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Economia da Argentina em 2026: inflação de 33,4% em 12 meses, sete vezes a do Brasil
Os preços argentinos subiram 1,9% em setembro e 23,6% no ano, segundo o INDEC, e o real compra 9,9% mais pesos que há um ano, pelo Banco Central argentino.

A inflação da Argentina chegou a 33,4% em 12 meses em setembro de 2026, segundo o INDEC, o órgão oficial de estatísticas do país. É mais de sete vezes a taxa brasileira, de 4,58%, medida pelo IBGE. Para quem viaja ou faz negócios do outro lado da fronteira, isso pesa no bolso.
O ritmo mensal, porém, é bem menor que o do começo do ano. Os preços subiram 1,9% em setembro, depois de 2,9% em janeiro e 3,4% em março. No acumulado de 2026, a alta é de 23,6%.
A economia cresceu 2,0% no segundo trimestre sobre o mesmo período de 2025, mas o desemprego ficou em 7,9% e a pobreza voltou a passar de 30% da população urbana.
- Inflação em 12 meses33,4% em setembro (INDEC)
- Inflação no mês1,9% em setembro
- PIB+2,0% no 2º trimestre ante 2025; −0,6% ante o 1º trimestre
- Desemprego7,9% no 2º trimestre
- Pobreza32,3% das pessoas no 1º semestre
- Dólar1.523,35 pesos em 19 de outubro (Banco Central da República Argentina)
- Real301,63 pesos em 19 de outubro
- ReservasUS$ 50,0 bilhões em 15 de outubro
33,4%
foi a alta dos preços ao consumidor na Argentina entre setembro de 2025 e setembro de 2026
Fonte: INDEC, 13 de outubro de 2026
Inflação mês a mês: de 3,4% em março a 1,9% em setembro
A inflação mensal argentina oscilou entre 1,7% e 3,4% ao longo de 2026. O pico foi em março. Desde abril, o índice não passou de 2,6%, e agosto marcou a menor taxa do ano, com 1,7%, segundo o INDEC.
Fonte: INDEC, índice de preços ao consumidor, outubro de 2026
Em setembro, os itens que mais subiram foram habitação, água, luz, gás e outros combustíveis, com 3,1%, e educação, com 3,0%. Alimentos e bebidas não alcoólicas avançaram 2,0%. Num só mês, a Argentina teve inflação equivalente a quase metade do que o Brasil acumulou de janeiro a setembro, 3,95%.
O mercado argentino espera desaceleração. A mediana das projeções de inflação para os próximos 12 meses estava em 21,1% no fim de setembro, segundo o levantamento de expectativas do Banco Central da República Argentina. No Brasil, a projeção do mercado para o IPCA de 2026 era de 5,22% em 16 de outubro, segundo o Boletim Focus, do Banco Central.
PIB, desemprego e pobreza lado a lado com o Brasil
A atividade econômica argentina cresce na comparação anual, mas perdeu fôlego no meio do ano. O PIB do segundo trimestre ficou 2,0% acima do mesmo período de 2025 e 0,6% abaixo do primeiro trimestre, na série com ajuste sazonal.
O indicador mensal de atividade de julho, o EMAE, mostrou queda de 1,4% sobre julho de 2025 e de 2,9% sobre junho.
O que puxa o crescimento são setores ligados à exportação. No segundo trimestre, a pesca subiu 44,7%, a mineração 16,4% e a agropecuária 6,9% sobre 2025, segundo o INDEC. As exportações cresceram 13,7% sobre o segundo trimestre de 2025, enquanto o consumo das famílias caiu 2,4% em relação ao primeiro trimestre.
| Indicador | Argentina | Brasil |
|---|---|---|
| Inflação em 12 meses (setembro) | 33,4% | 4,58% |
| Inflação em setembro | 1,9% | 0,82% |
| Inflação no ano (jan.–set.) | 23,6% | 3,95% |
| PIB do 2º trimestre ante o 1º | −0,6% | +0,5% |
| PIB do 2º trimestre ante 2025 | +2,0% | +2,0% |
| Desemprego | 7,9% (2º tri.) | 5,3% (jun.–ago.) |
| Reservas internacionais | US$ 50,0 bi | US$ 364,9 bi |
| Dólar | 1.523,35 pesos | R$ 5,06 |
Fonte: INDEC, Banco Central da República Argentina, IBGE e Banco Central do Brasil, dados de setembro e outubro de 2026.
No mercado de trabalho, a desocupação argentina foi de 7,9% no segundo trimestre, nos 31 aglomerados urbanos pesquisados. A informalidade atingiu 45,0% dos ocupados. No Brasil, o desemprego ficou em 5,3% no trimestre de junho a agosto, o menor para o período desde o início da série do IBGE, em 2012.
A pobreza argentina subiu para 32,3% das pessoas no primeiro semestre de 2026, contra 28,2% no segundo semestre de 2025. São 9,7 milhões de pessoas nas cidades cobertas pela pesquisa. A indigência, que mede quem não consegue comprar a cesta básica de alimentos, passou de 6,3% para 7,5%.
