou da média histórica do mês, segundo a Sabesp. No Rio Grande, o acumulado chegou a 264,2 milímetros, mais que o dobro dos 130,8 milímetros esperados.
O Alto Tietê, segundo maior sistema da região, se recuperou ainda mais rápido que o Cantareira. Passou de 25,03% no início de outubro de 2025 para 54,29% no início deste mês, segundo a Arsesp e a SP Águas. Nesta sexta-feira, chegou a 59,93%, segundo a Sabesp.
Para o Cantareira, 30 de outubro de 2026 só perde, desde 2016, para a mesma data de 2023, quando as represas tinham 72,9%. O gráfico mostra o nível em cada 30 de outubro desde 2016.
Fonte: Sabesp, série histórica do Portal dos Mananciais, 30/10/2026
As faixas da ANA e a redução de pressão à noite
O Cantareira opera em cinco faixas definidas pela Resolução Conjunta ANA/DAEE nº 925, de 29 de maio de 2017. Quanto menor o volume útil, menos água a Sabesp pode retirar das represas para a Grande São Paulo. A ANA e a SP Águas fixam a faixa de cada mês até o último dia útil do mês anterior.
| Faixa | Volume útil | Retirada máxima para a Grande SP |
|---|---|---|
| 1 (Normal) | 60% ou mais | 33,0 m³/s |
| 2 (Atenção) | de 40% a 60% | 31,0 m³/s |
| 3 (Alerta) | de 30% a 40% | 27,0 m³/s |
| 4 (Restrição) | de 20% a 30% | 23,0 m³/s |
| 5 (Especial) | menos de 20% | 15,5 m³/s |
Fonte: Resolução Conjunta ANA/DAEE nº 925/2017.
Em outubro de 2026, vale a Faixa 2, porque o sistema fechou setembro com 41,10% do volume útil, segundo o boletim da ANA. Nessa faixa, a Sabesp pode retirar 31 metros cúbicos por segundo, mais a água bombeada do Paraíba do Sul, com teto total de 33 metros cúbicos por segundo.
Nesta sexta-feira, a vazão captada no sistema era de 24,9 metros cúbicos por segundo, segundo a Sabesp.
Um ano atrás, o quadro era outro. Em 1º de outubro de 2025, o Cantareira entrou na Faixa 4 (Restrição), o que não ocorria desde janeiro de 2022. A retirada caiu para 23 metros cúbicos por segundo, segundo a ANA e a SP Águas.
A redução de pressão segue outra régua, a das sete faixas de atuação do Governo de São Paulo, aplicadas pela Arsesp com a SP Águas. Cada faixa liga uma medida diferente na rede de distribuição:
- Faixa 1Regime Diferenciado de Abastecimento
- Faixa 2Redução da pressão por 8 horas à noite
- Faixa 3Redução por 10 horas
- Faixas 4, 5 e 6Redução por 12, 14 e 16 horas
- Faixa 7Rodízio entre regiões, com caminhões-pipa para serviços essenciais
Desde junho de 2026, a metodologia acompanha duas curvas de projeção, uma do Sistema Integrado e outra só do Cantareira, e vale a mais restritiva. No início de outubro, o conjunto já estava na normalidade, mas o Cantareira, com 41,12%, ficava abaixo do mínimo projetado para a normalidade, de 41,61%, segundo a Arsesp.
“Estamos cumprindo o previsto na Deliberação, que tem o objetivo de proteger os reservatórios no médio e longo prazo”
A redução noturna de pressão, chamada de Gestão de Demanda Noturna, começou em 27 de agosto de 2025, com oito horas. Passou a dez horas em setembro daquele ano e voltou a oito em agosto de 2026, com a melhora das represas.
Até o início de outubro, a economia estimada com a medida passou de 209 bilhões de litros, volume equivalente ao consumo de 36 milhões de pessoas, segundo a Arsesp e a SP Águas.
A pressão menor nos canos no horário de menor consumo reduz as perdas de água na rede, segundo a Arsesp. A medida é preventiva e temporária e é reavaliada todo mês pelo Comitê de Integração das Agências para a Segurança Hídrica.
O nível de hoje contrasta com a pior fase do Cantareira, em 2014 e 2015, quando o sistema operou 538 dias abaixo do nível mínimo das represas, segundo a série histórica da Sabesp. O período foi de 11 de julho de 2014 a 30 de dezembro de 2015. O ponto mais baixo foi −24,3% do volume útil, em 2 de fevereiro de 2015, o menor índice registrado desde 2000.
A diferença entre aquela seca e o ano atual aparece na água que chega às represas. Em outubro de 2014, a vazão média de entrada foi de 5,21 metros cúbicos por segundo, a menor para o mês na série histórica da ANA. Em setembro de 2026, chegou a 52,74 metros cúbicos por segundo, 220% da média histórica de setembro.
A crise deixou regras e obras. As cinco faixas de operação nasceram com a Resolução 925, de 2017, elaborada depois da escassez de 2014 e 2015, segundo a ANA. Em 2018, veio a ligação com a represa Jaguari, no Paraíba do Sul.
O teste seguinte foi 2025, ano de pouca chuva. O Cantareira desceu a 19,68% em 9 de dezembro de 2025. Em 13 de janeiro de 2026, marcou 19,29%, o nível mais baixo desde fevereiro de 2016, segundo a Sabesp. Desde então, subiu mais de 31 pontos percentuais.
- 11/07/2014Represas passam a operar abaixo do nível mínimo, na reserva técnica
- 02/02/2015Menor índice registrado desde 2000: −24,3% do volume útil
- 29/05/2017ANA e DAEE aprovam a Resolução 925, com as cinco faixas de operação
- 2018Interligação leva água da represa Jaguari, no Paraíba do Sul, à Atibainha
- 27/08/2025Começa a redução da pressão da água à noite, com oito horas
- 01/10/2025Cantareira entra na Faixa 4 (Restrição), o que não ocorria desde 2022
- 13/01/2026Menor nível de 2026: 19,29% do volume útil
- 29/10/2026Sistema volta a passar de 50%, pela primeira vez desde junho de 2025
Como acompanhar o nível e economizar água em casa
O nível do Cantareira e dos outros seis sistemas sai todos os dias no Portal dos Mananciais, página da Sabesp com dados de volume, chuva e vazão. A faixa de operação definida pela ANA aparece no boletim diário da Sala de Situação da agência.
- Abra o Portal dos Mananciais no site da Sabesp e escolha o sistema.
- Veja o volume útil armazenado, em porcentagem: é o índice oficial usado nas faixas.
- Compare a chuva acumulada no mês com a média histórica, que aparece ao lado.
- Para saber a faixa do mês, consulte o boletim do Sistema Cantareira na Sala de Situação da ANA.
- Para a redução de pressão, acompanhe a nota mensal do Comitê de Integração da Arsesp e da SP Águas.
Represa cheia não dispensa economia. O Governo de São Paulo, com dados técnicos da Sabesp, lista gestos simples que poupam centenas de litros por dia:
- Escovar os dentesAté 12 litros a menos por vez, com a torneira fechada
- Banho 5 minutos mais curtoAté 80 litros economizados
- Louça ensaboada com torneira fechadaAté 80 litros
- Carro lavado com baldeAté 300 litros, em vez da mangueira
Por exemplo, uma família de quatro pessoas na capital paulista que encurta cada banho em cinco minutos deixa de gastar até 320 litros por dia. Em um mês, são 9.600 litros, quase dez caixas-d'água de mil litros.
O verão costuma pôr o sistema à prova. Na onda de calor do fim de dezembro de 2025, o consumo de água na Grande São Paulo subiu 60%, segundo o Governo de São Paulo. Para os dias de temporal, vale conhecer o significado de cada cor de alerta do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
O período seco do Cantareira vai até 30 de novembro, e o úmido começa em 1º de dezembro, segundo a Resolução 925. Com o volume entre 40% e 60%, o sistema segue no intervalo da Faixa 2 da ANA. A Faixa 1 (Normal) só volta aos 60%, nível que as represas não alcançam desde 16 de agosto de 2024.
A faixa de atuação de novembro define as horas de redução de pressão. Ela sai da reunião mensal do Comitê de Integração, com nota técnica prevista para o último dia do mês, segundo a metodologia da Arsesp. A data cai no sábado (31), às vésperas do feriado de Finados, na segunda-feira, 2 de novembro.
A meta oficial é chegar a 30 de abril de 2027 com pelo menos 53% do volume útil no Sistema Integrado, segundo a Arsesp. No mesmo ano termina a validade de dez anos da Resolução 925, que fixa as regras de operação do Cantareira.
Falta de água e vazamentos na rua podem ser comunicados à Sabesp pelo 0800 055 0195 ou pelo WhatsApp (11) 3388-8000. Pessoas com deficiência auditiva ou de fala têm o 0800 016 0195.
Como citar: Ouviram (30 out. 2026). «Sistema Cantareira: nível passa de 50% e Grande SP tem o maior volume de água do ano». ouviram.com.br/cidades/sistema-cantareira-nivel-hoje-faixas-reducao-de-pressao-como-consultar
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
Quanto é 1 hm³ de água?
Um hectômetro cúbico equivale a 1 bilhão de litros, o suficiente para encher cerca de 400 piscinas olímpicas de 2,5 milhões de litros. Os 981,56 hm³ de volume útil do Cantareira correspondem a 981,56 bilhões de litros.
O que significa nível negativo do Cantareira?
O sinal negativo indica que a captação usa a reserva técnica, a água abaixo do nível mínimo de operação, conhecida como volume morto. Na série da Sabesp, isso ocorreu de 11 de julho de 2014 a 30 de dezembro de 2015, com mínimo de −24,3% em 2 de fevereiro de 2015.
Campinas usa água do Cantareira?
Sim. As represas liberam água para as bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), onde fica Campinas. No período seco de 2026, a garantia para a região é de 158,1 hm³, e até 14 de outubro tinham sido usados 82,16 hm³, segundo a ANA.
Qual a diferença entre volume útil e volume total do Cantareira?
O volume útil é a água entre o nível mínimo e o nível máximo de operação das represas: 981,56 bilhões de litros no total. Abaixo do mínimo ficam outros 510,89 bilhões de litros, segundo a ANA. Os percentuais oficiais do nível consideram só o volume útil.
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1. Quantas represas formam o Sistema Cantareira?
São cinco represas interligadas: Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro, segundo a ANA.
2. Qual é o volume útil total do Cantareira?
O volume útil é de 981,56 hm³, segundo a Resolução Conjunta ANA/DAEE nº 925/2017. Os cerca de 498 bilhões são o que havia nas represas em 30 de outubro de 2026.
3. A partir de qual nível o Cantareira volta à Faixa 1 (Normal)?
A Faixa 1 começa em 60% do volume útil, segundo a Resolução Conjunta ANA/DAEE nº 925/2017. Entre 40% e 60%, vale a Faixa 2 (Atenção).
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