O INDEC informou que a diferença em relação ao primeiro semestre de 2025, quando a pobreza era de 31,6%, não é estatisticamente significativa. O IBGE mede a pobreza brasileira com outra linha de renda e outra pesquisa, por isso os percentuais dos dois países não se comparam diretamente.
Peso, real e o que muda para o brasileiro
O peso argentino perdeu pouco valor diante do dólar em um ano. A cotação de referência do Banco Central da República Argentina foi de 1.523,35 pesos por dólar em 19 de outubro, alta de 4,1% sobre 20 de outubro de 2025. Em 16 de abril, chegou a 1.352,98 pesos, o menor valor do ano.
As reservas internacionais do banco central argentino somavam US$ 50,0 bilhões em 15 de outubro, quase 20% a mais que um ano antes. As brasileiras eram de US$ 364,9 bilhões em 16 de outubro, pelo Banco Central do Brasil, cerca de sete vezes mais.
Os juros seguem altos. A taxa Badlar, que mede quanto os bancos privados argentinos pagam em depósitos grandes, estava em 23,6% ao ano em 16 de outubro. No Brasil, a Selic, taxa básica definida pelo Copom, está em 13,75% ao ano desde setembro.
Para o turista brasileiro, a conta mudou. Um real comprava 301,63 pesos em 19 de outubro, 9,9% a mais que um ano antes. Como os preços argentinos subiram 33,4% no mesmo período, uma viagem ficou em média 21% mais cara quando medida em reais.
Na prática, um jantar de 30.000 pesos em Buenos Aires ou Puerto Iguazú sai por cerca de R$ 99,50 na cotação oficial. Casas de câmbio e cartões cobram taxas próprias, e o guia do lado argentino das Cataratas mostra preços de ingresso e documentos para quem cruza a fronteira em Foz do Iguaçu.
O comércio entre os dois países também encolheu do lado brasileiro. De janeiro a setembro, o Brasil exportou US$ 11,6 bilhões para a Argentina, 18,5% menos que em 2025, segundo o Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). As importações de produtos argentinos cresceram 4,4%, para US$ 10,0 bilhões.
Com isso, o saldo favorável ao Brasil caiu de US$ 4,7 bilhões para US$ 1,6 bilhão no período.
O tamanho das duas economias ajuda a pôr os números em perspectiva. Pelo ranking do FMI, o Brasil é a 10ª economia do mundo em 2026, e a Argentina fica fora das 20 maiores, como mostra a lista das maiores economias do mundo. A evolução dos preços no Brasil está no acompanhamento da inflação de 2026 mês a mês.
Como calculamos. A alta média de 21% em reais divide a variação de 33,4% dos preços argentinos em 12 meses, do INDEC, pela valorização de 9,9% do real diante do peso. Essa valorização compara as cotações de 20 de outubro de 2025 e 19 de outubro de 2026 do Banco Central da República Argentina. O jantar de exemplo usa a cotação de 301,63 pesos por real.
A próxima inflação mensal argentina, de outubro, será publicada pelo INDEC em novembro. No Brasil, o IBGE divulga o IPCA-15 de outubro, a prévia da inflação do mês, na sexta-feira, 23 de outubro.
Como citar: Ouviram (20 out. 2026). «Economia da Argentina em 2026: inflação de 33,4% em 12 meses, sete vezes a do Brasil». ouviram.com.br/economia/como-esta-a-economia-da-argentina-2026-inflacao-pib-cambio
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
Brasileiro precisa de passaporte para ir à Argentina?
Não. Para turismo, brasileiros entram na Argentina com a carteira de identidade física emitida há menos de 10 anos e em bom estado, ou com passaporte válido. CNH e documento digital não valem.
Quanto vale 100 reais em pesos argentinos hoje?
Pela cotação de referência do Banco Central da República Argentina de 19 de outubro de 2026, R$ 100 equivaliam a 30.163 pesos. Casas de câmbio e cartões aplicam taxas próprias.
Qual o limite de compras na Argentina para trazer ao Brasil?
Na volta por terra, a cota de isenção da Receita Federal é de US$ 500 por pessoa, usada uma vez por mês. O que passar disso paga imposto e precisa ser declarado.
O que é o INDEC?
É o Instituto Nacional de Estadística y Censos, o órgão oficial de estatísticas da Argentina, equivalente ao IBGE. Ele calcula a inflação, o PIB, o desemprego e a pobreza do país.
A Argentina faz parte do Mercosul?
Sim. A Argentina fundou o Mercosul com Brasil, Paraguai e Uruguai pelo Tratado de Assunção, de 1991, e é um dos maiores parceiros comerciais do Brasil.
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1. Qual foi a inflação da Argentina em 12 meses até setembro de 2026?
O INDEC calculou alta de 33,4% nos preços ao consumidor entre setembro de 2025 e setembro de 2026.
2. Quanto as reservas internacionais argentinas somavam em 15 de outubro de 2026?
Eram US$ 50,0 bilhões, segundo o Banco Central da República Argentina, contra US$ 364,9 bilhões do Brasil, pelo Banco Central do Brasil.
3. Qual foi a taxa de desemprego da Argentina no 2º trimestre de 2026?
O INDEC mediu 7,9% de desocupação nos 31 aglomerados urbanos da pesquisa; 5,3% é a taxa brasileira de junho a agosto, pelo IBGE.
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